Religião e Mortalidade

“Ter uma religião aumenta sua sobrevida?”
A pergunta procede. Na esteira dos hard endpoints, não basta viver melhor – o que certamente a religião permite – mas também, viver mais. O estranho é que a sobrevida associada às religiões não é um “efeito de classe” e varia positiva ou negativamente não apenas conforme a religião, mas dentro de correntes do próprio cristianismo! Pelo menos é o que mostra um artigo publicado na Social Force em 1 de junho e comentado na Science Daily.
O autor, Troy Blanchard, afirma que pessoas que vivem em áreas com grande número de católicos e protestantes (Mainline) acabam tendo uma sobrevida maior. Duas explicações são aventadas: “First, these types of churches have what’s known as a ‘worldly perspective.’ Instead of solely focusing on the afterlife, they place a significant emphasis on the current needs of their communities”. Estas religiões organizam esforços para os necessitados e sem-teto e participam de outras formas de caridade pública. “Secondly, these congregations tend to create bridging ties in communities that lead to greater social cohesion among citizens.” Não sei bem o que isso quer dizer, mas atribui-se que o efeito é um tipo de senso maior de comunidade que encoraja o comportamento saudável.
Por outro lado, “We find that a greater presence of Fundamentalist and Pentecostal congregations is associated with higher rates of mortality, but communities with a large number of Evangelical congregations have better health outcomes”. Continua: “In contrast to Catholics and Mainline Protestant congregations, Conservative Protestant churches have a mixed effect on community health. The “otherworldly” character of Conservative Protestantism leads congregations in this tradition to focus on the afterlife. Conservative Protestantism is also a more individualistic faith, one in which the believer’s personal relationship with God is paramount. These types of churches are thought to downplay the importance of using collective action, including human institutions, to improve the world. Communities dominated by Conservative Protestant churches tend to have higher mortality rates.”
Não li o artigo (acesso bloqueado) mas fico imaginando como o autor controlou variáveis como classe social, instrução e outros fatores que influenciariam os índices de mortalidade. Há vários blogs comentando o assunto. O mais interessante é este, com vários posts. O mais legal, entretanto, foi o comentário postado em um deles, que reproduzo aqui:

“There really is no evidence that the suggested mechanisms of church outreach/ charity etc. has any effect at all on differential mortality statistics. And, on the contrary, there is a vast literature on the positive correlation of IQ and health e.g.: http://www.udel.edu/educ/gottfredson/reprints/2004fundamentalcause.pdf
http://www.bmj.com/cgi/content/extract/329/7466/585 and this may indeed be a fundamental factor in human evolutionary history, maybe driving the increase in IQ both pre- and post- the out-of-Africa event:
http://www.udel.edu/educ/gottfredson/reprints/2007evolutionofintelligence.pdf
Posted by: BGC July 5, 2008 10:04 AM
Os artigos são demais!!! Vou lê-los com calma e comentaremos…

Discussão - 3 comentários

  1. aleph disse:

    Caro Karl, ter Q.I. elevado, muito dinheiro no bolso e, mais importante, “genes do bem”. Igreja e religião para quê???

  2. Karl disse:

    Caríssimo Aleph,Já fizeste teu Neuropsicológico? Muito dinheiro sei que não tens. Quanto aos genes, ainda não o sabes. Melhor é pegares uma missazinha domingo próximo, só para garantir…

  3. aleph disse:

    Caro Pastor Karl, não disse que sou eu o possuidor de tais atribuitos, embora fique lisonjeado e, ao mesmo tempo, embaraçado com tal impressão. O Saint-Exupèry escreveu que “palavras são fontes de desentendimento”, para não citar o magistral Wittgenstein. Abraço!P.S.: Só por curiosidiade: Meu Q.I. é só um pouquinho acima da média, nada de mais. Dinheiro, não tenho. Meus genes, a depender de meus pais, são “meia-boqueta”.

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