Quociente de Inteligência e Orientação Política

Turn_Left.jpg Some political advice for conservatives. By Sam Wilkinson.

Em tempos de eleição é sempre importante darmos uma checada nas nossas escolhas. Principalmente se pudermos fazer uma escolha “inteligente”. Por anos, psicólogos, sociólogos, antropólogos e cientistas das mais variadas áreas têm tentado demonstrar uma relação entre “inteligência” e “orientação política”. Seriam os liberais mais inteligentes, ou seriam os conservadores?

Um artigo in press da revista Personality and Individual Differences tenta abordar esse assunto. O título é direto: “Is there a relationship between political orientation and cognitive ability? A test of three hypotheses in two studies. O autor é Markus Kemmelmeier, sociólogo da Universidade de Nevada. (para o abstract, clique aqui). Segundo o resumo:

“Two studies tested one linear and two curvilinear hypotheses concerning the relationship between political conservatism-liberalism and cognitive ability. Study 1, focusing on students at a selective US university (n = 7279), found support for the idea that some dimensions of conservatism are linked to lower verbal ability, whereas other dimensions are linked to higher verbal ability. There was also strong support for political extremists both on the left and right being higher in verbal ability than centrists. Study 2 employed aggregate data pertaining to the 50 US states and demonstrated that conservatism was linked to lower cognitive ability in states with high political involvement, but found conservatism to be correlated with higher average ability in states with low political involvement. The discussion addresses potential implications and criticisms of this research.”

O assunto é complexo. Até Theodor Adorno deu os seus pitacos em 1950! (ver aqui e aqui). Fico pensando se o QI é um bom método para medir tais variáveis. Na verdade, o estudo utiliza o SAT que pode, em algumas situações, ser comparado ao QI (ver aqui e aqui). Será que não existe um bias de publicação e se ser de “esquerda” nos EUA é a mesma coisa que ser de “esquerda” na França ou no Brasil, são questões não respondidas. Não consigo desvincular tais publicações de tentativas de legitimação, mas vindo de um país como os EUA, tudo fica muito confuso. Gostaria de ouvir a opinião dos leitores.

Discussão - 5 comentários

  1. Orlando disse:

    Hitler pensava o mesmo, isto é, que existia uma ligação directa entre a opção política, raça, religião, etc., e a inteligência. O problema é que ele exagerou um pouquinho, né?

  2. Karl disse:

    O estudo tinha 3 hipóteses, Orlando, para relacionar habilidades cognitivas e orientação politica. A saber:
    Hypothesis 1 predicts there to be a linear and positive relationship between these constructs. Assuming that extremists of all stripes are similar in their lack of cognitive resources, Hypothesis 2 predicts an inverted U-shaped curvilinear relationship with higher cognitive ability in the political mainstream, and lower ability toward the extremes. Lastly, assuming that deviating from the political mainstream requires cognitive resources, Hypothesis 3 predicts a U-shaped curvilinear relationship with higher levels of cognitive ability toward the political extremes, and lower levels toward the center. Note that, while Hypothesis 2 and 3 make opposite predictions, Hypothesis 1 is compatible with either of the two. Indeed, investigations examining cognitive styles have obtained support for both Hypothesis 1 and 3.

  3. Karl disse:

    As conclusões são:
    The present studies paint a somewhat complex picture of the relationship between cognitive ability and political orientation. There was general support for Adorno et al.’s (1950) notion that higher conservatism (lower liberalism) was linked to lower cognitive functioning (Hypothesis 1).
    Hypothesis 3, Sidanius’s (1985) notion that extremists, whether conservative or liberal, command greater cognitive resources also garnered a good deal of support.
    In the present data there was no evidence whatsoever to support the notion that those on the political fringes have lower cognitive ability than those with middling views (Hypothesis 2).
    Não consigo ver uma relação disso com a visão hitleriana das relações entre raça e desempenho, seja físico ou cognitivo. O assunto, de qualquer forma, é bastante polêmico e abre espaço para outras questões, p.ex. como se manifestam patologias como depressão, dist. bipolar, ansiedade, nos indivíduos de diferentes correntes políticas? No caso da religião, já existe um mapa, mais ou menos reconhecido de problemas relacionados. Tens alguma referência sobre isso? Obrigado pelo comentário. Seja benvindo ao Ecce Medicus.

  4. Orlando disse:

    Em primeiro lugar, há que definir conceitos. A capacidade cognitiva entendida à luz do positivismo não é a única definição possível para o conceito. O assunto é muito complexo e dava um ensaio, por que mexe com a teoria do conhecimento transversal a toda uma série de teorias defendidas aos longo de mais de dois mil anos ― incluindo a filosofia quântica. Por exemplo, a lógica quântica extrapola ― e anula mesmo ― a cognoscibilidade positivista. Segundo o teorema de Goedel, um sistema fechado não detecta as suas próprias contradições, e qualquer análise empírica e positivista sobre a capacidade cognitiva funciona em sistema fechado.
    A minha opinião é a de que a orientação política não é, por si só e de todo, sinónimo de mais ou menos capacidade cognitiva nem é reflexo desta, porque estaríamos partindo do princípio de que a lógica beneficia mais uma tendência política em detrimento de outra. A capacidade de apreensão da lógica matemática inerente à natureza segue outros padrões que passam por coisas tão diferenciadas como a educação, o ambiente, a cultura ― que são formatações biológicas não-naturais ― e pela genética. Uma criança que aprende piano a partir dos três anos de idade adquire aptidões e desenvolve capacidades a nível do cérebro que permitem uma apreensão cognitiva na área da sensibilidade musical que outra criança não teria ― e aqui já falamos de outro tipo de inteligência: a intuição.
    A capacidade cognitiva tem a ver com a capacidade individual de identificação do Valor, sendo que o valor relativo e individual tende para o valor absoluto através do desejo que se estende até ao infinito ― o desejo é a simbiose entre a sensibilidade e o querer (vontade). Ora a identificação do Valor é essencialmente intuitiva, embora passe em larga medida pela educação.
    A inteligência é múltipla: a “inteligência pessoal” que é a característica de entender outras pessoas, a “inteligência física e cinestésica” que é a capacidade de se movimentar de forma coordenada, a “inteligência linguística”, a “inteligência matemática e lógica”, a “inteligência espacial” que é a capacidade de constituir e manipular na mente imagens e objectos, e finalmente, a “inteligência musical”.
    Do conservadorismo inglês e americano que se seguiu a John Locke (relativamente ao revolucionarismo francês e europeu continental decorrente de Rousseau) surgiu a liderança do progresso científico e tecnológico do mundo contemporâneo. Basta este facto histórico para colocar em causa as premissas de uma equação que deram um resultado definido à partida ― colocamos as premissas de um problema de tal forma que o resultado da equação seja aquele que queremos a priori.

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