Blogs, Ciência, Religião e o Debate no Lablog

Talvez, o que mais irrite nos creacionistas e defensores do design inteligente (DI) é a forma de argumentação, principalmente quando utilizam-se de argumentos “científicos”, mas que em geral, são bastante diferentes dos utilizados por nós, simpatizantes da ciência. Também cometemos os mesmos erros quando tentamos discutir assuntos metafísicos com nosso arsenal argumentativo e quando esquecemos da metafísica presente na própria ciência! (Tenho um artigo interessante sobre a metafísica das espécies).
Quando colocamos um blog no ar, temos uma responsabilidade pública e social. Quero testar minhas opiniões sobre as coisas nas quais gosto de pensar. Quero testar a opinião de outras pessoas. Quero melhorar o mundo, por que não?! Posso tanto mudar de idéia, como também fazer com que outras pessoas comecem a raciocinar de forma diferente. Que fazer com idéias divergentes, muitas vezes agressivamente opostas, às vezes com objetivo explícito apenas de provocar? Acho “deletar” um tanto autoritário. Acredito (e isso é fé pura) na razão compartilhada. Isso implica em aceitar opiniões diversas e construir juntos afirmações com valor de verdade. E não em amar a Verdade. A Verdade é tão intangível quanto fadas, duendes e amigos imaginários deificados. Substituir Deus pela Verdade não alivia. Nietzsche já dizia que ciência e religião estão no mesmo terreno pois ambas acreditam na inestimabilidade e incriticabilidade da verdade e nisso, sempre serão aliadas (GM§25, 3a Dissertação). Da mesma forma como existem defensores irascíveis do DI, também conheci vários “ativistas” do ateísmo dogmático que agem como se a ciência fosse a sua religião. Demolir, destruir ou ridicularizar argumentos contrários é para quem acha que detém a Verdade (com “v” maiúsculo mesmo). É fazer o que um provocador quer. É não reconhecer aquela parcela de fé única e exclusiva da qual a ciência também depende.
Qual a diferença entre a crença nessa Verdade quase absoluta que achamos que possuímos e a crença em ETs? Qual é a razão de estudarmos ciência se não adquirirmos tolerância? Isso já não deu certo outras vezes. Que ao menos não se repita o mesmo erro.

Discussão - 7 comentários

  1. Igor Santos disse:

    Já ouvi muitas vezes minha posição/opinião ser criticada porque eu “quero explicar tudo usando ciência”.
    A palavra “ciência” já passou a ser usada pejorativamente, como se fosse uma crença, quando na verdade é apenas um método para se tentar entender a natureza.
    Mas com pessoas assim é difícil argumentar.
    Nem tudo é preto OU branco, 8 ou 80.

  2. Luis Brudna disse:

    Bem…
    Onde passa boi, passa boiada.

  3. Carlos Hotta disse:

    O problema é quando o comentário critica o seu texto e aproveito para criticar a “Ciência” e tudo mais. Ele quer atingir a “Ciência” te derrubando…

  4. Karl disse:

    Igor, esse post não tem a intenção explícita de criticar ninguém em particular, mas todos no conjunto. Luis, não entendi. Hotta, derrubar a gente, qualquer mané derruba, mas atingir a ciência??!! A ciência precisa sim, ser criticada. E deixarmos isso para seus inimigos não parece ser a saída.

  5. João Carlos disse:

    A este respeito, me vem à memória uma daquelas introduções que Isaac Asimov fez para uma de suas antologias. Ele relata que, em diversas ocasiões, foi confrontado por pessoas que descreviam um fato qualquer, não explicado pela ciência (e.g: o Efeito Mpemba), e o brandiam cobrando: “explique isso, então!…”, como se o fato da ciência não ter explicações para tudo tornasse a ciência totalmente inválida… E contrapunha que a ciência jamais pretendeu ter respostas para tudo (ao contrário das religiões… 😉 )
    Neste caso, eu me sinto “a cavaleiro” para comentar, porque sou declaradamente religioso e praticante de uma religião particularmente discutível: a Umbanda. 😯
    E como eu faço para não deixar que minhas convicções pessoais interfiram em minha objetividade ao tratar de ciência? Muito simples: sendo absolutamente cético em matéria de ciência e tão crédulo quanto eu queira, em matéria de religião. 😛
    Eu procuro não misturar uma coisa com outra. O que me incomoda é que estão surgindo “prosélitos” do ateísmo, como se o próprio ateísmo fosse uma religião! E fundamentalista, o que é mais grave. Quem adora citar Dawkins se esquece de um ponto muito importante: só quem concorda com ele o aplaude. Ou seja, ele “ganha todos os votos que já tinha…” Duvido muito que essa forma agressiva de ateísmo consiga “converter” alguém…
    Aqueles anúncios nas laterais dos ônibus são tão patéticos quanto qualquer “pastor” berrando suas sandices bíblicas em praça pública. É “por as mãos no chão e devolver o coice ao burro”. 😛
    Se estamos aqui para falar de ciências, falemos delas. E vamos denunciar as sandices, de qualquer origem, pelo que são: negações teimosas de fatos cientificamente comprovados, ou alegações fantasiosas sem um mínimo de critério. E exponhamos nossas convicções pessoais pelo que elas são: convicções com base em nossas experiências próprias ou que nos pareceram suficientemente demonstradas.
    Os mais “sábios” são cheios de dúvidas, porque têm uma vaga noção da extensão da própria ignorância. Os ignorantes é que são cheios de “certezas”, porque aceitam, sem discutir, “argumentos de autoridade”.

  6. Patrícia FRosa disse:

    Gostei muito do seu texto. Acredito que, criacionista ou cientificista, devemos ter nossas opiniões e sobre tudo saber RESPEITAR as opiniões diferentes das nossas, sem que isso implique em desvalorização de uma ou outra opinião.Enquanto professora de biologia aprendi que o respeito as crenças dos meus alunos é melhor forma para eu ser ouvida depois.

  7. Karl disse:

    Obrigado pelo comentário, professora. Seja bem-vinda ao Ecce Medicus.

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