Vacina para Gripe

Time Trends in Influenza Vaccine Coverage and Influenza-Related Mortality in People 65 Years and Older in the US, Based on Two Death Categories(A) All-cause mortality. (B) Pneumonia and influenza mortality. The black curve illustrates observed monthly mortality rates, the purple curve represents a monthly model baseline above which mortality is attributed to influenza [1], and the green curve represents trends in seasonal vaccine coverage in people 65 years and older. Red shaded areas represent seasonal estimates of excess mortality attributed to influenza (observed over baseline), while blue areas represent non-influenza mortality. Red stars indicate epidemic seasons dominated by the more severe A/H3N2 influenza viruses [10]. Grey arrows indicate the two periods used in Kwong et al.’s comparative study to evaluate the benefits of universal immunization in Ontario, Canada (1997–2000 and 2000–2004) [9]. Note the less frequent circulation of severe A/H3N2 viruses in the second part of Kwong et al.’s study period, 2000–2004. Trends in influenza burden estimates for these periods are provided for the US and Ontario in Table 1.

Dona Lourdes tem 80 anos e um metro e meio. Ativa, sobe na maca e dá um tapa carinhoso na minha mão que se extende para auxiliá-la. Sentada, com os olhos vivos, obedece prontamente a todas as solicitações que faço. Desce e dispara: “Dr, estou bem! Não disse?!” De volta à mesa, começo a escrever e a falar: “Final de Março, começo de Abril, então esse ano vamos tomar vacina para gripe?” Ela inverte as sobrancelhas em reprovação e sempre dá a mesma resposta todo ano: “Essa vacina não serve para nada. Minhas amigas que tomaram, tiveram gripe. A Irene teve pneumonia, imagine! Deus me livre. Eu não tomo, nem de graça!” A racionalidade do meu discurso é ineficaz. Números e porcentagens não a emocionam. Vencido, entrego a renovação da receita e peço para marcar o retorno.
Passam alguns meses e sai um artigo na Plos: estudos recentes mostram que, apesar da cobertura vacinal ter aumentado nos últimos anos, a morbidade e a mortalidade da influenza continua alta. No caso de pacientes maiores que 65 anos, vejamos o que diz:
“Seniors suffer about 90% of the influenza seasonal mortality burden, and rates of hospitalization and death are increasing as the population ages [1]. Studies of national trends in the United States and Italy showed that even after adjusting for population aging and pathogenicity of circulating influenza viruses, vaccine uptake in seniors was not associated with a decline in influenza-related mortality ([2,3]; Figure 1). These disappointing experiences can be explained by the phenomenon of immune senescence, whereby immune response to vaccines declines in the last decades of life [4]. These results—along with a growing understanding that the expected effectiveness of vaccination had been greatly overestimated in seniors [5,6]—have fueled debate over the best strategy to protect high-risk populations [1,7].”
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil utiliza a vacina contra influenza desde 1999 quando foi realizada a primeira campanha de vacinação contra gripe, inicialmente na população acima de 65 anos e a partir de 2000 na população de 60 anos ou mais. Uma redução no número de hospitalizações por complicações decorrentes já foi observado em avaliações preliminares.
Não contei nada para Dona Lourdes ainda. A próxima consulta é mês que vem.

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Discussão - 9 comentários

  1. Igor Santos disse:

    Mas as vacinas também não são feitas com o vírus do ano anterior?
    Estão levando em consideração aí que os mais velhos podem sofrer complicações mais rapidamente quando infectados?

  2. Adoro quando vc conta essas histórias cotidianas. Senescência imunológica: faz sentido, mas que pena! a vacina da gripe tinha tudo pra ser um “case” bem-sucedido em saúde pública.

  3. aleph disse:

    Caro Karl,
    não venha dar uma de engraçadinho! Cadê o fim da história da acromegalia?
    Bom, já que o assunto é gripe, minha orientação com os conhecimentos que tenho é: não vacine velho, pô!
    Abraço!

  4. Karl disse:

    Conto ou não para Dona Lourdes?

  5. Igor Santos disse:

    Conte. Na melhor das hipóteses ela vai se vacinar e não vai adoecer. Na pior, ela não vai tomar e vai continuar não pegando gripe.
    Ou algo ainda pior…
    But, hey, that’s life!

  6. maria disse:

    fiquei intrigada. de onde vem o efeito detectado pelo nosso ministério da saúde?
    as donas lourdes confiam que você lhes apresente sempre seu conhecimento mais atualizado, enriquecido com suas reflexões e conselhos. que se tornam confiáveis em parte pela sinceridade de falar até o que você preferia ocultar… ou não?

  7. Karl disse:

    É o ponto, Maria! Postei isso porque sou um forte defensor da vacina para gripe. Uma informação atualizada é que a vacina pode não ser tão eficaz assim. Isso vai contra o que penso, mas a favor do que Dona Lourdes pensa. Não se trata de honestidade intelectual, entretanto. Tem mais a ver com o que Gadamer chama de inevitável relação com a prática da medicina. O médico, para poder tomar suas decisões, tem de lidar com a ciência como se ela fosse completa. Mas ela não é. Ao contar o resultado do estudo para Dona Lourdes tenho certeza que não vou perder um “cliente”. Meu receio é causar um certo excesso de confiança da sua sensibilidade leiga sobre assuntos médicos que muitas vezes, são contra-intuitivos e serão contra-producentes. Serve também para quem defende uma conduta, muitas vezes com unhas e dentes, para ser desmentido anos, talvez, meses depois. Por isso, não se pode deixar a decisão entre tratar ou não um paciente a cargo de um artigo científico. Obrigado a todos pelos comentários.

  8. João Carlos disse:

    Dá uma olhada nesta matéria do EurekAlert: Older people should have the flu jab this winter, warn experts, original no BMJ-British Medical Journal.

  9. Diomar Saúde Belém disse:

    Tenho intolerância, media, a ovo – a consequência é enxaqueca.
    Tenho 63 anos e sou hipertensa, posso tomar a vacina H1N1 ?
    Aguardo resposta pelo e-mail acima, obrigada.

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