Ainda Sobre Racismo

Interessante livro sobre racismo do qual fiquei sabendo no Biscoito que por sua vez leu no Liberal Libertário Libertino: The Racial Contract de Charles W. Mills.
A tese do livro, bastante foucaultiana aliás, pelo menos em uma primeira aproximação, é que o racismo é um sistema político e uma estrutura de poder baseados em um contrato social que seria na verdade, um contrato racial. Esse contrato funcionaria como uma “matrix”, chamada de “alucinação consensual” que impediria a correta interpretação da realidade. O LLL comenta:
“Na verdade, a força ideológica do Contrato Racial em criar e moldar a realidade é tamanha que ela mantém a maioria dos seus beneficiários em eterno estado de denegação histérica. Como enxergar a realidade significaria encarar também sua cumplicidade no Contrato Racial, apelam para “racionalizações tão fantásticas que beiram o patológico”, gerando uma “ignorância dolorosa tão estruturada” [a tortured ignorance so structured] que torna impossível levantar certas questões. Por mais que se aponte e se prove empiricamente a virulência do racismo, eles não acreditam e, paradoxalmente, não conseguem acreditar justamente porque sabem que é verdade. (Mills, 97)”
A estruturação do discurso racista se faz tão insidiosamente que se confunde com o “meio” no qual vivemos como se não houvesse outra alternativa. Assim como o peixe que não vê a água, também os pertencentes à raça dominante, não enxergariam o racismo. Como os objetivos são a manutenção do status quo, de privilégios a oportunidades, seria uma ferramenta fundamental de dominação que permearia todas as esferas da sociedade, todos os dispositivos do estado, todo e qualquer rincão onde o poder dominante pudesse ser ameaçado. Pergunto-me se a ciência, que sabemos ser um dispositivo fundamental na constituição do estado no capitalismo tardio, estaria fora desse circuito.
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Feliz Natal a todos.

Discussão - 1 comentário

  1. João Carlos disse:

    Infelizmente, não… Lembra das minhas (do Asimov, na verdade…) objeções quanto aos critérios de avaliação de QI?… A principal objeção dele era, exatamente, que é a “cultura da classe dominante” que estabelece os parâmetros.
    E os preconceitos são capazes até de falsear pesquisas “rigorosamente científicas”. (cito como exemplo a pesquisa de um cientista sulafricano sobre o “mito da inteligência dos golfinhos” que me valeu um bom “bate-boca” com meu estimado Caio de Gaia).

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