The Independent Physician

O New England Journal Medicine publica hoje um artigo sobre a independência do médico. Chama-se médico independente aquele que, além de prover cuidados a pacientes segurados e não-segurados, o faz ou de forma independente, que aqui chamaria-se autônoma, ou em pequenos grupos ou clínicas. Os dados são preocupantes. O número de médicos que migra desse tipo de prática isolada ou de pequenas associações para juntar-se a grupos maiores ou corporações onde frequentemente são empregados, é crescente como mostra a tabela abaixo.

O médico, juntamente com o contador e o advogado, entre outros, é um exemplo de profissional autônomo. Muito mais que uma relação trabalhista, aqui ‘autônomo’ também se opõe a heterônomo. Se nomos for traduzido como norma, regra, autônomo é o que faz as suas próprias. Heterônomo é o que obedece as regras feitas por outros. Não é difícil imaginar as repercussões à prática médica desse fato.

Quando levantei a questão do público e do privado na medicina baseada em evidências era exatamente sobre isso que gostaria de escrever. Quais implicações teríamos se esse médico trabalhasse para o Estado, para si mesmo ou para uma empresa com ações na bolsa de valores que tem como objetivo primordial remunerar acionistas?

Discussão - 2 comentários

  1. Aleph disse:

    Caro Karl,
    a mediocridade cada vez maior dos médicos faz com que eles sejam presas fáceis para as grandes instituições (com ações nas bolsa). E quanto mais médicos, pior. Um famoso hospital de São Paulo agora é famoso por seus “núcleos avançados”, que nada mais são que médicos submetidos às regras da instituição. Mas como disse um amigo entendido dessas coisas, “sempre haverá algum Antônio Ermírio disposto a pagar os serviços de um bom médico (= “autônomo”).
    Vida dura essa de vocês médicos, hein?

  2. Renan disse:

    Presas fáceis são, mais ainda, os pacientes, leigos perdidos em um turbilhão de informações ou desinformações. Muitos, hoje, seguem somente à lógica: se eu pago, tenho direito à saúde. Afinal, pagar ainda é a “via rápida” desprovida da necessidade de raciocínio (sic), principalmente o preventivo.
    Formar bacharéis em massa, num processo rápido, superficial e relativamente barato, já era a tradição de algumas profissões. A medicina incorporou o padrão (com justiça: somente em algumas faculdades) e agora estamos todos colhendo frutos.
    Que médicos vocacionados exerçam seu livre-arbítrio profissional de maneira, sim, autônoma. Preferencialmente conectados aos colegas semelhantes.

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