Medicina Baseada em Filantropia

São vários os critérios de escolha de um consumidor por um produto desta ou daquela indústria. Um dos critérios de importância crescente é, sem dúvida, o fato de determinada indústria ter ou não uma atuação ambiental consistente. Muitas ainda têm essa atuação vinculada a seus departamentos de marketing, mas já há ações bastante sérias e projetos interessantes. Para saber mais sobre isso recomendo a leitura do Ecodesenvolvimento e do Rastro de Carbono.

No nosso caso específico, as indústrias farmacêuticas não tem tido uma boa imagem junto aos consumidores. Isso é devido a vários fatores. Desde a retirada de medicamentos não rentáveis, até acusações de manipulação de resultados de pesquisas científicas. Mas também temos iniciativas interessantes nesse campo.

A boa notícia agora é que a britânica GlaxoSmithKline PLC ou simplesmente GSK, doou 800 patentes de medicações para o que convencionou-se chamar doenças negligenciadas. São várias doenças para as quais não há o interesse econômico nem as luzes de uma publicação badalada – o que normalmente é bem mais atraente a um pesquisador. A notícia foi divulgada por meio de uma pequena nota no Wall Street Journal e repicada em vários outros sites, sem maiores repercussões. Só fiquei sabendo por contato dentro da própria indústria farmacêutica (obrigado, Sérgio!). As patentes serão abertas a grupos de pesquisadores que se interessem em desenvolver medicações para as doenças negligenciadas.

A GSK já era considerada a primeira grande indústria farmacêutica no ranking da filantropia segundo o índice do Access to Medicine – um importante orgão internacional de monitorização do acesso a medicações por populações carentes. Com essa iniciativa deve, com certeza, ganhar muitos pontos na escala. Pena não termos acesso ainda a quais patentes foram liberadas e que a notícia não tenha ganho a mídia comum. Seria uma forma de pressionar as outras indústrias a fazerem o mesmo. Além disso, quem sabe os médicos, a exemplo do consumidor ambientalmente consciente, não se animam a trocar canetas, jantares e viagens pela ajuda humanitária às populações carentes que empresas que fabricam os medicamentos que prescrevemos possam oferecer? É sonhar muito alto?

Ver o gráfico retirado do Access to Medicine aqui View image


Discussão - 1 comentário

  1. Claudia Chow disse:

    Karl, bom saber q existem industrias farmaceuticas preocupadas em ajudar! Depois da declaracao de algumas dizendo q o unico objetivos delas é ganhar dinheiro, fantástico ler essa noticia.
    Não é terrivel num país como nosso que ainda tem crianças morrendo por falta de saneamento básico ter uma cirurgia plástica cotada como uma das melhores do mundo? Sem desmerecer as cirurgias plasticas…

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