Prova de Ausência vs Ausência de Prova

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Reproduzo a pergunta proposta pelo PaIMD do WhiteCoat Underground:

“Se você tivesse a oportunidade de fazer uma pergunta a um defensor de medicinas alternativas em um fórum público, o que você perguntaria?”

Ele mesmo fez essa, a título de exemplo:

“Você poderia dar exemplos de teorias da medicina alternativa ou modalidades que foram abandonadas por serem ineficazes?”

Orac do Respectiful Insolence formulou a seguinte questão  “Qual evidência específica convenceria você de que a homeopatia (ou qualquer que seja a crença do “alternativo”) é ineficaz? e pressionaria por exemplos.”

A pergunta é um direto no estômago não só de quem defende a medicina alternativa, mas de qualquer pessoa que acredita em alguma coisa. Uma possível tradução seria: Que tipo de evidência faria você mudar totalmente suas convicções e visões de mundo? No final, pode ser tudo uma questão de fé, mesmo que seja “apenas” fé no método científico.

Eu perguntaria também porque alguns procedimentos e medicamentos, tendo suas indicações e usos respaldados por artigos científicos, não são prescritos por grande parte dos médicos (descontados a ignorância do assunto, que é relevante). (Posso citar vários exemplos disso). O que é preciso para que eles acreditem, já que o método científico não parece ser suficiente?

Qual seria a sua pergunta? (Aqui vale perguntar para os dois “lados”!)

Tirei a caixa de truques daqui.

Discussão - 4 comentários

  1. Luiz Picanço disse:

    Gostei do artigo.
    Eu imagino a quantidade de técnicas de retótica que devem rolar nesse tipo de discussão.

  2. Otavio disse:

    Minha pergunta:
    Como é possível que uma diluição que significa que a concentração de princípio ativo é igual a um átomo na trajetória de Urano seja eficaz?

  3. Karl disse:

    Veja essa resposta tirada daqui (http://www.tudook.com/saude/os_fundamentos_da_homeopatia.html)
    “As diluições homeopáticas devem ser sistemas dinâmicos não estáveis, em que por efeito da sucussão e da própria plasticidade da água se amplifica o fenómeno de transmissão da informação não molecular. Esta pode nomeadamente ser física, química, cósmica, psíquica, representando a parte energética das partículas, ou melhor, a sua parte qualitativa. Pensamos que a responsabilidade da transferência da informação medicamentosa para a solução resulta das sucessivas sucussões. (…) E quanto mais diluímos, com a consequente e necessária dinamização – processo em que as moléculas se entrechocam de forma violenta e caótica – maior é a potência do medicamento, porquanto inexiste perda de informação, antes, a sua amplificação. A dinamização – que nunca foi satisfatoriamente aclarada por Hahnemann – é o procedimento que no nosso entender, permite a replicação da informação e o seu incremento na renovação do procedimento de diluição.”
    Ele disse mesmo que quanto mais diluído, mais potente. É outro raciocínio…

  4. João Carlos disse:

    Vamos por partes (disse Jack, o Estripador)…
    A primeira coisa a definir é o valor do termo “evidência” (o uso indiscriminado desse anglicismo ajuda a tornar as coisas nebulosas). Um valor possível é “prova”; outro é “indício”.
    No caso da homeopatia, existe uma “prova de ausência” bem clara: os princípios ativos dos medicamentos não estão presentes! (Resta saber, então, como uma família que eu conheço, ardorosa entusiasta da homeopatia, ainda não partiu desta para melhor… Efeito placebo?)
    No caso da acupuntura, a coisa já é mais nebulosa… Existem “indícios” de validade da prática — não menos discutíveis do que uma pletora de outros “indícios” da eficácia de outras terapias não-alternativas e diversos medicamentos não-homeopáticos.
    E sempre restam os mecanismos desconhecidos dos Efeitos Hawtorne e Placebo…

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