Sobre a Letalidade da Gripe Suína no Brasil

Temos discutido os dados sobre a epidemia de gripe H1N1 (^::^)~. Como tenho sido questionado sobre a letalidade da nova cepa, resolvi publicar algumas ponderações que foram feitas por especialistas:

1. Quando se fala que a mortalidade pelo H1N1 é de 0,4 – 0,5% e isso é igual a da gripe comum, não é totalmente verdade. Nos países com muitos casos, a enorme maioria dos casos confirmados são em jovens, possivelmente pelo fluxo migratório maior dessas populações. Os óbitos, por conseqüência lógica, também se concentram nesta faixa etária. Daí tiramos duas conclusões interessantes:

A- Não sabemos, se realmente os idosos são menos afetados por terem anticorpos protetores de Influenzas geneticamente similares de décadas atrás e os mais jovens estariam mais susceptíveis. A distribuição de casos e óbitos pode ser somente uma questão epidemiológica e não fisiológica…
B- Letalidade de 0,5% é normal para gripe sazonal em grupos de alto risco. Em pacientes jovens e sem co-morbidades, a letalidade seria de 1/100.000 casos. Assim, considerando o grupo atualmente afetado, a letalidade é muito maior que da influenza sazonal. Com a endemicidade crescente iremos ver qual é a mortalidade nos pneumopatas, cardiopatas e idosos algo que, apesar dos números crescentes, ainda não temos n para nenhuma conclusão estatística.

Comentários do Blog:

1. É muito importante a percepção de que o cálculo de letalidade da gripe suína é BEM superestimado em função do número real de pacientes ser desconhecido atualmente.
2. Venho colecionando casos de insuficiência respiratória grave – algumas fatais –  decorrentes de gripe sazonal. Tenho um caso em cada hospital que trabalho. Não fazíamos diagnóstico dos agentes etiológicos desses casos, mas agora com as sorologias disponíveis, temos confirmado os dados da literatura.
3. Com isso, chegamos a conclusão que nossa letalidade da gripe sazonal também não deve ser a correta e que não temos estatísticas confiáveis. Talvez esse o grande aprendizado de toda a pandemia. Precisamos de dados. Todas as projeções feitas com as estatísticas disponíveis poderão incorrer no mesmo erro.
4. As sorologias demoram. O screening com pesquisa rápida de vírus respiratórios nas secreções (lavado de naso/orofaringe) é um painel de vários vírus respiratórios e fica pronto em 24-48h. Custa 350 reais em laboratórios particulares. Há relatos de falso positivo e falso negativo com o H1N1 e o CDC não recomenda o teste de rotina.
5. Está havendo confusão de orientações entre os médicos pois elas têm mudado mais rápido do que o possível para sua assimilação.
6. Ainda não vi faltar oseltamivir para ninguém que precisou nos hospitais em que trabalho.

Discussão - 15 comentários

  1. Como é bom conhecer os fatos através de uma pessoa comprometida com a verdade. Obrigado Karl.

  2. Guilherme disse:

    Boa noite,
    Tudo isso é muito confuso para mim. Em regra, nenhum médico que conheço ou que ouvi falar é alarmista ou demostra uma preocupação fora do comum. Apesar disso, vemos notícias de que governos recomendam mudanças nas rotinas, como evitar lugares aglomerados etc.
    E ainda, sabemos que o nosso governo tem um plano de ação para uma pandemia de gripe, e isso inclui uma informação “adequada” da população. Evidentemente que os prejuízos, sobretudo econômicos, de um pânico seriam muito grandes. Talvez esteja aí uma razão forte para se atenuar as notícias.
    Mas continuo confuso, e quanto mais busco informação menos entendo o que está acontecendo.
    Eu já mudei minha rotina, evito bares, igrejas, boates e shoppings. Mudei a data de batizado da minha filha e vou adiar o retorno às aulas do meu outro filho. Mas tudo para que? se tudo não passa de uma gripe comparável à guipe comum? Não faz sentido.
    Mas, se “não há motivos para pânico”, para que tanto alarde?
    Isso me intriga e me faz ser cético com respeito a qualquer informação oficial. De qualquer forma, sinto que o governo está falhando em informar corretamente a população sobre os reais riscos. E também está falhando em outro ponto. Uma vez que existe tratamento que pode evitar o óbito (antiviral), se tratado nas primeiras 48 horas, por que negar este tratamento para todos os casos de gripe? o direito à vida não pertence a todos? Lógico que sim. Que haja distribuição do antiviral para todos. E se acabar, comprem ou fabriquem mais. Aliás, devia ser distribuído de graça nas farmácias, mediante receita médica. Evitaríamos o aglomerado e a disseminação do vírus em hospitais e postos de saúde.
    De qualquer forma, queria entender tudo isso.
    Já me estendi demais. Perdão e boa noite.

  3. Chloe disse:

    Olá Karl,
    concordo com o Guilherme.
    as informações são mesmo desencontradas, exceto pelas precauções a serem tomadas.
    mas gostaria de saber a opinião de vocês a respeito dessa matéria do Folha Online, 19/07/09:
    “A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas.”
    continua: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u597124.shtml
    até que ponto devemos nos preocupar?
    é mesmo uma situação tão alarmante?
    C.

  4. Karl disse:

    Acho que a maioria desses números é baseada em dados incompletos. Quantas pessoas adquirem gripe sazonal anualmente?

  5. Ana Coeli disse:

    Realmente, como os demais, também me sinto intrigada quanto ao que tem sido informado a respeito da morbi-mortalidade. Somos alertados quando a intensificar o monitoramento em “grupos de risco”, tais como idosos, crianças menores de dois anos, portadores de co-morbidades, etc. Mas percebe-se que , na verdade, não são as pessoas de tais riscos as mais afetadas ou relatadas nos casos de mortalidade. Minha grande preocupação é : o que tem levado às complicações e óbitos nos pacientes jovens e adultos jovens sem co-morbidades? Qual o Por quê
    da letalidade nesta nova gripe? E quanto ao encaminhamento aos centros hospitalares de referência para o atendimento aos casos suspeitos e/ou graves, o que fazer com os hospitais sem médicos plantonistas em todos os horários do dia, e o pequeno número de leitos destinados aos casos suspeitos?

  6. Silvânia disse:

    Karl,
    Sou jornalista da revista Viver Brasil, de BH, e queria conversar com você sobre gripe suína nos jovens. Será possível?

  7. Carlos Hernandes disse:

    Eu nunca havia ouvido falar de alguma morte por gripe comum de uma pessoa com menos de 70 anos.
    Já pensaram em um jovem caminhoneiro(conhecidos por serem homens fortes) de 29 anos morrer de gripe?
    E a distribuição restrita do remédio? Eles mesmos dizem que o medicamento deve ser aplicado nas primeiras 48 horas mas não o distribuem a população neste prazo.
    Tem muita coisa mal explicada nesta história eu fico a cada dia mais assustado.
    Carlos Hernandes

  8. Vanderli Leite Lima disse:

    Sou professora de duas prefeituras na baixada santista. Enquanto Cubatão nos afastou até o dia 17/08 por causa da gripe, continuo trabalhando sem interrupção em Praia Grande com uma creche de idosos…todos acima de 80 anos!!!! Tenho problema renal crônico…acho que Deus me ama!

  9. Ermani Blanco Pereira disse:

    Os noticiários informam dados estatísticos incompletos em relação a INFLUENZA A pelo H1n1. O número de casos confirmados é sempre o total. E por faixa etária? por que não se divulga?
    Os Idosos tem sido acometidos? Não fui informado de um caso sequer. Entretanto tive notícias de alguns adultos jóvens que foram acometidos da forma grave da doença. Será que os idosos estão protegidos de alguma forma?

  10. Marcio Silva disse:

    Dr. Karl,
    Ao que tudo indica essa “antiga” nova gripe suína surgiu antes do primeiro caso confirmado no méxico, alguns dizem que em meados de setembro de 2008, gostaria de saber se dos casos que o senhor relatou de insuficiência respiratória grave – algumas fatais – decorrentes de gripe sazonal, poderiam já ser causadas pelo mesmo vírus da atual gripe suína?
    Se sim, poderiamos dispor de testes específicos de avaliação de avidez dos anticorpos IgG, para comprovar a exposição mais antiga ao vírus da gripe suína?

  11. Karl disse:

    Márcio,
    algo estranho está mesmo ocorrendo este ano. Estamos tendo mais casos graves de gripe sazonal que o normal. Em breve, postarei um balanço geral da gripe (V::V)~. Keep in touch.

  12. Paloma disse:

    euqueria saber sevcs podem me responfer a seguinte pergunta:como podemos amenisar ou acabar com a gripe suina se poderem ou ñ poerem por favor me respondão no meu e-mail

  13. Ricardo Orsi disse:

    Quanto a letalidade ao que me parece é muito relativa. Veja que o Brasil possui letalidade de 10%, temos cerca de 5000 infectados com 500 mortos. Portanto essa letalidade de 0,5% não se mostrou verdadeira por aqui. Sendo assim se 1 milhão de pessoas forem infectadas no Brasil, 100 mil vão morrer. O que mostra que a politica de saúde no Brasil está no caminho errado. Por sorte o brasileiro, sabedor de que se for infectado está com um pé na cova, se previne.

  14. Paulo Henrique disse:

    ja repararam que ja faz mais de 2 meses que não se fala em gripe suina no brasil?? agora gostaria de saber porque… Não se houve mais nada nos telejornais nem nos jornais impressos… será isso uma imposição do governo?? Quanto será o número real de mortos?? Porque estão querendo esconder os fatos da população?? Será porque ja estamos em período pré-eleição?? vai saber né mas que ta muito esquisito isso ta…

  15. Karl disse:

    Você tem razão, Paulo. Vou postar minhas humildes conclusões. obrigado

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