Pára-Quedas, a Ciência e Eu

Reconheço que ser médico algumas vezes me causa certos problemas que vão bem além de consultas em festas de aniversário. Me explico: já disse que fazer parte de uma comunidade como o Scienceblogs Brasil, me obriga a rever certas posições quase fossilizadas que temos no meio médico; fazem-me sair da “área de conforto”. Pois bem, um exemplo ilustrativo é a visão bastante particular que os médicos têm da ciência. Excetuando-se os cientistas que formaram-se em medicina, pois alguns deles são mesmo cientistas – sendo uns poucos, em exercício ilegal da medicina! -, a grande maioria dos médicos têm uma visão utilitarista da ciência. Não nos apropriamos da ciência como fim, mas como meio de melhor cuidar dos pacientes. Isso ocorre devido a congênita relação da medicina com a prática (iatriké techné de Platão) e culmina com a afirmação seminal de que “a medicina é mais velha do que a ciência“. O Ecce Medicus é pródigo em posts que tratam da diferença entre medicina e ciência médica (ver aqui e aqui, por exemplo).

Tudo isso para dizer que meu apego pela ciência é, digamos, relativo. Isso significa, entre outras coisas, por exemplo, que rejeito veementemente o método científico como único guia e indicador dos procedimentos médicos. A ciência não é um imperativo ético! Posso utilizar minha experiência prévia que não é baseada no método científico. Posso utilizar a experiência prévia de outro médico mais velho que, além de não ser baseada no método científico, é ainda transmitida a mim de forma enviesada, fantasiosa e, às vezes, preconceituosa. Não há estudo metodologicamente bem desenhado (nem mal)  que demonstre o benefício do uso de pára-quedas em prevenir mortes e politraumatismos de saltos de avião. Que fazer? Não “prescrevê-los”? Esse exemplo é semelhante ao uso dos suplementos vitamínicos e outros tantos que nunca, jamais serão testados de acordo com metodologia aplicável de modo a gerar a “certeza” exigida nos pesquisadores. Esse é o dia-a-dia do médico. Trabalhar com uns “sujeitos bem individuais”, não-encaixotáveis em ensaios clínicos e ter que usar o conhecimento científico disponível aplicado com bom-senso (mas, o que é bom-senso mesmo?). Às vezes, é bem fácil. Não infrequentemente, você só tem o seu juízo clínico com que contar: A ciência é um luxo que não se pode ter sempre!

Espero que tais fatos ajudem a explicar a minha total falta de ânimo e entusiasmo em “combater” medicinas alternativas e outras pseudociências em geral, com o vigor do método científico. Pululam exemplos em que pais estúpidos deixam seus filhos morrerem à míngua por utilizarem-se de homeopatia ou “rezas bravas” enquanto os pequenos agonizavam em seus berços. Eu mesmo já postei sobre a imbecilidade de um grupo de fundamentalistas americanos em não vacinar crianças. Entretanto, acredito ser não só impossível, como anti-ético, julgar os atos de outrem tendo como base única e exclusiva o método científico e os fatos por ele gerados. A ciência é uma ferramenta, talvez a melhor que temos, mas está longe de ser um código de ética. Ela é uma geradora de problemas éticos mas não os resolve. Os conflitos éticos são habitualmente resolvidos em outras instâncias da sociedade (ou não!).

Vendo pessoas com crenças não-científicas agir dessa maneira, penso sempre na atitude humana frente ao conhecimento. Pessoas assim, utilizam-se de um conhecimento adquirido de forma diferente, mas que desempenha o mesmo papel e ocupa os mesmo espaços e as mesmas sinápses que o conhecimento científico no cérebro humano. Todos, científicos ou não, são conhecimentos arrogantes e possessivos. Utilizam a racionalidade do sujeito vs objeto, com a petulância da posse, do entender para dominar. Razões instrumentais. Então, eu olho para os leitos ocupados dos hospitais; olho para um lado e para o outro e vejo, pasmo, que estou cientificamente só.

Discussão - 20 comentários

  1. Alessandra disse:

    suas reflexões fizeram as minhas crescerem um pouco mais… “a ciência é uma ferramenta, mas está longe de ser um código de ética”.

  2. Felippe disse:

    Gosto de saber que não estou só por aí. Frequentemente fico remoendo o conflito daquilo que acabamos por fazer no consultório com o que método científico indica. Aqueles que nos procuram na maioria das vezes querem alívio imediato para suas chagas e se possível a “cura”. Para essa pessoa não há interesse se houve tempo para testar o benefício de uma terapia consagrada através de “estudo clínico duplo-cego randomizado padrão”. Apesar de sabermos da fundamental importancia do mesmo, quando passamos o foco ao prisma do indivíduo parecem que algumas certezas inabaláveis esvaecem. Sinto-me quase um homem Barroco.
    Parabéns pelo blog.

  3. Rafael disse:

    Post interessante, mas a analogia do para-quedas foi sofrível.
    Todos os conceitos envolvidos no funcionamento do para-quedas – aceleração da gravidade, massa, velocidade terminal, e até a resistência do corpo humano ao impacto, entre outros – são do domínio da Física, não medicina. E assim, conta com milhares de horas de pesquisa e experimentação durante séculos.
    Quando aviões passaram a ser utilizados na guerra, o desenvolvimento de para-quedas militares contou com inúmeros testes com cadáveres para avaliar os efeitos da queda no corpo humano, etc, e o estudo de impacto e efeitos da gravidade (ou “gravitational challenges”, como diz o papel) se expandiu para experimentação com seres vivos (investigar os efeitos da força G, por exemplo, na biologia humana), e continua até hoje, primariamente na indústria automobilística, analisando os efeitos de conceitos mais uma vez físicos como desaceleração na biologia humana.
    Neste domínio apropriado, tal experimentação atende a todos os requisitos científicos necessários para se chegar à conclusões relevantes à realidade. Então sinta-se à vontade pra “receitar” o uso do para-quedas com base nos resultados de todo esse histórico bem-documentado de eficácia, teórica e prática.

  4. Luis Brudna disse:

    Uma pergunta.
    Está defendendo o uso da homeopatia?

  5. Karl disse:

    Rafael, o exemplo do pára-quedas é escolhido a dedo. Não sei se você leu a referência linkada e os comentários – muito interessante. Todos esses exemplos de testes que vc citou (e o Takata já tinha citado outros no Twitter) são, para os médicos, considerados bench-tests ou como chamamos, “experimentais”. O dos cadáveres, estudos “anátomo-patológicos” :D. Há uma infinidade de testes assim para drogas, procedimentos cirúrgicos e exames, que “fisicamente” são perfeitos, mas que quando são transportados para esfera clínica, não têm a mesma performance ou são até, deletérios. Para os médicos, valem basicamente os ensaios clínicos e os casos-controle. Esses testes são os que nos baseamos para prescrever e tomar condutas. Esses, entretanto, ninguém fez, nem vai fazer.
    Alessandra e Felippe, obrigado pelos comentários e bem-vindos ao Ecce Medicus.
    Finalmente, caríssimo Luis. Me interessa muito sua pergunta. Quais são os fatores que o levaram a desconfiar que estou a defender a homeopatia, ou rezas, ou quaisquer outro tipo de alternativas ao processo clássico da medicina convencional?

  6. David disse:

    A Medicina Baseada em Evidência é aventada como um novo dogma da prática médica. Meus professores sempre falavam em ficar atualizado com os novos estudos. Só que esqueceram de falar que a Ciência só responde as perguntas que foram feitas e para fazê-las normalmente é preciso algum interesse ($) a mais. E os ensaio clínicos estão a anos-luz da prática real. A MBE e os trials com certeza são úteis para apontar perspectivas, mas com frequência levam a angústia ao médico por não poder tratar o paciente como deve, nem por responder às dúvidas da prática clínica.

  7. spbutterfly disse:

    Ao meu ver você resume tudo quando diz que a ciência é uma ferramenta e a melhor que temos, então é algo que deve ser usado. A questão é sempre ter em mente que ela não é perfeita e não tem absolutamente todas as respostas, e que um cientista de verdade sabe que tudo é relativo, mesmo depois testes e protocolos, sempre há as exceções pra tudo.
    Os “efeitos adversos observados em uma pequena parcela dos pacientes” estão aí para provar isso.
    No fundo o problema não está na ciência e sim no ser humano. Acho que foi Bernard Shaw quem disse que a ciência nunca resolve um problema sem criar pelo menos outros 10 e eu como cientista, e não médica, acredito que a beleza da profissão é justamente essa, entender não para dominar, mas para se perguntar o que ainda existe para entender e tentar usar as respostas obtidas anteriormente para isso.

  8. Rafael disse:

    Karl, diferente dos efeitos de substâncias químicas individuais nos organismos únicos de cada indivíduo, as constantes da física afetam todos os corpos do universo da mesma maneira. Você não precisa de um teste clínico aleatorizado e cegado para poder “receitar” a uma pessoa que não saia de casa pra trabalhar pela janela do seu apartamento no 10º andar. Só de um conhecimento básico de física, e a resistência média a impacto do corpo humano. A partir daí, o problema é de natureza matemática. E nunca foi medicinal.
    E eu já era familiarizado com o “estudo” do para-quedas. Proponentes de óleo de cobra o adoram, e ele inclusive me foi apresentado por um “profissional” de Uroterapia, para justificar porque a ausência de confirmação empírica da sua especialidade não deveria ser motivo para descrédito, e que eu estava sendo “cabeça-fechada” e “intolerante” por pensar assim.
    Que não existem estudos clínicos comprovando a eficácia do para-quedas pode ser uma constatação divertida, mas não passa do que se chama de “category mistake”. Feynman deu um exemplo melhor do ponto que se está tentando passar quando disse que não haviam estudos clínicos comprovando benefícios de se escovar os dentes regularmente (embora hoje em dia já existam).

  9. DVD disse:

    Gostaria de trazer uma contribuição para a reflexão do tema em tela. Quanto à imagem metafórica escolhida ser a de um pára-quedas,o fato de este ser do domínio da Física, não deve nos intimidar, pois TODO o conhecimento terapêutico da Medicina é direta ou indiretamente derivativo do domínio da Física, Química, Biologia, e outros campos que poderíamos chamar de “harder sciences” – ciencias mais “duras” do que a Medicina. Que, aliás, penso que sequer deveria ser considerada uma ciência, mas sim uma praxis baseada, entre outras cepas de saber, em ciência. Há muitos meses atrás, comentava-se neste blog sobre o Iluminismo e a Mitologia, e talvez para hoje o discurso científico possa ser, no âmbito médico, visto como o elemento “afastador do mito”, ou seja, encurtando o tempo de precipitação de conclusões (a idéia da ciência como abreviadora do tempo de concluir, embora talvez não o seja para todos os mitos: alguns talvez sejam o esteio da relação médico-paciente.
    Aproveito para parabenizar a iniciativa, e para “pedir entrada” numa iniciativa mais do que louvável.

  10. Karl disse:

    Pertinentes observações, caro DVD. A inexistência de fóruns para esse tipo de discussão da medicina e de sua prática em língua portuguesa foi um dos motivos para a construção desse blog e é um dos motores de sua manutenção. Sinta-se à vontade.

  11. Mori disse:

    O método científico pode não ser a única régua pelo qual tudo pode, ou mesmo deva ser medido. Por exemplo, um estudo duplo cego metodologicamente simples envolvendo jogar pessoas de um avião com ou sem pára-quedas funcionando poderia ser cientificamente claro e conclusivo, mas é óbvio que há problemas que impedem a realização de experimentos dessa natureza. Sem limitações éticas, a ciência médica provavelmente avançaria muito mais rapidamente, mas a paródia dos pára-quedas ilustra bem como a medicina não é apenas uma ciência.
    Por outro lado, e este é o ponto em que discordo “di cum força” de doutor, estimado Karl, é que quando a metodologia científica PODE ser aplicada para averiguar uma questão, e não há dilemas éticas na aplicação da mesma, então ela não só DEVE ser aplicada como seus resultados PRECISAM ser levados em conta.
    Vários estudos testando tanto os fundamentos da homeopatia como sua eficácia já forma conduzidos, sem nenhum grande dilema ético. Os resultados indicam claramente que homeopatia não funciona (aqui está o sentido prático e pragmático do “não funciona”, isto é, os resultados não estão de acordo com as hipóteses levantadas pela homeopatia).
    E, todavia, tais resultados são solenemente ignorados. Os poucos estudos, com metodologia, controles questionáveis, que parecem apoiar a homeopatia são saudados e constantemente citados por homeopatas, demonstrando como sim estão inclinados a aceitar metodologia científica quando os resultados lhes parecem convenientes (isso inclui mesmo resultados em verdade incoerentes com seus fudnamentos, como os de Benveniste).
    Daí minha discordância. A homeopatia, a meu ver, não é uma área nebulosa de prática médica em que podemos (ou devemos) ter dúvidas e condescender com sua prática. É uma prática que se baseia em fundamentos que podem ser testados cientificamente, que foram testados cientificamente, e que falharam em ser demonstrados. Não apenas tais resultados são ignorados, como outros resultados questionáveis são promovidos.
    Considerações sobre os limites da ciência são ótimas e o Ecce Medicus os aborda com uma sutileza ímpar, mas estas reflexões não me parecem apropriadas quando se trata de homeopatia. Sua correção ética será apenas pervertida para vender água.

  12. maria disse:

    você está cientificamente só, assim como todos estamos intrinsecamente sós – porque cada pessoa tem uma compreensão própria e exclusiva do mundo, que não compartilha com mais ninguém.
    eu favoreço explicações científicas, mas não é por elas que tenho uma fita do senhor do bonfim (que já virou um trapinho amarelo) amarrada no braço. e não corto nem por decreto (a não ser, relutante, que precise de uma cirurgia de emergência e o médico me mande tirar…). além de outros amuletos pra assuntos que a medicina não conseguiu resolver.
    e já recorri à acupuntura (mesmo com absoluto pavor de agulhas) quando nenhum comprimido resolvia uma sinusite. funcionou, mas quase desmaiei por causa do tal pavor…

  13. Bruno R. Mendonça disse:

    Caro Karl,
    me desvio do tema central do seu post (sobre o que conta como fundamento epistêmico para a ética) para discutir a sentença “rejeito veementemente o método científico como único guia e indicador dos procedimentos médicos”. O que quer dizer com isso? Deve-se notar que as palavras “guia”, “indicador”, e “método” são ruins por serem muito ambíguas. Se está dizendo que se pode *descobrir* “verdades” independentemente da ciência, isso é uma verdade notável (aqui vai um exemplo que gosto muito, http://dererummundi.blogspot.com/2009/07/grandes-erros-afonso-domingues.html). Agora, se pretende que se possa *justificar* adequadamente verdades independentemente da ciência, pergunto: segundo quais modelos de justificação?
    Além dsso, quando se fala em independência, falamos em uma indepêndencia inclusiva (no caso de que ambos os modelos epistêmicos possam discorrer sobre uma dada verdade) ou exclusiva (caso oposto)? E sendo uma independência exclusiva, isso se daria por razões essenciais (por uma multiplicação de ontologias), ou meramente práticas?
    Esses são alguns pontos que me chamaram atenção em seu texto e que me agradaria se pudesse esclarecê-los em comentário à postagem ou mesmo em uma outra postagem.
    Abraço, Bruno

  14. A ciência pode nos dizer qual é o tratamento que deveremos dispor a um paciente com diagnóstico recém-firmado de câncer. Mas não é a ciência que dita qual frase deveremos utilizar para informar, conformar e aliviar o sofrimento e a angústia do paciente e de sua família. Por essa – e outras – que a Medicina não pode ser visto de forma distinta de um amálgama entre Arte e Ciência.
    Belo blog, Karl, que vim a conhecer só hoje. Sou endocrinologista em Araranguá – SC, mas em meu blog falo muito pouco sobre Medicina.
    Um abraço fraterno.
    Rafael Reinehr

  15. Karl disse:

    Caríssimo Bruno. Tens razão em cobrar especificidade a alguns termos. É que por vezes tenho o vício de escrever para médicos e cientistas da área. “Guia” e “indicador” são palavras que dizem exatamente o que se quis dizer no universo léxico da medicina. De qualquer forma, o contexto deveria ter feito seu trabalho e se não o fez, a culpa só a mim cabe. Obrigado por me chamar à atenção.
    Acho que o post é mais que uma discussão – superficialíssima, diga-se de passagem -, do fundamento epistêmico da ética. Tem a ver com a visão que o médico tem da ciência da qual se utiliza. Me é, portanto, óbvio, sua vinculação com a prática. Obrigado pelos comentários e seja bem-vindo.
    Ao Kentaro, digo que posso citar inúmeros exemplos inversos onde a metodologia científica FOI aplicada, os resultados são conhecidos e NÃO são utilizados (um exemplo aqui:http://migre.me/8Pak). A pergunta então seria: Se o que determina que um resultado de um experimento ético e bem sucedido seja utilizado não é APENAS o conhecimento que ele trás, o que é, então? Existe algo mais que a racionalidade crua por trás de toda a parafernália cognitiva consciente que sustenta o pensamento científico?
    Por outro lado, essa porcaria de profissão que escolhi NÃO dá conta de todo o espectro do sofrimento humano! Se assim fosse, não haveria medicinas alternativas! Pois bem, a homeopatia, acupuntura, florais, e outras baboseiras NÃO TÊM atuação comprovável por meio da metodologia científica disponível hoje, mas são fenômenos culturais impossíveis de ignorar. Da mesma forma, a religião e crença nos mais variados entes metafísicos. Se eu quiser *diagnosticar* um paciente, tenho que conhecer toda sua fisiologia e a fisiopatologia de sua doença. Se eu quiser *cuidar* dele, o que inclui convencê-lo de utilizar certas medicações e submeter-se a certos tipos de procedimentos, tenho que compreendê-lo como uma totalidade. Se eu quiser *curá-lo* ou *aliviá-lo* de seu sofrimento, serei SEU médico, e para isso, tenho que respeitá-lo. Demovê-lo de certas crenças não é o papel do médico, até porque, o que seria colocado no lugar? Um paper?

  16. Karl disse:

    Rafael, parabéns pelo blog. Esteja à vontade para discutir os problemas médicos aqui. Obrigado.

  17. Sibele disse:

    “Por outro lado, essa porcaria de profissão que escolhi NÃO dá conta de todo o espectro do sofrimento humano! Se assim fosse, não haveria medicinas alternativas! Pois bem, a homeopatia, acupuntura, florais, e outras baboseiras NÃO TÊM atuação comprovável por meio da metodologia científica disponível hoje, mas são fenômenos culturais impossíveis de ignorar.”
    Eita! O Karl tá botando prá quebrar! 😀

  18. Mori disse:

    Karl, no exemplo citado talvez seja cedo para saber se a prática não será abandonada, e se os resultados realmente devam levar a tal conclusão. Achei isto:
    http://cme.medscape.com/viewarticle/567942
    O próprio Lancet publicou com um comentário discordando. E isso em 2007. Acho que é muito cedo para tomar isso como exemplo da comunidade científica ignorando deliberadamente um resultado experimental claro.
    Mais do que isso, a diferença entre como o conhecimento científico é tratado na medicina e na “medicina alternativa”, em particular a homeopatia, é gritante, não é de grau mas de gênero. Homeopatas ainda utilizam termos e idéias de séculos, ignorando resultados experimentais e mesmo incoerências teóricas fundamentais.
    Como repito, outra vez: enquanto se traz à tona a discussão sobre a ética médica, como o Ecce Medicus sempre fez muito bem, a homeopatia fundamenta-se no completo absurdo.
    Não acho que a homeopatia deveria ser proibida. Contudo, não deveria ser reconhecida como especialidade médica, e sua regulação deveria ser rigorosa. Termos como “remédio homeopático”, “médico homeopata” deveriam sim ser proibidos. O fato de ser um fenômeno cultural não significa que algo que não só não funciona como não pode funcionar deva continuar a ser praticado e promovido como tendo eficácia comprovada. Pelo contrário.

  19. ana carla disse:

    lular de para-quedas é muito bom
    addddoooorrrrrooooo

  20. […] consequentemente, mais próximos a um modelo de racionalidade epistêmico e frio cujo clímax é o julgamento moral destes mesmos atos tendo a ciência como imperativo ético. À ciência descorporificada não se pode exigir uma ética sobre a “tecnologia dos […]

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