Hermenêutica Médica

http://1.bp.blogspot.com/_T9Ev6D2alXk/Sm7gQKAEjTI/AAAAAAAAAYc/E6jUAO7pzqI/s320/coracao-vazio.jpgAcho que o momento é propício (καιρός). Qual a melhor forma de combater “medicinas alternativas” e “pseudociências” em geral?

Segundo Boaventura de Souza Santos[1]:

1. Todo conhecimento é em si uma prática social, cujo trabalho específico consiste em dar sentido a outras práticas sociais e contribuir para a transformação destas;
2. Uma sociedade complexa é uma configuração de conhecimentos, constituída por várias formas de conhecimento adequadas às várias práticas sociais;
3. A verdade de cada conhecimento reside na sua adequação concreta à prática que visa constituir;
4. Sendo assim, a crítica de uma dada forma de conhecimento implica sempre a crítica da prática social a que ele se pretende adequar;
5. Tal crítica não se pode confundir com a crítica dessa forma de conhecimento, enquanto prática social, pois a prática que se conhece e o conhecimento que se pratica estão sujeitos a determinações parcialmente diferentes.

Tratamos do problema do conhecimento como fator de transformação social, em geral e em particular, das relações entre a ciência e o senso-comum. A racionalidade utilizada pelo senso-comum é objetivista, individualista e naturalista no sentido de conservadora do status-quo. Um conhecimento, científico ou não, que pretende mudar esse panorama será fútil se pretender corroer o sistema por meio de uma elaboração teórica da prática social a que esse conhecimento se refere utilizando sua própria racionalidade. Esse procedimento termina por duplicar o senso-comum ou seja, tendemos a pensar esse conhecimento também de forma objetivista, individualista e naturalista com vistas a manter o status-quo! É ingênuo pensar que a ciência tendo apenas seu método como arma, possa ir além da crítica, se não se unir ao processo de transformação da realidade de tal forma a transformar também, o critério de verdade, do qual fazem parte os mais variados aspectos da humanidade.

Me é irresistível concluir: Dawkins e seus partidários pregam no vazio.

[1]. Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Boaventura de Souza Santos. 4a edição. Graal. 1989. Rio de Janeiro.

Discussão - 33 comentários

  1. Mori disse:

    Pós-modernismo? :-/

  2. Luis Brudna disse:

    Poderia citar exemplos dessas ´pseudociências´ e ´medicinas alternativas´?

  3. Sibele disse:

    Também acho o momento propício, Karl!
    Mas discordo de sua conclusão: Dawkins e seus partidários pregam no caos, não no vazio.

  4. Karl disse:

    Pós-moderno é um termo que quer dizer muitas coisas e também nada. Mas há um lugar para ele. Faça sua crítica Mori-san.
    Luis, mais do que ninguém, vocês podem citar exemplos de pseudociências, né? Aliás, aguardo sua resposta à pergunta que fiz no post anterior.
    É Sibele, talvez vc tenha razão…

  5. Carlos Marcello disse:

    Parabéns pelo seu blog, Karl. Eu e um grupo de colegas compartilhamos com 99% de suas idéias. Dawkins e o ateísmo o incomodam bastante, não?

  6. Karl disse:

    Caríssimo Carlos. Vejo Dawkins mais como aquele adolescente genial que como inimigo. Tenho vários livros dele. Acho-o um grande divulgador e aprendi muito com seus textos mas, não compartilho de sua cruzada anti-teísta pois creio ser ela contraproducente. O ateísmo, por sua vez, para que não restem cinzas de dúvida, é a mais sublime e radical forma de humildade humana. Sou ateu, mas Sartre o foi ainda mais profundamente. É dele a frase “não se trata de provar a inexistência de Deus. Trata-se de reconhecer que isso não fará a menor diferença” (ou mais ou menos isso). Fale para seu grupo de colegas participar das discussões. Serão todos muito bem-vindos.

  7. Carlos Marcello disse:

    Sem dúvida. A cruzada e a veemência de Dawkins parecem hiperdimensionadas. Entretanto, suas colocações sobre a doutrinação religiosa das crianças, me parecem procedentes. Creio tratar-se de um alerta eventualmente produtivo.

  8. Tatiana Nahas disse:

    Karl, como sempre o texto e a ideia estão sensacionais! Melhor ainda o último comentário em resposta ao Carlos.
    Compartilho da opinião de que esta cruzada é contraproducente.
    Grande abraço!

  9. Cretinas disse:

    O problema, a meu ver, com formulações assim, ditas pôs-modernas, é que elas levam a uma visão estática do conhecimento — se o mundo realmente funcionasse assim, não só o próprio aprendizado seria impossível, como toda tentativa de diálogo entre povos e civilizações estaria fadado ao fracasso, com cada grupo preso dentro de sua “bolha epistêmica” inatacável.
    O que me parece é que, se o diálogo é possível, se existe uma realidade objetiva à qual todas as bolhas epistêmicas se reportam, a ciência – ou, mais precisamente, seu método – é a melhor construtora de pontes entre elas.

  10. Luis Brudna disse:

    A minha pergunta no post anterior foi feita para tirar a dúvida (que não era tão grave assim). Já que seu estilo é ´comer pelas bordas´ e por isso optei pela pergunta direta, esperando uma resposta direta. Não obtive sucesso esperado. 🙂
    O mesmo aconteceu agora.
    Não quero gerar stress, nem conflito.

  11. Pois é, Karl
    Lendo seu texto, lembrei de uma conversa que tive lá no II EWCLiPo num coffe break (se não me engano, com a Tati Nahas, o Joao Alexandrino e o Luiz Bento). Sou da seguinte opinião: a ciência tenta explicar a natureza, mas não dá conforto emocional. As religiões, essas sim dão esse conforto. É possível substituí-lo por outro?
    O grande consolo dos ateus (veja se estou certa) é a possibilidade de contribuir para a sociedade como forma de se perpetuar (seja criando/divulgando conhecimento, se engajando numa causa, se destacando no trabalho ou tendo filhos). Assim a pessoa estabelece um objetivo de vida e um grau de importância para si em relação ao mundo. Muito humano.
    É preciso muita, mas muita humildade para aceitar de verdade que não somos especiais, mas sim uma pequena peça num todo maior (ou, para usar uma imagem ultra-batida, um fio numa teia de aranha). Nem todo mundo está disposto a isso. Especialmente em momentos de fragilidade e dor.
    Abraço,
    Fernanda

  12. Karl disse:

    “O que me parece é que, se o diálogo é possível, se existe uma realidade objetiva à qual todas as bolhas epistêmicas se reportam, a ciência – ou, mais precisamente, seu método – é a melhor construtora de pontes entre elas.” Karíssimo Kretinas, realidade objetiva é o que não há! A coisa-em-si, a Natureza, o Objeto sacrossanto cuja decifração cabe à ciência não existe. Nada se assemelha mais à ideia metafísica de Deus que a de Natureza. As bolhas epistêmicas se formam exatamente por não se perceber isso. É a mesma raiz da intolerância religiosa.
    Caríssimo, Luis. Não tenha receio de gerar conflitos =). Minha posição clara em relação à homeopatia é: não uso e nada sei. Na minha amostragem, quem usou, não consegue demonstrar efeitos diferentes do placebo. Por isso, tenho a impressão que não funciona. Mas o que isso importa? Existe uma relação médica na homeopatia e se um cara perdeu uma filha por causa desse troço, eu quero entender por quê! Que tipo de conhecimento, fé ou crença faz alguém abrir mão de um filho, seja com intenção de cura, seja com a intenção de aliviar o sofrimento (que, aliás, parece ter sido o caso, ver o comentário do Kentaro)? Concordo com as colocações do Kentaro que trabalha mais num nível cível e criminal do problema. A mim, me preocupa mais o domínio epistêmico como vcs já notaram. Obrigado.

  13. Karl disse:

    Mas por que ateus precisam de consolo? Sua doutrina ateista é a mesma de várias religiões. Então por que não relaxar e acreditar logo de uma vez num Deus reconfortante?

  14. Luis Brudna disse:

    Obrigado pela resposta.
    Vou tomar a liberdade de modificar seu comentário…
    “Então por que não relaxar e acreditar logo de uma vez num PAPAI NOEL reconfortante?”

  15. Karl disse:

    Papai Noel não tem a “força do mito”, Luis. Mas a ideia é essa.

  16. Mori disse:

    “Concordo com as colocações do Kentaro que trabalha mais num nível cível e criminal do problema. A mim, me preocupa mais o domínio epistêmico como vcs já notaram”.
    Arrá… seu… seu… Mahatma. Enquanto isso homeopatas proclamam XXX XXX! (sempre invocando uma exceção à Lei de Godwin aqui).
    De certa forma concordamos, Karl, e penso que agora mais do que antes, de minha parte. Julgar negativamente os pais porque cientificamente a homeopatia não faz sentido e não produz resultados é de fato… não direi “anti-ético”, porque aqui estaria uma outra discordância menor, então vamos de “injusto”.
    Devemos julgar os pais por suas intenções ou pelos resultados de suas ações? Essa seria ainda outra discussão.
    Discutir as questões sob essa perspectiva é interessante, mas na prática, é o que brinco como sendo uma atitude de não-violência em meio à violência amoral das pseudociências, prontas para aceitar ou rejeitar a ciência quando melhor lhe convém, sem ligar para coerência ou mesmo tanto para ética — porque, afinal, não deveria ser um imperativo ético que o conhecimento científico sólido seja considerado para evitar ao máximo o sofrimento humano?
    Na prática, o que deve ser feito e acima de tudo não é cabível de crítica, é como este caso, que penso que indubitavelmente teve um resultado negativo, pode ser evitado no futuro.
    Santos discute o conhecimento como prática social e a não-confusão do conhecimento com sua prática social, e você nota como a crítica do conhecimento do senso comum nos termos da racionalidade é vazia, já que o senso comum não é racional. Ou foi o que pude entender.
    Em meu entendimento, não há confusão. O que criticamos da prática social não é queimar livros sobre homeopatia, muito menos homeopatas na fogueira. O que criticamos, no Brasil em particular, é a institucionalização da homeopatia como especialidade médica. Para tal crítica, é sim essencial fundamentá-la na crítica racional a seu fundamento epistemológico. Não foi apenas o senso comum que levou ao reconhecimento da homeopatia na prática médica. Ainda que fosse, os partidários do racionalismo, do qual Dawkins é uma das figuras destacadas na atualidade, defendem justamente que o racionalismo se torne o senso comum. Nesse contexto não é pregar no vazio trabalhar com a crítica racional equiparando-a ao senso comum que todos possuem — ou, esse é justamente o ponto, deveriam possuir.

  17. Kretinas disse:

    Mas como não existe, Karl? Afinal, se alguém me para na rua e pergunta qual o caminho para o ponto de ônibus mais próximo, existe uma resposta verdadeira, correta e objetiva para essa questão (mesmo que eu a desconheça). Suponho que nem mesmo o mais aguerrido pós-modernista vá se sentir feliz se eu lhe der a indicação errada.

  18. Sibele disse:

    Calma, Moc! Relaxe! Afinal, acho que esse debate todo aqui (sensacional!) foi induzido por você!
    Olha só, do seu post:
    […] a questão é, por quê? O que torna o fracasso da oração e da homeopatia mais culpável que, digamos, o fracasso de uma quimioterapia?
    E nos comentários, você adianta:
    Acho que a resposta fica clara ao longo da postagem — a quimioterapia tem base em testes que mostraram que se trata de um processo válido, a homeopatia e a oração, não“.
    O Karl só está aprofundando essa questão. Certo, Karl?

  19. Karl disse:

    Caríssimo Kentaro
    Há quem divida o conhecimento utilizável em duas grandes categorias: o conhecimento sempre crescente da pesquisa científica natural, o que chamamos de Ciência; e um conhecimento empírico da prática que qualquer pessoa acumula durante a vida, não apenas na esfera profissional, mas também na vida pessoal. Vem da experiência que as pessoas têm do contato com outras pessoas, com o meio externo e em conhecer-se. Há uma vasta riqueza de conhecimento que flui a cada ser humano proveniente da cultura: poesia, arte, filosofia e outras ciências históricas. Esse conhecimento é dito inverificável e instável. É o que pode se chamar de conhecimento empírico geral. Paradoxalmente, é desse conhecimento que nos utilizamos para tomar decisões práticas, que são as decisões éticas. Toda vez que aplicamos conceitos teóricos em situações práticas temos um problema ético irredutível. Ética não é ciência é filosofia! Enquanto acharmos que nhém-nhém-nhém filosófico é um saco e/ou perda de tempo, não conseguiremos sair do lugar. Questões assim, não se resolvem com fatos, pois fatos é o que não há. O que há são interpretações.
    Por mais sólido que o conhecimento científico possa parecer (e sólido é o que ele não é, pois se assim fosse, o “monolito indivisível” seria a ciência e não a religião!) não é ele que é utilizado para tomada de decisões práticas.
    Karo Kretinas, um “pós-modernista radical” diria: após vc se certificar que existem ônibus no local onde está e que é possível atingir uma parada, vc teria que questionar se o indivíduo é mesmo real ou uma hiperrealidade de sua imaginação ou tomar cuidado para não ser um simples lero de assaltante. =)

  20. Sibele disse:

    Bem, quanto ao Kentaro… seu sítio não é sobre nexos? 100nexos: “Não há conhecimento isolado: qualquer informação só é relevante no contexto de outras“.
    Como descrito ali, em referência e reverência às conexões de Burke, enfatizando o caráter interconectado e não-linear da evolução da ciência, desconfio que os nexos estabelecidos não saem de um único plano, o científico. E os outros âmbitos da realidade? Essa teia não os alcança?

  21. Sibele disse:

    Hahahaha!
    Moc, reze (!) para não ser um simples lero de assaltante! 😀

  22. Mori disse:

    Honorável doc,
    A filosofia é importante sim, mas no caso aqui, se a conclusão é a de que a homeopatia não teve culpa, então só posso concluir que há alguma coisa muito errada. É do que discordo do Calligaris também. Nem toda certeza é arrogante, nem toda certeza é injustificada, algumas certezas sim influenciam decisões práticas, éticas, de forma decisiva. Não por si só, mas como fatores decisivos.
    Sibele, você me trucou! hahaha… sim, tenho enorme interesse pela história da ciência e consciência de que não é apenas no plano “científico”, através de journals, que ela se desenvolve. É algo muito mais complexo, como Karl alerta e é bem verdade.
    Agora, exatamente porque é algo comumente complexo e não raro incomensurável, incompreensível, do qual sempre haverá versões e interpretações…
    Que quando podemos ter algumas certezas — novamente, minha defesa de que existem certezas, crenças razoáveis — elas devam ser consideradas.

  23. Sibele disse:

    “Que quando podemos ter algumas certezas — novamente, minha defesa de que existem certezas, crenças razoáveis — elas devam ser consideradas”.
    Então, Mori, recomendo-lhe um livro:
    PRIGOGINE, Ilya; STENGERS, Isabelle. O fim das certezas: tempo, caos e as leis da natureza. São Paulo: Unesp, 1996. 199 p.
    E olha que é um Nobel de Química falando… 😉

  24. Karl disse:

    O conceito de “crenças razoáveis” é simplesmente espetacular! 😀

  25. Sibele disse:

    Este debate foi delicioso!
    Fechou com chave de ouro um fim de semana prolongado!
    Obrigada, Karl! 😉

  26. Mori disse:

    Mea culpa, em outro comentário eu deixei claro que estas “certezas” não seriam absolutas (certas! :)), e sim provisórias.
    Crenças razoáveis realmente resume a idéia, embora possa ser também entendido como oxímoro, paradoxal e vazio.
    O determinismo é completamente falso? Não, não é. O mundo é completamente indeterminado? Não, não é.
    Essa idéia relativista, pós-moderna, de que é tudo provisório e por isso homeopatia, “alopatia”, antibiótico e Lycopodium são todos igualmente ruins ou bons, valendo apenas a prática social, é ela mesma confundir mapa com território e ao concluir que o mapa não possui o destino a que queremos chegar — ele está no território — então nenhum mapa é útil, ou todos mapas são igualmente úteis.
    Sempre retornando ao óbvio: há um enorme problema quando um homeopata praticante há 12 anos, de forma legal, palestrante e promovido comercialmente, que consulta diversos outros homeopatas e que age de certa forma compatível com recomendações da associação homeopática local, incluindo a aplicação limitada de medicina convencional, leva à morte desnecessária e trágica de sua própria filha, e um enorme arcabouço filosófico conclui que o único culpado é a arrogância e insensatez do próprio pai.

  27. Sibele disse:

    Mas Kentaro, quem disse aqui que valia apenas a prática social?
    O que entendo é que junto com a Ciência, há outras instâncias igualmente relevantes, relativas à cultura, aí inclusas a poesia, a arte, a filosofia e outras, conformando o que o Karl chamou de conhecimento empírico geral.
    Você, que afinal trata de nexos, há de concordar que todas essas diferentes instâncias (Ciência inclusa) se entrecruzam e se interconectam irremediavelmente, e assim impactam umas às outras, de forma cabal.
    Quer exemplos? Vamos sair um pouco desse trágico caso homeopata, e vamos a dois mostrados por você: Turing e o que vemos
    A que conclusões chegamos?

  28. Mori disse:

    Oi Sibele, o que entendi foi que o Karl e o Calligaris não vêem a culpa da homeopatia, e que o Karl em particular notou como tentar discutir racionalmente com uma prática que não possui mesmo fudnamento racional (pois é primariamente uma construção social) não levará longe.
    Eu insisto que o reconhecimento da homeopatia como especialidade médica no Brasil, sua regulação e prática na Austrália, seus códigos de conduta, suas publicações e tanto mais sim pretendem possuir um fundamento lógico e racional. Quando em verdade não possuem.
    Mais, tenho a crença de que podemos exercer alguma pressão para que tais leis e regulações sejam modificadas, para tornar mais difícil que casos como o de Gloria Sam se repitam. Para tal é pressuposto reconhecer que a prática homeopática sim teve papel no trágico incidente, o que para mim é evidente.
    Como exemplo prático e efetivo, propagandas como as que Thomas Sam fazia, de que a medicina “convencional” apenas auxilia parcialmente e que a homeopatia poderá estimular a capacidade do corpo de auto-cura; bem como recomendações temerárias como a feita no boletim de agosto deste ano da AHA, de que sintomas de eczema podem não serem minimizados ainda que os remédios homeopáticos estejam supostamente fazendo efeito…
    Deveriam ser ações e práticas coibidas de alguma forma.
    Talvez isso não salvasse Gloria Sam, afinal a arrogância de seu pai ultrapassou todos os limites do sensato. No entanto, isso poderia sim minimizar o papel institucionalizado da homeopatia nesse caso.
    A conclusão a que chego é que finalmente entendi e concordo com o Karl que não se deve julgar Thomas Sam apenas pelo fato de que, “cientificamente”, a homeopatia em que ainda tem fé jamais poderia ter curado sua filha. Mas permaneço de opinião veemente que a homeopatia desempenhou um papel relevante aqui.

  29. Sibele disse:

    Certo então, Kentaro Mori!
    Respeito sua opinião veemente!

  30. Karl disse:

    Sibele, você “lutou” bravamente, mas eu sei que esgrimir com Samurais não é tarefa fácil. Por isso, peço licença para adentrar a arena de novo.
    Clic – vrummm [light saber ON].
    Devo esclarecer meu ponto. O problema não é a homeopatia funcionar ou não. Trato aqui da questão de considerarmos se a ciência é apta a resolver um problema moral. Para muitos, o veredito está dado. Achamos um absurdo o fato de que algo que cientificamente não faz sentido e que foi, reiteradas vezes, (mal)utilizado para o tratamento de uma criança, culminando por leva-la a morte, além de ser defendido por alguns, é, como se não bastasse, considerado uma especialidade médica! Eu digo que esse argumento é correto mas não condena a homeopatia.
    Tudo o que vc tem dito sobre a homeopatia é verdade (leia-se, eu concordo!), mas a morte da menina pouco, ou quase nada, tem a ver com isso. Vc descreveu muito bem todo o processo, que foi lento e progressivo; os pais tiveram a chance de escolher vários caminhos. Uma combinação de negligência, viagem para India e teimosia incriveis, terminaram por desencadear um quadro séptico irreversivel. Entretanto, não é preciso a homeopatia ser uma farsa para que isso tivesse ocorrido. Eu não acho isso muito dificil de entender! Dei o exemplo dos pacientes que são testemunhas de Jeová (TJ) que por uma interpretação bastante particular da biblia, são proibidos e se negam, a receber transfusão de hemoderivados. Esses são bem mais complicados do que o caso da homeopatia, pois os TJ tiveram uma participação efetiva na geração de conhecimento relacionado a pesquisa de substitutos do sangue. Não há como transfundir um TJ sem causar-lhe uma violência. Não há como argumentar. As verdades deles são reveladas, não há como rebater! Eu perdi um paciente no ano passado por pura falta de sangue. “Minha” Medicina e capacidade de persuasão (que não é das melhores, eu sei) foram pelo ralo. Errei? Em caso afirmativo: como errei, cientificamente ou eticamente?
    A todo momento questoes éticas se interpoem na relação entre um profissional de saude e seu paciente, não importando se esse profissional seja médico, enfermeiro ou fisioterapeuta. Uma coisa é colocar a homeopatia na clandestinidade por insuficiência de provas a favor de seus efeitos. Outra coisa é extrapolar os limites da racionalidade cientifica que pertencem a uma razão publica e utilizá-la em algo para o qual não foi projetada: a razão privada. Um tribunal cientifico para assuntos mundanos? (Notem que estou descaracterizando a ciência como testemunha de acusação da homeopatia! Os pais foram julgados por tribunais competentes com direito a defesa, creio eu.) Erramos duplamente: seja por confundir o publico com o privado, seja pela utilização da racionalidade cientifica para questoes éticas, erro este, que vc já acusou.
    Kentaro, eu também respeito demais sua opinião, caso contrário não me alongaria mais nesse debate, mas sua utopia racional-positivista deu com os burros n’agua há um século. Não dá para jogar o “Alquimia” com as regras do “War”. Partir para o confronto com os picaretas é “dawkiniar”. Imitá-lo no que ele tem de pior. (Talvez, se discutirmos em foros apropriados e com mediação, consigamos ser mais produtivos). Por isso, minha utopia é diferente. Eu acredito na divulgação cientifica. Posso divulgar a ouvidos moucos, mas é isso que vou fazer. Funcionou na India, ironicamente o palco do acontecido, há muitos anos atrás, pode funcionar de novo, não?
    Vrummm – clic [light saber OFF].

  31. Rudolf disse:

    Sim, este debate foi delicioso! =)

  32. Felippe disse:

    Pregar o ateísmo por idealismo é algo dadaísta, inútil e improdutivo. A maioria das vezes o idealismo em si está fadado ao fracasso. No entanto, ao encararmos o ateísmo como uma doutrina útil que nos devenda os olhos e nos permite avançar rumo ao progresso geral e irrestrito da Ciência, ele acaba por torna-se algo palpável, real. O problema da questão é que tudo o que vemos como “doutrina útil” passa a nos “abrir os olhos”. Quantas religiões pregam que os outros estão cegos? Os homeopatas de plantão consideram que os alopatas sofrem de miopia grau 5… Voltamos assim ao senso comum. Nunca haverá ganhadores ou perdedores nessa discussão.Não existe argumentação contra aqueles que nos acham ignorantes. Contudo ainda acredito, e friso, eu acredito no progresso da humanidade pela ciência, ateímos e alopatia.
    Abraços.
    Ps – Aí vai uma frase que escutei em Cuba: “Não existem ateus no Paredon” rs

  33. Sibele disse:

    Karl!
    Só agora vi sua intervenção [light saber ON e OFF]! Ótimo complemento! Obrigada!
    Realmente esgrimir com samurais não é mesmo tarefa fácil! Mas eu não capitulei, viu? Talvez seja necessário mudar de tática… 😀
    Quanto ao novo post, vou ficar bem quietinha, só vendo o nhém-nhém-nhém… cadê os positivistas utópicos???

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