Homens

http://www.mlahanas.de/Greeks/Arts/Images/ManEv.jpg
Os gregos tinham pelo menos três palavras para dizer “homem”. Quando queriam dizer “homem” em oposição a mulher, dizia-se andrós. Andrós é o homem viril e herói, de onde vêm os nomes André, Alexandre (Alexandrus), Leandro e outros. “Homem” com o sentido de humanidade e em oposição aos animais era anthropos, de onde vêm as palavras antropologia e misantropo (o “anti-social”). Quando “homem” estava em oposição aos deuses, a palavra mais correta era brotós, ou thnetos, o que morre, cuja raiz gerou a tanatologia – o estudo da morte e do morrer.

Quem é o “homem” que adoece e ao qual o médico deve dispensar seus cuidados é uma pergunta interessante dentro desse contexto. Nas tragédias gregas é explorado justamente o aspecto finito do homem perante aos deuses e o brotós, predomina. Mas há referência a todos, dependendo de cada situação. Em que pese o fato de haver médicos andrologistas, aqueles que cuidam de fertilidade e disfunções sexuais masculinas, acho que o médico em geral cuida mesmo, ou pelo menos deveria, do brotós/thnetos. Qualquer doença desperta a consciência de que não somos eternos e podemos morrer a qualquer momento. Um médico não pode nunca esquecer-se disso, mesmo quando trata de doenças banais.

Discussão - 10 comentários

  1. Oi, Karl
    Gostaria que muitos estudantes de medicina lessem esse seu post, que está muito bom (como sempre).
    Abraço,
    Fernanda

  2. Caro Karl,
    Meu nome real (não o do meu “avatar”) se enquadra na categoria dos nomes citados por você e, assim, sua postagem me chamou a atenção. Se não me engano, o homem “andrós”, viril, não deve ter mesmo problemas de saúde: as palavras latinas para viril (em latim, virilis) e virtude (em latim, virtus) parecem ter a mesma raiz de homem (em latim, vir) – logo, um homem viril seria um homem de virtudes, de qualidades, que, portanto, não tem defeitos para relatar aos médicos…
    Um abraço!

  3. maria disse:

    isso que o dedalus falou é justamente o que eu estava pensando. imagino que os médicos precisem de uma abordagem diferente para homens e mulheres. porque homens gostam de se achar acima da doença (se é por medo ou mania de super, já não sei).
    então anthropos não é uma categoria útil, nesse caso.
    é assim?

  4. Karl disse:

    Bem lembrado, Stephen. O latim também diferencia o “homem” em oposição à mulher (vir) de onde vêm as palavras viril e virago (mulher que se comporta como homem) e nomes como Viriato e Virgílio; e “homem”, espécie humana (homo) originado de humus, que significa solo. Infelizmente, o silogismo que você sugere é o mesmo que muitos homens cometem no consultório: confundir virtudes morais com as orgânicas. Um homem viril pode (e deve) chorar.
    Obrigado pelos sempre pertinentes comentários.

  5. Sibele disse:

    “Um homem também chora” (Gonzaguinha) http://bit.ly/9LxFE

  6. Sibele disse:

    Um gancho desse post com a notícia do passamento de Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos:
    Em 2005, aos 97 anos, o antropólogo declarou, ao receber o 17o Prêmio Internacional da Catalunha, na Espanha:

    “Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente”

    Qualquer que seja a classificação masculina, não importa: certeza mesmo, é que somos todos finitos.
    Eu gostaria de usar mais latim, mas parece que alguns não entendem, ou não querem entender, ou então, fazem-se de desentendidos…

  7. Karl, lindo post, mas eu não podia deixar passar uma chatice linguística: “andrós” (a melhor transliteração do ponto de vista fonético seria andrôs, na verdade) é o genitivo. “Anér” é o nominativo, a forma básica.

  8. Karl disse:

    Boa, Reinaldo. Mas na transliteração eu achava que o “ó” era lido como “ô”, sei lá, acho que por causa do francês. Imagino que brotós, seja o mesmo caso, não? Obrigado pelo privilégio do comentário.

  9. Fernando disse:

    De fato, é em caso de doença e enfermidade, nossa ou de próximos, que somos chamados ao fato de vivermos uma existência não eterna, pouco etérea, e fisicamente restrita – não importa quão largos os nossos passos, ou quão grande nossa ganância por dinheiro, ou mulheres, ou renome.

  10. muito interessante! eu só não sabia da ultima palavra thnetos. muito bem lembrado o dado sobre palavras em latim.
    agora poderia ser incluída algo sobre os termos (gregos e romanos) para a mulher, meu assunto favorito… };)

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