Chocolate: Pecado ou Remédio?

ResearchBlogging.orgTodo mundo gosta de saborear uma boa barra de chocolate. Infelizmente, essa atitude, em geral, é acompanhada de uma boa dose de culpa. Não seria muito bom se descobríssemos que chocolate é bom para saúde, ao invés de apenas engordar? Os efeitos do chocolate sobre o sistema circulatório têm sido sugeridos por vários estudos dos quais, poucos são bem conduzidos.  Recentemente, uma prestigiosa revista de coagulação e trombose (Journal of Thrombosis and Thrombolysis) publicou uma revisão dos efeitos circulatórios e antitrombogênicos do chocolate amargo (dark chocolate). É essa revisão que comentamos abaixo.

Os efeitos benéficos do chocolate são provenientes de polifenóis chamados flavonóides que estão presentes em quantidades significativas no alimento com biodisponibilidade suficiente para causar o efeito farmacológico. Acredita-se que o potencial benefício do chocolate amargo ao sistema cardiovascular seja causado por um aumento da capacidade antioxidante dos flavonóides, em especial das catequinas, epicatequinas e procianidinas no sangue. Esses efeitos são divididos em metabólicos, anti-hipertensivos, moduladores da função endotelial, anti-inflamatórios e anti-trombóticos, como mostra a figura abaixo (retirada do original).

Dark chocolate.jpg

Desde a primeira descrição dos efeito antioxidantes dos polifenóis do cacau contra a oxidação da LDL (o colesterol de baixa densidade cujo nível sérico é altamente associado à aterosclerose) em 1996, estudos vêm se acumulando sobre seus efeitos cardiovasculares, principalmente associados ao uso do chocolate amargo (dark chocolate). Dada a gigantesca penetração do chocolate em nossa cultura, é importante estabelecermos os efeitos de sua ingesta. Numerosos estudos, epidemiológicos e biológicos, agora dão conta de um efeito complexo, multifacetado e consistente dos polifenóis presentes no chocolate sobre o sistema cardiovascular. Esses estudos ainda necessitam ser confirmados por ensaios clínicos randomizados, controlados, com múltiplas dosagens diferentes de modo a definir qual a proporção mais vantajosa de polifenóis mono, oligo e poliméricos. E, então, o simples prazer associado ao consumo do chocolate pode também ser justificado sob uma perspectiva saudável e por seus efeitos psicológicos (funcionamento cognitivo e melhora do humor). Entretanto, como é demonstrado no artigo, o chocolate amargo tem níveis bem mais elevados de flavonóides do que o chocolate ao leite, além do que, as proteínas lácteas podem inibir a absorção dos polifenóis. Por essa razão, e por razão dietéticas, é preferível consumir chocolate amargo do que ao leite. Sempre em quantidades “civilizadas”.

Lippi, G., Franchini, M., Montagnana, M., Favaloro, E., Guidi, G., & Targher, G. (2008). Dark chocolate: consumption for pleasure or therapy? Journal of Thrombosis and Thrombolysis, 28 (4), 482-488 DOI: 10.1007/s11239-008-0273-3

Discussão - 11 comentários

  1. Lucinda disse:

    Oba, sem dor de consciência o chocolate fica muito melhor.
    Adorei o seu post, ele me deu uma grande ideia. Onde está meu chocolate? Humm…

  2. Chloe disse:

    O problema está na ‘quantidade civilizada’, rs…
    Considerando que foi justamente o desenvolvimento da civilização que deu origem à produção em massa, uma quantidade civilizada seria bastante, rsrsrs…
    Essas nossas paixões…
    ; )
    C.

  3. maria disse:

    e quem se atreve a dizer que este blogue não é de medicina nem de ciência?
    pena que não gosto de chocolate amargo… mas como também não gosto de comer uma barra inteira (um pedacinho é minha medida), não padeço de culpa. vou ter que buscar minha alimentação saudável noutro lugar.

  4. Joâo Carlos disse:

    “Quantidade civilizada” = 1 kg/dia… ;D

  5. Sibele disse:

    E essa deliciosa tentação realmente tem o potencial de causar dependência, Karl? Ou os “chocólatras” têm dependência apenas psicológica?

  6. Karl disse:

    Não tenho essa resposta. Os estudos com os termos “chocolate addiction” são antigos. Fala-se hoje em “sweet food addiction”. Já “Chocolate craving” são termos mais atuais e que têm mais a ver com transtornos alimentares que com dependência.
    Boa pergunta, Sibele. Se alguém esclarecer mais, será muito bem-vindo.

  7. Sibele disse:

    Também já ouvi falar em “Sugar Blue”…

  8. Igor Santos disse:

    @João, você é confeiteiro?
    Um quilo por dia nem profissionalmente…

  9. Sibele disse:

    “Não tenho essa resposta”.
    Sim, até mesmo Karl, do Ecce Medicus, tem a hombridade de calçar as sandálias da humildade quando preciso! 😀
    Mas, infelizmente, ninguém, embora muito bem-vindo, esclareceu mais… 🙁
    (Nos comments subsequentes, eu só citei um possível distúrbio ligado ao consumo de açúcar; Maria falou de dependência de açúcar; Igor questionou o João Carlos em quantidades, mas nada sobre dependência do chocolate…)

  10. maria disse:

    fui olhar o artigo que acabo de mencionar e alguns dos pesquisadores são da nestlé. será que dá pra levar a sério? tenho dúvidas…

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