Pergunta Fértil

Eu gosto de questões éticas. Talvez porque não haja um gabarito para este tipo de questão. (Fazer prova que não tem gabarito é uma delícia!). Senão, vejamos…

O número de fertilizações in vitro humanas vem crescendo quase que exponencialmente os últimos anos. As estatísticas reais são difíceis de obter dado que grande parte desses procedimentos são realizados em clínicas particulares e não nos serviços públicos. (A proliferação de clínicas de reprodução assistida, entretanto, deve querer nos dizer alguma coisa). Isso se deve a evolução desse tipo de tecnologia e também à maior procura pelo método. A maior procura do método deve levar em consideração o fato de que os casais estão unindo-se mais tarde e gerando filhos mais tarde, o que dificulta o processo.

Numa fertilização in vitro são retirados óvulos da moça que são incubados com os espermatozóides do rapaz numa placa de Petri (vidro). São gerados vários ovos/embriões, bebês em potencial, nesse processo e que são congelados com objetivo de serem implantados após um tratamento hormonal da mãe visando preparar seu útero o melhor possível para recebê-los. São implantados de 1 a 3 embriões, a depender do caso. Os restantes, são guardados, congelados. Depois de um tempo, podem ser utilizados ou descartados pois têm um prazo de validade. Agora, pára e presta atenção.

Descartar embriões pode significar 2 coisas diferentes. Para um grupo “descartar embriões” pode ser jogar produtos de uma fertilização in vitro fora. Ponto. Para outro grupo, “descartar embriões” pode ser assassinar crianças inocentes, cometer um crime contra a humanidade, matar alguém da própria espécie, etc. Agora imagine fazer “experiências” com esses embriões que seriam descartados. Há que diga que alguns desses embriões têm células-tronco com excelente potencial para regeneração de tecidos humanos e que isso pode significar que o tratamento para algumas doenças humanas será prorrogado por tempo indeterminado, caso não possamos utilizá-las para estudo.

Pergunta (os comentários estão abertos para as respostas):

1. Você é a favor ou contra o uso de embriões humanos preparados para fins reprodutivos e que seriam descartados para estudos com células-tronco?

Discussão - 11 comentários

  1. Dizer se é contra ou a favcr é fácil. Difícil é argumentar. E mais difícil ainda é debater de modo cordato. Vamos ver como fica aqui nos commentos.

    []s,

    Roberto Takata

  2. Claudia Chow disse:

    Sou a favor do uso de embriões humanos preparados para fins reprodutivos e que seriam descartados para estudos com células-tronco.

  3. João Carlos disse:

    Quem não objeta o uso de cadáveres para estudos de anatomia, nem os transplantes de órgãos retirados de pessoas com morte cerebral, não tem base moral para objetar o uso de embriões “descartados” para pesquisas.

    Caracterizar embriões como “fetos” é um exagero de quem ouviu cantar o galo, mas não sabe onde. E, mesmo os fetos, não podem ser caracterizados como “pessoas” até que tenham condições mínimas de sobrevivência.

    By the way, são tantos os fetos perdidos por abortos espontâneos que são confundidos com a menstruação, que a questão nem deveria ser posta…

  4. João Carlos,

    Base moral têm. Será uma base distinta da sua – embora possivelmente com sobreposições. Enquanto você reconhece o embrião como distinto de uma pessoa plena, um contrário ao uso de embriões humanos não reconhecerá essa distinção em termos de direito à vida.

    []s,

    Roberto Takata

  5. Sibele disse:

    É para responder pá-pum?

    A favor, nas duas hipóteses.

  6. Lucia Malla disse:

    Ixe… Karl, vc acredita q foi EXATAMENTE esse tema do meu grupo de aula de Ética nesse semestre? Tivemos q conduzir em classe a discussão do tema. O grupo era de 4 pessoas e praticamente cada um tinha uma opinião diferente, uma loucura. Daí vc imagina o auê q é esse tema…

    Eu sou a favor, mas um dia numa mesa de bar te conto porque riram à beça qdo expressei minha opinião completa… 😉

  7. […] pergunta do post anterior tem uma razão de ser. Foi publicado um artigo no New England (pdf gratuito, ver também a […]

  8. Argumentando: o desenvolvimento etico da humanidade ocidental tem sido feito numa progressiva ampliacao dos direitos humanos para entes antes considerados subhumanos ou pelo menos inferiores, tais como muheres, escravos, criancas, idosos, pessoas com deficiencias etc.
    A atual fase é a defesa dos direitos humanos dos animais superiores, Veganismo etc.
    Tudo isso só é possivel em sociedades nao espartanas, ou seja, ricas o suficiente para fornecer esses direitos sem um grande custo adicional para os membros dominantes da sociedade.
    Assim, se tudo continuar na mesma direção, me parece que fetos serao progressivamente incluidos nessa abordagem de direitos humanos (a esquerda sempre se pautou por querer ser a voz dos que nao tem voz, como os fetos). Em um caso limite, num mundo ideal, os embrioes tambem terao direitos humanos, no futuro.
    Agora, esse é um debate meio datado pois, se descobrirem uma forma de produzir celulas tronco a partir de tecidos adultos, de forma eficaz e barata, o uso dos embrioes seria anacronico e cairia no esquecimento.
    Imagino que a pressao social daqueles que sao contra o uso dos embrioes (que nao é o meu caso!) deve promover o desenvolvimento dessas novas tecnicas. Por outro lado, a aceitação social do uso dos embrioes deverá impedir ou retardar a descoberta dessas novas abordagens. Entao talvez a melhor pergunta seria: qual abordagem ética poderia promover o aumento do conhecimento cientifico no longo prazo? Eu acho que os protestos dos defensores dos animais tem tido um efeito positivo no desenvolvimento de novas tecnicas cientificas de testes medicos, cosmeticos etc. Mas a simples aceitacao do uso de animais, sem critica etica, nao produz progresso cientifico dessas novas tecnicas de testes. Ou nao?

  9. Thiago Fraga Habib disse:

    A favor.

  10. […] O Karl trouxe pra mesa de discussão ética: uso de embriões humanos para pesquisa de células tronco. Os embriões, claros, seriam o descarte dos procedimentos de fertilização in vitro. E ele […]

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