Reanimação Sexy

Por ressuscitação cardiopulmonar (RCP ou CPR, em inglês) chamamos o conjunto de procedimentos que visam reestabelecer a circulação sanguínea estando esta última, interrompida por ritmos cardíacos não-propulsores. (Ao contrário do que muito gente pensa, o coração não necessita estar “parado” para que a circulação assim esteja). Tais procedimentos visam a ação imediata e são extremamente padronizados com poucas variações desde sua introdução na década de 50. No Brasil, temos um sistema de ensino e divulgação da RCP comparável aos melhores do mundo e a Sociedade Brasileira de Cardiologia divulga essas informações gratuitamente. O vídeo abaixo, é uma propaganda de uma marca de lingeries mas segue os principais preceitos básicos da RCP, tendo feito muito sucesso entre OS residentes do hospital e partilho esse conhecimento com meus leitores agora.

O suporte básico de vida deveria fazer parte do currículo de várias profissões como professores, seguranças e todos os que lidam com agrupamentos humanos. Mortes extemporâneas poderiam ser evitadas.

PS. As moças não dão cursos no Brasil (já tentei). Mas tem outros vídeos médicos “interessantes” aqui.

Discussão - 33 comentários

  1. mariella patti disse:

    vc deveria ter vergonha de postar um video tão cretino e machista logo hoje, depois de tudo que foi falado ontem sobre NÃO objetificar a mulher. é óbvio que Os residentes adoram – e As residentes, acham isso lisonjeiro? acho que não.

    • Karl disse:

      Mariella, vergonha, vergonha, não tenho não. Se vc clicar na tag “humor” do post verá outros semelhantes em que tento dar uma certa leveza a este, por vezes, pesado blog. Quanto à “objetificação” da mulher, publico aqui um poema, considerado um dos mais belos poemas sobre mulheres em língua portuguesa por uma especialista no assunto. Que se tirem suas conclusões sobre o que é exatamente, objetificar uma mulher. Aliás, a minha, que achou o filme engraçado, é objeto do meu amor.

      A mulher e a casa

      Tua sedução é menos
      de mulher do que de casa:
      pois vem de como é por dentro
      ou por detrás da fachada.

      Mesmo quando ela possui
      tua plácida elegância,
      esse teu reboco claro,
      riso franco de varandas,

      uma casa não é nunca
      só para ser comtemplada;
      melhor: somente por dentro
      é possível contemplá-la.

      Seduz pelo que é dentro,
      ou será, quando se abra;
      pelo que pode ser dentro
      de suas paredes fechadas;

      pelo que dentro fizeram
      com seus vazios, com o nada;
      pelos espaços de dentro,
      não pelo que dentro guarda;

      pelos espaços de dentro:
      seus recintos, suas áreas,
      organizando-se dentro
      em corredores e salas,

      os quais sugerindo ao homem
      estâncias aconchegadas,
      paredes bem revestidas,
      ou recessos bons de cavas,

      exercem sobre esse homem
      efeito igual ao que causas:
      a vontade de corrê-la
      por dentro, de visitá-la.

      João Cabral de Melo Neto

  2. Fabiana disse:

    Machismo é oposto de feminismo. Feminismo, se não for humanismo, é uma bobagem. Desculpem. O negócio é a conquista do feminino. E do masculino. E de tudo o mais que quisermos.
    Não acho o video “engraçado”, mas o problema dele pra mim não é o “machismo” não. O “olhar masculino” pro qual ele é pensado não me incomoda. Me incomodam, talvez, outras coisas.

    • Karl disse:

      Fabiana,

      Seria o vídeo voltado para um “olhar masculino”? Lembrar que é um vídeo promocional de uma marca de lingeries. Uma pergunta boa é como “anunciar” lingeries? Quem compra são as mulheres, mas compram pensando em quê? Se o video tem um “olhar masculino”, por outro lado é voltado ao público feminino porque as modelos desfilam com peças da marca dizendo “veja como você pode ser sexy usando isso, mesmo fazendo uma coisa totalmente não-sexy, como ressuscitação cardiopulmonar!!” O que te incomoda?

  3. Fabiana disse:

    Putz, eu teria de fazer uma análise um tiquinho mais funda do negócio pra poder explicar melhor, Karl. Faço, mas mais tarde, pode ser?, que tem peixe morto no aquário e filho de bico aberto esperando comida… Enfim.

  4. Fabiana disse:

    … Mas eu posso tb lançar o desafio: o que é que incomoda (ou não incomoda) no vídeo? Talvez as pessoas saibam mais do que eu… 🙂

  5. Sibele disse:

    A tag “Humor” não minimiza a escorregada de se “brincar” com coisa muito séria, Karl.

    Não achei nada engraçado. Mas há pessoas que acham, até mesmo algumas mulheres…

    “Lembrar que é um vídeo promocional de uma marca de lingeries. Uma pergunta boa é como ‘anunciar’ lingeries?”
    Pois é. O “genial” olhar masculino que “criou” (entre aspas, pois é apenas mais uma demonstração de uma visão de mundo arraigada na nossa sociedade), essa peça só ratifica e legitima a ideia de que a mulher precisa se sentir sexy e sedutora em qualquer situação, não?

    Deprimente.

  6. Sibele disse:

    Ah, mas é claro! Esqueci-me de que vc é um Onfraysta de carteirinha…

  7. Poderosa Aphrodite disse:

    uh!
    very very hot.
    mas cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

  8. Igor Santos disse:

    Uau, quanto mal gosto! Ainda mais “logo hoje”, um dia sem qualquer significado! Logo após o Dia Internacional da Hipocrisia!
    Que vergonha, doutor! Esperar 24hs para publicar uma piada somente para sofrer exatamente da mesma represália que estava tentando evitar. Dose, hein!?
    Já pensou? “Brincar” (entre aspas porque suas comentaristas sabem mais do que você das suas próprias intenções e identificaram que isso não foi brincadeira) com “coisa muito séria”? Só não vi comentário parecido quando você “brincou” com uma coisa tão séria quanto a epidemia de AIDS quando postou aquele vídeo das pichações em movimento.
    Estranho, não?

    É por esse tipo de ignorância, secura, recalque e falta de bom senso que o movimento feminista é visto com maus olhos por alguns.

  9. […] homenagem ao meu amigo e ídolo intelectual Karl Guimarães d’Montaigne e às suas comentaristas ^feministas^ (aspas irônicas), apresento aqui uma propaganda australiana […]

  10. Edgar disse:

    Se eu tivesse me afogando e só tivesse essa mulherzinha aí do comentário pra me fazer respiração boca-a-boca, preferia inalar água salgada. Ela tem jeito de ser daquelas que boicotam creme dental por ser um substantivo masculino.

  11. Conrado disse:

    Esse post e os comentários chegam a ser nauseantes. O vídeo é de mau gosto, mas o pior estão sendo as respostas. É deprimente ver o nível de argumentação num site dedicado à ciência. Primeiro temos a defesa do “mas é só humor”, como se isso justificasse qualquer preconceito e machismo. É só piada. Não tem problema.

    Aí temos “mas a minha mulher não achou ruim”. (Já é irônico usar “minha mulher”), porque claro, se uma mulher não achou ruim, nenhuma outra deveria se ofender, porque afinal ela é embaixadora mundial do sexo feminino.

    Aí temos a tentativa de desqualificar a crítica, porque em outro post não foi feita crítica parecida. Primeiro que são situações diferentes, uma coisa é usar humor para reforçar uma mensagem importante, outra é usar humor para tenta passar uma mensagem e acabar objetificando metade da população mundial. Segundo que é totalmente infantil dizer que uma pessoa só pode criticar algo se ela fez a mesma crítica em todos os posts anteriores do autor. Com licença que vou ler todo o histórico de todos os blogs do ScienceBlogs em busca de machismo e fazer críticas, pois só assim vou estar qualificado para falar algo aqui…

    E para coroar, desdenhar a pessoa que fez a crítica chamando-a “mulherzinha”, porque afinal, uma mulher que luta contra a objetificação é mesmo uma recalclada, e nunca vai ter a imensa hora e privilégio de fazer respiração boca-a-boca no nosso colega.

    Patético.

    • Cyntiab disse:

      Exatamente, Conrado.

      É triste ver um autor de quem gostamos escorregar feio assim. Mas mais ainda ver a reação dele ao escorregão.

      Para mais sobre machismo no meio científico fica a dica do artigo traduzido e publicado pelo Bule:

      http://bulevoador.com.br/2012/03/33290/

      Apesar de meio longo creio que é bastante esclarecedor. Lá encontramos todos os argumentos que vimos aqui nessa caixa de comentários para desmerecer uma crítica sobre sexismo: “era só uma piada, você não tem humor?”, “você é uma mal amada, todas as feministas são”, “você não sabe do que está falando, é só uma mulher, eu sou o doutor aqui”, “o politicamente correto está matando o humor (porque bons eram os tempos em que a gente podia rir das minorias sem levar carão”.

      Dá pra fazer um bingo com isso. Oh! ele já existe:

      http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/07/bingo-anti-feminista.html

      • Cyntiab disse:

        E eu poderia adicionar ao bingo:

        “Puxa, você ficou ofendida? Tome aqui um poema/flor/elogio!”
        (significa “cale-se, mulheres são boas como belos enfeites que não
        reclamam, sua natureza é a docilidade)

        e

        “Porque você ficou ofendida com uma propaganda de lingerie? É só
        natural que a propaganda seja assim, já que mulheres e homens devem
        seduzir-se mutuamente!” (esquecendo-se dos padrões estéticos
        antinaturais vendidos nesse tipo de comercial e os clichês de gênero
        que eles propagam)

        Ah, poupe-me viu!

  12. Poderosa Aphrodite disse:

    no fundo o que quase toda menina nega é o desejinho de experimentar, de se lambuzar um tanto mais, de gozar um pouco mais.
    ser mulher pode ser uma delícia
    ou
    pode ser quase.

    • Karl disse:

      Gente, respeito bastante todos os comentários e agradeço a todos, sem exceção por virem colocar suas ideias aqui. De verdade.

      Entretanto, devo dizer que o vídeo é uma piada (pode até ser de piada de médico, de mau-gosto e não entendível por todos, mas não deixa mesmo assim, de sê-lo) e ainda acho-o engraçado dentro do contexto médico de uma situação estapafúrdia que é. Como acho também um audio que circulou nos meios médicos com alguém imitando o Silvio Santos, conduzindo uma parada cardíaca. Se isso é ser machista, chauvinista, babaca ou qualquer outra definição para “politicamente incorreto”, eu assumo que, visto por esse ângulo, posso até ser. Também entendo que alguns de meus leitores mais assíduos não tenham gostado e tenho levado essas valiosas opiniões bastante em consideração. Muito mais, aliás, do que a caixa de comentários deixa transparecer.

      Porém, ser acusado de pensar ou pensar dizer ou veicular a ideia de que sou um médico todo-poderoso e que, utilizando dessa delirante prerrogativa, me coloco em uma posição superior para destilar um escárnio machista é um golpe baixo e hipócrita de quem não visita esse blog regularmente e, ou não lê o que aqui se publica, ou nada dele apreendeu. Essa conclusão não pode ser aurida do post, que por mais machista, sexista e babaca, etc que seja, não veicula a ideia de uma suposta “superioridade médica” que cala uma voz indefesa subjugando-a por seu saber/poder. Isso é um non sequitur e não posso aceitá-lo passivamente. Concesso non dato.

      Agradeço, novamente, os comentários favoráveis mas também, e principalmente, às críticas da Mariella, da Sibele, da Fabiana, do Conrado e da Cyntia. A linguagem tem meandros que me fascinam e enigmas que me motivam ainda mais.

      • Poderosa Aphrodite disse:

        nananinanão doc… se explique não…
        pô… menos people.

        1 – aos homens heterossexuais: se vocês chegam em casa e encontram sua mulher, ou melhor, parceria (termo feministicamente mais correto) vestida em renda e louca pra escorregar , vocês dizem não amor, isso não seria feministicamente correto: vista-se, erga-se, tenhamos um jantar digno e depois deitemo-nos no leito mútuo para debater as conquistas dos gêneros?
        2 – meninas… que mal há em ser desajadas ou, melhor ainda, em despertar desejo? com ou sem roupa. feminismo pode ser muita coisa. menos castração…
        3 – puta que pariu quanta tolice. o vídeo é sensacional. é divertido, sexy e absolutamente didático. relaxa negada.

  13. Guilherme Balan disse:

    É uma pena, Karl. Vamos refletir melhor sobre a brincadeira infeliz e pensar numa resposta melhor pra quem criticou a presença do video aqui. Que tal “não era minha intenção, me desculpem”? “É a primeira vez que eu vejo pessoas se chateando com um video de mulheres seminuas rastejando e se insinuando num canal sobre medicina, vou pensar melhor sobre isso”?

    Isso me chateia, porque escorregar acontece, tudo bem, mas quando não se reconhece o potencial ofensivo o erro, daí já começa a ser uma maldade intencional. E sabia que isso é muito comum em casos de machismo? A Cyntia indicou um texto da Lola, vou indicar ainda outro, três casos de homens bravos por terem chamado a atenção deles. E o pior é que fica claro que o machismo só começa de verdade quando instistem no erro, mas nenhum percebe isso:

    http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/08/padroes-que-se-repetem-sempre.html

    um abraço!

  14. Poderosa Aphrodite disse:

    mais ou menos moço…
    pseudo feminismo também é uma coisa perigosa.
    propor linguagem e pensamento ok
    ceder única e exclusivamente por acalmar ânimos, não.

  15. Sibele disse:

    Querida Afrodite (se Poderosa, aí é de para se pensar…)

    O problema é quando o que vimos aqui reverbera em outros locais (diga-se: posts), de forma até mais ofensiva a quem criticou por aqui, a título de “apoio” (ou “homenagem”, vá lá…) e ainda, bem aceito por quem foi sujeito de tal desdobramento, pelo que pareceu. Só reforça a ideia, que, repito, é mesmo arraigada na sociedade.

    Engraçado, “Essa conclusão não pode ser aurida do post”. De fato, apenas um post não permite generalizar o todo desse blog. Mas muito menos um mero comment permite que se generalize sobre o humor (ou a falta de) dos comentaristas, e pior, sobre suas características relativas a desejo. Chega a ser, sim, ofensa.

    Esse é um blog com boa repercussão na blogosfera. Escorregadas aqui são, no mínimo, constrangedoras, pelo seu poder de reverberar.

    É uma responsabilidade e tanto, Karl.

  16. Fabiana disse:

    Este post do EM meio que ta virando (já virou faz tempo!) um exemplo do anterior, “As deformações do ver”, vcs não acham?: “Se eu posto o que eu vejo, a pessoa que vê, tipo, vê o quê? O que eu vi?”

    Karl saiu explicando piada no Twitter (não vou saber referenciar aqui…). Mariella achou o video “machista”, Sibele, “deprimente”, Aphrodite, “hot, very hot”, eu mesma disse que não ria, mas não expliquei o que (não) incomodava. Aleph deu “parabéns” às modelos, Igor chamou as comentaristas de “recalcadas” e Edgar preferiria a morte à uma… digamos… RCP da “mulherzinha aí do comentário” (caramba, meninos, mas “recalcada” e “mulherzinha” também é um pouco demais, né não?)

    Deixa eu começar por mim: não achei o vídeo “engraçado”. Achei sexy, sim. “Very hot”, como diria Aphrodite. E isso não é ruim em si não, nada contra. Mas eu sou um pouco diferente das mulheres em geral. Meio estranha. O fato é que a sensualidade do vídeo – presente, alias, em toda propaganda, já que pra vender bem tem de “atiçar” desejos – vai um pouco além, um ponto a mais, pendendo pro que o comum dos mortais talvez chamasse de quase explícito. E o público feminino em geral não lida muito bem com isso, me parece. Se choca um pouco. Há muito mais homens assistindo a filmes pornô do que mulheres, acho. Não sei. Talvez esteja enganada.

    A questão é tentar entender por que as mulheres em geral se chocam e se revoltam (alguns homens, na defesa, também). Às vezes a sensação é de inferiorização, mesmo. Dificilmente seremos tão bonitas quanto as modelos do vídeo. Temos nossos momentos, mas também des-momentos: horas de acordar, dias ruins, quilos a mais, músculos a menos, cansaço, etc., etc. Só quem já participou da produção de um ensaio sensual de mulheres, por exemplo, é capaz de dizer toda (e, quando digo toda, é TODA mesmo) produção por trás de tal beleza. Isso sem falar da pós-produção: tratamentos fotográficos digitais e coisas desse tipo, comentadíssimos na mídia, diga-se de passagem.

    Tudo isso pra dizer o óbvio, claro: que quem está ali não é quem está ali, não é a “coisa-em-si”. Obviamente. Se sabemos disso, então por que tanto incômodo?

    Porque talvez não saibamos mesmo completamente disso. Porque, ou não percebemos, ou temos medo que os outros não percebam, que aquilo não é uma Verdade, mas um fake. Mais que isso: um take (uma parte) de um fake. Existe mesmo uma visão da sensualidade possível nos procedimentos de reanimação (não nos verdadeiros, imagino, mas na imagem popular que se faz deles: “deixa eu te fazer uma respiração boca-a-boca”, por exemplo), que vem simplesmente da intimidade forçada: toques interditos que a situação não apenas permite, mas demanda. Os marqueteiros só aproveitaram isso pra criar uma peça polêmica, divulgar e fazer barulho. Parece que estão conseguindo. Costumo dizer que há risos que são conservadores. Risos que apenas corroboram valores sociais arraigados. Talvez o riso diante dessa propaganda seja um deles. Sei lá.

    A mim, o que incomoda não é a coisa em si, o vídeo, mas as leituras que se pode fazer dele. Se cristalizarmos seus sentidos, estamos ferrados. “Peça machista”, “humor”, “sexy”, “parabéns”, ele é tudo isso – e nada disso: se-pa-ra-da-men-te. Junte tudo: aí está ele! E não deve ser objeto de ataque ou de defesa, acho: pode ser de conhecimento?

    • aron barco disse:

      olha, depois desse comentário tive vontade de te pedir em casamento (sem brincadeira).

      ps: ah e, de conhecimento não é (i.e., não tem valor epistêmico), mas sim de debate cultural, de interpretação acerca do que é a figura feminina – e consequentemente a forma que nossa cultura espera que as mulheres preencham – e do que desejaríamos que ela fosse.

      • Fabiana disse:

        Puxa, Aron. Nem sei exatamente por quê – mas obrigada! Considero esse um elogio – e corajoso até, viu?, que do jeito que as coisas andaram, era capaz até de te chamarem de chavinista por pensar na ideia de casamento diante da fala de uma mulher… :0

        Então. Pensando bem mesmo, olhando direitinho, não acho que a intenção do post tenha sido a de discutir culturalmente a questão do feminino, mas, talvez, a de compartilhar aqui, com os leitores, a apropriação inusitada de um procedimento… médico? paramédico? por uma propaganda de lingeries. Nesse sentido, acho mesmo que o video está no lugar certo e que Karl fez bem em postá-lo. Não é afinal neste espaço, entre outros, que se discutem práticas médicas em sua relação com a sociedade, a cultura, os próprios médicos?

        Mas a coisa foi para outro lado, e eu poderia trazer várias citações, ideias, reflexões a respeito. Não vou fazer nada disso. Vou apenas falar de mim – que sou mulher também. E é assim: já fui rotulada de tudo quanto é coisa que vc pode imaginar. Meio que “mulher-etiqueta”: “desconcertante”, “doutora-fresca”, “eterno feminino”. “inteligente”, “louca”, “feia”, “gorda”, “anão de jardim”, “mulher mais linda que eu já vi”, “maravilhosa”, “um gênio”… Como vc vê, as opiniões se dividem… 🙂

        Ou melhor: as opiniões ME dividem… 🙂
        Já me cortaram a cabeça fora, e olharam só o resto do corpo (é, a mulher-camarão não é assim um mito tão distante não…). Já me apagaram o resto do corpo, olhando apenas a cabeça (quase uma medusa, #medo!!!). E também já passei alguns anos, vários até, como um nada ambulante, sem cabeça e sem corpo, vagando pelas coisas, estando sem estar – um sopro. Tipo assim transparente: um fantasminha de televisão.

        Pois é. Mas eu continuei – to aqui. E é por isso que eu talvez ache que o que desumaniza a gente não é ser ISTO ou AQUILO – sexy ou inteligente, por exemplo (e NADA DAQUILO, com certeza, é a desumanização total). Mas é ser isto OU aquilo. Se-pa-ra-da-men-te.
        Mary Shelley, afinal, não estava tão errada assim. Frankenstein é o monstro da modernidade. Frankenstein, veja bem: não a criatura. E ela, não por acaso, era uma mulher.

        Muito obrigada pelo comentário.

  17. Poderosa Aphrodite disse:

    Está programado para 20 de abril de 2012 o que possivelmente será considerado o maior “flash mob” já realizado desde a invenção da internet. Idealizado e promovido por um sociólogo canadense que há dez anos atua no combate à violência praticada contra crianças e jovens de Uganda, o vídeo aqui anexado traz um pouco da história e do propósito da ONG: capturar um sujeito chamado Joseph Kony. Postado em dezembro de 2011, o vídeo já atingiu a marca de 50 milhões de espectadores. Deixando de lado a questão humanitária, a causa – que não é objeto desta discussão específica, a peça apresenta um exercício de linguagem que, sob minha ótica, deve pautar a comunicação desta década. E, “pasme”, não se utiliza de peitinhos, mas, de crianças. Não apela à pós produção, mas à verdade. O ativista também entrevista o próprio filho e é ele quem diz no vídeo que devemos parar Kony, the bad guy. George Clooney está no vídeo, Barak Obama escreve ao ativista. O site da ONG também sugere uma contribuição mensal (que pode ser vitalícia). E afirma: “If we succeed, we change the course of human history”. Ele está certo.
    Nosso videozinho de CPR de lingerie tem uma loira chacoalhando sobre outra que, nem reaje. Nossa sexy girl não se rasteja aos pés de um homem. Cumpre o script do corpo exposto e ao mesmo tempo, tem zero sensualidade. Sexy é a loira que acorda. Sexy é abrir os olhos.
    Não, não mais me preocupa ou assusta a mulher de lingerie. Embora compreenda os temores da banalização que a imagem da mesma ainda carregue… Mas sinceramente, acredito e vejo um mundo de mulheres mais interessantes. Tanto, que elegemos uma para nos governar. Tanto, que a indústria corre e se descabela para conquistá-las. A Natura não criou “a beleza real” à toa. (embore ainda use em seu casting meninas de 15 parta figurar como mulheres de 28). E sabonete, absorventes, Hebe e Fernanda Montenegro…
    A loira do CPR não me seduz, ela me diverte. Justamente pelo ridículo que representa. Ao mesmo tempo, é a exposição explícita desse ridículo que nos lembra e diz: ser mulher é mesmo uma delícia. Nós pintamos a boca, vestimos tecidos infinitos, nos equilibramos em saltos, rodopios, parafusos. E porque abrimos as penas, ali o mundo começa ou termina. E sangramos: públicas e constantes. Sangramos expectativas, conquistas, frustrações, possibilidades. E se a vida sangra entre as pernas de uma mulher é porque não, não desejamos ser. Nós somos. É só isso que precisamos saber.
    Quanto ao autor do post, não, não penso que errou. Porque ele sabe disso. Sobre ser Poderosa ou Aphrodite Sibele, não sei também. Eu sei que gosto do som: poderosa aphrodite. Me diverte.

  18. Poderosa Aphrodite disse:

    ups. esqueci de anexar o vídeo:
    http://vimeo.com/37119711

  19. Breno Z disse:

    *pessoas que se levam a sério…

    Rick Gervais é que está certo, jamais se desculpe por uma piada…

    Vamos editar a Lisistrata!

  20. Aristóteles disse:

    assim seja

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