{"id":121,"date":"2008-07-20T19:09:00","date_gmt":"2008-07-20T22:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2008\/07\/disease-mongering\/"},"modified":"2008-07-20T19:09:00","modified_gmt":"2008-07-20T22:09:00","slug":"disease-mongering","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2008\/07\/20\/disease-mongering\/","title":{"rendered":"Disease Mongering"},"content":{"rendered":"<p>A Folha (<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/inde20072008.htm\">Caderno Mais!<\/a>) de hoje vem com quatro artigos que muito t\u00eam a ver com alguns dos conte\u00fados deste blog. Vou comentar dois:<\/p>\n<p>E primeiro lugar a entrevista com <a href=\"http:\/\/www.english.northwestern.edu\/people\/lane.html\">Christopher Lane<\/a>, professor do departamento de Ingl\u00eas da Northwestern que publicou o livro &#8220;<a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Shyness-Normal-Behavior-Became-Sickness\/dp\/0300124465\/ref=pd_bbs_sr_2?ie=UTF8&amp;s=books&amp;qid=1216592319&amp;sr=1-2\">Shyness<\/a>&#8221; denunciando algo que j\u00e1 \u00e9 meio batido no meio m\u00e9dico (ver <a href=\"http:\/\/medicine.plosjournals.org\/perlserv\/?request=advanced-search&amp;row_start=1&amp;limit=10&amp;order=score&amp;search_fulltext=1&amp;issn=1549-1676&amp;jrn_issn=1549-1676&amp;anywhere_type=any&amp;anywhere=mongering&amp;x=0&amp;y=0&amp;document_count=25#results\">Disease Mongering na Plos<\/a>) que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as com objetivos prescrit\u00f3rios (neologismo meu!). N\u00e3o li o livro e acho que n\u00e3o vou ler. De interessante \u00e9 a chamada para a mudan\u00e7a no DSM IV (cat\u00e1logo de doen\u00e7as que facilita a sua classifica\u00e7\u00e3o) do tipo de defini\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica para biom\u00e9dica nos \u00faltimos anos sugerindo a virada reducionista na ci\u00eancia m\u00e9dica (discutida \u00e0 exaust\u00e3o neste <a href=\"http:\/\/eccemedicus.blogspot.com\/search?q=ciencia+medica\">blog<\/a>). Pelo que sugere a entrevista, trabalha com o conceito de normalidade para definir a doen\u00e7a e incorre em erros cl\u00e1ssicos associados a esse procedimento (ex. achar que a id\u00e9ia de normal ficou estreita demais hoje em dia e isso teria como resultado a medicaliza\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a (surpreendente) entrevista de <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.jsp?id=K4780286Y0\">Valentim Gentil Filho<\/a>. Neuropsiquiatra com tend\u00eancias reducionistas, d\u00e1 uma excelente entrevista e aponta um erro cl\u00e1ssico da an\u00e1lise do livro (e dos m\u00e9dicos americanos em geral) que \u00e9 considerar o DSM IV (um cat\u00e1logo, como dissemos) como um livro-texto. \u00c9 como se o leitor resolvesse, por exemplo, aprender literatura olhando o cat\u00e1logo de uma livraria. Vale a leitura pelo olhar m\u00e9dico equilibrado. Fica clara a preocupa\u00e7\u00e3o com o paciente que sofre. Se o sofrimento \u00e9 uma sociopatia, ok, o m\u00e9dico ao inv\u00e9s de mudar a sociedade, acha mais simples aliviar o padecimento de seu paciente. Parece mais ou menos \u00f3bvio. Depois, chama a aten\u00e7\u00e3o para a disputa ferrenha e muitas vezes desleal, de clientes no bilion\u00e1rio mercado da psicoterapia. \u00c9 uma briga de bastidores e o cliente pouco ou nada sabe. Valentim denuncia um certo exagero nas acusa\u00e7\u00f5es sobre medicaliza\u00e7\u00e3o, muitas delas oriundas da vertente dita &#8220;Psi&#8221;, que n\u00e3o pode prescrever por lei. Por outro lado, a falta de escr\u00fapulos de maus profissionais e as rec\u00e9m-descobertas associa\u00e7\u00f5es de pesquisadores com a ind\u00fastria farmac\u00eautica que originaram estudos tendenciosos sobre tratamento de doen\u00e7as comuns e cr\u00f4nicas (as que mais interessam \u00e0 Big Pharma, entre elas, a depress\u00e3o) fez despencar a credibilidade da classe m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Muito do que se discute, tem a ver com o conceito contempor\u00e2neo de doen\u00e7a. Esse conceito envolve n\u00e3o apenas a normalidade (pois o &#8220;normal&#8221; pode ser o &#8220;comum&#8221;, o &#8220;natural&#8221; ou o que &#8220;n\u00e3o d\u00e1 sintomas&#8221;, entre outros!), como tamb\u00e9m a <span style=\"font-weight: bold\">produ\u00e7\u00e3o social<\/span> do que seria uma vida saud\u00e1vel e boa, o que introduz uma outra dimens\u00e3o bastante mais complexa na discuss\u00e3o. Por mais filos\u00f3fica, \u00e1rida e at\u00e9 mesmo chata, que seja essa discuss\u00e3o, acredito que o caminho \u00e9 esse. A Medicina \u00e9 uma atividade moral pois deve preocupar-se com os meios para atingir seus objetivos. A minimiza\u00e7\u00e3o do padecimento humano passa tamb\u00e9m pelo reconhecimento de que tipo de padecimento estamos a discutir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Folha (Caderno Mais!) de hoje vem com quatro artigos que muito t\u00eam a ver com alguns dos conte\u00fados deste blog. 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