{"id":1397,"date":"2012-01-06T19:21:15","date_gmt":"2012-01-06T22:21:15","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=1397"},"modified":"2012-01-06T19:21:15","modified_gmt":"2012-01-06T22:21:15","slug":"deus-nao-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2012\/01\/06\/deus-nao-existe\/","title":{"rendered":"Deus N\u00e3o Existe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><em><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/01\/2946162595_b6e8b16e60_o.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-4145\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/01\/2946162595_b6e8b16e60_o-829x1024.jpg\" alt=\"2946162595_b6e8b16e60_o\" width=\"220\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/01\/2946162595_b6e8b16e60_o-829x1024.jpg 829w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/01\/2946162595_b6e8b16e60_o-243x300.jpg 243w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/01\/2946162595_b6e8b16e60_o-768x948.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/01\/2946162595_b6e8b16e60_o.jpg 997w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><\/a>&#8220;No princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princ\u00edpio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele&#8221;<\/em> (Jo\u00e3o 1:1-3)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deus n\u00e3o <em>existe<\/em>. Nem poderia jamais ter existido. Pelo menos do ponto de vista lingu\u00edstico. <em>Existir<\/em> vem do verbo latino <em>ex-istere<\/em>\u00a0e significa &#8220;sair de&#8221;, &#8220;manifestar-se&#8221; tomando um sentido de &#8220;vir a ser&#8221;. Existir, portanto, n\u00e3o pode ser uma caracter\u00edstica do Deus monote\u00edsta. Ele jamais poderia <em>ter vindo a ser<\/em> em determinado momento porque, nesse caso, n\u00e3o seria eterno.<\/p>\n<p>Se eu digo ent\u00e3o, que Deus \u00e9&#8230; vou compar\u00e1-lo com algo que conhe\u00e7o e esta \u00e9 uma met\u00e1fora que estar\u00e1 fadada \u00e0 imortalidade, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/10\/o_matador_de_metaforas\/\">o que n\u00e3o \u00e9 bom<\/a>\u00a0para quem quer saber das coisas. Segundo Umberto Eco (Kant e o Ornitorrinco, p\u00e1g 17-54) ningu\u00e9m jamais estudou sem\u00e2nticamente de forma satisfat\u00f3ria o verbo <em>ser<\/em>. Parece ter sido Pascal o primeiro a notar a dificuldade: &#8220;N\u00e3o podemos nos preparar para definir o <em>ser<\/em> sem incorrer neste absurdo: porque n\u00e3o podemos definir uma palavra sem come\u00e7armos pelo termo <em>\u00e9<\/em>, expresso ou subentendido. Ent\u00e3o, para definir o <em>ser<\/em>, \u00e9 preciso dizer <em>\u00e9<\/em>, e assim usar o termo definido na defini\u00e7\u00e3o&#8221;. Problema semelhante ocorre com as afirma\u00e7\u00f5es sobre a ess\u00eancia divina. Quanto mais poder \u00e9 dado a Ele, menos apreens\u00edvel fica. Veja a encrenca.<\/p>\n<p>Talvez haja apenas uma s\u00f3 chance de Deus <strong><em>existir<\/em><\/strong> de fato. Isso ocorre quando Ele se <em>manifesta, vem a ser, <\/em>dentro do pr\u00f3prio indiv\u00edduo que Nele cr\u00ea. Acho que Santo Agostinho tratou disso no Livro X das\u00a0<em>Confiss\u00f5es <\/em>e\u00a0Espinoza foi excomungado de duas religi\u00f5es por pensar algo parecido com isso.\u00a0Engra\u00e7ado que este Deus parece n\u00e3o bastar para muita gente. Talvez, sua popularidade n\u00e3o seja muito alta porque, tal indiv\u00edduo, um portador de Deus, n\u00e3o pode export\u00e1-lo. Seria preciso que Ele despertasse no outro e isso, al\u00e9m de n\u00e3o depender de uma decis\u00e3o racional, cria um Deus ao qual um outro n\u00e3o teria acesso.\u00a0De qualquer forma, n\u00e3o \u00e9 um Deus muito &#8220;\u00fatil&#8221; porque cada um tem o Seu com todos os corol\u00e1rios decorrentes dessa limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caso contr\u00e1rio, o do Deus eterno que <em>\u00e9<\/em>, simplesmente, se torna, de fato, uma grande sacada. De cara, j\u00e1 causa um n\u00f3 em quem tenta &#8220;pens\u00e1-Lo&#8221; ao cair no dilema de Pascal (de fato, existem outros dilemas muito mais cabeludos que esse. Veja por exemplo, o verbete &#8220;Ser&#8221; no <a href=\"http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/4776000\/Dicionario-de-Filosofia-Nicola-Abbagnano\">Abbagnano<\/a>). Sendo inapreens\u00edvel ou &#8220;impens\u00e1vel&#8221;\u00a0formalmente\u00a0(ou pelo menos dif\u00edcil de pensar, nem o Kant!), faz-se divino pela intangibilidade.<\/p>\n<p>G\u00eanio. O sujeito que escreveu &#8220;no princ\u00edpio, era o Verbo&#8221; sabia exatamente o que queria n\u00e3o dizer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;No princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princ\u00edpio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele&#8221; (Jo\u00e3o 1:1-3) &nbsp; Deus n\u00e3o existe. Nem poderia jamais ter existido. Pelo menos do ponto de vista lingu\u00edstico. 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