{"id":214,"date":"2008-12-05T18:16:42","date_gmt":"2008-12-05T21:16:42","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2008\/12\/a-relacao-medico-parente\/"},"modified":"2008-12-05T18:16:42","modified_gmt":"2008-12-05T21:16:42","slug":"a-relacao-medico-parente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2008\/12\/05\/a-relacao-medico-parente\/","title":{"rendered":"A Rela\u00e7\u00e3o M\u00e9dico-Parente"},"content":{"rendered":"<p>O que fazer quando algu\u00e9m que voc\u00ea gosta muito fica doente pr\u00e1 valer? Qual \u00e9 o limite entre cuidar de algu\u00e9m da fam\u00edlia e interferir na conduta de outro colega? Essa, juntamente com sua <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/10\/29\/propofol\/\">pr\u00f3pria doen\u00e7a<\/a>, \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais estressantes para um m\u00e9dico. Frente a esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, o comportamento dos m\u00e9dicos pode ser resumido em tr\u00eas configura\u00e7\u00f5es paradigm\u00e1ticas: H\u00e1 o &#8220;Sem- No\u00e7\u00e3o&#8221;, m\u00e9dico que discute tudo, d\u00e1 palpite em tudo, prescreve, pede exames, acha que \u00e9 o m\u00e9dico que mais entende do problema de seu parente. H\u00e1 o &#8220;Desencanado&#8221; que diz que n\u00e3o quer ser identificado como m\u00e9dico no caso, n\u00e3o quer saber de nada, acha que tudo est\u00e1 bom. E h\u00e1 o &#8220;Meio-Termo&#8221;, aquele que interv\u00e9m quando chamado, prestativo e colaborador, pode dar informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas importantes para a condu\u00e7\u00e3o do caso.<br \/>\nObviamente, o Meio-Termo seria a conduta ideal para um m\u00e9dico que tivesse algu\u00e9m da fam\u00edlia doente e quisesse ajudar. Entretanto, entre os extremos existe uma infinidade de situa\u00e7\u00f5es que correspondem melhor \u00e0 realidade. Vejamos algumas situa\u00e7\u00f5es as quais j\u00e1 tive a oportunidade de vivenciar e que trazem uma outra perspectiva a essa vis\u00e3o simplista. N\u00e3o recomendo a postura do Desencanado. Uma conversa amig\u00e1vel entre o m\u00e9dico parente e o assistente, sempre coloca um pouquinho mais de press\u00e3o, sem ser desconfort\u00e1vel. Indica z\u00ealo, cuidado, interesse por parte do m\u00e9dico da fam\u00edlia. Novamente, os limites s\u00e3o fugazes.<br \/>\nO Sem-No\u00e7\u00e3o pode ainda ser radicalizado. Tenhos amigos que mastectomizaram esposas, apendicectomizaram filhos, intubaram av\u00f3s! Nenhuma dessas experi\u00eancias, por mais bem sucedida que seja pode ser descrita como gratificante. Mas h\u00e1 uma quest\u00e3o que pouca gente coloca. O que fazer quando voc\u00ea sabe que \u00e9, digamos, um excelente cirurgi\u00e3o de mama e sua esposa precisa de uma cirurgia exatamente na sua especialidade? Normalmente, um expoente assim tem cr\u00edticas ao trabalho de outros m\u00e9dicos da \u00e1rea e obviamente n\u00e3o encaminha pacientes a ele. Isso para n\u00e3o falar de vaidades pessoais e rivalidade. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar a ansiedade de saber fazer algo, e muito bem, e n\u00e3o poder faz\u00ea-lo devido o paciente ser da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. J\u00e1 vi hist\u00f3rias assim acabarem muito bem. E tamb\u00e9m muito mal.<br \/>\nUm <a href=\"http:\/\/www.annals.org\/cgi\/content\/abstract\/149\/11\/825\">artigo<\/a> bem recente do Annals Internal Medicine discute esses pontos com exemplos. Segue o resumo abaixo. Leitura bastante interessante.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nWhat Do You Do When Your Loved One Is Ill? The Line between Physician and Family Member<br \/>\nErik K. Fromme, MD; Neil J. Farber, MD; Stewart F. Babbott, MD; Mary E. Pickett, MD; and Brent W. Beasley, MD<br \/>\nConventional wisdom and professional ethics generally dictate that physicians should avoid doctoring family members because of potential conflicts of interest. Nevertheless, cross-sectional surveys find that the practice is commonplace. Physicians have unique opportunities to influence their family member\u2019s care because they possess knowledge and status within the health care system; however, when physicians participate in the care of family members, they must not lose objectivity and confuse their personal and professional roles. Because health care systems are complicated, medical information is difficult to understand, and medical errors are common, it can be a great relief for families to have someone \u201con the inside\u201d who is accessible and trustworthy. Yet, the benefits of becoming involved in a loved one\u2019s care are accompanied by risks, especially when a physician takes action that a nonphysician would be incapable<br \/>\nof performing. Except for convenience, most if not all of the benefits of getting involved can be realized by physician\u2013family members acting as a family member or an advocate rather than as a physician. Rules about what is or what is not appropriate for physician\u2013 family members are important but insufficient to guide physicians in every circumstance. Physician\u2013family members can ask themselves, \u201cWhat could I do in this situation if I did not have a medical degree?\u201d and consider avoiding acts that require a medical license.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que fazer quando algu\u00e9m que voc\u00ea gosta muito fica doente pr\u00e1 valer? Qual \u00e9 o limite entre cuidar de algu\u00e9m da fam\u00edlia e interferir na conduta de outro colega? Essa, juntamente com sua pr\u00f3pria doen\u00e7a, \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais estressantes para um m\u00e9dico. 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