{"id":2218,"date":"2012-06-18T19:18:00","date_gmt":"2012-06-18T22:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=2218"},"modified":"2012-06-18T19:18:00","modified_gmt":"2012-06-18T22:18:00","slug":"paradoxo-para-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2012\/06\/18\/paradoxo-para-sol\/","title":{"rendered":"Para-sois, Ergom\u00e9tricos e o D\u00edficil Cora\u00e7\u00e3o Feminino"},"content":{"rendered":"<p>Outro dia, entrei numa loja de carros e sentei ao volante de um ve\u00edculo zero km. Como m\u00e9dico de unidades intensivas, fico fascinado com as luzes e indicadores dos paineis modernos. Fiquei at\u00e9 imaginando um opcional de sensor de frequ\u00eancia card\u00edaca acoplado ao volante para monitoriza\u00e7\u00e3o de velhinhos que gostam de dirigir carros esportivos, casos cada vez mais frequentes. Imagina um velhinho dirigindo uma Ferrari a 200 km\/h, com as m\u00e3os coladas ao volante. O carro monitora uma frequ\u00eancia de 150 batimentos por minuto e &#8220;fala&#8221;: &#8211; <em>Diminuindo a velocidade. Perigo de infarto!<\/em> Hehe. Fica a dica.<\/p>\n<p>Mas, durante a explora\u00e7\u00e3o interna do ve\u00edculo, entorpecido pelos meus del\u00edrios e pela tecnologia embarcada dos carros modernos, me dei conta de que h\u00e1 um item para o qual o tempo, de fato, n\u00e3o passou. Trata-se do para-sol.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2221\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol.jpg\" alt=\"\" width=\"1662\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol.jpg 1662w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol-300x74.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol-1024x251.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol-768x189.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol-1536x377.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Para-sol-1080x265.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1662px) 100vw, 1662px\" \/><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center\">\u00a0Figura 1. \u00c0 Esquerda. Para-s\u00f3is do Fusca 66. \u00c0 Direita. Detalhe do para-sol do Fox 2012.<\/h4>\n<p>Tirando o espelho (que muita gente j\u00e1 prendia com um el\u00e1stico antes de vir embutido) e a luzinha (que a mulherada que usa para maquiar-se diz que \u00e9 s\u00f3 de enfeite), os para-sois s\u00e3o incomodamente semelhantes entre os dois carros para quem t\u00eam uma diferen\u00e7a de quase 50 anos! Compare-se, por exemplo, os pain\u00e9is dos mesmos. \u00c9 at\u00e9 covardia&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2012\/06\/paradoxo-para-sol\/paineis\/\" rel=\"attachment wp-att-2222\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2222\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis.jpg\" alt=\"\" width=\"1693\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis.jpg 1693w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis-300x104.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis-1024x354.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis-768x265.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis-1536x531.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/05\/Paineis-1080x373.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1693px) 100vw, 1693px\" \/><\/a><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center\">Figura 2. \u00c0 Esquerda, painel do Fusca 66. \u00c0 Direita, o painel do Fox 2012.<\/h4>\n<p>O que isso significa? Que a ind\u00fastria automobil\u00edstica n\u00e3o se preocupou com o sol na cara dos motoristas e prestou a maior aten\u00e7\u00e3o a mostradores, ar condicionado, r\u00e1dios e outros itens talvez at\u00e9 de menor import\u00e2ncia? Pode at\u00e9 ser, mas tendo a interpretar esse fato de maneira um pouco diferente. Eu acho que o para-sol \u00e9 uma baita de uma inven\u00e7\u00e3o!! T\u00e3o boa que, mesmo ap\u00f3s 50 anos de evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e competi\u00e7\u00e3o ferrenha entre as montadoras, ningu\u00e9m conseguiu achar alguma coisa que funcionasse t\u00e3o bem e tivesse o mesmo custo. Por isso, o paradoxo se constitui no fato dos mesmos para-sois &#8211; acionados por &#8220;tra\u00e7\u00e3o e vontade animal&#8221; &#8211; equipar ve\u00edculos com inje\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica e motor flex, impens\u00e1veis na \u00e9poca de sua concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns est\u00e3o a perguntar o que um post sobre a ind\u00fastria automotiva faz aqui nesse blog. Para mim, \u00e9 inevit\u00e1vel comparar o paradoxo do para-sol com a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia m\u00e9dica. A medicina se aproveita de muitas inven\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 da ind\u00fastria automobil\u00edstica mas, principalmente, da aeroespacial. Sistemas de telemetria e tecnologias com fibras \u00f3pticas (utilizadas nos endosc\u00f3pios) vieram dela. Fiquei procurando por &#8220;para-sois m\u00e9dicos&#8221;, inven\u00e7\u00f5es e descobertas relacionadas \u00e0 medicina que, de t\u00e3o boas e custo-efetivas, atravessaram d\u00e9cadas e continuam, praticamente inalteradas, a servir m\u00e9dicos e pacientes.\u00a0Acho que o exemplo mais cl\u00e1ssico disso \u00e9 a\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/05\/dicionario_etimologico_do_karl\/\">aspirina<\/a>. Entra rem\u00e9dio, sai rem\u00e9dio, entra indica\u00e7\u00e3o, sai indica\u00e7\u00e3o, e ela l\u00e1. H\u00e1 uma infinidade de instrumentos cir\u00fargicos e ortop\u00e9dicos que poderiam preencher essa defini\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/03\/a_aposentaria_do_estetoscopio\/\">At\u00e9 escrevi algo sobre o estetosc\u00f3pio<\/a>. Hoje, recebi um twit com refer\u00eancia a esta <a href=\"http:\/\/www.diariodasaude.com.br\/news.php?article=exame-seculo-atras\">reportagem<\/a>. Aqui, o &#8220;para-sol&#8221; m\u00e9dico \u00e9 o exerc\u00edcio. A Dra. Martha Gulati \u00e9 uma defensora do teste ergom\u00e9trico, uma carga de exerc\u00edcios monitorada para avalia\u00e7\u00e3o do desempenho e fun\u00e7\u00e3o card\u00edacas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2012\/06\/paradoxo-para-sol\/ergometrico\/\" rel=\"attachment wp-att-2292\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2292\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/06\/Ergometrico.jpg\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/06\/Ergometrico.jpg 322w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/06\/Ergometrico-300x239.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 322px) 100vw, 322px\" \/><\/a>Colocar um paciente sob condi\u00e7\u00f5es de estresse f\u00edsico \u00e9 uma das estrat\u00e9gias de avalia\u00e7\u00e3o de risco mais inteligentes e simples de toda a medicina sendo \u00fatil em cardiologia, pneumologia e avalia\u00e7\u00e3o para cirurgias. O teste ergom\u00e9trico, propriamente dito, parece ter sido idealizado em 1928 [1]. Desde ent\u00e3o, pouca coisa mudou e o teste \u00e9 ainda muito discutido, em especial, no caso das mulheres. A\u00a0Dra. Gulati\u00a0e sua equipe mostrou que o ergom\u00e9trico, al\u00e9m de barato, \u00e9 ainda uma boa ferramenta para avaliar o risco de uma mulher sofrer um ataque card\u00edaco, apesar de j\u00e1 ser quase centen\u00e1rio! Os autores entretanto,\u00a0sofreram fortes cr\u00edticas. Os resultados muitas vezes s\u00e3o mesmo conflitantes e dificeis de interpretar. Bom, mas quem disse que interpretar o cora\u00e7\u00e3o feminino era f\u00e1cil? Talvez, s\u00f3 mesmo uma <a href=\"http:\/\/www.marthagulati.com\/\">propriet\u00e1ria<\/a> para conseguir isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1]\u00a0Feil H, Seigel ML. Electrocardiographic changes during attacks of angina pectoris.\u00a0<em>Am J Med Sci<\/em>. 1928;175:255.<\/p>\n<p>[2] Comparative Effectiveness of Exercise Electrocardiography With or Without Myocardial Perfusion Single Photon Emission Computed Tomography in Women With Suspected Coronary Artery Disease:\u00a0Results From the What Is the Optimal Method for Ischemia Evaluation in Women (WOMEN) Trial.\u00a0Leslee J. Shaw,\u00a0Jennifer H. Mieres,\u00a0Robert H. Hendel,\u00a0William E. Boden,\u00a0Martha Gulati,\u00a0Emir Veledar,\u00a0Rory Hachamovitch,\u00a0James A. Arrighi,\u00a0C. Noel Bairey Merz,\u00a0Raymond J. Gibbons,\u00a0Nanette K. Wenger,\u00a0Gary V. Heller,\u00a0and\u00a0for the WOMEN Trial Investigators\u00a0<abbr title=\"Circulation\">Circulation<\/abbr>.\u00a02011;124:1239-1249,\u00a0published online before print\u00a0August 15 2011,\u00a0<a href=\"http:\/\/circ.ahajournals.org\/content\/124\/11\/1239.abstract\">doi:10.1161\/CIRCULATIONAHA.111.029660<\/a>.<\/p>\n<p>Agradecimentos \u00e0 @Be_Neviani que me enviou o twit. #SigaSempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro dia, entrei numa loja de carros e sentei ao volante de um ve\u00edculo zero km. Como m\u00e9dico de unidades intensivas, fico fascinado com as luzes e indicadores dos paineis modernos. 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