{"id":228,"date":"2008-12-19T17:09:12","date_gmt":"2008-12-19T20:09:12","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2008\/12\/epidemiologia-cognitiva\/"},"modified":"2008-12-19T17:09:12","modified_gmt":"2008-12-19T20:09:12","slug":"epidemiologia-cognitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2008\/12\/19\/epidemiologia-cognitiva\/","title":{"rendered":"Epidemiologia Cognitiva"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.alisonleigh.net\/img\/cognitive.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p>Um novo ramo da epidemiologia foi criado. \u00c9 chamado de Epidemiologia Cognitiva. Consiste em considerar a baixa performance em testes cognitivos de qualquer esp\u00e9cie como fator de risco de mortalidade geral ou fator de risco para o aparecimento de determinadas doen\u00e7as, por exemplo, doen\u00e7a coronariana. At\u00e9 ent\u00e3o, apenas desfechos &#8220;duros&#8221; (<em>hard<\/em> <em>endpoints<\/em>) tinham sido utilizados para demonstrar as associa\u00e7\u00f5es entre &#8220;intelig\u00eancia&#8221;, sa\u00fade e doen\u00e7a. Recentemente, outras associa\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a aparecer devido \u00e0 irresist\u00edvel vontade em se correlacionar a intelig\u00eancia com fatores evolutivos. Esse <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/12\/15\/intelligence-and-semen-quality-are-positively-correlated\/\">post<\/a> rec\u00e9m-publicado se articula com esse conceito. Como bem lembrou Dra. Sandra do <a href=\"http:\/\/leiaorotulo.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia o R\u00f3tulo<\/a>, fatores ambientais podem influenciar o aparecimento de duas ou mais caracter\u00edsticas que seriam co-relacionadas pelo meio e n\u00e3o envolvidas numa rela\u00e7\u00e3o de causa-efeito.<br \/>\nN\u00e3o por acaso, epidemiologistas convencionais argumentam exatamente a mesma coisa. Por exemplo, citam as condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas na inf\u00e2ncia como respons\u00e1veis pela associa\u00e7\u00e3o entre mortalidade e QI. Se as igualarmos para todos indiv\u00edduos estudados, as diferen\u00e7as desaparecem. Os epidemiologistas cognitivos dizem que n\u00e3o. A corre\u00e7\u00e3o de tais fatores n\u00e3o responde pelo efeito da performance cognitiva sobre a mortalidade. O assunto \u00e9 complexo. Se a inf\u00e2ncia n\u00e3o responde por tudo, existe o argumento de que as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dos adultos possa influenciar a mortalidade. Pessoas mais inteligentes trabalham em ambientes mais seguros e mais saud\u00e1veis; ou que pessoas mais inteligentes ouvem mais os conselhos m\u00e9dicos e terminam por fumar menos, fazer mais exerc\u00edcios e assim por diante (coisa que, na minha experi\u00eancia, est\u00e1 longe de ser verdade!). Al\u00e9m disso, existe um efeito chamado causalidade reversa: algumas doen\u00e7as som\u00e1ticas como diabetes e hipertens\u00e3o, muito comuns em adultos, podem diminuir a fun\u00e7\u00e3o cognitiva e tamb\u00e9m aumentar a mortalidade.<br \/>\nO fato \u00e9 que se as rela\u00e7\u00f5es entre QI e mortalidade s\u00e3o complexas, imagine ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o entre QI e qualidade do s\u00eamen, <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science?_ob=ArticleURL&amp;_udi=B6W4M-4TKXD92-1&amp;_user=10&amp;_rdoc=1&amp;_fmt=&amp;_orig=search&amp;_sort=d&amp;view=c&amp;_acct=C000050221&amp;_version=1&amp;_urlVersion=0&amp;_userid=10&amp;md5=a55b11ffb0cb040f2125a7418135115b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">prefer\u00eancias eleitorais<\/a> (tamb\u00e9m <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/09\/19\/quociente-de-inteligencia-e-orientacao-politica\/\">aqui<\/a>) ou <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science?_ob=ArticleURL&amp;_udi=B6W4M-4V38XRW-1&amp;_user=10&amp;_rdoc=1&amp;_fmt=&amp;_orig=search&amp;_sort=d&amp;view=c&amp;_acct=C000050221&amp;_version=1&amp;_urlVersion=0&amp;_userid=10&amp;md5=4ad85aa4699ea0f6df8b3348e6b92912\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sobreviv\u00eancia na guerra<\/a><a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science?_ob=ArticleURL&amp;_udi=B6W4M-4V38XRW-1&amp;_user=10&amp;_rdoc=1&amp;_fmt=&amp;_orig=search&amp;_sort=d&amp;view=c&amp;_acct=C000050221&amp;_version=1&amp;_urlVersion=0&amp;_userid=10&amp;md5=4ad85aa4699ea0f6df8b3348e6b92912\">.<\/a> Vejo isso mais como um sintoma da epidemiologia do <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/09\/15\/o-risco\/\">risco<\/a>. No Risco, como j\u00e1 se disse, a especula\u00e7\u00e3o causal \u00e9 a raz\u00e3o de ser da investiga\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica e sugere v\u00ednculos causais para que as ci\u00eancias biom\u00e9dicas experimentais explorem \u201cadequadamente\u201d tais associa\u00e7\u00f5es. Mas acho tamb\u00e9m que todo esse assunto merece ainda ser explorado e amadurecido para que possamos entender a rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia, seja l\u00e1 o que isso quer de fato dizer, e sofrimento humano. Esse \u00faltimo, todos sabemos bem o que \u00e9.<\/p>\n<p class=\"scribefire-powered\">Powered by <a href=\"http:\/\/www.scribefire.com\/\">ScribeFire<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo ramo da epidemiologia foi criado. \u00c9 chamado de Epidemiologia Cognitiva. 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