{"id":230,"date":"2008-12-22T19:02:19","date_gmt":"2008-12-22T22:02:19","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2008\/12\/o-fantasma-do-amor\/"},"modified":"2008-12-22T19:02:19","modified_gmt":"2008-12-22T22:02:19","slug":"o-fantasma-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2008\/12\/22\/o-fantasma-do-amor\/","title":{"rendered":"O Fantasma do Amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/3113765720_58f9ab2db0_b.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2118\/2159396311_e2802f9696.jpg?v=0\" alt=\"\" \/><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Pain by <a href=\"http:\/\/images.google.com\/imgres?imgurl=http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2118\/2159396311_e2802f9696.jpg%3Fv%3D0&amp;imgrefurl=http:\/\/flickr.com\/photos\/korisolomon\/2159396311\/&amp;usg=__5SnMIV2d_OdAlQGYZxCL9Gv0IuI=&amp;h=500&amp;w=369&amp;sz=125&amp;hl=en&amp;start=10&amp;sig2=CZWgJ0Xswhxfkof-9NA9VQ&amp;tbnid=Kc-0gmesooxZfM:&amp;tbnh=130&amp;tbnw=96&amp;ei=pjxQSZuCOMzAtgehoMWvDg&amp;prev=\/images%3Fq%3Dkori%2Bsolomon%2Bpain%26imgsz%3Dlarge%257Cxlarge%257Cxxlarge%257Chuge%26gbv%3D1%26hl%3Den\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Kori Solomon<\/a> at <a href=\"http:\/\/flickr.com\/photos\/\">Flickr<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/moz-screenshot-13.jpg\" alt=\"\" \/>Essa \u00e9poca do ano \u00e9 bastante favor\u00e1vel \u00e0 reapari\u00e7\u00e3o do fantasma que assombra a esp\u00e9cie humana desde os prim\u00f3rdios. Um fantasma que atormenta as mentes mais brilhantes e os menos favorecidos. Do mais completo atleta, seja futebolista ou ol\u00edmpico, ao mais desajeitado homem ou mulher. Abate-se sobre ricos e pobres, homens e mulheres, velhos e novos: \u00c9 o fantasma da depress\u00e3o.<br \/>\nSobre a depress\u00e3o, escreveu Maria Rita Kehl:<br \/>\n&#8220;A depress\u00e3o \u00e9 uma forma muito particular e avassaladora daquilo que corriqueiramente chamamos a dor de viver. (&#8230;) \u00c0 dor do tempo que corre arrastando consigo tudo o que o homem constr\u00f3i, ao desamparo diante da voragem da vida que conduz \u00e0 morte &#8211; que, para o homem moderno, representa o fim de tudo -, a depress\u00e3o contrap\u00f5e um outro tempo, j\u00e1 morto: um &#8220;tempo que n\u00e3o passa&#8221;, na express\u00e3o de J. Pontalis. O psiquismo, acontecimento que acompanha toda a vida humana sem se localizar em nenhum lugar do corpo vivo, \u00e9 o que se ergue contra um fundo vazio que poder\u00edamos chamar, metaforicamente, de um n\u00facleo de depress\u00e3o. (&#8230;) A rigor, a vida n\u00e3o faz sentido e nossa passagem por aqui n\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia. A rigor, o eu que nos sustenta \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o fict\u00edcia, depende da mem\u00f3ria e tamb\u00e9m do olhar do outro para se reconhecer como uma unidade est\u00e1vel ao longo do tempo. (&#8230;)&#8221;<br \/>\n&#8220;Contra esse pano de fundo de &#8220;nonsense&#8221;, solid\u00e3o e desamparo, o psiquismo se constitui em um trabalho permanente de estabelecimento de la\u00e7os -&#8220;destinos pulsionais&#8221;, como se diz em psican\u00e1lise- que sustentam o sujeito perante o outro e diante de si mesmo. (&#8230;) Amamos: a vida, os outros e sobretudo a n\u00f3s mesmos. Estamos condenados a amar, pois com essa multiplicidade de la\u00e7os libidinais tecemos uma rede de sentido para a exist\u00eancia. (&#8230;) A depress\u00e3o \u00e9 o rompimento dessa rede de sentido e amparo: momento em que o psiquismo falha em sua atividade ilusionista e deixa entrever o vazio que nos cerca ou o vazio que o trabalho ps\u00edquico tenta cercar. \u00c9 o momento de um enfrentamento insuport\u00e1vel com a verdade. Algumas pessoas conseguem evit\u00e1-lo a vida toda. Outras passam por ele em circunst\u00e2ncias traum\u00e1ticas e saem do outro lado. Mas h\u00e1 os que n\u00e3o conhecem outro modo de existir; s\u00e3o \u00f3rf\u00e3os da prote\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do &#8220;amor&#8221;, trapezistas que oscilam no ar sem nenhuma rede protetora embaixo deles.&#8221;<br \/>\nO que Kehl chama de psiquismo \u00e9 o conjunto de nossas faculdades cognitivas (racioc\u00ednio l\u00f3gico, intui\u00e7\u00e3o, associa\u00e7\u00e3o, etc) permeadas pelo nosso estado de humor. O humor de uma pessoa pode se entendido atrav\u00e9s da seguinte analogia: imagine que voc\u00ea est\u00e1 sentado em um teatro onde \u00e9 o \u00fanico expectador. A &#8220;pe\u00e7a&#8221; que se desenrola no palco nada mais \u00e9 que sua pr\u00f3pria vida cotidiana. O humor \u00e9 o cen\u00e1rio, incluindo a m\u00fasica de fundo. Quando o cen\u00e1rio \u00e9 l\u00fagubre e a m\u00fasica triste, um acontecimento simples pode ser encarado como muito grave e de consequ\u00eancias desastrosas. Se por outro lado, o cen\u00e1rio \u00e9 claro e colorido e a m\u00fasica alegre, os acontecimentos t\u00eam uma perspectiva muito mais positiva, mesmo que sejam tristes.<br \/>\nComo vimos, o amor \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o para o indiv\u00edduo pois tece uma rede de sentido e amparo que sustenta (o que na verdade seria insustent\u00e1vel): o indiv\u00edduo em sua insuport\u00e1vel exist\u00eancia sem sentido. Mas ficam as perguntas: Como age, ent\u00e3o, o amor? Que tem o amor afinal a ver com a depress\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"scribefire-powered\">Powered by <a href=\"http:\/\/www.scribefire.com\/\">ScribeFire<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pain by Kori Solomon at Flickr Essa \u00e9poca do ano \u00e9 bastante favor\u00e1vel \u00e0 reapari\u00e7\u00e3o do fantasma que assombra a esp\u00e9cie humana desde os prim\u00f3rdios. Um fantasma que atormenta as mentes mais brilhantes e os menos favorecidos. 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