{"id":238,"date":"2008-12-31T19:12:50","date_gmt":"2008-12-31T22:12:50","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2008\/12\/evolucao-e-a-reacao-de-estresse\/"},"modified":"2008-12-31T19:12:50","modified_gmt":"2008-12-31T22:12:50","slug":"evolucao-e-a-reacao-de-estresse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2008\/12\/31\/evolucao-e-a-reacao-de-estresse\/","title":{"rendered":"Evolu\u00e7\u00e3o e a Rea\u00e7\u00e3o de Estresse"},"content":{"rendered":"<p>Imagine um homin\u00eddeo &#8211; nos prim\u00f3rdios da esp\u00e9cie. H\u00e1 ind\u00edcios de protoss\u00edmios no quatern\u00e1rio do per\u00edodo cenoz\u00f3ico. Isso quer dizer mais ou menos 50 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, &#8220;logo ap\u00f3s&#8221; a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros, que ocorrera dezenas de milh\u00f5es de anos antes. A Terra seria ent\u00e3o, povoada por grandes mam\u00edferos e alguns macacos estranhos.<\/p>\n<p>Imagine esse macaco caminhando numa floresta repleta de amea\u00e7as como tigres-dente-de-sabre, cobras gigantes, manadas de mamutes e outros bichos medonhos. Eis que, ao procurar frutas silvestres ou insetos para comer, se desgarra do grupo e se v\u00ea h\u00e1 alguns metros de dist\u00e2ncia em uma mata fechada, dando de cara com um esfomeado e enorme tigre-dente-de-sabre que o espreitava, lambendo os bei\u00e7os. O quadro abaixo mostra um esquema das rea\u00e7\u00f5es hormonais que se seguem, convencionalmente chamadas de rea\u00e7\u00f5es de luta ou fuga, comuns a todos os mam\u00edferos<\/p>\n<div><\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/fear-81.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"articleByLine\"><\/p>\n<div>\n<div align=\"center\"><span style=\"font-family: Courier New\">Como funciona o medo<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<div align=\"center\"><span style=\"font-family: Courier New\">por <a href=\"http:\/\/pessoas.hsw.uol.com.br\/autores-howstuffworks.htm#layton\">Julia Layton<\/a> &#8211; traduzido por <a href=\"http:\/\/pessoas.hsw.uol.com.br\/medo.htm\">HowStuffWorks Brasil<\/a><\/span><\/div>\n<div>\n<p>O aumento dos horm\u00f4nios de estresse, adrenalina, noradrenalina e cortisol causa mudan\u00e7as no organismo:<\/p>\n<ol>\t<\/p>\n<li>aumento da press\u00e3o arterial e freq\u00fc\u00eancia card\u00edaca, preparando o organismo para um exerc\u00edcio intenso;<\/li>\n<p>\t<\/p>\n<li>as pupilas dilatam para receber a maior quantidade poss\u00edvel de luz; O importante n\u00e3o \u00e9 o foco. Aqui, muito mais importante s\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de luz e sombra que podem definir um ataque, uma sa\u00edda, algo que pode colocar o indiv\u00edduo em vantagem;<\/li>\n<p>\t<\/p>\n<li>as art\u00e9rias da pele e tecido subcut\u00e2neo se contraem (vasoconstri\u00e7\u00e3o) desviando o fluxo sangu\u00edneo aos grupamentos musculares mais importantes (rea\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelo &#8220;calafrio&#8221; muitas vezes associado com o medo &#8211; h\u00e1 menos sangue na pele para mant\u00ea-lo aquecido); O indiv\u00edduo fica p\u00e1lido;<\/li>\n<p>\t<\/p>\n<li>o teor do suor se modifica; Esse suor associado \u00e0 vasoconstri\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica resulta na sudorese fria bastante conhecida nessas situa\u00e7\u00f5es. Em situa\u00e7\u00f5es de estresse, emitimos cheiros diferentes. Isso \u00e9 usado como esquiva em muitos animais;<\/li>\n<p>\t<\/p>\n<li>H\u00e1 uma tonifica\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos, a piloere\u00e7\u00e3o ocorre quando pequenos m\u00fasculos conectados a cada p\u00ealo da superf\u00edcie da pele tensionam, os fios s\u00e3o for\u00e7ados para cima, puxando a pele com eles; Essa \u00e9 uma resposta muito importante. Os animais com a pele recoberta de pelos ficam &#8220;arrepiados&#8221; dando a impress\u00e3o que s\u00e3o maiores e mais amea\u00e7adores. Animais como o porco-espinho, permitem que seus grossos e afiados p\u00ealos se desprendam, causando les\u00f5es em seus agressores;<\/li>\n<p>\t<\/p>\n<li>O c\u00e9rebro trabalha em ritmo acelerado. N\u00e3o h\u00e1 prioridade em se concentrar em tarefas pequenas (deve-se concentrar apenas em sobreviver).<\/li>\n<p><\/ol>\n<p>Esse tipo de resposta estereotipada foi conservado pela evolu\u00e7\u00e3o. Da\u00ed concluirmos que ele deve conferir algum tipo de vantagem pois os organismos que a possuiam tinham mais chances de sobreviver e pass\u00e1-la a seus descendentes. Temos portanto, o mesmo tipo de resposta at\u00e9 hoje. Basta levarmos um grande susto, ou recebermos uma not\u00edcia muito ruim, ou mesmo termos a n\u00edtida sensa\u00e7\u00e3o de que vamos ser assaltados. Essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o de estresse.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o &#8220;macaco&#8221; veio morar na cidade. Nosso modo de vida urbano, transformou nosso cotidiano em um constante estado de estresse. Ficamos ansiosos com tr\u00e2nsito, viol\u00eancia, dinheiro, trabalho, etc. Nossas fontes de estresse pr\u00e9-hist\u00f3rico, em especial a fome, n\u00e3o s\u00e3o o problema principal (pelo menos nos pa\u00edses industrializados!). Esse estresse constante tem como consequ\u00eancia uma &#8220;pr\u00e9-ativa\u00e7\u00e3o&#8221; desse sistema de luta ou fuga. \u00c1s vezes, essa rea\u00e7\u00e3o \u00e9 desencadeada desproporcionalmente em resposta a est\u00edmulos pequenos. Pior, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguimos identificar o est\u00edmulo que est\u00e1 a caus\u00e1-la! Agora, imagine, todas essas rea\u00e7\u00f5es descritas (dilata\u00e7\u00e3o pupilar, sudorese fria, taquicardia e palpita\u00e7\u00f5es, respira\u00e7\u00e3o curta e r\u00e1pida, e etc) sem uma causa identific\u00e1vel. O quadro \u00e9 desesperador!<\/p>\n<p>Associe-se a isso a <strong>hipocalcemia<\/strong>. Sim, o c\u00e1lcio \u00e9 um c\u00e1tion que no sangue est\u00e1 dividido em duas grandes por\u00e7\u00f5es: a livre, que age na contra\u00e7\u00e3o muscular principalmente, e a ligada \u00e0 prote\u00ednas. Quando um indiv\u00edduo tem uma crise como a descrita, sua tend\u00eancia \u00e9 fazer uma <strong>hiperventila\u00e7\u00e3o<\/strong>. Essa hiperventila\u00e7\u00e3o reduz drasticamente o teor de g\u00e1s carb\u00f4nico no sangue causando um aumento do pH sangu\u00edneo o que leva a uma maior afinidade das prote\u00ednas pelo c\u00e1lcio. Ele \u00e9 &#8220;sequestrado&#8221; da por\u00e7\u00e3o livre no plasma o que leva a uma hipocalcemia aguda. A hipocalcemia causa contra\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias dos m\u00fasculos, principalmente faciais e dos membros superiores. Invariavelmente, o indiv\u00edduo pensa que est\u00e1 tendo um <strong>derrame<\/strong>! Sua boca se fecha, sua l\u00edngua enrola, suas m\u00e3os n\u00e3o se movimentam direito, al\u00e9m do que apresentam intenso &#8220;formigamento&#8221;. (Da\u00ed a pr\u00e1tica, n\u00e3o recomendada, de respirar num saco. O g\u00e1s carb\u00f4nico aumenta e o efeito desaparece).<\/p>\n<p>Esse tipo de rea\u00e7\u00e3o intensa e extenuante leva o indiv\u00edduo \u00e0 um pronto-socorro. L\u00e1 chegando, recebe o diagn\u00f3stico de ansiedade aguda, crise de p\u00e2nico, piripaque, piti, dist\u00farbio neuro-vegetativo (jarg\u00e3o m\u00e9dico que n\u00e3o quer dizer absolutamente nada!) e um calmante (normalmente, benzodiazep\u00ednico). O quadro melhora progressivamente e o paciente \u00e9 liberado. Nunca ser\u00e1 curado assim! Casos com essa gravidade merecem acompanhamento minucioso. Medica\u00e7\u00e3o ajuda muito na fase aguda, terapia funciona a longo prazo. Tudo devido a uma resposta org\u00e2nica mal-utilizada, mal-adaptada. Temos rea\u00e7\u00e3o de estresse quando praticamos esportes e damos aquela &#8220;ra\u00e7a&#8221; para ganhar um jogo; ou quando vemos de fato o perigo a nos amea\u00e7ar. Poder\u00edamos dizer que s\u00e3o &#8220;instintos b\u00e1sicos&#8221; de sobreviv\u00eancia como fome, sede, cuidar dos filhos. Mas quando presentes em situa\u00e7\u00f5es inadequadas, eles s\u00e3o perigosos e devemos entender como funcionam para evitar seus efeitos ruins. Esse entendimento n\u00e3o ocorre se n\u00e3o tivermos conceitos de teoria da evolu\u00e7\u00e3o presentes. Evolu\u00e7\u00e3o e Medicina. Separ\u00e1-los \u00e9 perder a possibilidade de compreend\u00ea-los.<\/p><\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<p class=\"scribefire-powered\">Powered by <a href=\"http:\/\/www.scribefire.com\/\">ScribeFire<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine um homin\u00eddeo &#8211; nos prim\u00f3rdios da esp\u00e9cie. H\u00e1 ind\u00edcios de protoss\u00edmios no quatern\u00e1rio do per\u00edodo cenoz\u00f3ico. 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