{"id":2437,"date":"2012-09-04T22:59:19","date_gmt":"2012-09-05T01:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=2437"},"modified":"2012-09-04T22:59:19","modified_gmt":"2012-09-05T01:59:19","slug":"dek-estetoscopio-broncograma-pectoriloquia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2012\/09\/04\/dek-estetoscopio-broncograma-pectoriloquia\/","title":{"rendered":"DEK &#8211; Estetosc\u00f3pio, Broncograma e Pectoril\u00f3quia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?s=estetoscopio\" rel=\"attachment wp-att-2442\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2442\" title=\"stethoscope_catalog\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/stethoscope_catalog.jpg\" width=\"196\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/stethoscope_catalog.jpg 383w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/stethoscope_catalog-192x300.jpg 192w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a>A palavra <span style=\"color: #008000\"><strong><em>estetosc\u00f3pio<\/em><\/strong><\/span> parece ter sido forjada (dado que tais instrumentos m\u00e9dicos n\u00e3o eram utilizados pelo conterr\u00e2neos de Hip\u00f3crates)\u00a0pelo franc\u00eas\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/03\/a_aposentaria_do_estetoscopio\/\">Ren\u00e9-Th\u00e9ophile-Hyacinthe La\u00ebnnec<\/a> (1781-1826), ele mesmo o inventor da palavra e da coisa, a partir dos radicais gregos, <em>stethos-,\u00a0<\/em>caixa tor\u00e1cica, peito (e at\u00e9 mamas); associada \u00e0\u00a0<em>-skopein<\/em>, explorar, perscrutar. <em>Stethos<\/em> \u00e9, portanto, correlacionada \u00e0 caixa tor\u00e1cica e ao peito. Provavelmente, <span style=\"color: #008000\"><em><strong>esterno<\/strong><\/em><\/span>, como &#8220;osso que nos fecha o peito&#8221;, ou &#8220;que vem \u00e0 frente dele&#8221;, tamb\u00e9m venha da\u00ed. Nada a ver com <a href=\"http:\/\/www.etymonline.com\/index.php?term=aesthetic&amp;allowed_in_frame=0\"><em><strong>Est\u00e9tica<\/strong><\/em><\/a> que \u00e9 de outro radical. Se bem que\u00a0<em>aisthanesthai<\/em>, \u00e9 &#8220;perceber, pelos sentidos ou pela mente&#8221;, ou seja, &#8220;sentir&#8221; e originou &#8220;estese&#8221; e seu oposto &#8220;anestese&#8221;, ou comumente &#8220;anestesia&#8221;, e se pode perfeitamente, com o estetosc\u00f3pio, sentir ou ouvir ru\u00eddos do funcionamento normal do corpo humano. Em especial dos pulm\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_2438\" style=\"width: 291px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2012\/09\/dek-estetoscopio-broncograma-pectoriloquia\/arvorebronquica\/\" rel=\"attachment wp-att-2438\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2438\" class=\" wp-image-2438\" title=\"arvorebronquica\" alt=\"\u00c1rvore Br\u00f4nquica (Fonte: Wikip\u00e9dia)\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/arvorebronquica.jpg\" width=\"281\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/arvorebronquica.jpg 468w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/arvorebronquica-234x300.jpg 234w\" sizes=\"(max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2438\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1rvore Br\u00f4nquica (Fonte: Wikip\u00e9dia)<\/p><\/div>\n<p>O ar, ao penetrar nas vias a\u00e9reas, produz uma sensa\u00e7\u00e3o auscultat\u00f3ria (auscultar = escutar com t\u00e9cnica) semelhante \u00e0quela que temos quando encostamos o ouvido numa concha s\u00f3 que de forma intermitente, acompanhando o ciclo respirat\u00f3rio do paciente. \u00c9 um som abafado e que \u00e9 bem melhor percebido durante a inspira\u00e7\u00e3o e chamado poeticamente de <span style=\"color: #008000\"><em><strong>murm\u00fario<\/strong> <strong>vesicular<\/strong><\/em><\/span>. Quando esse som fica n\u00edtido, o m\u00e9dico deve prestar aten\u00e7\u00e3o se ele pode ser ouvido durante a expira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Se isso ocorrer, chamamos esse tipo de ru\u00eddo de <em><strong><span style=\"color: #008000\">respira\u00e7\u00e3o<\/span> <span style=\"color: #008000\">soprosa<\/span><\/strong><\/em>. A respira\u00e7\u00e3o soprosa ocorre por aumento da transmiss\u00e3o do som na caixa tor\u00e1cica e isso, geralmente, se d\u00e1 por uma condensa\u00e7\u00e3o do par\u00eanquima pulmonar que, dessa forma, conduz melhor a onda sonora. Nesse momento, o m\u00e9dico pode solicitar ao paciente que diga &#8220;trinta e tr\u00eas&#8221;. (<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Bronchophony\">Par\u00eantesis<\/a>: por que &#8220;trinta e tr\u00eas&#8221;? \u00c9 pela vibra\u00e7\u00e3o que provoca no t\u00f3rax e para padronizar as auscultas. Em ingl\u00eas e no alem\u00e3o &#8211; onde foi descrito, \u00e9 &#8220;ninety nine&#8221; e\u00a0&#8220;neun und neunzig&#8221;, em espanhol\u00a0&#8220;treinta-y-tres&#8221; ou &#8220;cuarenta-y-cuatro&#8221;. &#8220;Ointenta e oito&#8221; tem um som muito fechado. &#8220;Setenta e sete&#8221; e &#8220;cinquenta e cinco&#8221;, muito sibilantes, e ficamos no &#8220;trinta e tr\u00eas&#8221;. Fecha par\u00eantesis).<\/p>\n<p>Ao dizer &#8220;trinta e tr\u00eas&#8221;, o paciente faz com que sua voz trafegue pelas vias a\u00e9reas. Se houver algum local onde a transmiss\u00e3o seja acelerada por uma condensa\u00e7\u00e3o parenquimatosa, e.g. uma pneumonia, o m\u00e9dico auscultar\u00e1 um &#8220;trinta e tr\u00eas&#8221; n\u00e3o abafado, mas bem n\u00edtido. \u00c9 o que se chama <span style=\"color: #008000\"><em><strong>pectoril\u00f3quia<\/strong><\/em><\/span>. <em>Pectos<\/em>-, latim, &#8220;peito&#8221;. Como em <em>pectus<\/em> <em>excavatum<\/em> (t\u00f3rax de sapateiro), ou <em>angina<\/em> <em>pectoris<\/em>, &#8220;dor tor\u00e1cica de origem card\u00edaca&#8221;; <em>-I\u00f3quia<\/em>, latim tamb\u00e9m, de falar. Donde <em>col\u00f3quio <\/em>(onde v\u00e1rios falam), <em>ventr\u00edloquo<\/em> (o que fala pela barriga), etc. Pectoril\u00f3quia \u00e9 a &#8220;fala do peito&#8221;. E o que ela diz?<\/p>\n<div id=\"attachment_2439\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2012\/09\/dek-estetoscopio-broncograma-pectoriloquia\/opacidade-com-broncograma-aereo-2-jpgw300h246\/\" rel=\"attachment wp-att-2439\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2439\" class=\" wp-image-2439 \" title=\"opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpg?w=300&amp;h=246\" alt=\"Imagem tomogr\u00e1fica mostrando broncogramas a\u00e9reos em uma tomografia\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-1024x841.jpeg\" width=\"372\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-1024x841.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-300x246.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-768x631.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-1536x1262.jpeg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-2048x1683.jpeg 2048w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2012\/09\/opacidade-com-broncograma-aereo-2.jpgw300h246-1080x887.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2439\" class=\"wp-caption-text\">Imagem tomogr\u00e1fica mostrando broncogramas a\u00e9reos<\/p><\/div>\n<p>Diz que h\u00e1 um local naquele pulm\u00e3o onde o som chega, e para isso \u00e9 necess\u00e1rio que um br\u00f4nquio esteja aberto, e transmite-se tendo como meio um par\u00eanquima pulmonar &#8220;condensado&#8221;, ou seja, preenchido por conte\u00fado s\u00f3lido e n\u00e3o pelo ar. Radiologicamente, esse som se revela num sinal chamado <em><span style=\"color: #008000\"><strong>broncograma<\/strong> <strong>a\u00e9reo<\/strong><\/span><\/em>. O broncograma a\u00e9reo \u00e9 o desenho por contraste de um br\u00f4nquio com o tecido pulmonar densificado adjacente. \u00c9 considerado caracter\u00edstico de condensa\u00e7\u00f5es e serve para diferenciar de outras doen\u00e7as que causam densifica\u00e7\u00f5es do par\u00eanquima pulmonar, em especial, das <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?s=atelectasias\">atelectasias<\/a>. Nestas, os alv\u00e9olos est\u00e3o murchos e n\u00e3o preenchidos por material inflamat\u00f3rio. Os br\u00f4nquios, colabados. O som n\u00e3o chega \u00e0 superf\u00edcie da parede tor\u00e1cica com a mesma efici\u00eancia. \u00c9 bem mais abafado.<\/p>\n<p>A pectoril\u00f3quia \u00e9 representada pelo sinal radiol\u00f3gico do broncograma a\u00e9reo que, por sua vez, tem como base a anatomia patol\u00f3gica do pulm\u00e3o acometido. Um m\u00e9dico treinado, com uma manobra extremamente barata e eficaz (solicitar ao paciente que diga um n\u00famero v\u00e1rias vezes) pode captar isso com a m\u00e3o nas costas do doente (para sentir o fr\u00eamito) ou auscultando (diretamente com o ouvido ou mediatamente com o estetosc\u00f3pio) e ter a vis\u00e3o radiol\u00f3gica e\/ou da l\u00e2mina de microscopia representativa de sua doen\u00e7a. A pectoril\u00f3quia tem, portanto, uma representa\u00e7\u00e3o fisiopatol\u00f3gica e anatomopatol\u00f3gica que provoca implica\u00e7\u00f5es no racioc\u00ednio cl\u00ednico e gera consequ\u00eancias terap\u00eauticas. Pensar medicamente \u00e9 sentir a superf\u00edcie, ver a profundidade e modificar a &#8220;hist\u00f3ria&#8221;. Pelo menos a &#8220;natural das doen\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p>Consultei<\/p>\n<p><strong>Carvalho VO, Souza GEC<\/strong>. O estetosc\u00f3pio e os sons pulmonares: uma revis\u00e3o da literatura.\u00a0Rev Med (S\u00e3o Paulo). 2007 out.-dez.;86(4):224-31. (<a href=\"http:\/\/medicina.fm.usp.br\/gdc\/docs\/revistadc_128_224-231%20864.pdf\">pdf<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra estetosc\u00f3pio parece ter sido forjada (dado que tais instrumentos m\u00e9dicos n\u00e3o eram utilizados pelo conterr\u00e2neos de Hip\u00f3crates)\u00a0pelo franc\u00eas\u00a0Ren\u00e9-Th\u00e9ophile-Hyacinthe La\u00ebnnec (1781-1826), ele mesmo o inventor da palavra e da coisa, a partir dos radicais gregos, stethos-,\u00a0caixa tor\u00e1cica, peito (e at\u00e9 mamas); associada \u00e0\u00a0-skopein, explorar, perscrutar. 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