{"id":253,"date":"2009-01-26T16:36:25","date_gmt":"2009-01-26T19:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/01\/ainda-a-mbe\/"},"modified":"2009-01-26T16:36:25","modified_gmt":"2009-01-26T19:36:25","slug":"ainda-a-mbe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/01\/26\/ainda-a-mbe\/","title":{"rendered":"Ainda a MBE"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\">\n<p style=\"text-align: right\">este post \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/01\/medicina-baseada-em-evidencias-o-publico-e-o-privado\/\">deste<\/a><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/moz-screenshot-43.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"277\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Courier New'\">O julgamento de Paris<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Qualquer artigo, aula ou texto que pretenda ensinar os princ\u00edpios b\u00e1sicos da Medicina Baseada em Evid\u00eancia (MBE) come\u00e7a com o seguinte <i>checklist<\/i>: Tome um paciente; Fa\u00e7a uma pergunta relevante; Procure a melhor evid\u00eancia para responder \u00e0 quest\u00e3o; Critique as evid\u00eancias; Aplique as evid\u00eancias; Monitorize as mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Um m\u00e9dico bem intencionado, mesmo antes de 1991 &#8211; ano em que as bases racionais da MBE foram lan\u00e7adas &#8211; faria exatamente isso ao defrontar-se com um paciente um pouco mais complexo. Qual a inova\u00e7\u00e3o trazida pela MBE, ent\u00e3o? Em primeiro lugar, houve uma sistematiza\u00e7\u00e3o da procura num momento extremamente favor\u00e1vel que foi a explos\u00e3o da internet. (Lembro-me de procurar artigos no falecido <i>Index Medicus<\/i> &#8211; livr\u00f5es enormes e cheios de p\u00f3 que ficavam expostos nas bibliotecas. Depois de marcar cada artigo, solicitava as revistas, uma por uma, ao bibliotec\u00e1rio que as mandava pelo elevador a um outro funcion\u00e1rio. Vinha a pilha de revistas e os artigos interessantes eram xerocados.)<\/p>\n<p>Em segundo lugar, veio uma hierarquiza\u00e7\u00e3o dos artigos, ou como queiram, das evid\u00eancias. Alguns artigos valem mais que outros e o m\u00e9dico precisa saber disso para tomar suas decis\u00f5es. Isso at\u00e9 que n\u00e3o foi dif\u00edcil de entender, mas o que pouca gente sabe \u00e9 que a hierarquia dos artigos \u00e9 a seguinte, no caso de tratamento, do mais importante ao menos: Ensaio N-de-1; Revis\u00f5es sistem\u00e1ticas de ensaios randomizados; Ensaio randomizado; Revis\u00f5es sistem\u00e1ticas de estudos observacionais; Estudos observacionais; e por \u00faltimo, observa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas n\u00e3o-sistem\u00e1ticas. O ensaio N-de-1 \u00e9 um ensaio onde podemos utilizar placebo ou tratamento ativo em apenas um \u00fanico paciente, \u00e9 considerado um aperfei\u00e7oamento do processo informal de tentativa e erro t\u00e3o usado na pr\u00e1tica cl\u00ednica. E aqui, somando o primeiro par\u00e1grafo com esse, creio termos chegado a uma reposta \u00e0 pergunta deixada no post anterior: a MBE foi criada para ser uma atividade m\u00e9dica PRIVADA.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o sei se por ser oriunda da epidemiologia (ou at\u00e9 por m\u00e1 f\u00e9 de algumas medicinas de grupo), h\u00e1 uma <b>invers\u00e3o<\/b> da aplica\u00e7\u00e3o da MBE. Ningu\u00e9m faz a pergunta que inicia todo o processo de busca sistem\u00e1tica pela informa\u00e7\u00e3o que levar\u00e1 o m\u00e9dico finalmente, \u00e0 sua tomada de decis\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o vem primeiro e tem a inten\u00e7\u00e3o de sobrescrever o m\u00e9dico; impedi-lo de perguntar e pensar. O m\u00e9dico deve se render &#8220;\u00e0s evid\u00eancias&#8221; e fazer o que se espera que algu\u00e9m racional fa\u00e7a: obedecer perante a for\u00e7a das informa\u00e7\u00f5es geradas pelo m\u00e9todo cient\u00edfico. A profus\u00e3o de <i>guidelines<\/i>, consensos e diretrizes de tratamento e diagn\u00f3stico das mais variadas formas de perecimento humano \u00e9 sintom\u00e1tica. As sociedades m\u00e9dicas, quando perguntadas se n\u00e3o estariam &#8220;legislando&#8221; sobre a Medicina, respondem que &#8220;n\u00e3o, de forma alguma, isso \u00e9 apenas um guia, tendo o m\u00e9dico autonomia para n\u00e3o segui-lo&#8221;. Na pr\u00e1tica, isso infelizmente n\u00e3o ocorre. O sequestro da MBE &#8211; de seus resultados pragm\u00e1ticos e de suas consequ\u00eancias l\u00f3gicas na forma de gera\u00e7\u00e3o de diretrizes m\u00e9dicas &#8211; pelas medicinas de grupo, fontes pagadoras dos m\u00e9dicos, transforma diretrizes em leis. Isso vem bem de encontro \u00e0 onda padronizante que os servi\u00e7os hospitalares <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/10\/05\/paciente-ou-cliente\/\">v\u00eam sofrendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/a>. Mas os m\u00e9dicos tamb\u00e9m t\u00eam sua parcela de responsabilidade nesse processo.<\/p>\n<p>Se pensarmos um pouco melhor, veremos que a MBE \u00e9 uma ferramenta de aplica\u00e7\u00e3o de conhecimentos p\u00fablicos em pacientes individuais (privados). Eterna tens\u00e3o da Medicina. Numa sociedade tecnologizada, diretrizes e comportamentos padronizados, de prefer\u00eancia hiperespecializados, s\u00e3o requeridos pelos pr\u00f3prios membros da sociedade e tamb\u00e9m pelos m\u00e9dicos pois <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/03\/11\/teoria-tecnologia-praxis\/\">aliviam a tens\u00e3o<\/a> causada pela <a href=\"http:\/\/lablogatorios.com.br\/eccemedicus\/2008\/03\/11\/ainda-gadamer\/\">tomada de decis\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode atribuir a decis\u00e3o de tratar ou n\u00e3o, operar ou esperar, observar ou intervir a um artigo ou conjunto de artigos m\u00e9dicos. A decis\u00e3o final caber\u00e1 sempre ao m\u00e9dico do paciente. A a\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico deve, sem d\u00favida, ser guiada pela melhor evid\u00eancia existente. &#8220;Seguir ou n\u00e3o, ou adaptar tal recomenda\u00e7\u00e3o vai depender exclusivamente de circunst\u00e2ncias que estar\u00e3o presentes apenas naquele paciente, naquela determinada situa\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 ser julgada por aquele m\u00e9dico espec\u00edfico.&#8221; Essa decis\u00e3o depende do poder de julgamento, bastante em falta hoje em dia.<\/p>\n<p class=\"scribefire-powered\">Powered by <a href=\"http:\/\/www.scribefire.com\/\">ScribeFire<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>este post \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o deste O julgamento de Paris Qualquer artigo, aula ou texto que pretenda ensinar os princ\u00edpios b\u00e1sicos da Medicina Baseada em Evid\u00eancia (MBE) come\u00e7a com o seguinte checklist: Tome um paciente; Fa\u00e7a uma pergunta relevante; Procure a melhor evid\u00eancia para responder \u00e0 quest\u00e3o; Critique as evid\u00eancias; Aplique as evid\u00eancias; Monitorize as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":466,"featured_media":795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-253","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medicina-baseada-em-evidencias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/08\/moz-screenshot-43.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/466"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=253"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/253\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/media\/795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=253"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=253"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=253"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}