{"id":2714,"date":"2013-11-06T13:46:37","date_gmt":"2013-11-06T16:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=2714"},"modified":"2013-11-06T13:46:37","modified_gmt":"2013-11-06T16:46:37","slug":"uma-redencao-para-a-psicanalise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2013\/11\/06\/uma-redencao-para-a-psicanalise\/","title":{"rendered":"Uma Reden\u00e7\u00e3o para a Psican\u00e1lise?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/11\/reinaldo_caricatura_freud.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-3839\" alt=\"reinaldo_caricatura_freud\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/11\/reinaldo_caricatura_freud.jpg\" width=\"333\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/11\/reinaldo_caricatura_freud.jpg 475w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/11\/reinaldo_caricatura_freud-300x249.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>Renato Mezan [1] conta\u00a0que foi Freud quem escreveu o verbete &#8220;psican\u00e1lise&#8221;\u00a0para a Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica em 1923. L\u00e1, defendeu que a psican\u00e1lise \u00e9 o nome que se d\u00e1 a 3 coisas diferentes: Em primeiro lugar, \u00e9 um m\u00e9todo para investiga\u00e7\u00e3o (<em>Forschen<\/em>) de fen\u00f4menos n\u00e3o acess\u00edveis por outros m\u00e9todos seculares (excluindo ent\u00e3o as possibilidades &#8211; plaus\u00edveis &#8211; religiosas e sobrenaturais de abordagem dos problemas mentais). \u00c9, tamb\u00e9m, o conhecimento obtido a partir dessa investiga\u00e7\u00e3o e, por fim, \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o desse conhecimento a situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas (<em>Heilen<\/em>). A\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2013\/03\/kehl-freud-e-o-processo-da-verdade\/\">aplica\u00e7\u00e3o das teorias freudianas em situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o-cl\u00ednicas<\/a>\u00a0\u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tica quanto, por exemplo, a aplica\u00e7\u00e3o das teorias darwinianas a contextos n\u00e3o-relacionados \u00e0 biologia (ver este artigo em <a href=\"http:\/\/evostudies.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/Varella_Vol5Iss1.pdf\">pdf<\/a>) mas, sendo \u00e1reas de integra\u00e7\u00e3o, fronteiras de saberes, tais incurs\u00f5es sempre acabam por promover novos\u00a0<em>insights<\/em>\u00a0e permitir novos estudos. Nas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas, englobadas nas duas primeiras defini\u00e7\u00f5es, a psican\u00e1lise realmente persiste como pr\u00e1tica e parece ter algo a dizer sobre os tais &#8220;fen\u00f4menos que n\u00e3o s\u00e3o acess\u00edveis por outros m\u00e9todos seculares&#8221;.<\/p>\n<p>Recentemente, uma <em><strong>metan\u00e1lise<\/strong><\/em>\u00a0[2] (estudo onde dados de v\u00e1rios estudos\u00a0s\u00e3o reunidos e submetidos a um tratamento estat\u00edstico) de 14 artigos totalizando 603 pacientes, aponta para a conclus\u00e3o, algo in\u00e9dita, de que a psican\u00e1lise consegue de fato mudan\u00e7as mensur\u00e1veis em pacientes com dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos complexos, mas salienta que a falta de grupos-controle se constitui em s\u00e9ria limita\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados. Outros estudos, com metodologia n\u00e3o t\u00e3o apurada como este, j\u00e1 tinham indicado que a psican\u00e1lise, aquela mesma baseada na tr\u00edade edipiana ou na conflitua\u00e7\u00e3o interpessoal, no caso dos p\u00f3s-cl\u00e1ssicos, na qual o terapeuta fica numa poltrona ATR\u00c1S do div\u00e3 em que o paciente est\u00e1 deitado, quem diria, parece ter seus efeitos demonstrados &#8220;cientificamente&#8221;.<\/p>\n<p>Sempre pensei existir um certo exagero em torno da psican\u00e1lise. Sua liga\u00e7\u00e3o com a filosofia sempre me fascinou mas terminou por criar uma imagem algo estilha\u00e7ada dela, o que, obviamente, n\u00e3o exclui minha\u00a0incompet\u00eancia em compreend\u00ea-la(s). Fiz alguns cursos, aprendi coisas interessantes. Tenho v\u00e1rios pacientes e amigos psicanalistas, alguns at\u00e9 bem conhecidos. Questionar a efic\u00e1cia da psican\u00e1lise nas suas mais variadas vertentes, para eles, \u00e9 como questionar o oxig\u00eanio que respiramos. Tal \u00e9 o dilema que um m\u00e9dico, nascido e criado em ambientes &#8220;baseados em evid\u00eancia&#8221;, se defronta e que, n\u00e3o fosse eu um ranheta auto-referente em quest\u00f5es que envolvem a pr\u00e1tica m\u00e9dica, faria, como outros, ouvidos moucos e tocaria a vida j\u00e1 complexa e trabalhosa o suficiente. Mas, a vida d\u00e1 voltas&#8230;<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que o\u00a0<a href=\"http:\/\/webappl.web.sh.se\/p3\/ext\/content.nsf\/aget?openagent&amp;key=sh_personal_profil_en_577355\">Fredrik Svenaeus<\/a>\u00a0me apresentou o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Fredrik-Svenaeus\/e\/B001KHGSOO\">Heidegger<\/a>. O Heidegger, \u00e0 sua maneira, exigiu que eu lesse o\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2012\/12\/rdescobrindo-paul-ricoeur\/\">Ricoeur<\/a>, um de seus mais brilhantes disc\u00edpulos. E lendo o Ricoeur conheci o\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Roy_Schafer\">Roy Schafer<\/a>\u00a0que teve a mesma ideia que eu tive, s\u00f3 que a publicou em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.worldcat.org\/title\/new-language-for-psychoanalysis\/oclc\/002014250\">1976<\/a>\u00a0(isso sempre acontece\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/06\/sindrome_do_coracao_partido_e\/\">comigo<\/a>!): poderia toda a psican\u00e1lise ser subsumida ao fen\u00f4meno da linguagem? Posteriormente, Schafer escreveu um artigo resumido de suas ideias e que discuto brevemente abaixo [3].<\/p>\n<p>No pref\u00e1cio do artigo, Schafer come\u00e7a dizendo que Freud realmente queria que a psican\u00e1lise tivesse a melhor conota\u00e7\u00e3o cient\u00edfica poss\u00edvel para a \u00e9poca na qual foi criada (pre\u00e7o alto que ele paga at\u00e9 hoje), mas que essa conota\u00e7\u00e3o pode ter uma leitura diferente. De acordo com essa leitura, Freud criou &#8220;apenas&#8221; um sistema complexo de regras para comunica\u00e7\u00e3o entre duas pessoas, um terapeuta e seu paciente (ou analisando, argh!). Assim, prossegue ele &#8220;psicanalistas te\u00f3ricos de diferentes credos (isso!) t\u00eam empregado princ\u00edpios interpretativos ou c\u00f3digos diferentes, pode-se dizer at\u00e9, diferentes\u00a0<em><strong>estruturas narrativas<\/strong><\/em>\u00a0para desenvolver suas formas de fazer an\u00e1lise e falar sobre ela&#8221; (grifos meus). Essas estruturas narrativas s\u00e3o importantes n\u00e3o porque analisam <em><strong>dados<\/strong><\/em>, tal como o projeto inicial de Freud, mas porque nos dizem o que deve ou n\u00e3o <em><strong>ser considerado dado<\/strong><\/em> na hist\u00f3ria que est\u00e1 sendo constru\u00edda. Isso \u00e9 importante porque n\u00e3o h\u00e1 interpreta\u00e7\u00f5es definitivas. H\u00e1 interpreta\u00e7\u00f5es que fazem sentido; outras que n\u00e3o. O dados n\u00e3o s\u00e3o encontrados, s\u00e3o constru\u00eddos ou constitu\u00eddos ou, at\u00e9 mesmo, buscados. A partir de ent\u00e3o, o autor envereda para exemplos e mais exemplos no intuito de demonstrar sua tese.<\/p>\n<p>Ricoeur [4], por sua vez, vai citar Schafer no contexto de uma poss\u00edvel <em><strong>estrutura pr\u00e9-narrativa da experi\u00eancia<\/strong><\/em>. O problema de Ricoeur consiste, grosso modo,\u00a0especificamente nessa se\u00e7\u00e3o do seu monumental trabalho, em fundamentar o <em><strong>mundo das experi\u00eancias<\/strong><\/em> &#8211; que ele apelida de <em><strong>m\u00edmesis I<\/strong><\/em> &#8211; com um certo &#8220;enredamento pr\u00e9-narrativo&#8221;; com o que ele chama de &#8220;hist\u00f3ria (ainda) n\u00e3o contada&#8221; e ele usa o exemplo da psican\u00e1lise para ilustrar tal conceito. Nesse ponto, vale a leitura do original:<\/p>\n<blockquote><p>O paciente que fala com o psicanalista lhe traz fragmentos de hist\u00f3rias vividas, sonhos, &#8220;cenas primitivas&#8221;, epis\u00f3dios conflituosos; pode-se perfeitamente dizer sobre as sess\u00f5es de an\u00e1lise que elas t\u00eam por finalidade e por efeito que o analisando tire desses fragmentos de hist\u00f3ria uma narrativa que seria ao mesmo tempo mais insuport\u00e1vel e mais intelig\u00edvel. Roy Schafer ensinou-nos at\u00e9 a considerar o conjunto das teorias metapsicol\u00f3gicas de Freud como um sistema de regras para recontar as hist\u00f3rias de vida e elev\u00e1-las \u00e0 categoria de hist\u00f3rias de caso. Essa interpreta\u00e7\u00e3o narrativa da teoria psicanal\u00edtica implica que a hist\u00f3ria de uma vida procede de hist\u00f3rias n\u00e3o contadas e recalcadas na dire\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias efetivas que o sujeito poderia assumir para si e ter por constitutivas de sua identidade pessoal. \u00c9 a busca dessa identidade pessoal que garante a continuidade entre a hist\u00f3ria potencial ou incoativa e a hist\u00f3ria expressa pela qual nos responsabilizamos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Isso pode ser entendido como uma reden\u00e7\u00e3o. Simplifica escandalosamente o processo psicanal\u00edtico e, de quebra, al\u00e9m de explicar seus efeitos ben\u00e9ficos, abre uma avenida investigativa que \u00e9 a via dos efeitos da linguagem na constitui\u00e7\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo e de suas patologias. Nesse sentido, pouco importa quais c\u00f3digos se utilize para narrar. O psicanalista oferece, de acordo com seu credo, um vocabul\u00e1rio a seu paciente. D\u00e1 certo quando o paciente <em><strong>incorpora<\/strong><\/em>\u00a0(torna corporal) essa nova linguagem e a utiliza para recontar sua(s) hist\u00f3ria(s). Esse movimento de <em><strong>encadeamento<\/strong><\/em> entre fatos aparentemente n\u00e3o relacionados se torna intelig\u00edvel por meio da narrativa e por isso, fica muito mais dif\u00edcil de suportar, podendo gerar catarse e suscitando, por que n\u00e3o?, a cura. Ricoeur, ainda avan\u00e7a profundamente nessa espiral de contar e recontar; interpretar e re-interpretar, mas a n\u00f3s basta a ideia inicial.<\/p>\n<p>Se nossa identidade, ou ao menos o que n\u00f3s entendemos por n\u00f3s-mesmos, \u00e9 constru\u00edda tendo como base o mundo das experi\u00eancias, seu impacto e suas interpreta\u00e7\u00f5es, ao fornecer um c\u00f3digo de s\u00edmbolos, mitologias, modelos, enfim, um <em><strong>vocabul\u00e1rio<\/strong><\/em> ao paciente, o psicanalista facilita a recontagem dessa hist\u00f3ria e a reconstru\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia da identidade pelo analisando. N\u00e3o precisamos mais escarafunchar c\u00e9rebros na busca anat\u00f4mica do ID ou do EGO. Eles est\u00e3o, junto com todos os outros componentes do <em><strong>aparelho ps\u00edquico<\/strong><\/em>, &#8220;encriptados&#8221; na nossa linguagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>[1] Renato Mezan<\/strong>.\u00a0Pesquisa em psican\u00e1lise: algumas reflex\u00f5es.<i>\u00a0J. Psicanal.<\/i>\u00a0[online]. 2006, vol.39, n.70 pp. 227-241 . Dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-58352006000100015&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\">aqui<\/a>. ISSN 0103-5835.<\/p>\n<p><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_tiny.png\" \/><\/a><\/span><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Harvard+review+of+psychiatry&amp;rft_id=info%3Apmid%2F23660968&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+current+state+of+the+empirical+evidence+for+psychoanalysis%3A+a+meta-analytic+approach.&amp;rft.issn=1067-3229&amp;rft.date=2013&amp;rft.volume=21&amp;rft.issue=3&amp;rft.spage=107&amp;rft.epage=37&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=de+Maat+S&amp;rft.au=de+Jonghe+F&amp;rft.au=de+Kraker+R&amp;rft.au=Leichsenring+F&amp;rft.au=Abbass+A&amp;rft.au=Luyten+P&amp;rft.au=Barber+JP&amp;rft.au=Rien+Van&amp;rft.au=Dekker+J&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Health%2CMedicine%2C+Medical+Ethics\"><strong>[2] de Maat S, de Jonghe F, de Kraker R, Leichsenring F, Abbass A, Luyten P, Barber JP, Rien Van, &amp; Dekker J<\/strong> (2013). The current state of the empirical evidence for psychoanalysis: a meta-analytic approach. <span style=\"font-style: italic\">Harvard review of psychiatry, 21<\/span> (3), 107-37 PMID: <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/23660968\" rev=\"review\">23660968<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong>[3] Roy Schafer<\/strong>\u00a0(1980). Narration in the Psychoanalytic Dialogue. <em>Critical Inquiry<\/em>, 7\u00a0(1), 29-53 DOI:\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1086\/448087\" rev=\"review\">10.1086\/448087<\/a><\/p>\n<p><strong>[4] Paul Ricoeur<\/strong> (2010). Tempo e Narrativa. Vol 1, p\u00e1g 128. Martins Fontes &#8211; S\u00e3o Paulo. Tradu\u00e7\u00e3o Cl\u00e1udia Berliner.<\/p>\n<p>Cartum do baiano Reinaldo Gonzaga. Tirada <a href=\"http:\/\/oferrao.atarde.uol.com.br\/?m=20090905\">daqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renato Mezan [1] conta\u00a0que foi Freud quem escreveu o verbete &#8220;psican\u00e1lise&#8221;\u00a0para a Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica em 1923. 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