{"id":3018,"date":"2013-05-26T13:23:10","date_gmt":"2013-05-26T16:23:10","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=3018"},"modified":"2013-05-26T13:23:10","modified_gmt":"2013-05-26T16:23:10","slug":"medicina-com-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2013\/05\/26\/medicina-com-fronteiras\/","title":{"rendered":"Medicina com Fronteiras"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo do post \u00e9, obviamente, um trocadilho com uma das coisas mais fant\u00e1sticas e sublimes que a medicina j\u00e1 produziu, a\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.msf.org.br\">Medecins Sans Fronti\u00e8re<\/a>,\u00a0<\/em>entidade humanit\u00e1ria com a\u00e7\u00f5es globais em \u00e1reas de vulnerabilidade social e o tirei da <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/suplementos,pontos-abertos,1033164,0.htm\">excelente entrevista<\/a> de Juliana Sayuri d&#8217; O Estado de S\u00e3o Paulo com o m\u00e9dico M\u00e1rio Scheffer, coordenador de estudo <a href=\"http:\/\/www.cremesp.org.br\/pdfs\/DemografiaMedicaBrasilVol2.pdf\">Demografia M\u00e9dica no Brasil<\/a>, patrocinado pelo <a href=\"http:\/\/portal.cfm.org.br\/\">Conselho Federal de Medicina<\/a> (CFM). Pretendo, nas pr\u00f3ximas linhas, explicitar minha opini\u00e3o sobre a not\u00edcia, <a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/brasil\/2013\/05\/06\/interna_brasil,364514\/brasil-trara-6-mil-medicos-cubanos-para-atender-moradores-de-areas-carentes.shtml\">veiculada em 06\/05\/2013<\/a>, da vinda de 6.000 m\u00e9dicos de Cuba, e de outros tantos de Portugal e Espanha, para trabalhar em regi\u00f5es carentes do Brasil.<\/p>\n<p>Suponhamos que venham ent\u00e3o. Seis mil pessoas de um pa\u00eds estranho venham, de fato, exercer medicina nos ermos do Brasil. O Governo Federal especificaria suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, sua remunera\u00e7\u00e3o e seu modo de trabalhar. N\u00e3o temos dados concretos sobre esse plano, o que me d\u00e1 um certo calafrio na espinha dado o <em>d\u00e9j\u00e0-vu<\/em> de pirotecnia administrativa, como s\u00f3i acontecer em pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil. Vamos ent\u00e3o, especular.<\/p>\n<p><strong>Sobre a valida\u00e7\u00e3o<\/strong>. &#8220;O m\u00e9dico pode ser definido como o ser humano pessoalmente apto, tecnicamente capacitado e legalmente habilitado para atuar na sociedade como agente profissional da Medicina &#8211; o que lhe assegura o direito de praticar todos os atos que a legisla\u00e7\u00e3o permite ou obriga&#8221;, e a submeter-se \u00e0s normas classistas bem como a seus princ\u00edpios \u00e9ticos. A defini\u00e7\u00e3o se baseia em 3 quesitos que, faltantes, descaracterizariam a profiss\u00e3o de m\u00e9dico. \u00c9 necess\u00e1rio ser: 1) Humano apto; 2) Capacitado tecnicamente; 3) Habilitado legalmente. A capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 dif\u00edcil de avaliar dada a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da medicina com a pr\u00e1tica, mas a realiza\u00e7\u00e3o de exames frequentes e os programas de <strong>educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica continuada<\/strong> ajudam a minimizar isso em v\u00e1rias localidades do mundo. A habilita\u00e7\u00e3o legal, por mais discut\u00edvel, vinculada \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, politicamente influenci\u00e1vel e provincianamente conduzida que seja, \u00e9 necess\u00e1ria. Aqui, a compara\u00e7\u00e3o com a habilita\u00e7\u00e3o de motorista \u00e9 plenamente v\u00e1lida.<\/p>\n<p>\u00c9 sob essa l\u00f3gica que o CFM tem atuado. A necessidade de ordenar a profiss\u00e3o, control\u00e1-la e estabelecer normas para sua estrutura\u00e7\u00e3o cabe ao conselho classista. Acho muito engra\u00e7ado articulistas, palpiteiros, pol\u00edticos, pacientes, e pessoas em geral, acusarem a <em><strong>corpora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> chamada CFM de &#8220;coorporativista&#8221;. Isso soa um pouco como acusar o Ex\u00e9rcito de ser b\u00e9lico. O CFM est\u00e1 no seu papel e a discuss\u00e3o n\u00e3o deve ser desarticular sua argumenta\u00e7\u00e3o, mas criar op\u00e7\u00f5es a ela. O pr\u00f3prio CFM est\u00e1 elaborando propostas para fixa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico brasileiro nos tais &#8220;vazios assistenciais&#8221;. Uma cr\u00edtica que caberia aqui \u00e9 mas por que n\u00e3o fizeram isso antes? Por que esperar o an\u00fancio da contrata\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos estrangeiros para lan\u00e7ar tal proposta? Nesse sentido, o chacoalh\u00e3o veio em boa hora.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como EUA, Canad\u00e1, Reino Unido t\u00eam m\u00e9dicos estrangeiros em propor\u00e7\u00f5es variadas que beiram os 20%. Todos t\u00eam tamb\u00e9m, sem exce\u00e7\u00e3o, regras para valida\u00e7\u00e3o dos diplomas (habilita\u00e7\u00e3o) e verifica\u00e7\u00e3o da capacidade por meio de programas espec\u00edficos. N\u00e3o vejo problema nenhum com isso e a vinda de m\u00e9dicos que cumprissem tais condi\u00e7\u00f5es &#8211; <a href=\"http:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/educacao\/infograficos\/diploma-medicina\/\">e isso tamb\u00e9m est\u00e1 sob discuss\u00e3o<\/a> &#8211; \u00e9 uma decis\u00e3o de quem elabora as pol\u00edticas de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Sobre as estrat\u00e9gias de assentamento<\/strong>. Uma das coisas que tem intrigado a opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 o fato de que, mesmo com bons sal\u00e1rios, os m\u00e9dicos n\u00e3o s\u00e3o capazes de &#8220;interiorizar-se&#8221;, o que mostra que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9, nem de longe, meramente econ\u00f4mica. Setores do pensamento de esquerda acusam as faculdades de medicina de uma forma\u00e7\u00e3o elitista e tecnologizada, fazendo com que o m\u00e9dico se sinta &#8220;nu&#8221; na aus\u00eancia de sua tecnologia, impedindo-o ent\u00e3o de trabalhar em locais onde ela fosse prec\u00e1ria. Para resolver isso, prop\u00f5em a vinda de m\u00e9dicos formados em faculdades voltadas para a <a href=\"http:\/\/papodehomem.com.br\/sistema-de-saude-modo-de-usar\/\">aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria<\/a>, como por exemplo, a Escola Latino-Americana de Medicina (<a href=\"http:\/\/instituciones.sld.cu\/elam\/\">ELAM<\/a>) em Cuba. Em que pesem as <a href=\"http:\/\/valquirioaraujo.blogspot.com.br\/\">enormes dificuldades<\/a> em se estudar medicina em Cuba e a <a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/educacao\/padilha-descarta-trazer-medicos-de-escola-cubana-para-o-brasil,545de000518ce310VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html\">manifesta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do senhor ministro da sa\u00fade<\/a>, a proposta se apoiaria no fato de que tais m\u00e9dicos seriam desprovidos dessa <a href=\"http:\/\/guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br\/2013\/05\/medicos-cubanos-tem-larga-experiencia.html\">arrog\u00e2ncia tecnol\u00f3gica<\/a> e mais aptos a trabalhar em condi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. N\u00e3o descarto, <em>a priori<\/em>, esse racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>Mas, como evitar\u00edamos que tais m\u00e9dicos abandonassem seus postos? Por mais ideologizado que seja, a necessidade de forma\u00e7\u00e3o, crescimento e ascens\u00e3o na carreira \u00e9 inerente ao bom profissional, ao que recusa-se a estagnar e, no caso dos m\u00e9dicos, ao que sabe da responsabilidade que tem e da possibilidade de que um erro pode equivaler \u00e0 morte. Quais a\u00e7\u00f5es seriam implantadas para que tais m\u00e9dicos fixassem-se nos locais onde o governo necessita? <a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/educacao\/contratacao-para-atuar-em-area-limitada-desagrada-a-medicos-portugueses,84acabe6e87ce310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html\">A pergunta procede<\/a>. Criar um sistema nos <a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/educacao\/cfm-propoe-plano-para-interiorizacao-e-carreira-nos-moldes-da-de-juiz,0a9ab044757de310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html\">moldes do Judici\u00e1rio<\/a> e programas de <a href=\"http:\/\/www.medicospertodevoce.com.br\/conheca.htm\">assentamento do m\u00e9dico<\/a> que incluem a educa\u00e7\u00e3o continuada s\u00e3o possibilidades. Mas por que raios, esses programas n\u00e3o poderiam funcionar para os m\u00e9dicos tupiniquins tamb\u00e9m?<\/p>\n<p>Em suma, o assunto \u00e9 bastante complexo. Particularmente, n\u00e3o sou contra a vinda de m\u00e9dicos estrangeiros desde que se mostrem capacitados a exercer a profiss\u00e3o de acordo com as regras estabelecidas pela sociedade brasileira. Pode-se discutir as regras sempre, dificultar ou facilitar de acordo com um plano de a\u00e7\u00e3o. Por outro lado, n\u00e3o acredito que a vinda de tais m\u00e9dicos resolva o problema. A sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o transcende as fronteiras da atua\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico que est\u00e1 contida nela. Ao voltarmos nossos olhares para as \u00e1reas carentes de atendimento em sa\u00fade veremos que a necessidade \u00e9 muito maior que a v\u00e3 l\u00f3gica &#8220;medicalista&#8221; poderia supor.<\/p>\n<p>Rem\u00e9dios n\u00e3o curam o abandono.<\/p>\n<div id=\"attachment_3039\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/05\/MSF-Angola.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3039\" class=\"size-full wp-image-3039\" alt=\"Angola \u00a9 Atsushi Shibuya\/MSF 2001\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/05\/MSF-Angola.jpeg\" width=\"550\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/05\/MSF-Angola.jpeg 550w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/05\/MSF-Angola-300x175.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3039\" class=\"wp-caption-text\">Angola \u00a9 Atsushi Shibuya\/MSF 2001<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo do post \u00e9, obviamente, um trocadilho com uma das coisas mais fant\u00e1sticas e sublimes que a medicina j\u00e1 produziu, a\u00a0Medecins Sans Fronti\u00e8re,\u00a0entidade humanit\u00e1ria com a\u00e7\u00f5es globais em \u00e1reas de vulnerabilidade social e o tirei da excelente entrevista de Juliana Sayuri d&#8217; O Estado de S\u00e3o Paulo com o m\u00e9dico M\u00e1rio Scheffer, coordenador de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":466,"featured_media":3039,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[18,21],"tags":[],"class_list":["post-3018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medicina","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/466"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3018\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}