{"id":311,"date":"2009-03-30T15:55:28","date_gmt":"2009-03-30T18:55:28","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/03\/cisto_sinovial\/"},"modified":"2009-03-30T15:55:28","modified_gmt":"2009-03-30T18:55:28","slug":"cisto_sinovial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/03\/30\/cisto_sinovial\/","title":{"rendered":"Cisto Sinovial"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Batista era eletricista. Ficou desempregado e conseguiu arrumar um &#8220;bico&#8221; de porteiro no meu condom\u00ednio. Uns 30 anos de idade, sergipano, de pele clara e sorriso f\u00e1cil, frequentemente sofria repreens\u00f5es do zelador, seu Belerino, por conversar demasiadamente com as &#8220;meninas-que-trabalhavam-em-casa-de-fam\u00edlia&#8221;. &#8220;Meu fraco, Doutor&#8221;- como ele dizia. Sabia que eu era m\u00e9dico. Um dia, ap\u00f3s estacionar o carro na vaga, abri a porta e dei de cara com o Jo\u00e3o. &#8220;Doutor, olha isso que apareceu na minha m\u00e3o. \u00c9 grave?&#8221; Examinei e na face dorsal da m\u00e3o havia um n\u00f3dulo de uns 2 ou 3 cm de di\u00e2metro.<\/p>\n<div id=\"attachment_1462\" style=\"width: 193px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/03\/cisto_sinovial\/cisto\/\" rel=\"attachment wp-att-1462\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1462\" class=\"size-full wp-image-1462\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2009\/03\/cisto.jpeg\" alt=\"\" width=\"183\" height=\"276\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1462\" class=\"wp-caption-text\">cisto sinovial<\/p><\/div>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\">&#8220;Est\u00e1 doendo?&#8221; perguntei. &#8220;N\u00e3o, Doutor. N\u00e3o d\u00f3i nada&#8221; &#8211; respondeu. Comecei o discurso: &#8220;Jo\u00e3o, isso parece bastante um cisto sinovial. \u00c9 um cisto benigno.&#8221; Enquanto falava, apertava o cisto com o polegar para sentir a consist\u00eancia e ver se realmente n\u00e3o do\u00eda. &#8220;Antigamente, tratava-se isso colocando um livro pesado em cima, de prefer\u00eancia uma B\u00edblia e ele desaparecia. Hoje sabemos que \u00e9 autolimitado, desaparece sozinho.&#8221; Fui falando devagar e pausadamente. Jo\u00e3o Batista prestando a maior aten\u00e7\u00e3o. &#8220;Alguns m\u00e9dicos operam isso, mas s\u00f3 se estiver doendo muito. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 nada a se fazer por enquanto&#8221; &#8211;\u00a0 terminei. Ele disse &#8220;Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada, n\u00e9, Doutor? Posso ficar tranquilo?&#8221; Eu j\u00e1 sem muita paci\u00eancia &#8220;Sim, Jo\u00e3o, pode ficar tranquilo. Qualquer coisa me avise&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Algumas semanas depois, estaciono o carro e deparo novamente com Jo\u00e3o Batista. &#8220;Fala, Jo\u00e3o. O que foi dessa vez?&#8221; &#8211; disse amistosamente. Ele olhou para mim, chegou mais perto como quem vai contar um segredo e disse &#8220;Doutor, o senhor benze?&#8221;<\/p>\n<p>Eu entendi tudo em fra\u00e7\u00f5es de segundo. Tamb\u00e9m fiz uma tenebrosa previs\u00e3o do futuro nos mil\u00e9simos seguintes. Milhares de pessoas na porta do condom\u00ednio, crian\u00e7as chorando no colo de m\u00e3es impacientes, idosos, barracas de churrasquinho, a vizinhan\u00e7a em polvorosa, todos esperando o Doutor Benzedor&#8230; Inverti as sombrancelhas e falei bem s\u00e9rio &#8220;Jo\u00e3o Batista, eu n\u00e3o benzo. Seu cisto desapareceu sozinho! Se voc\u00ea espalhar para algu\u00e9m que eu te benzi, vou falar com o Belerino e ele te manda embora!&#8221; &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o, Doutor. Fa\u00e7a isso, n\u00e3o! S\u00f3 queria saber. N\u00e3o precisa ficar bravo. Pode ficar tranquilo que eu n\u00e3o falo para ningu\u00e9m&#8221; &#8211; disse ele, se desculpando e andando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 portaria. Virei as costas e entrei no elevador segurando a risada. J\u00e1 pensou, eu benzedor!<\/p>\n<p>Algumas semanas se passaram e ap\u00f3s estacionar meu carro&#8230; Bem, l\u00e1 estava Jo\u00e3o Batista de novo! Sa\u00ed do carro e olhei para ele sem dizer nada. Ele, com a mesma cara com a qual falava com as &#8220;meninas-que-trabalhavam-em-casa-de-fam\u00edlia&#8221; me perpetrou a seguinte frase:<\/p>\n<p>&#8220;Doutor, eu sei que o senhor n\u00e3o benze. Sei sim, pode ficar tranquilo e n\u00e3o falei isso para ningu\u00e9m. Mas d\u00e1 para o senhor passar o dedo aqui?&#8221;<\/p>\n<p>Com o indicador apontava para a outra m\u00e3o onde jazia, imponente, um novo cisto sinovial&#8230;<\/p>\n<p><span>imagem retirada de <a href=\"http:\/\/www.ehow.com\/how_4802525_hand-wrist-pain-ganglion-cyst.html\">Ehow<\/a>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Batista era eletricista. Ficou desempregado e conseguiu arrumar um &#8220;bico&#8221; de porteiro no meu condom\u00ednio. Uns 30 anos de idade, sergipano, de pele clara e sorriso f\u00e1cil, frequentemente sofria repreens\u00f5es do zelador, seu Belerino, por conversar demasiadamente com as &#8220;meninas-que-trabalhavam-em-casa-de-fam\u00edlia&#8221;. &#8220;Meu fraco, Doutor&#8221;- como ele dizia. Sabia que eu era m\u00e9dico. 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