{"id":331,"date":"2009-04-24T16:11:00","date_gmt":"2009-04-24T19:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/04\/design_inconsequente\/"},"modified":"2009-04-24T16:11:00","modified_gmt":"2009-04-24T19:11:00","slug":"design_inconsequente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/04\/24\/design_inconsequente\/","title":{"rendered":"Design Pulmonar &#8211; Projeto Tabajara?"},"content":{"rendered":"<p><font><i><b>Esse \u00e9 o \u00faltimo post da s\u00e9rie que come\u00e7ou <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/04\/perguntinha_sufocante.php\">1<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/04\/o_sopro_divino.php\">2<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/04\/design_insciente_e_a_respiraca.php\">3<\/a> e <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/04\/design_inconsequente_ii.php\">4<\/a><\/b><\/i><\/font><\/p>\n<p>Se algu\u00e9m for visitar um parente ou amigo em uma unidade de terapia intensiva ver\u00e1 que todos os pacientes est\u00e3o ligados a monitores multiparam\u00e9tricos. Os batimentos card\u00edacos, a oxigena\u00e7\u00e3o, press\u00e3o arterial e outros dados vitais s\u00e3o monitorizados continuamente e ao mesmo tempo. A imensa maioria estar\u00e1 com bombas de infus\u00e3o de medicamentos a seu lado. Drogas para manter a press\u00e3o, antibi\u00f3ticos e soros de todo o tipo. Muitos desses pacientes estar\u00e3o conectados a ventiladores mec\u00e2nicos. Um ventilador mec\u00e2nico \u00e9 um gerador de fluxos de mistura gasosa que &#8220;reconhece&#8221; o pulm\u00e3o humano como um complexo complacente\/resistente. Se levarmos em conta que o in\u00edcio de cada ciclo pulmonar pode ser desencadeado pelo paciente ou pelo aparelho; que o ventilador pode ir a favor ou contra o esfor\u00e7o do paciente e que a press\u00e3o nas vias a\u00e9reas pode ser controlada do come\u00e7o ao fim do ciclo bem como o volume insuflado, temos uma enorme gama de possibilidades de regulagem, o que faz da ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica uma subespecialidade da terapia intensiva.<\/p>\n<p>Um paciente pode necessitar de ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica devido a seu n\u00edvel de consci\u00eancia muito baixo (coma). Nessas situa\u00e7\u00f5es, o risco de aspira\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme como <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/04\/design_insciente_e_a_respiraca.php\">vimos<\/a>, al\u00e9m do fato de que o paciente n\u00e3o d\u00e1 conta de suas necessidades ventilat\u00f3rias. \u00c9 a mesma raz\u00e3o pela qual um paciente que se submeter\u00e1 a anestesia geral tamb\u00e9m precisa ser conectado a um ventilador. Outras causas dizem respeito a insufici\u00eancia respirat\u00f3ria propriamente dita. \u00c9 quando o sistema respirat\u00f3rio n\u00e3o d\u00e1 conta de oxigenar o sangue, nem de retirar o g\u00e1s carb\u00f4nico dele. A insufici\u00eancia respirat\u00f3ria\u00a0\u00e9 causada por\u00a0v\u00e1rias formas e graus de colapso alveolar. \u00c9 impressionante a facilidade com que o pulm\u00e3o humano (n\u00e3o s\u00f3 o humano, mas de v\u00e1rios mam\u00edferos!) <b>colapsa<\/b>. Se h\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria (infec\u00e7\u00e3o ou inflama\u00e7\u00e3o), ac\u00famulo de l\u00edquidos, obstru\u00e7\u00e3o de vias a\u00e9reas, paralisia dos m\u00fasculos respirat\u00f3rios ou\u00a0distens\u00e3o abdominal, o resultado final \u00e9 <strong>colapso alveolar.<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"Normal.jpg\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/Normal1.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"392\" width=\"490\" \/><\/span><\/p>\n<p>A Figura A acima mostra um esquema de um bronqu\u00edolo terminal com seus &#8220;cachos&#8221; de alv\u00e9olos. \u00c9 uma estrutura bastante complexa e organizada funcionalmente. Quero chamar a aten\u00e7\u00e3o para o quadradinho ampliado ao lado onde vemos a estrutura microsc\u00f3pica do septo. L\u00e1 podemos ver o pneum\u00f3cito tipo II &#8211; uma c\u00e9lula estrutural -, o macr\u00f3fago alveolar &#8211; c\u00e9lula de defesa -, e linf\u00f3citos. Estes \u00faltimos s\u00e3o c\u00e9lulas associadas \u00e0 resposta inflamat\u00f3ria. Quando os cachos de alv\u00e9olos murcham dizemos que h\u00e1 uma <i>atelectasia<\/i>. \u00c9 um termo estranho, origin\u00e1rio do grego que quer literalmente dizer &#8220;n\u00e3o-dilata\u00e7\u00e3o da ponta&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" alt=\"Atelectasia.jpg\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/Atelectasia.jpg\" class=\"mt-image-center\" style=\"margin: 0pt auto 20px;text-align: center\" height=\"392\" width=\"490\" \/><\/span>A Figura B mostra atelectasias de unidades alveolares. Mais que isso mostra como a atelectasia desencadeia uma feroz resposta inflamat\u00f3ria. O pulm\u00e3o murcho inflama, e bastante! Aquele inocente linf\u00f3cito intersticial chama uma turma de c\u00e9lulas inflamat\u00f3rias que fazem um verdadeiro estrago no tecido pulmonar. Note-se que isso pode ocorrer mesmo na aus\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o. A coisa fica bem pior quando o paciente que por alguma raz\u00e3o come\u00e7a a apresentar atelectasias pulmonares piora a ponto de necessitar de um ventilador mec\u00e2nico. Nesse caso, a press\u00e3o positiva do aparelho pode acabar por encher alv\u00e9olos que est\u00e3o abertos, hiperdistendendo-os. Os fechados, assim continuam. Por um mecanismo muito interessante, a \u00e1rea de fronteira entre os &#8220;abertos&#8221; e os &#8220;fechados&#8221; sofre uma for\u00e7a chamada de cisalhamento e o resultado \u00e9 fratura (isso mesmo!) de septos alveolares o que, por sua vez, provoca mais inflama\u00e7\u00e3o e o c\u00edrculo vicioso se fecha.<\/p>\n<p>Fui questionado em outro post sobre o fato de que essa vulnerabilidade do pulm\u00e3o dos mam\u00edferos \u00e9 equivalente \u00e0 vulnerabilidade do pulm\u00e3o das aves \u00e0s infec\u00e7\u00f5es. Aves ao contrairem infec\u00e7\u00f5es severas morrem &#8220;feito passarinho&#8221; literalmente. N\u00e3o sou especialista em biologia comparada. Posso falar apenas da minha experi\u00eancia em terapia intensiva. A insufici\u00eancia respirat\u00f3ria e suas in\u00fameras causas s\u00e3o a maior causa de interna\u00e7\u00e3o em uma unidade intensiva. Nosso pulm\u00e3o \u00e9 exposto a gigantescas agress\u00f5es diariamente. Se abrirmos cada um dos 300 milh\u00f5es de alv\u00e9olos que existem em cada pulm\u00e3o, vamos estend\u00ea-los em uma superf\u00edcie de 100 m2, o que equivale a uma quadra de t\u00eanis. Toda essa superf\u00edcie est\u00e1 em contato com o ar do meio externo. Aspiramos tudo quanto \u00e9 poluente e microorganismos do ar e, n\u00e3o fora pelos mecanismos de defesa que temos, estar\u00edamos constantemente infectados.<\/p>\n<p>Nosso sistema respirat\u00f3rio, pela forma como \u00e9 &#8220;projetado&#8221; na vig\u00eancia de doen\u00e7a graves, tem desempenho inferior ao pulm\u00e3o de uma ave, que n\u00e3o colapsa, n\u00e3o precisa de press\u00e3o positiva e mesmo que infecte, n\u00e3o prejudica as \u00e1reas de troca.<\/p>\n<div><\/div>\n<div><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-style: italic\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: '-editor-proxy'\">As figuras foram retiradas do artigo de <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/15791115\">Duggan &amp; Kavanagh<\/a> Anesthesiology 2005 Apr;102(4):838-54<\/span><\/span><span class=\"Apple-style-span\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-style: italic\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: '-editor-proxy'\">. Sob licen\u00e7a de<span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: Verdana;font-size: 14px;font-style: normal\"><a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/entrez\/utils\/fref.fcgi?PrId=3159&amp;itool=AbstractPlus-def&amp;uid=15791115&amp;db=pubmed&amp;url=http:\/\/meta.wkhealth.com\/pt\/pt-core\/template-journal\/lwwgateway\/media\/landingpage.htm?issn=0003-3022&amp;volume=102&amp;issue=4&amp;spage=838\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" alt=\"Click here to read\" border=\"0\" src=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/corehtml\/query\/egifs\/http:--www.lwwonline.com-pt-pt-core-template-journal-lwwgateway-images-pmlogo.gif\" style=\"border-top-width: 0px;border-right-width: 0px;border-bottom-width: 0px;border-left-width: 0px;border-style: initial;border-color: initial;margin-left: 0.5em;vertical-align: top\" \/><\/a><\/span><\/span><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse \u00e9 o \u00faltimo post da s\u00e9rie que come\u00e7ou 1, 2, 3 e 4 Se algu\u00e9m for visitar um parente ou amigo em uma unidade de terapia intensiva ver\u00e1 que todos os pacientes est\u00e3o ligados a monitores multiparam\u00e9tricos. 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