{"id":3328,"date":"2013-07-21T13:57:58","date_gmt":"2013-07-21T16:57:58","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=3328"},"modified":"2013-07-21T13:57:58","modified_gmt":"2013-07-21T16:57:58","slug":"o-filho-do-pastor-e-o-padre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2013\/07\/21\/o-filho-do-pastor-e-o-padre\/","title":{"rendered":"O Filho do Pastor e o Padre"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3329\" style=\"width: 296px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/profiles.nlm.nih.gov\/ps\/retrieve\/Narrative\/FS\/p-nid\/213\/p-visuals\/true\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3329\" class=\" wp-image-3329\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Allan-Gregg-409x1024.jpg\" alt=\"Allan Gregg\" width=\"286\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Allan-Gregg-409x1024.jpg 409w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Allan-Gregg-120x300.jpg 120w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Allan-Gregg-1080x2702.jpg 1080w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Allan-Gregg-scaled.jpg 1023w\" sizes=\"(max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3329\" class=\"wp-caption-text\">Alan Gregg (cerca de 1919). Do Profiles in Science (public domain). Clique na foto para o original.<\/p><\/div>\n<p>Esse mo\u00e7o de chap\u00e9u, cachimbo, trajando longas botas e aquelas cal\u00e7as de explorador usadas em filmes de aventura, nasceu em 1890 na cidade de Colorado Springs, no Colorado &#8211; Estados Unidos da Am\u00e9rica. Seu nome:\u00a0<a href=\"http:\/\/profiles.nlm.nih.gov\/ps\/retrieve\/Narrative\/FS\/p-nid\/212\">Alan Gregg<\/a>. Filho de um\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Congregationalist_polity\">pastor congregacionalista<\/a>\u00a0e uma musicista, logo partiu para estudos em Boston, tal como seus tr\u00eas irm\u00e3os mais velhos, cidade onde sua fam\u00edlia vivia antes de seu pai ser transferido para o Colorado. Na \u00e9poca em que a foto foi tirada, ele tinha por volta de vinte e nove anos de idade. Alan, se assim podemos cham\u00e1-lo, tinha um esp\u00edrito muito aventureiro. Em 1914, quis alistar-se para a Primeira Guerra Mundial (1914-18), mas pelo Canad\u00e1, j\u00e1 que os EUA ainda n\u00e3o havia enviado tropas para o confronto, o que, de fato, s\u00f3 ocorreria em\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/United_States_declaration_of_war_on_Germany_(1917)\">6 de Abril de 1917<\/a>. Foi convencido que seria muito mais \u00fatil se terminasse a faculdade que ora cursava. Seguiu, ent\u00e3o, o conselho de seus tutores graduando-se em medicina pela Harvard em 1916 e, ao final do ano seguinte, ap\u00f3s um internato breve, integrou a equipe m\u00e9dica brit\u00e2nica em territ\u00f3rio europeu (mesmo destino, ali\u00e1s, do cirurgi\u00e3o brasileiro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.academiamedicinasaopaulo.org.br\/biografias\/139\/BIOGRAFIA-BENEDICTO-AUGUSTO-DE-FREITAS-MONTENEGRO.pdf\">Benedito Montenegro<\/a>\u00a0[pdf], formado em 1909 pela Universidade da Pensilv\u00e2nia. Montenegro, entretanto, serviu do lado franc\u00eas do conflito). Mas, voltando ao Alan, no per\u00edodo que seguiu ao seu retorno da Europa, n\u00e3o sabia ao certo qual rumo dar a sua carreira, profundamente impactada pela experi\u00eancia da guerra. De conversa em conversa, encontrou algumas pessoas interessantes e a uma espec\u00edfica solicitou um &#8220;servi\u00e7o que qualquer outro m\u00e9dico recusaria&#8221;. Um servi\u00e7o que fosse o &#8220;mais selvagem e mais dif\u00edcil&#8221; que um m\u00e9dico pudesse ter em tempos de paz. A pessoa a quem ele pediu tal miss\u00e3o escreveu, anos depois, que diante de tal solicita\u00e7\u00e3o, tentou fazer\u00a0<em><strong>exatamente<\/strong><\/em>\u00a0o que lhe foi pedido.<\/p>\n<p>Em Mar\u00e7o de 1919, ent\u00e3o, Alan Gregg desembarca na cidade do Rio de Janeiro. A foto \u00e9 desse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Mas por que viria Alan a terras brasileiras? &#8220;Depois de trabalhar em laborat\u00f3rios no Rio de Janeiro e estudar a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.parasitologiaclinica.ufsc.br\/index.php\/info\/conteudo\/doencas\/helmintoses\/ancilostomiase\/\">ancilostom\u00edase<\/a> (&#8220;amarel\u00e3o&#8221;) e mosquitos transmissores de mal\u00e1ria, Alan foi enviado a rinc\u00f5es remotos do pa\u00eds onde trabalhou em campanhas com equipes de sa\u00fade p\u00fablica locais, tanto diagnosticando, como tratando alde\u00f5es infectados pela endemia.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Milton.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Milton.jpg\" alt=\"Milton\" width=\"320\" height=\"320\" \/><\/a>Conduziu pesquisas e escreveu relat\u00f3rios t\u00e9cnicos sobre a ancilostom\u00edase e sobre as condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias gerais do pa\u00eds. Durante os tr\u00eas anos em que ficou no Brasil afirmou ter mudado consideravelmente sua vis\u00e3o da medicina entendendo que a pr\u00e1tica m\u00e9dica de ent\u00e3o s\u00f3 teria sucesso em sua vertente &#8220;preventiva&#8221; posto que a &#8220;curativa&#8221; n\u00e3o tinha,\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2013\/07\/o-ethos-medico-e-o-espirito-do-capitalismo\/\">como vimos<\/a>, um \u00eaxito t\u00e9cnico muito significativo; al\u00e9m disso, sua pr\u00f3pria carreira de m\u00e9dico teve seus horizontes ampliados ao adquirir aqui a base para a aprecia\u00e7\u00e3o de outras culturas. &#8220;No Brasil de ent\u00e3o&#8221;, ele relembra em uma de suas cartas a amigos nos EUA, &#8220;ap\u00f3s descer de um trem, voc\u00ea volta no tempo. Nos jogos infantis, as crian\u00e7as entoam m\u00fasica gregoriana porque as pessoas n\u00e3o disp\u00f5em de melodias mais recentes.&#8221; (Eu, c\u00e1 com os bot\u00f5es do meu avental, pressuponho que Alan possa ter cruzado com algum &#8220;parente&#8221; desses\u00a0<a href=\"http:\/\/books.google.com.br\/books?id=82ek2hb1VeoC&amp;pg=PA24&amp;lpg=PA24&amp;dq=milton+nascimento+canto+gregoriano&amp;source=bl&amp;ots=BRHOSO-X_s&amp;sig=u864PWOlLclbncpA_DX49betNb0&amp;hl=pt-BR&amp;sa=X&amp;ei=LKDpUZWlKoSa9gSEnYGgCQ&amp;ved=0CDEQ6AEwATgU#v=onepage&amp;q=milton%20nascimento%20canto%20gregoriano&amp;f=false\">moleques de cara suja da foto ao lado<\/a>, a cantar, pelo interior das Minas Gerais, o que seria, neste caso, um\u00a0<em><strong>avan\u00e7o<\/strong><\/em>\u00a0no tempo, mas&#8230; isso\u00a0jamais saberemos de fato).<\/p>\n<p>Alan teve dificuldades no trato com a cultura brasileira. Certa vez, conta, ao chegar a um vilarejo, n\u00e3o estava conseguindo convencer os moradores a deixarem-se examinar pela equipe m\u00e9dica. Ele apelou ent\u00e3o ao padre da igreja local, um polon\u00eas, tamb\u00e9m em miss\u00e3o. O padre perguntou a Alan se ele vinha levando uma vida d\u00fabia e a raz\u00e3o de desperdi\u00e7ar dinheiro com aquela pobre gente n\u00e3o seria\u00a0a de fazer uma &#8220;oferenda pac\u00edfica&#8221; a seu Deus. Alan retrucou perguntando se deveria haver algum motivo para dar comida e dinheiro a pessoas fracas e famintas. Quando o padre disse que seus motivos deveriam ser caridade ou mesmo uma sensa\u00e7\u00e3o de culpa, Alan sentiu um sufocante desejo de concordar mas, ao inv\u00e9s disso, disse que seu patr\u00e3o acabara de doar uma quantia de 3 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 Pol\u00f4nia. Isso aparentemente convenceu o padre que concordou em intervir, favoravelmente a Alan, junto a seu rebanho.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, depois de tantas experi\u00eancias, Alan Gregg estava pronto para deixar o Brasil em 1922. Seus nada misteriosos patr\u00f5es americanos o chamaram de volta aos EUA para integrar a diretoria adjunta da rec\u00e9m-fundada\u00a0<em><strong>Divis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica<\/strong><\/em>\u00a0da\u00a0<em><strong>Funda\u00e7\u00e3o Rockefeller<\/strong><\/em>. Ele tinha um\u00a0<a href=\"http:\/\/profiles.nlm.nih.gov\/ps\/retrieve\/Narrative\/FS\/p-nid\/212\">trabalho<\/a>\u00a0a realizar. Ao redor do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse mo\u00e7o de chap\u00e9u, cachimbo, trajando longas botas e aquelas cal\u00e7as de explorador usadas em filmes de aventura, nasceu em 1890 na cidade de Colorado Springs, no Colorado &#8211; Estados Unidos da Am\u00e9rica. Seu nome:\u00a0Alan Gregg. Filho de um\u00a0pastor congregacionalista\u00a0e uma musicista, logo partiu para estudos em Boston, tal como seus tr\u00eas irm\u00e3os mais velhos, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":466,"featured_media":3329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[39,121],"class_list":["post-3328","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-medicina","tag-alan-gregg","tag-fundacao-rockefeller"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/07\/Allan-Gregg-scaled.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/466"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3328\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}