{"id":3615,"date":"2013-08-15T14:46:29","date_gmt":"2013-08-15T17:46:29","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=3615"},"modified":"2013-08-15T14:46:29","modified_gmt":"2013-08-15T17:46:29","slug":"o-mal-e-a-molestia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2013\/08\/15\/o-mal-e-a-molestia\/","title":{"rendered":"O Mal e a Mol\u00e9stia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Doentia-maldade-Portuguese-Edition-ebook\/dp\/B00EHSALBE\/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1376517319&amp;sr=1-1&amp;keywords=daniel+barros+doentia+maldade\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-3616\" alt=\"Doentia Maldade\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/08\/Doentia-Maldade.jpg\" width=\"207\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/08\/Doentia-Maldade.jpg 421w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/08\/Doentia-Maldade-188x300.jpg 188w\" sizes=\"(max-width: 207px) 100vw, 207px\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Doentia-maldade-Portuguese-Edition-ebook\/dp\/B00EHSALBE\/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1376517319&amp;sr=1-1&amp;keywords=daniel+barros+doentia+maldade\">Doentia Maldade<\/a>, de Daniel M. Barros descreve a hist\u00f3ria do conceito psiqui\u00e1trico de <em><strong>psicopatia<\/strong><\/em> e sua rela\u00e7\u00e3o com o conceito n\u00e3o psiqui\u00e1trico do <em><strong>Mal<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>A medicina, de uma forma geral, e a psiquiatria, em particular, t\u00eam muitos exemplos nos quais conceitos comuns \u00e0 vida das pessoas s\u00e3o <em><strong>patologizados<\/strong><\/em> ou, em outras palavras, transformados em doen\u00e7as. Essa \u00e9 uma tend\u00eancia atual e at\u00e9 figuras arquet\u00edpicas como\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2012\/05\/vampiros-e-bruxas\/\">vampiros<\/a> e zumbis t\u00eam sido transformados em doen\u00e7as. Uma das prov\u00e1veis raz\u00f5es para isso \u00e9 que, ao patologizar uma caracter\u00edstica, tra\u00e7o, h\u00e1bito, ou qualquer aspecto peculiar de uma pessoa ou grupo de pessoas, temos ao menos tr\u00eas vantagens imediatas. A primeira, diz respeito \u00e0 forma pr\u00f3pria de encarar aquilo que nos \u00e9 diferente. Aquilo que al\u00e9m de n\u00e3o nos pertencer, nos \u00e9 estranho. Lembro-me bem da \u00e9poca em que parar de fumar deixou de ser &#8220;falta de vergonha na cara&#8221; para ser encarada como uma depend\u00eancia qu\u00edmica com todas as suas dificuldades, ganhando, assim, a simpatia atenta dos m\u00e9dicos que come\u00e7aram a ver os fumantes, agora, como pacientes. A segunda vantagem \u00e9 que uma doen\u00e7a, se ainda n\u00e3o tem uma cura, deve ter, ao menos, algum tipo de tratamento. \u00c9 aqui que muita gente come\u00e7a a esfregar as m\u00e3os com aquele sorrisinho maligno no rosto de quem vai faturar um boa grana. Isso \u00e9 o que tem sido chamado de <em><strong><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2008\/07\/disease-mongering\/\">disease mongering<\/a>\u00a0<\/strong><\/em>e tem<em><strong>\u00a0<\/strong><\/em>as j\u00e1 conhecidas e comentadas consequ\u00eancias nefastas para a pr\u00e1tica m\u00e9dica e para a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>A terceira \u00e9 a que Barros chama a aten\u00e7\u00e3o. Ao mostrar as raz\u00f5es do sucesso do conceito de psicopatia, o autor-m\u00e9dico mostra como a patologiza\u00e7\u00e3o de um comportamento &#8211; anormal, sem d\u00favida &#8211; bem como o desenvolvimento de ferramentas para seu diagn\u00f3stico, funcionaram como mecanismo expiat\u00f3rio de culpas da sociedade p\u00f3s-industrial. Mais, como tal conceito se imiscui em uma ampla e antiga discuss\u00e3o que \u00e9 a <em><strong><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teodiceia\">teodic\u00e9ia<\/a><\/strong><\/em>, ou de como podem co-existir num mesmo mundo algo como\u00a0<em><strong>Deus<\/strong><\/em> e o <em><strong>Mal<\/strong><\/em>. Dessa discuss\u00e3o, que de simples n\u00e3o tem nem o nome, tomaram parte\u00a0gente como Plat\u00e3o, Kant, Leibniz, Hegel, Marx, Ricoeur, entre outros.<\/p>\n<p>Em que pese o fato de que pensadores como Ricoeur enxergarem algumas vantagens em uma &#8220;ontologia do Mal&#8221; como, por exemplo, ao tomar o mal como sendo a raz\u00e3o \u00faltima que impede uma\u00a0apropria\u00e7\u00e3o discursiva integral da realidade (o que \u00e9 bem interessante), a mera exist\u00eancia do mal nos incomoda e sempre incomodou bastante. Barros nos empurra para esse tipo de leitura ao mostrar que jogar o mal para debaixo do tapete n\u00e3o vai nos causar nenhum tipo de al\u00edvio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.amazon.com\/Doentia-maldade-Portuguese-Edition-ebook\/dp\/B00EHSALBE\/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1376517319&amp;sr=1-1&amp;keywords=daniel+barros+doentia+maldade\">Doentia Maldade<\/a>. Daniel Martins de Barros. Kindle Edition USD 2,64. 14 p\u00e1ginas. 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doentia Maldade, de Daniel M. Barros descreve a hist\u00f3ria do conceito psiqui\u00e1trico de psicopatia e sua rela\u00e7\u00e3o com o conceito n\u00e3o psiqui\u00e1trico do Mal. A medicina, de uma forma geral, e a psiquiatria, em particular, t\u00eam muitos exemplos nos quais conceitos comuns \u00e0 vida das pessoas s\u00e3o patologizados ou, em outras palavras, transformados em doen\u00e7as. 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