{"id":3801,"date":"2013-10-30T14:54:58","date_gmt":"2013-10-30T17:54:58","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=3801"},"modified":"2013-10-30T14:54:58","modified_gmt":"2013-10-30T17:54:58","slug":"o-futebol-e-a-tragedia-das-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2013\/10\/30\/o-futebol-e-a-tragedia-das-maos\/","title":{"rendered":"O Futebol e a Trag\u00e9dia das M\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><i><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3809\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2-1024x646.jpg\" alt=\"Maos2\" width=\"620\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2-1024x646.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2-300x189.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2-768x485.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2-1536x969.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2-1080x681.jpg 1080w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/10\/Maos2.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><br \/>\n<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>&#8220;Em futebol, o pior cego \u00e9 o que s\u00f3 v\u00ea a bola.&#8221;<\/i><\/p>\n<p align=\"right\"><i>N\u00e9lson Rodrigues (O Divino Delinquente)<\/i><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, hoje, quem duvide de que o esporte que convencionamos chamar <em><b>futebol<\/b><\/em> \u00e9 o mais popular do mundo. Explica\u00e7\u00f5es para isso n\u00e3o faltam. Sua simplicidade (da qual particularmente discordarei); sua capacidade de transformar portadores de um f\u00edsico breve em \u00eddolos mundiais milion\u00e1rios; a possibilidade de pratic\u00e1-lo com equipamentos de baixo custo ou mesmo quase nenhum; o fato de que nem sempre a melhor equipe vence a partida, fazendo com que fatores extra-campo, e.g. torcida, sejam fundamentais para uma vit\u00f3ria s\u00e3o, entre outras tantas, algumas das principais teorias explanat\u00f3rias aventadas para justificar porque o futebol \u00e9 praticado nos mais long\u00ednquos rinc\u00f5es do planeta. Se tantas h\u00e1 \u00e9 porque nenhuma d\u00e1 conta sozinha de explicar o fen\u00f4meno futebol\u00edstico, fato que sempre acaba encorajando incautos a lan\u00e7arem suas pr\u00f3prias teorias. Segue, com o perd\u00e3o da aud\u00e1cia, ent\u00e3o, a minha.<\/p>\n<p>Comecemos pelas palavras e pelas coisas, que s\u00e3o sempre um bom come\u00e7o. O futebol que a tantos encanta hoje nasceu, claro, na Inglaterra, mais precisamente em 1863, batizado com dois nomes: <b><i>association football<\/i><\/b>. E aqui j\u00e1 nos defrontamos com nosso primeiro problema. Como \u00e9 notoriamente sabido, adjetivos em ingl\u00eas v\u00eam antes dos substantivos a quem qualificam. Substantivos, por sua vez, podem, na l\u00edngua bret\u00e3, ser adjetivados, e muitas vezes s\u00f3 o que nos resta para distinguir estes daqueles \u00e9 sua posi\u00e7\u00e3o na frase. Se digo, ent\u00e3o, <i>football association<\/i>, a tradu\u00e7\u00e3o correta para o portugu\u00eas seria \u201cassocia\u00e7\u00e3o de futebol\u201d (ou \u201cassocia\u00e7\u00e3o futebol\u00edstica\u201d, para adjetivar de vez o nome \u201cfutebol\u201d). Mas, se digo <i>association football,<\/i> a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cfutebol da associa\u00e7\u00e3o\u201d (ou o horr\u00edvel \u201cfutebol associativo\u201d, ou mesmo \u201cassociado\u201d, adjetivando o nome \u201cassocia\u00e7\u00e3o\u201d). Se isso \u00e9 uma trivialidade para os angl\u00f3fonos, tal particularidade lingu\u00edstica passou algo despercebida para n\u00f3s, bravateiros de sempre do mundo da bola, de tal modo que aqui dizemos apenas \u201cfutebol\u201d. Mas o nome completo do &#8220;esporte nacional&#8221; guarda consigo a certid\u00e3o misteriosa de sua interessante origem e que n\u00e3o \u00e9 de pronto visualizada na ep\u00edtome brasileira. Tomemos como exemplo do que quero mostrar o nome da entidade maior da organiza\u00e7\u00e3o do futebol mundial: a famigerada FIFA. FIFA, cuja sigla vem do franc\u00eas <i>F\u00e9d\u00e9ration Internationale de Football Association<\/i> (um barbarismo quase inintelig\u00edvel, como s\u00e3o mesmo as coisas da FIFA), na l\u00edngua de Shakespeare seria <i>International Federation of Association Football<\/i>, veja s\u00f3 (e aqui come\u00e7amos a ver algo): a FIFA \u00e9, portanto, agora em bom portugu\u00eas, a federa\u00e7\u00e3o internacional do futebol da associa\u00e7\u00e3o. O que nos leva \u00e0 pergunta: com efeito, mas que diabos de \u201cfutebol da associa\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 esse?<\/p>\n<p><strong>A Associa\u00e7\u00e3o de Futebol<\/strong><\/p>\n<p>A Inglaterra da rainha Vit\u00f3ria (1837 -1901) vivia a <i>Pax Britannica<\/i> decorrente de seu sucesso econ\u00f4mico, estabilidade pol\u00edtica e progresso cient\u00edfico-cultural sem precedentes. Esse clima de virtude quase-hel\u00eanica constituiu est\u00edmulo necess\u00e1rio e suficiente para a cria\u00e7\u00e3o de in\u00fameros jogos, coletivos e individuais, com objetivos educacionais, motivacionais e de entretenimento. Havia nessa \u00e9poca dezenas de jogos entre duas equipes, com n\u00famero vari\u00e1vel de jogadores, que levavam o nome de <i>football<\/i>, pr\u00e1tica antiqu\u00edssima na Ilha e em geral caracterizados pela disputa violenta por uma bola, \u00e0 \u00e9poca confeccionada com bexiga de porco. Normalmente, tratava-se de levar a bola com aux\u00edlio de qualquer parte do corpo, por meio de passes ou dribles, at\u00e9 um certo local no territ\u00f3rio do inimigo e, assim, marcar algum tipo de ponto. Todavia, por que chamar de <i>football<\/i> um jogo no qual o bal\u00e3o podia ser conduzido tanto com as extremidades inferiores quanto com as superiores? Para diferenci\u00e1-lo, ora. Os p\u00e9s <em><b>tamb\u00e9m<\/b><\/em> eram permitidos, e nisso se constitu\u00eda a novidade. O \u201cnormal\u201d seria conduzir a bola com as m\u00e3os, e liberar os p\u00e9s para correr. O fato \u00e9 que tais jogos de <i>football<\/i> ficaram muito populares entre as escolas tradicionais inglesas e tamb\u00e9m entre oper\u00e1rios das f\u00e1bricas que, por sua vez, terminaram por fundar cada qual suas respectivas ligas e clubes. Entretanto, cada escola, bem como cada liga oper\u00e1ria, tinha suas pr\u00f3prias regras, e as disputad\u00edssimas \u201cpeladas\u201d nas faculdades ou f\u00e1bricas &#8211; com jogadores provenientes de diferentes localidades &#8211; geravam discuss\u00f5es intermin\u00e1veis sobre o andamento das partidas, al\u00e9m de inviabilizar qualquer tipo de torneio. Foi assim que, em outubro de 1863, na Taverna dos Freemasons, em Covent Garden, Londres, fundou-se a <i>Football Association<\/i> \u2013 a Associa\u00e7\u00e3o de Futebol &#8211; com o objetivo de unificar as regras do esporte tendo em conta a forma como o Trinity College de Cambridge, jogava seu <i>football<\/i> e que, segundo alguns, captava o verdadeiro \u201cesp\u00edrito do jogo\u201d.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que n\u00e3o houve um consenso (vejam que discuss\u00f5es e mesas redondas parecem fazer parte do DNA do esporte). Dentre os pontos de discord\u00e2ncia, os principais foram as proibi\u00e7\u00f5es do uso das <em><b>m\u00e3os<\/b><\/em> para conduzir a bola e da possibilidade de impedir a progress\u00e3o do advers\u00e1rio chutando-o nas \u201ccanelas\u201d, sinalizando para uma mudan\u00e7a mais radical na ess\u00eancia do jogo. Mesmo com algumas desist\u00eancias, as regras do \u201cfutebol da Associa\u00e7\u00e3o de Futebol\u201d foram publicadas em dezembro de 1863 e logo se disseminaram pela Grande Londres. Seus praticantes diziam jogar o <i>Assoc <\/i>(pronunciado como <i>ei-soc<\/i>) <i>football<\/i>, que logo transformou-se em <i>soc football<\/i> e, finalmente, foi apelidado de <i>soccer<\/i>. <i>Soccers<\/i> eram tamb\u00e9m os jogadores do <i>soccer<\/i>, o que os diferenciava dos j\u00e1 conhecidos <i>ruggers,<\/i> alcunha dos que praticavam o Rugby <i>football<\/i>, provavelmente criado pela escola da cidade de mesmo nome, no qual a bola podia, claro, ser levada com as m\u00e3os por todos os jogadores, permitia-se o <i>hacking<\/i> (o ataque mais agressivo ao portador da pelota), al\u00e9m de contar com regras de <i>off-side<\/i> (impedimento) mais r\u00edgidas. O chute era (e \u00e9) permitido e, por isso, ele \u00e9 tamb\u00e9m considerado um \u201ctipo\u201d de futebol.<\/p>\n<p>O rugby seguiu seu pr\u00f3prio caminho, tendo que lidar igualmente com v\u00e1rias diverg\u00eancias relativas \u00e0s regras, com a forma\u00e7\u00e3o de ligas independentes e que, unificadas em 1871, permitiram a funda\u00e7\u00e3o da <i>Rugby Football Union<\/i>. Nas regras do \u201cfutebol da Associa\u00e7\u00e3o\u201d persistiam ainda men\u00e7\u00f5es sobre jogadas que, apesar de j\u00e1 n\u00e3o existirem, permanecem no rugby, no futebol americano e no futebol australiano, como o <i>fair-catch <\/i>(que, devido a modifica\u00e7\u00f5es posteriores, veio introduzir o cabeceio liberando, assim, todas as partes do corpo como potencialmente utiliz\u00e1veis para o jogo, exceto os membros superiores). Com a unifica\u00e7\u00e3o, jogos entre v\u00e1rias equipes de diferentes localidades puderam ser disputados e as regras foram sendo aperfei\u00e7oadas. O uso das m\u00e3os acabou por ficar restrito a apenas um jogador de cada equipe, o <i>goalkeeper<\/i>, transformando o \u201cfutebol da Associa\u00e7\u00e3o\u201d no \u00fanico esporte coletivo praticado pela Humanidade no qual elas, as m\u00e3os, t\u00eam uma import\u00e2ncia secund\u00e1ria, para dizer o menos.<\/p>\n<p><strong>As M\u00e3os<\/strong><\/p>\n<p>De fato, a m\u00e3o humana parece desempenhar um papel preponderante nos estudos sobre nossa evolu\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o que sua incr\u00edvel anatomia e seu funcionamento preciso t\u00eam com a confec\u00e7\u00e3o de instrumentos, cria\u00e7\u00e3o de tecnologia e aquisi\u00e7\u00e3o de vantagens evolutivas foi demonstrada por v\u00e1rios autores. Argumenta-se ainda hoje sobre o que teria vindo primeiro, se a potencialidade das m\u00e3os ou a necessidade dos utens\u00edlios, mas a n\u00f3s interessa o fato de que o grande contingente <em><b>manipul\u00e1vel <\/b><\/em>de nosso mundo atual pode acabar mesmo por<b> <\/b>nos constituir como seres humanos [1].\u00a0Quem lida com um <i>smartphone<\/i>, martela um teclado de computador, dirige um carro, vira as p\u00e1ginas de um livro, toca qualquer instrumento musical ou simplesmente faz uma car\u00edcia no rosto da pessoa amada entende o que estou querendo dizer. As m\u00e3os, bem como seus complementos e\/ou substitutos, que chamamos de instrumentos ou ferramentas, ocupam um grande espa\u00e7o do que entendemos por <em><b>humano<\/b><\/em>. S\u00f3zinhas, representam um quarto do c\u00f3rtex sensitivo e um ter\u00e7o do c\u00f3rtex motor de nossa &#8220;massa encef\u00e1lica&#8221;. S\u00f3 abstra\u00edmos esse nosso modo \u201cmanual\u201d de ser em pouqu\u00edssimas e raras situa\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 o futebol.<\/p>\n<p>O futebol, esse mesmo, o <i>association football,<\/i> extirpou, em meados do s\u00e9culo XIX, o \u201cconceito de m\u00e3o humana\u201d do jogo. Ele \u00e9, portanto, anti-m\u00e3o, j\u00e1 que elas foram alijadas &#8220;filosoficamente&#8221; daquele que viria a se tornar o maior de todos os jogos. No futebol, as m\u00e3os s\u00e3o estraga-prazeres. Tocar a bola com elas \u00e9 pass\u00edvel de puni\u00e7\u00e3o, seja com a marca\u00e7\u00e3o de uma falta ou mesmo de uma penalidade m\u00e1xima, seja com o desprazer do gol n\u00e3o concretizado, gozo interrompido pelas m\u00e3os do guarda-metas que, assim, nos castiga. (A reposi\u00e7\u00e3o da bola ao campo de jogo por meio do arremesso lateral \u00e9 realizada com as duas m\u00e3os e\u00a0segue regras muito r\u00edgidas de execu\u00e7\u00e3o o que a torna um movimento bastante anti-natural). A aus\u00eancia das m\u00e3os em qualquer ato humano \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de uma nossa pr\u00f3pria ess\u00eancia. As m\u00e3os humanas s\u00e3o como a vis\u00e3o da \u00e1guia ou o faro do c\u00e3o. Impe\u00e7a-os de us\u00e1-las e o que veremos \u00e9 um misto de desorienta\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia. Essa talvez seja a grande raz\u00e3o do sucesso do futebol pelo mundo. <em>Ele j\u00e1 \u00e9 em si uma supera\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Conduzir a bola com os p\u00e9s e correr ao mesmo tempo n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tico, nem simples, nem natural. A conclus\u00e3o \u00e9 que o futebol \u00e9 tr\u00e1gico e sua tragicidade consiste exatamente em criar uma guerra na qual se pro\u00edbe o uso de nossa melhor arma, mas que, apesar disso &#8211; agora j\u00e1 com requintes de crueldade -, permanece bem ali, muito pr\u00f3xima, tentadoramente <em><b>\u00e0-m\u00e3o<\/b><\/em>. Sua anti-naturalidade at\u00e1vica desencadeia o desejo pelo poder proibido das m\u00e3os e permite apenas uma sa\u00edda satisfat\u00f3ria: sua convers\u00e3o em <em><strong>supera\u00e7\u00e3o est\u00e9tica<\/strong><\/em>. Mas, n\u00e3o seria essa a velha e j\u00e1 t\u00e3o conhecida f\u00f3rmula que volta-e-meia nos ajuda a driblar um dos nossos mais antigos e terr\u00edveis advers\u00e1rios? Talvez seja mesmo essa a raz\u00e3o do j\u00fabilo e do gozo ao vermos que nossa <em><strong>consci\u00eancia da finitude<\/strong><\/em>, como um zagueiro tosco ou volante brucutu, cai v\u00edtima de uma <a href=\"http:\/\/youtu.be\/RMGZhvQGm6k\">bola entre as pernas<\/a>, um <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=udX-ZzWEu_o\">chap\u00e9u<\/a> ou desconcerto humilhante qualquer impingido pelo craque, que assim nos redime e eterniza.<\/p>\n<p>Para <em><strong>del\u00edrio<\/strong><\/em> da torcida.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Refiro-me aqui aos conceitos heideggerianos de <i>Vorhandenheit<\/i>, estar-a\u00ed, e <i>Zuhandenheit<\/i>, \u00e0-m\u00e3o, cuja discuss\u00e3o o fil\u00f3sofo alem\u00e3o usa n\u00e3o s\u00f3 para compreender a temporalidade como para ilustrar seu entendimento da quest\u00e3o do Ser, em <i>Ser e Tempo<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Em futebol, o pior cego \u00e9 o que s\u00f3 v\u00ea a bola.&#8221; N\u00e9lson Rodrigues (O Divino Delinquente)\u00a0 N\u00e3o h\u00e1, hoje, quem duvide de que o esporte que convencionamos chamar futebol \u00e9 o mais popular do mundo. 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