{"id":3905,"date":"2013-12-08T12:41:08","date_gmt":"2013-12-08T15:41:08","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/?p=3905"},"modified":"2013-12-08T12:41:08","modified_gmt":"2013-12-08T15:41:08","slug":"medicina-a-ultima-flor-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2013\/12\/08\/medicina-a-ultima-flor-2\/","title":{"rendered":"Medicina, a \u00daltima Flor"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/2013\/12\/42-municipios-sao-pre-selecionados-para-ter-curso-superior-de-medicina.html\">anunciou<\/a> nesta ter\u00e7a-feira (3\/12\/13) a rela\u00e7\u00e3o dos 42 munic\u00edpios pr\u00e9-selecionados para a implanta\u00e7\u00e3o de novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina por institui\u00e7\u00f5es <em><strong>particulares<\/strong><\/em> de ensino superior. S\u00e3o eles:<\/p>\n<p><strong>Bahia:<\/strong>\u00a0Alagoinhas, Eun\u00e1polis, Guanambi, Itabuna, Jacobina e Juazeiro<br \/>\n<strong>Cear\u00e1:<\/strong>\u00a0Crato<br \/>\n<strong>Esp\u00edrito Santo:<\/strong>\u00a0Cachoeiro de Itapemirim<br \/>\n<strong>Goi\u00e1s:<\/strong>\u00a0Aparecida de Goi\u00e2nia<br \/>\n<strong>Maranh\u00e3o:<\/strong>\u00a0Bacabal<br \/>\n<strong>Minas Gerais:<\/strong>\u00a0Muria\u00e9, Passos, Po\u00e7os de Caldas e Sete Lagoas<br \/>\n<strong>Par\u00e1:\u00a0<\/strong>Ananindeua e Tucuru\u00ed<br \/>\n<strong>Pernambuco:<\/strong>\u00a0Jaboat\u00e3o dos Guararapes<br \/>\n<strong>Piau\u00ed:\u00a0<\/strong>Picos<br \/>\n<strong>Paran\u00e1:\u00a0<\/strong>Campo Mour\u00e3o, Guarapuava e Umuarama<br \/>\n<strong>Rio de Janeiro:\u00a0<\/strong>Tr\u00eas Rios<br \/>\n<strong>Rio Grande do Sul:<\/strong>\u00a0Erechim, Iju\u00ed, Novo Hamburgo e S\u00e3o Leopoldo<br \/>\n<strong>S\u00e3o Paulo:\u00a0<\/strong>Ara\u00e7atuba, Araras, Assis, Bauru, Cubat\u00e3o, Guaruj\u00e1, Indaiatuba, Ja\u00fa, Limeira, Mau\u00e1, Osasco, Pindamonhangaba, Piracicaba, Rio Claro, S\u00e3o Bernardo do Campo e S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos.<\/p>\n<p>O estado de S\u00e3o Paulo tem, como mostra a lista, 16 munic\u00edpios entre os pr\u00e9-selecionados o que, somados \u00e0s 37 escolas m\u00e9dicas j\u00e1 existentes, totalizam exatamente 53 unidades de ensino de gradua\u00e7\u00e3o em medicina em territ\u00f3rio paulista. Destas, apenas 4 s\u00e3o p\u00fablicas e, consideradas as melhores, s\u00e3o tamb\u00e9m as mais concorridas.<\/p>\n<p>A primeira pergunta que me ocorre \u00e9: O Brasil precisa de mais m\u00e9dicos? A resposta me parece claramente afirmativa. Segunda: O que o pa\u00eds est\u00e1 fazendo para que isso seja resolvido? Abrir novas faculdades de medicina poderia parecer realmente uma alternativa vi\u00e1vel e l\u00f3gica. Entretanto, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2013\/11\/medicina-a-ultima-flor\/\">como mostrei h\u00e1 algumas semanas atr\u00e1s<\/a>, isso j\u00e1 foi feito \u00e0 exaust\u00e3o!! Nos 8 anos de governo FHC e nos seguintes 8 anos de governo Lula, foram abertos 86 cursos de medicina, a grande maioria privados, ao longo de todo o territ\u00f3rio nacional. Os chamados &#8220;vazios assistenciais&#8221; foram preenchidos? N\u00e3o. O SUS ficou mais abastecido de m\u00e9dicos dispostos a trabalhar nas condi\u00e7\u00f5es a eles impostas? Tamb\u00e9m n\u00e3o. (N\u00e3o vou nem enveredar por outras profiss\u00f5es da Sa\u00fade, como por exemplo, a enfermagem, que tem in\u00fameros cursos e continua sendo pouqu\u00edssimo valorizada e tampouco remunerada de forma condizente a sua enorme import\u00e2ncia. Meu foco aqui \u00e9 a profiss\u00e3o de m\u00e9dico e seu papel no sistema de Sa\u00fade brasileiro.)<\/p>\n<p>Tudo leva crer que a solu\u00e7\u00e3o de nosso problema n\u00e3o est\u00e1, portanto, no <em><strong>n\u00famero<\/strong><\/em> de m\u00e9dicos formados, mas sim, no <em><strong>tipo<\/strong><\/em> de m\u00e9dico que formamos. Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, optamos por um <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2013\/08\/a-fundacao-rockefeller-e-o-modelo-filantropico-de-medicina\/\">modelo de ensino<\/a>\u00a0que faz do m\u00e9dico um <em><strong>intelectual, <\/strong><\/em>no sentido de elite pensante, da medicina. Nossa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dispendiosa, n\u00e3o s\u00f3 em recursos, como em tempo, al\u00e9m de intimamente relacionada \u00e0 tecnologia e \u00e0 ci\u00eancia. Desta \u00faltima emprestamos a ideologia, normas de conduta e, mediante um velado imperativo moral, somos compelidos \u00e0 contribuir com ela, sob o risco de perdermos reconhecimento e <em>status<\/em>. Tudo isso nos transforma em profissionais exigentes, consumidores de recursos e eternos insatisfeitos. Nossa longa forma\u00e7\u00e3o s\u00f3 vale a pena se, ao fim e ao cabo, pudermos ser remunerados de forma &#8220;justa&#8221; pelo vasto tempo que passamos estudando e em treinamento. Sem falar nos congressos e cursos de atualiza\u00e7\u00e3o que nos s\u00e3o exigidos. Dizem alguns amigos da \u00e1rea que a\u00a0vida \u00fatil de um cirurgi\u00e3o vai, em m\u00e9dia, at\u00e9 os 70 anos. &#8220;Se n\u00e3o fizermos o p\u00e9-de-meia at\u00e9 l\u00e1\u2026&#8221; &#8211; e fecham a frase com uma careta de preocupa\u00e7\u00e3o. Esse racioc\u00ednio caricaturado aqui \u00e9 disseminado em seus mais variados graus no pensamento de cada m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A abertura dessas novas faculdades de medicina, a meu ver, deve ser precedida pela discuss\u00e3o de qual <em><strong>modelo de forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica<\/strong><\/em> ser\u00e1 o adotado nelas. H\u00e1 alternativas. Os m\u00e9dicos cubanos v\u00eam de outra matriz te\u00f3rica da medicina. As faculdades de <em>Nurse Practitioner<\/em> no Canad\u00e1, Austr\u00e1lia e EUA preenchem v\u00e1rios requisitos daquele tipo de profissional que buscamos. Se os problemas da Sa\u00fade P\u00fablica brasileira n\u00e3o foram resolvidos com a abertura de 86 escolas m\u00e9dicas no in\u00edcio dos anos 2000, como concordar com a insist\u00eancia nesse tipo de solu\u00e7\u00e3o (que chamei de &#8220;<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2013\/11\/medicina-a-ultima-flor\/\">l\u00f3gica de RH<\/a>&#8220;)?<\/p>\n<p>O que fazer se nem entidades m\u00e9dicas, nem tampouco l\u00edderes nacionais, reconhecem que <em><strong>h\u00e1 um modelo?<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong>Que <em><strong>houve uma op\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>\u00a0e que talvez hoje ela n\u00e3o seja a mais adequada, necessitando de uma corre\u00e7\u00e3o em sua rota? Que fazer se l\u00edderes nacionais, entidades m\u00e9dicas, professores, m\u00e9dicos, donos de hospitais, planos de sa\u00fade, e todos que vivem e\/ou trabalham com a Sa\u00fade neste pa\u00eds e que t\u00eam uma caneta na m\u00e3o, d\u00e3o cabe\u00e7adas e parecem tatear \u00e0s escuras, ajudando a demonizar uma classe profissional de forma rasa e inconsequente, sem que a verdadeira quest\u00e3o subjacente \u00e0 toda superf\u00edcie ca\u00f3tica na qual se d\u00e1 o embate seja sequer ao menos arranhada?<\/p>\n<p>A medicina, da forma como a conhecemos hoje, n\u00e3o vai durar muitos anos.\u00a0H\u00e1 quem veja nisso uma coisa boa. H\u00e1 quem lamente. Eu acredito que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio destruir um modelo para construir outro. H\u00e1 que se preservar o que h\u00e1 de bom e corrigir o que h\u00e1 de errado. Ao\u00a0parafrasear <a href=\"http:\/\/www.significados.com.br\/flor-do-lacio\/\">Bilac<\/a> e utilizar o bord\u00e3o de que a medicina\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2013\/11\/medicina-a-ultima-flor\/\">\u00e9 a \u00faltima flor<\/a>, me refiro, diferentemente do poeta, a v\u00e1rias &#8220;plan\u00edcies&#8221; das quais a medicina poderia ser um derradeiro legado. Gostaria de chamar a aten\u00e7\u00e3o com isso para o <em>topos<\/em> de uma profiss\u00e3o encravada na fronteira de um <em><strong>embate ideol\u00f3gico<\/strong><\/em>; emboscada, de um lado, pela <em><strong>economia <\/strong><\/em>e o<strong> <\/strong><em><strong>monetarismo<\/strong><\/em>, de outro, pela <em><strong>tecnoci\u00eancia<\/strong><\/em>; submersa, portanto, nos tecidos profundos de um corpo social da qual ela mesma \u00e9 um subproduto. Entranhada na sociedade, a medicina, ao mesmo tempo em que cuida de males, tamb\u00e9m adoece como parte desse todo. Tamb\u00e9m ela, medicina, reproduz a tens\u00e3o do corpo que habita e examin\u00e1-la com cuidado talvez seja a melhor forma de diagnosticar o mal maior. Nesse sentido, ela funciona como nosso pr\u00f3prio mecanismo de <em><strong>cicatriza\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/em>\u00a0os genes controladores da divis\u00e3o celular que nos regenera guardam consigo o terr\u00edvel poder de nos matar. Naquele caso, e tamb\u00e9m aqui no nosso, n\u00e3o pelas faltas, mas pelos excessos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/12\/Flor-no-deserto.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3909 aligncenter\" alt=\"Flor no deserto\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/12\/Flor-no-deserto.jpg\" width=\"466\" height=\"316\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/12\/Flor-no-deserto.jpg 832w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/12\/Flor-no-deserto-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2013\/12\/Flor-no-deserto-768x522.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Atualiza\u00e7\u00e3o (28\/12\/2013)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Na PORTARIA No 731, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2013 do D.O.U. (<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_download&amp;gid=14894&amp;Itemid=\">pdf<\/a>) foi publicada nova lista de munic\u00edpios pr\u00e9-selecionados\u00a0<span style=\"line-height: 1.6em\">para implanta\u00e7\u00e3o de curso de gradua\u00e7\u00e3o em medicina por <em><strong>institui\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o superior<\/strong><\/em><strong> privada<\/strong> (grifos meus), acrescida de 7 outras cidades. S\u00e3o elas:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">1. <strong>MG<\/strong>: Contagem<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">2. <strong>PR<\/strong>: Pato Branco<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">3. <strong>RJ<\/strong>: Angra dos Reis, Itabora\u00ed<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">4. <strong>RO<\/strong>: Vilhena<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">5. <strong>SC<\/strong>: Jaragu\u00e1 do Sul<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">6. <strong>SP<\/strong>: Guarulhos<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Com isso a Grande SP poder\u00e1 receber mais uma escola m\u00e9dica, totalizando ent\u00e3o, numa \u00e1rea de aproximadamente 20 milh\u00f5es de habitantes, 14 faculdades de medicina, se n\u00e3o considerarmos Jundia\u00ed e Mogi das Cruzes como parte da conurba\u00e7\u00e3o paulistana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o anunciou nesta ter\u00e7a-feira (3\/12\/13) a rela\u00e7\u00e3o dos 42 munic\u00edpios pr\u00e9-selecionados para a implanta\u00e7\u00e3o de novos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em medicina por institui\u00e7\u00f5es particulares de ensino superior. 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