{"id":415,"date":"2009-08-24T23:20:00","date_gmt":"2009-08-25T02:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/08\/as_certezas_medicas\/"},"modified":"2009-08-24T23:20:00","modified_gmt":"2009-08-25T02:20:00","slug":"as_certezas_medicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/08\/24\/as_certezas_medicas\/","title":{"rendered":"As Certezas M\u00e9dicas"},"content":{"rendered":"<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/26202468@N02\/3843444158\/\" rel=\"noopener noreferrer\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: left;margin-top: 10px;margin-bottom: 10px;margin-right: 10px\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/moz-screenshot-42.jpg\" alt=\"\" height=\"313\" width=\"313\" \/><\/a>Outro dia, convers\u00e1vamos, eu e meu amigo <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/06\/certeza_e_sujetividade.php\" rel=\"noopener noreferrer\">Kretinas<\/a>, sobre os <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/06\/mecanismos_geradores_de_certez.php#comments\" rel=\"noopener noreferrer\">mecanismos geradores de certeza<\/a>. Recomendo a leitura dos dois posts e tamb\u00e9m dos coment\u00e1rios para que se acompanhe o racioc\u00ednio desenvolvido neste.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o principal mecanismo gerador de certeza de um m\u00e9dico? Melhor, o que faz um m\u00e9dico se convencer de que determinado procedimento deve ser realizado ou n\u00e3o? Dois elementos principais: o primeiro \u00e9 sua pr\u00f3pria experi\u00eancia; o segundo, a experi\u00eancia dos outros. O paradigma tradicional era baseado na experi\u00eancia do m\u00e9dico, no n\u00famero de casos acumulados durante a vida e na conduta do professor, que era quem trazia informa\u00e7\u00f5es novas de outros servi\u00e7os ou de congressos internacionais. O paradigma atual \u00e9 a literatura m\u00e9dica e a metodologia desenvolvida para avali\u00e1-la criticamente: a <b>medicina baseada em evid\u00eancias<\/b>. <b>Ensaios cl\u00ednicos randomizados<\/b> (ou aleatorizados) com grande n\u00famero de pacientes s\u00e3o o modelo para demonstra\u00e7\u00e3o do efeito de tratamentos experimentais. As <b>metan\u00e1lises<\/b> s\u00e3o, grosso modo, conjuntos de ensaios cl\u00ednicos com tratamento estat\u00edstico, de modo a multiplicar o poder para responder perguntas relevantes. Metan\u00e1lises e ensaios cl\u00ednicos embasam normas que ser\u00e3o reunidas em <b>diretrizes<\/b>. Uma diretriz pretende ser um conjunto de normas para tratar uma doen\u00e7a ou situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Nem todas as normas de uma diretriz t\u00eam embasamento suficiente de acordo com o modelo atual, baseado em metan\u00e1lises e ensaios cl\u00ednicos, por isso foram atribu\u00eddas <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0066-782X1998001100002&amp;script=sci_arttext\" rel=\"noopener noreferrer\">notas aos graus de &#8220;evid\u00eancia&#8221; que embasam determinada norma<\/a> e as maiores notas s\u00e3o para os dois tipos de estudos descritos acima. A experi\u00eancia individual dos m\u00e9dicos tem nivel bastante inferior de acordo com esse sistema de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 conversa do in\u00edcio. Um dos pontos defendidos no meu <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/06\/mecanismos_geradores_de_certez.php#comments\" rel=\"noopener noreferrer\">post<\/a> \u00e9 de que uma &#8220;certeza&#8221; \u00e9 um estado ps\u00edquico e, sendo assim, s\u00f3 pode ser avaliada criticamente por quem a possui. Dizia que esse talvez fosse o paradoxo do ceticismo: se os c\u00e9ticos n\u00e3o tem as certezas para que possam critic\u00e1-las, os cr\u00e9dulos que as possuem, n\u00e3o querem faz\u00ea-lo. Em seu <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cretinas\/2009\/06\/certeza_e_sujetividade.php\" rel=\"noopener noreferrer\">post<\/a>, Kretinas critica minha postura racionalista, mas rebato com o que os m\u00e9dicos t\u00eam de mais peculiar em rela\u00e7\u00e3o aos fil\u00f3sofos: a pr\u00e1tica. Um m\u00e9dico tem, deve, precisa tomar decis\u00f5es a todo momento. Mesmo que se tome decis\u00f5es sem a certeza absoluta de que \u00e9 isso o melhor a ser feito no momento &#8212; e essa situa\u00e7\u00e3o ocorre muito mais frequentemente do que seria desej\u00e1vel &#8211;, o mero fato de que a decis\u00e3o tenha sido tomada, indica um vi\u00e9s de certeza sobre determinado assunto ou situa\u00e7\u00e3o, vi\u00e9s que deve, no m\u00e9dico honesto, estar amalgamado com intui\u00e7\u00e3o e com grandes doses de literatura m\u00e9dica, sob a pena de virar um exerc\u00edcio de palpites, no caso inverso.<\/p>\n<p>Cr\u00edticas h\u00e1, sobre esse tipo de metodologia. Um exemplo j\u00e1 foi sugerido. O de que algumas decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o tomadas &#8220;com certeza&#8221;, mas muito mais pela necessidade de agir. Outra cr\u00edtica seria a de que nem toda certeza se manifestaria diretamente na forma de uma decis\u00e3o ou ato externos. De qualquer forma, convenhamos que para um m\u00e9dico &#8220;abrir a barriga&#8221; de algu\u00e9m ou prescrever uma medica\u00e7\u00e3o que tem efeitos colaterais, algum grau de certeza ele deve ter ou ent\u00e3o, seria um irrespons\u00e1vel. Isto \u00e9 suficiente para essa an\u00e1lise. Se a medicina \u00e9 uma profiss\u00e3o fortemente baseada na ci\u00eancia m\u00e9dica &#8211; mas n\u00e3o reduzida \u00e0 ela, como canso de repetir &#8211; uma abordagem como a &#8220;medicina baseada em evid\u00eancias&#8221; deveria ser suficiente para, se n\u00e3o &#8220;convencer&#8221;, pelo menos deixar bastante propenso qualquer m\u00e9dico a adotar (ou abandonar) determinada conduta.<\/p>\n<p>Preciso ent\u00e3o, de ao menos um exemplo no qual uma conduta m\u00e9dica v\u00e1 contra as evid\u00eancias cient\u00edficas para mostrar que uma certeza &#8212; pelo menos as certezas m\u00e9dicas &#8212; n\u00e3o dependem de uma racionalidade imediata que liga diretamente o racioc\u00ednio l\u00f3gico ao ato. Um exemplo para mostrar que entre a conclus\u00e3o l\u00f3gica e a &#8220;certeza&#8221; h\u00e1 um universo &#8211; provavelmente afetivo, na falta de um termo mais adequado &#8211; que adiciona um fator de imprevisibilidade \u00e0 certeza e que, sendo esta necess\u00e1ria \u00e0 decis\u00e3o, gera, digamos, um &#8220;frio na barriga&#8221;. S\u00f3 um exemplo para mostrar que a &#8220;certeza&#8221; talvez seja simplesmente um sentimento demasiado humano.<\/p>\n<p>Foto by <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/26202468@N02\/\" title=\"Link to *c h r i s*'s photostream\"><b>*c h r i s*<\/b><\/a> at <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/26202468@N02\/3843444158\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Flickr<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outro dia, convers\u00e1vamos, eu e meu amigo Kretinas, sobre os mecanismos geradores de certeza. 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