{"id":422,"date":"2009-09-04T20:30:45","date_gmt":"2009-09-04T23:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/09\/a_velha_medicina\/"},"modified":"2009-09-04T20:30:45","modified_gmt":"2009-09-04T23:30:45","slug":"a_velha_medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/09\/04\/a_velha_medicina\/","title":{"rendered":"A Velha Medicina"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"sans-serif\">Costumo dizer aos meus alunos para nunca se esquecerem que a medicina \u00e9 mais velha que a ci\u00eancia. Ali\u00e1s, bem mais velha. Assim como os barbeiros, alfaiates, cozinheiros e a\u00e7ougueiros exercem profiss\u00f5es bem mais antigas que a ci\u00eancia p\u00f3s-iluminista que conhecemos hoje, o m\u00e9dico tamb\u00e9m tem uma profiss\u00e3o que por muitos anos prescindiu da ci\u00eancia para existir. E nem por isso os m\u00e9dicos eram menos respeitados. A bem da verdade, a m\u00e1xima de um velho professor de Radiologia e Cl\u00ednica M\u00e9dica aposentado era: &#8220;Sou do tempo em que a Medicina era p\u00e9ssima e os m\u00e9dicos, \u00f3timos. Hoje, a Medicina \u00e9 \u00f3tima, j\u00e1 os m\u00e9dicos&#8230;&#8221; Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es e respeitada a ranzinzice pr\u00f3pria da idade, a m\u00e1xima tem um certo fundo de verdade: a associa\u00e7\u00e3o com a ci\u00eancia trouxe melhores resultados aos pacientes, mas n\u00e3o garantiu maior prest\u00edgio aos m\u00e9dicos. Diriam alguns que o que importa \u00e9 o resultado com os pacientes. Eu diria que sim. Mas por que tanta infelicidade e doen\u00e7as? Tanta insatisfa\u00e7\u00e3o com a medicina, com os m\u00e9dicos, consigo mesmo! Esse &#8220;prest\u00edgio&#8221; que reclamo n\u00e3o \u00e9 para minha vaidade. Esse &#8220;prest\u00edgio&#8221; \u00e9 fruto de um reconhecimento que por sua vez, \u00e9 fruto de um bem-estar, despertado ou provocado por um agente curador (<i>healer<\/i>), que n\u00e3o existe mais.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante procurarmos ent\u00e3o, o momento em que, pela primeira vez, o m\u00e9dico despiu suas vestes obscurantistas, preconceituosas e, porque n\u00e3o dizer, m\u00edstico-religiosas, e vestiu um avental branco, com intuito de entender o que ocorria com um semelhante que insistia em sofrer. Detalhe, ainda n\u00e3o nos despimos <i><b>totalmente<\/b><\/i> de tais vestes: o avental n\u00e3o \u00e9 nossa \u00fanica fantasia. Nem sei se os pacientes querem isso &#8211; acho que n\u00e3o. Mas, quando foi esse momento inicial precursor da virada que transformou a medicina numa profiss\u00e3o diferente do a\u00e7ougue, da barbearia, da alfaiataria e da cozinha profissional? <\/p>\n<p>Foi ao cuidar de seus mortos. Ironia da hist\u00f3ria. Somente quando o homem prop\u00f4s-se a tratar seus mortos de modo a conserv\u00e1-los &#8211; por motivos m\u00edstico-religiosos, \u00e9 verdade &#8211; pelo maior tempo poss\u00edvel \u00e9 que surgiram teorias que permitiram propostas de tratamento para algumas doen\u00e7as. Isso ocorreu h\u00e1 mais de 4000 anos atr\u00e1s, no Egito.<\/p>\n<p>Pensando na origem das certezas m\u00e9dicas para o post que completar\u00e1 a s\u00e9rie, cheguei ao Egito e digo que, <i><b>certamente<\/b><\/i>, muitas de nossas atuais <b><i>certezas<\/i><\/b>, v\u00eam de l\u00e1.<\/font><\/p>\n<p><font>Desenho do Jok do <a href=\"http:\/\/jokbox.wordpress.com\/\">Jokbox<\/a>.<\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costumo dizer aos meus alunos para nunca se esquecerem que a medicina \u00e9 mais velha que a ci\u00eancia. Ali\u00e1s, bem mais velha. 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