{"id":436,"date":"2009-10-21T19:35:40","date_gmt":"2009-10-21T22:35:40","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/10\/nhem-nhem-nhem_filosofico_1\/"},"modified":"2009-10-21T19:35:40","modified_gmt":"2009-10-21T22:35:40","slug":"nhem-nhem-nhem_filosofico_1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/10\/21\/nhem-nhem-nhem_filosofico_1\/","title":{"rendered":"Nh\u00e9m-Nh\u00e9m-Nh\u00e9m Filos\u00f3fico"},"content":{"rendered":"<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/fejapimenta.blogspot.com\/2008_09_01_archive.html\" rel=\"noopener noreferrer\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: left;margin-top: 10px;margin-bottom: 10px;margin-right: 10px\" alt=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_SQ-DgopV-qo\/SM64DjVPbBI\/AAAAAAAAANQ\/kn7HK0fuPUo\/s400\/PL004~Musician-in-the-Rain-Posters.jpg\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_SQ-DgopV-qo\/SM64DjVPbBI\/AAAAAAAAANQ\/kn7HK0fuPUo\/s400\/PL004%7EMusician-in-the-Rain-Posters.jpg\" height=\"453\" width=\"361\" \/><\/a>Tendo em vista o \u00faltimo post e a discuss\u00e3o por ele gerada, vou retomar um ponto que tem ganho um certo volume nos bastidores do SBB. Trata-se do papel da filosofia na ci\u00eancia moderna ou, mais especificamente, da resposta \u00e0 pergunta: por que \u00e9 que algu\u00e9m que se proponha a &lt;divulgar&gt; ci\u00eancia precisa de algum tipo de filosofia? N\u00e3o. De forma nenhuma pretendo esbo\u00e7ar algo como uma &#8220;Filosofia da Ci\u00eancia&#8221; num post ou, muito menos, ensinar alguma coisa a ningu\u00e9m. Apenas julgo necess\u00e1rio esclarecer minha posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a alguns pontos e, principalmente, justificar de onde os pontos de vista, aqui defendidos v\u00eam. Como um bom cientista faz. <\/p>\n<p>A atividade filos\u00f3fica poderia ser dividida em 3 n\u00edveis de profundidade: a) n\u00edvel da vida cotidiana; b) n\u00edvel da vida cient\u00edfica e c) n\u00edvel reflexivo propriamente dito. Se pensarmos bem, veremos que ela est\u00e1 sempre envolvida, nos tr\u00eas n\u00edveis, com os problemas de <i>fundamento<\/i> e de <i>origem<\/i>, como diz Hilton Japiass\u00fa. &#8220;Filosofar&#8221; \u00e9, no fundo, voltar \u00e0 velha quest\u00e3o aristot\u00e9lica do &#8220;que \u00e9 o ser?&#8221;.&nbsp; Seguindo ainda, Japiass\u00fa: &#8220;Ap\u00f3s o <i>cogito<\/i> cartesiano, esse tipo de atividade se dividiu em duas: de um lado, a quest\u00e3o do ser, da natureza e de Deus; do outro, a quest\u00e3o do homem. Da\u00ed o duplo sentido da filosofia posterior, sempre oscilando entre esses dois p\u00f3los. Essa tens\u00e3o constitui o car\u00e1ter dram\u00e1tico (eu diria tr\u00e1gico) da filosofia. <i><b>H\u00e1 duas possibilidades de existir, de viver, de o homem compreender a si mesmo e de explicar as coisas: reagrupar tudo em torno do \u00fanico centro que \u00e9 o homem, ou fazer com que tudo convirja para um p\u00f3lo mais forte e que seria o fundamento de sua vida.<\/b><\/i> (grifos meus)&#8221;<\/p>\n<p>Esse bifurca\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica do campo ontol\u00f3gico do homem, ou seja, do princip\u00edo do princ\u00edpio de toda a fundamenta\u00e7\u00e3o de sua no\u00e7\u00e3o de mundo, \u00e9 o ponto de partida para o conhecimento que ele vai produzir e do qual se utilizar\u00e1 para viver. Esse &#8220;viver&#8221; \u00e9 &lt;dominar&gt;, &lt;conquistar&gt;, &lt;melhorar a sobrevida&gt;, &lt;aumentar a popula\u00e7\u00e3o&gt;, mas tamb\u00e9m \u00e9 &lt;n\u00e3o ter medo de raio&gt;, &lt;suplantar a finitude&gt;(se \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel!), &lt;criar filhos&gt;, &lt;ser av\u00f4&gt;. E aqui voltamos aos 3 n\u00edveis de profundidade. O papel da filosofia seria basicamente esclarecer as implica\u00e7\u00f5es de cada escolha, n\u00e3o s\u00f3 para a vida pessoal, mas tamb\u00e9m para que se dialogue com as ci\u00eancias e elas entre si.<\/p>\n<p>Conclui Hilton Japiass\u00fa, que a filosofia &#8220;precisa cavar as funda\u00e7\u00f5es do conhecimento cient\u00edfico para descobrir sobre que solo ele se constr\u00f3i. E a presen\u00e7a do homem ao mundo \u00e9 este solo primitivo sobre o qual se edificam as ci\u00eancias. Assim, encontramo-nos diante de uma volta ao <b><i>fundamento<\/i><\/b>, de um retorno \u00e0s funda\u00e7\u00f5es. E \u00e9 somente <b><i>depois<\/i><\/b> das ci\u00eancias que o fil\u00f3sofo tem o direito de voltar (para) <b><i>antes<\/i><\/b> delas. Em outras palavras, \u00e9 no ponto mais avan\u00e7ado de uma ci\u00eancia que ele pode e deve colocar o problema de suas ra\u00edzes, de seus fundamentos e, por conseguinte, de seu <b><i>sentido<\/i><\/b>.&#8221;<\/p>\n<p>Penso com isso, que divulgadores de ci\u00eancia &#8211; assim como os cr\u00edticos de arte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria arte &#8211; t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o bastante privilegiada, j\u00e1 que <i><b>cr\u00edtica<\/b><\/i>, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. Ao exercitarmos nosso senso cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, j\u00e1 estamos &#8220;filosofando&#8221; sobre ci\u00eancia (o Ignobel que o diga). Quem sabe se com um pouquinho de filosofia n\u00e3o percebamos o quanto a ci\u00eancia tem sido eficaz em disfar\u00e7ar-se de &#8220;quest\u00e3o do homem&#8221; quando na realidade, est\u00e1 se tornando uma grande &#8220;quest\u00e3o do ser&#8221; para quem trabalha com ela, aumentando ainda mais, a j\u00e1 enorme tragicomicidade da aventura humana nesse planeta.<\/p>\n<p>Foto do bonito <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/fejapimenta.blogspot.com\/2008_09_01_archive.html\" rel=\"noopener noreferrer\">blog de Fernando Pimenta<\/a>.<\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=989d9e3a-a528-8939-8ee6-7c63bf7667ea\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tendo em vista o \u00faltimo post e a discuss\u00e3o por ele gerada, vou retomar um ponto que tem ganho um certo volume nos bastidores do SBB. 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