{"id":446,"date":"2009-12-01T00:36:26","date_gmt":"2009-12-01T03:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/12\/caos_e_ruina\/"},"modified":"2009-12-01T00:36:26","modified_gmt":"2009-12-01T03:36:26","slug":"caos_e_ruina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/12\/01\/caos_e_ruina\/","title":{"rendered":"Caos e Ru\u00edna"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/static3.wikia.nocookie.net\/__cb20130816200115\/warhammerfb\/images\/thumb\/b\/b4\/ChaosW_web00.jpg\/640px-ChaosW_web00.jpg\" width=\"384\" height=\"204\" \/>Num m\u00eas em que comemorou-se 150 anos do lan\u00e7amento da primeira edi\u00e7\u00e3o d&#8217; &#8220;A Origem das Esp\u00e9cies&#8221; (o leitor(a) pode ver excelentes revis\u00f5es no SBB como pex, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/discutindoecologia\/2009\/11\/150_anos_de_origem_das_especie.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">DE<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/bessa\/2009\/11\/o_que_pensam_os_leitores_sobre.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CB<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/psicologico\/2009\/11\/a_selecao_natural_do_comportam.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Psicol\u00f3gico<\/a>, <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/marcoevolutivo\/2009\/11\/origem_das_especies_faz_150_an.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marco Evolutivo<\/a> e <a href=\"http:\/\/genereporter.blogspot.com\/2009\/11\/origem-150-parte-1-de-7.html\">Gene Reporter<\/a>, supercompletas), resolvi falar da raz\u00e3o (uma das!) da minha admira\u00e7\u00e3o pelo pensamento darwiniano.<\/p>\n<p>Darwin \u00e9 um poeta do acaso. Ele produziu a maior e mais demolidora ideia contra o conceito cl\u00e1ssico de Natureza, que pode ser entendido como uma inst\u00e2ncia primitiva de intera\u00e7\u00f5es entre os seres. Darwin criou uma hist\u00f3ria que, se contada da forma correta, d\u00e1 conta de toda a brutal variedade biol\u00f3gica do planeta. Mas isso n\u00e3o \u00e9 o que mais impressiona, nem o que incomodou o pensamento tradicionalista. O desconforto causado pela teoria da evolu\u00e7\u00e3o vem do fato, no meu modo de ver, de ela ser uma apologia do <i><b>acaso<\/b><\/i>. Esse mesmo acaso que \u00e9 a mais humilhante e inc\u00f4moda ideia imposta ao homem desde o aparecimento de sua consci\u00eancia e que tem na teoria da evolu\u00e7\u00e3o, sua mais bem acabada e venal sinfonia. A hist\u00f3ria da filosofia poderia ent\u00e3o, ser dividida entre fil\u00f3sofos naturalistas e anti-naturalistas, que podem ser chamados tamb\u00e9m de artificialistas ou partid\u00e1rios do artif\u00edcio. Segundo Clement Rosset [1], fazem parte deste \u00faltimo grupo, nomes como os sofistas, Emp\u00e9docles, os atomistas, Lucr\u00e9cio, Maquiavel, Montaigne, Hume, Hobbes, Nietzsche e eu incluiria, Richard Rorty. &#8220;Somente a ideia de acaso permite a passagem do inerte ao vivo, sem que se recorra a um referencial metaf\u00edsico&#8221;.<\/p>\n<p>O mundo de Darwin se op\u00f5e ao de Plat\u00e3o. Plat\u00e3o desvaloriza o mundo sens\u00edvel em detrimento a um onde moram as ideias primordiais e perfeitas. Ora, se somos criados no esplendor da perfei\u00e7\u00e3o, esse excesso de \u00eaxito s\u00f3 nos trar\u00e1 a possibilidade de degrada\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel melhorar o que \u00e9 perfeito. \u00c9 preciso cuidar <i><b>apenas<\/b><\/i>, para que n\u00e3o se degrade. Segundo Rosset, toda a filosofia de Plat\u00e3o gira em torno desse esfor\u00e7o para evitar a corrup\u00e7\u00e3o de algo que era resplandescentemente perfeito. Por aqui, ainda vemos vest\u00edgios da perfei\u00e7\u00e3o por exemplo, nos corpos dotados de beleza, nos racioc\u00ednios claros e nas virtudes. Ent\u00e3o, o mundo sens\u00edvel de Plat\u00e3o, esse mundo que vemos, vivemos e interagimos, \u00e9 um mundo em <i><b>ru\u00ednas<\/b><\/i>. Um mundo que olha o passado, lamenta o presente e aspira a outro mundo futuro.<\/p>\n<p>O mundo de Darwin n\u00e3o \u00e9 assim. \u00c9 um s\u00f3. N\u00e3o h\u00e1 outro mundo. Apenas esse, e ele \u00e9 <i><b>ca\u00f3tico<\/b><\/i>. Caos que n\u00e3o pressup\u00f5e uma ordem pr\u00e9via que se corrompeu. N\u00e3o v\u00ea uma ordem oculta ou provid\u00eancia. A total falta de prop\u00f3sito desse racioc\u00ednio \u00e9 uma vertigem. N\u00e3o h\u00e1 ordem, nem necessidade. N\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica. E pulsa, arrastando-nos para o presente, juntamente com tudo que realmente \u00e9. <i>De rerum Natura.<br \/>\n<\/i><br \/>\n[1] <b>C. Rosset<\/b>. <i>A Anti-Natureza &#8211; Elementos para uma Filosofia Tr\u00e1gica<\/i>. Rio de Janeiro. Espa\u00e7o e Tempo. 1989.<\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=07856de3-70c6-8a2d-9868-c2f28016d73e\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num m\u00eas em que comemorou-se 150 anos do lan\u00e7amento da primeira edi\u00e7\u00e3o d&#8217; &#8220;A Origem das Esp\u00e9cies&#8221; (o leitor(a) pode ver excelentes revis\u00f5es no SBB como pex, DE, CB, Psicol\u00f3gico, Marco Evolutivo e Gene Reporter, supercompletas), resolvi falar da raz\u00e3o (uma das!) da minha admira\u00e7\u00e3o pelo pensamento darwiniano. Darwin \u00e9 um poeta do acaso. 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