{"id":449,"date":"2009-12-16T18:02:00","date_gmt":"2009-12-16T21:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2009\/12\/sobre_fatos\/"},"modified":"2009-12-16T18:02:00","modified_gmt":"2009-12-16T21:02:00","slug":"sobre_fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2009\/12\/16\/sobre_fatos\/","title":{"rendered":"Sobre Fatos"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/8216432@N05\/2049446691\/\" rel=\"noopener noreferrer\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: left;margin-top: 10px;margin-bottom: 10px;margin-right: 10px\" src=\"http:\/\/farm3.static.flickr.com\/2093\/2049446691_2b307796a3.jpg\" alt=\"Joker shadow by ita145117.\" class=\"reflect\" height=\"195\" width=\"306\" \/><\/a><i>&#8220;Me ensinaram que eu tenho um destino. N\u00e3o sabiam que eu era uma fatalidade.&#8221;<\/i> <\/p>\n<p>@millorfernandes [no <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/twitter.com\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a>]<\/p>\n<div align=\"left\">\n<p>Achei esse texto apropriado \u00e0s discuss\u00f5es recentes, a saber, o de entender algumas diferen\u00e7as entre a <i><b>interpreta\u00e7\u00e3o<\/b><\/i> dos fatos quando dentro de um contexto que tem o <i><b>homem<\/b><\/i> como objeto. \u00c9 um pequeno excerto de um livro bastante interessante chamado &#8220;Trem Noturno para Lisboa&#8221; de Pascal Mercier [Record, 2009. Tradu\u00e7\u00e3o de Kristina Michahelles]. Ainda comentarei mais sobre esse livro.<br \/><b><br \/><i>As Sombras da Alma<\/i><\/b><\/p>\n<blockquote><p><i>As hist\u00f3rias que os outros contam sobre n\u00f3s e as hist\u00f3rias que n\u00f3s mesmos contamos &#8211; quais delas se aproximam mais da verdade? \u00c9 t\u00e3o certo que sejam as pr\u00f3prias hist\u00f3rias? Somos autoridades para n\u00f3s mesmos? Mas n\u00e3o \u00e9 essa a quest\u00e3o que me preocupa. A verdadeira quest\u00e3o \u00e9: existe, nessas hist\u00f3rias, alguma diferen\u00e7a entre certo e errado? Nas hist\u00f3rias sobre coisas exteriores, sim. Mas quando tentamos compreender algu\u00e9m em seu interior? Esta viagem algum dia chega a um fim? Ser\u00e1 a alma um lugar de fatos? Ou seriam os supostos fatos apenas uma sombra fict\u00edcia das nossas hist\u00f3rias? <\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Ou seriam os supostos fatos apenas uma sombra fict\u00edcia das nossas hist\u00f3rias?&#8221; \u00e9 de uma crueza nietzscheana. O pequeno par\u00e1grafo junta teorias psicanal\u00edticas, a forma\u00e7\u00e3o do &#8220;eu&#8221; e a fundamenta\u00e7\u00e3o da moral no sujeito. Qualquer consulta m\u00e9dica que se preze come\u00e7a com o que se convencionou chamar <i><b>anamnese<\/b><\/i> (literalmente, n\u00e3o n\u00e3o-lembrar). Um paciente produz uma hist\u00f3ria sobre seu sofrimento, mas o m\u00e9dico deve estimul\u00e1-lo a produzir uma narrativa sobre si. Seu sofrimento n\u00e3o faz sentido se n\u00e3o for assim. Mas, seres humanos s\u00e3o bons para falar de coisas, n\u00e3o deles mesmos. A descri\u00e7\u00e3o formal das &#8220;coisas&#8221; permitiu o aparecimento da ci\u00eancia. As descri\u00e7\u00f5es de si, s\u00e3o &#8220;loucuras&#8221; psicanal\u00edticas, metade pseudoci\u00eancia, metade religi\u00e3o, com linguagem rebuscada e imprecisa, que frequentemente n\u00e3o chegam a lugar algum. \u00c9 mais f\u00e1cil falar dos outros.<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo da vida \u00e9 um fato. O aparecimento da consci\u00eancia, uma fatalidade. <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www2.uol.com.br\/millor\/\" rel=\"noopener noreferrer\">Mill\u00f4r<\/a> sabe das coisas.<\/p>\n<p>Foto: L&#8217;ombra burlona de <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/8216432@N05\/\" rel=\"noopener noreferrer\">ita145117<\/a><\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=e2f70bde-ffa9-86aa-89a6-a5bd50fec859\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Me ensinaram que eu tenho um destino. 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