{"id":478,"date":"2010-05-08T22:12:44","date_gmt":"2010-05-09T01:12:44","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/05\/sobre_eponimos\/"},"modified":"2010-05-08T22:12:44","modified_gmt":"2010-05-09T01:12:44","slug":"sobre_eponimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2010\/05\/08\/sobre_eponimos\/","title":{"rendered":"Sobre Ep\u00f4nimos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" alt=\"ResearchBlogging.org\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" style=\"border: 0pt none\" \/><\/a><\/span>Os ep\u00f4nimos s\u00e3o muito utilizados em medicina. Todo mundo conhece ep\u00f4nimos e eles parecem inevit\u00e1veis. Aqui v\u00e3o algumas reflex\u00f5es que tive com um colega de plant\u00e3o, madrugada adentro.<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 um Ep\u00f4nimo?<\/b><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alois_Alzheimer\" rel=\"noopener noreferrer\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: right;margin-top: 10px;margin-bottom: 10px;margin-left: 10px\" alt=\"File:Alzheimer-tablica.JPG\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/thumb\/f\/fe\/Alzheimer-tablica.JPG\/795px-Alzheimer-tablica.JPG\" height=\"231\" width=\"308\" \/><\/a>A palavra, pra variar, vem do grego <i>ep\u00f3nymos<\/i> e quer dizer, literalmente, &#8220;sobre o nome&#8221;. Tem o mesmo radical <i>epi<\/i> de epit\u00e9lio, epic\u00e1rdio, epifen\u00f4meno. Segundo consta, a palavra era utilizada para descrever um <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.jurisway.org.br\/v2\/pergunta.asp?idmodelo=7958\" rel=\"noopener noreferrer\">personagem<\/a>, real ou fict\u00edcio, que emprestava o nome a um lugar, constru\u00e7\u00e3o, dinastia ou at\u00e9 mesmo o ano corrente. Obviamente, a medicina se apropriou do artif\u00edcio para nomear &#8220;lugares&#8221; no organismo humano e, com o tempo, doen\u00e7as, s\u00edndromes ou sinais cl\u00ednicos caracter\u00edsticos, homenageando quem os descreveu primeiro (ver <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.whonamedit.com\/\" rel=\"noopener noreferrer\">esse site<\/a> sobre quem deu nome a o qu\u00ea na medicina. Em portugu\u00eas tem <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/airtongalarza.com\/Eponimos.html\" rel=\"noopener noreferrer\">esse<\/a>. H\u00e1 tamb\u00e9m uma lei interessante chamada <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stigler%27s_law_of_eponymy\" rel=\"noopener noreferrer\">lei de Stigler<\/a> que diz que &#8220;nenhuma descoberta cient\u00edfica leva o nome de quem a descobriu&#8221; ou que &#8220;uma descoberta sempre leva o nome do \u00faltimo que a descreveu&#8221;, o que \u00e9 um exagero \u00e9 claro, mas tem exemplos aos montes, inclusive uma cita\u00e7\u00e3o na <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.sciencemag.org\/cgi\/content\/citation\/258\/5084\/876\" rel=\"noopener noreferrer\">Science<\/a> [para assinantes] e que tamb\u00e9m vale para a medicina).<\/p>\n<p>Exemplos de ep\u00f4nimos s\u00e3o &#8220;doen\u00e7a de Parkinson&#8221;, &#8220;Doen\u00e7a de Alzheimer&#8221; (a imagem ao lado \u00e9 de uma homenagem a <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alois_Alzheimer\" rel=\"noopener noreferrer\">Alois Alzheimer<\/a>), &#8220;Tumor de Krukenberg&#8221;, todos nomes de m\u00e9dicos que, ou descreveram a doen\u00e7a, ou deram enorme contribui\u00e7\u00e3o para sua compreens\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Ca\u00e7a aos Ep\u00f4nimos<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 um movimento, principalmente na anatomia, que visa eliminar (ou pelo menos diminuir) os ep\u00f4nimos da nomenclatura cient\u00edfica. De fato, a confus\u00e3o era grande. Tanto pelo fato de que muitos autores descreveram v\u00e1rias estruturas e &#8220;emprestaram&#8221; seus nomes, como tamb\u00e9m pelo de que algumas estruturas de nomes semelhantes tinham ep\u00f4nimos que se confundiam. O exemplo mais pitoresco \u00e9 o das trompas de Fallopio e Eust\u00e1quio. Uma (Fallopio) \u00e9 a trompa uterina. A outra (Eust\u00e1quio) liga o ouvido  m\u00e9dio \u00e0 faringe e \u00e9 por isso, conhecida como tuba faringotimp\u00e2nica. Apesar de n\u00e3o serem nomes parecidos, as trompas eram frequentemente confundidas o que gerava uma fonte inesgot\u00e1vel de piadas: &#8220;Cuidado para n\u00e3o engravidar seu ouvido!&#8221; entre outras.<\/p>\n<p>Esse movimento resultou em uma grande substitui\u00e7\u00e3o da nomenclatura, a meu ver, para melhor. Entretanto, na medicina cl\u00ednica, os ep\u00f4nimos teimam em resistir. E eu acho que isso se deve a uma caracter\u00edstica dos ep\u00f4nimos que meu colega de plant\u00e3o me fez enxergar.<\/p>\n<p><b>A Diferen\u00e7a entre Conhecimento e Cultura<\/b><\/p>\n<p>Quando digo<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.portalsaofrancisco.com.br\/alfa\/cultura-e-conhecimento\/index.php\" rel=\"noopener noreferrer\"> pan-hipopituitarismo p\u00f3s-parto<\/a> me refiro especificamente a uma condi\u00e7\u00e3o endocrinol\u00f3gica caracter\u00edstica de insufici\u00eancia hipofis\u00e1ria. Quando digo S\u00edndrome de Sheehan [1] &#8211; que \u00e9 exatamente a mesma coisa -, me vem um nome e uma pergunta &#8220;quem foi esse tal de Sheehan? Teria a ver com o He-man (t\u00f4 zuando!). A S\u00edndrome de Sheehan \u00e9 uma doen\u00e7a que era confundida com um tipo de caquexia (emagrecimento extremo) p\u00f3s-parto. Glinski a descreveu primeiro, Simmonds depois. Sheehan a sistematizou. Ser\u00e1 mais um caso da lei de Stigler (acima)? Todas essas quest\u00f5es envolvem um tipo de conhecimento digamos, in\u00fatil para se tratar e diagnosticar a doen\u00e7a. Mas seria in\u00fatil totalmente? <\/p>\n<p>Seria o conhecimento desses pormenores que envolvem a hist\u00f3ria de uma doen\u00e7a, desprez\u00edveis? Eu acho que n\u00e3o. O ep\u00f4nimo reveste o conhecimento da doen\u00e7a com uma certa cultura m\u00e9dica que a meu ver \u00e9 muito salutar. Prov\u00e9m de um tipo de contato com a mat\u00e9ria que \u00e9 algo mais que um conhecimento utilitarista. Um m\u00e9dico culto, sob esse aspecto, \u00e9 um m\u00e9dico que se &#8220;diverte&#8221; com a medicina. E isso \u00e9 muito bom, principalmente para seus pacientes.<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=The+Lancet&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS0140-6736%2803%2912490-7&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Sheehan+syndrome&amp;rft.issn=01406736&amp;rft.date=2003&amp;rft.volume=361&amp;rft.issue=9356&amp;rft.spage=520&amp;rft.epage=522&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0140673603124907&amp;rft.au=KOVACS%2C+K.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Health%2CMedicine%2C+Medical+Ethics\">[1] KOVACS, K. (2003). Sheehan syndrome <span style=\"font-style: italic\">The Lancet, 361<\/span> (9356), 520-522 DOI: <a rev=\"review\" href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/S0140-6736%2803%2912490-7\">10.1016\/S0140-6736(03)12490-7<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=cf257f74-da32-89e5-b82f-6a05fb58cd20\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ep\u00f4nimos s\u00e3o muito utilizados em medicina. Todo mundo conhece ep\u00f4nimos e eles parecem inevit\u00e1veis. Aqui v\u00e3o algumas reflex\u00f5es que tive com um colega de plant\u00e3o, madrugada adentro. O que \u00e9 um Ep\u00f4nimo? A palavra, pra variar, vem do grego ep\u00f3nymos e quer dizer, literalmente, &#8220;sobre o nome&#8221;. 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