{"id":513,"date":"2010-10-13T01:54:42","date_gmt":"2010-10-13T04:54:42","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2010\/10\/abortamento_e_o_debate_politic\/"},"modified":"2010-10-13T01:54:42","modified_gmt":"2010-10-13T04:54:42","slug":"abortamento_e_o_debate_politic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2010\/10\/13\/abortamento_e_o_debate_politic\/","title":{"rendered":"Abortamento e o Debate Pol\u00edtico no Brasil"},"content":{"rendered":"<div align=\"right\"><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.jsp?id=W2083131\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>A Jorge Andalaft Neto<\/i><\/a><\/div>\n<p>O Brontossauros publicou um <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/brontossauros\/2010\/10\/sobre_o_aborto.php\" rel=\"noopener noreferrer\">post com a maioria das ideias que compartilho<\/a> e recomendo fortemente sua leitura antes de prosseguir aqui.<\/p>\n<p>Aprendi na faculdade que &#8220;aborto&#8221; \u00e9 o produto de um &#8220;abortamento&#8221;, que  consiste no ato de abortar. O Conselho Regional de Medicina escreve:<\/p>\n<p><i><span class=\"fonte11\">&#8220;Artigo 42 &#8211; \u00c9 vedado ao m\u00e9dico: &#8220;Praticar ou indicar atos m\u00e9dicos desnecess\u00e1rios ou proibidos pela legisla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds&#8221;.<br \/>Artigo 43 &#8211; \u00c9 vedado ao m\u00e9dico: &#8220;Descumprir legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica nos casos de transplantes de \u00f3rg\u00e3os ou tecidos, esteriliza\u00e7\u00e3o, fecunda\u00e7\u00e3o artificial e abortamento&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, fica evidente que o m\u00e9dico deve respeitar a legisla\u00e7\u00e3o em vigor. Para isso \u00e9 preciso conhec\u00ea-la, at\u00e9 porque &#8220;a  ningu\u00e9m \u00e9 dado o direito de descumprir a lei sob o argumento de  desconhec\u00ea-la&#8221;. E o artigo 128 do C\u00f3digo Penal, que trata de crimes  contra pessoas, diz que &#8220;n\u00e3o se pune o aborto praticado por m\u00e9dico se: <\/p>\n<p>I &#8211; n\u00e3o h\u00e1 outro meio de salvar a vida da gestante (Aborto necess\u00e1rio); <br \/>II &#8211; se a gravidez resulta de estupro e o aborto \u00e9 precedido de  consentimento da gestante ou, quando menor ou incapaz, de seu  representante legal. (Aborto no caso de gravidez resultante de  estupro)&#8221;.<\/span><\/i><\/p>\n<p>Entretanto, conhe\u00e7o alguns colegas que praticam curetagens &#8212; procedimento cir\u00fargico, relativamente simples, mas que requer certa habilidade e experi\u00eancia, que consiste, grosso modo, na raspagem do interior do \u00fatero &#8212; com fins abortivos, seja para retirada de fragmentos fetais e\/ou placent\u00e1rios do \u00fatero de mulheres que fizeram uso do misoprostol (Cytotec\u24c7), seja como procedimento prim\u00e1rio, em geral, antes do primeiro trimestre de gravidez. Mesmo com toda essa legisla\u00e7\u00e3o \u00e9tica e penal! A discuss\u00e3o entre os ginecologistas \u00e9 simples: a enorme maioria n\u00e3o faz, mas acha <b>extremamente necess\u00e1rio<\/b> que algu\u00e9m o fa\u00e7a e indicam tais m\u00e9dicos, sem critic\u00e1-los ou julg\u00e1-los moralmente. A necessidade de algu\u00e9m que fa\u00e7a o procedimento \u00e9 gigantesca. De prefer\u00eancia com seguran\u00e7a, boa t\u00e9cnica e discri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estou falando, entretanto, de pessoas que pertencem a classes sociais mais favorecidas e podem pagar por isso. Mesmo nessa faixa da popula\u00e7\u00e3o a incid\u00eancia \u00e9 maior do que deveria e os n\u00fameros s\u00e3o bastante camuflados por raz\u00f5es \u00f3bvias. A coisa complica muito nas classes mais pobres da popula\u00e7\u00e3o porque alternativa n\u00e3o h\u00e1. \u00c9 aqui que o problema toma propor\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica. A hipocrisia de nossa sociedade se faz sentir em outras inst\u00e2ncias. No Brasil, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-72032007000400005\" rel=\"noopener noreferrer\">mesmo o abortamento legal \u00e9 bastante dif\u00edcil de ser conseguido o que, em geral, provoca traumas dif\u00edceis de serem superados.<\/a> <\/p>\n<p>N\u00e3o acredito no abortamento como m\u00e9todo contraceptivo. Ele deve, como foi comentado, ser &#8220;seguro, acess\u00edvel e extremamente raro&#8221;. Deve haver uma sa\u00edda para mulheres que n\u00e3o se julgam capazes de manter uma crian\u00e7a, o que, convenhamos, \u00e9 comum no Brasil. A sa\u00edda passa, necessariamente, por educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia m\u00e9dica e psicol\u00f3gica, programas de ado\u00e7\u00e3o e, sim, a possibilidade do abortamento, at\u00e9 para que ele n\u00e3o se repita! Fechar os olhos para esse&nbsp; problema \u00e9 jogar uma grande parte de nossa mis\u00e9ria social para debaixo do tapete.<\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" alt=\"\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=268b7a0f-19b9-8398-b3d4-4b771196f1b9\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Jorge Andalaft Neto O Brontossauros publicou um post com a maioria das ideias que compartilho e recomendo fortemente sua leitura antes de prosseguir aqui. Aprendi na faculdade que &#8220;aborto&#8221; \u00e9 o produto de um &#8220;abortamento&#8221;, que consiste no ato de abortar. 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