{"id":540,"date":"2011-02-05T13:55:43","date_gmt":"2011-02-05T16:55:43","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2011\/02\/mash\/"},"modified":"2020-07-05T21:03:35","modified_gmt":"2020-07-06T00:03:35","slug":"mash","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2011\/02\/05\/mash\/","title":{"rendered":"M*A*S*H"},"content":{"rendered":"<p>Existem outros motivos que levam uma pessoa a se decidir por fazer uma faculdade de medicina e se tornar um m\u00e9dico(a), al\u00e9m de um certo tipo de loucura, hehe. At\u00e9 porque, o fato de fazer uma faculdade de medicina n\u00e3o torna ningu\u00e9m m\u00e9dico. A &#8220;ficha&#8221; meio que vai caindo durante o curso, tanto para um lado, como para o outro. Muitos desistem no meio do caminho (alguns at\u00e9 se <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0104-42301998000200012&amp;script=sci_arttext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">suicidam<\/a>!), a maioria &#8220;entende&#8221; o que \u00e9 a medicina e acaba entrando no esquema. Outros ficam frustrados depois, mas a\u00ed j\u00e1 \u00e9 tarde.<\/p>\n<p>Dentre os v\u00e1rios motivos listados (ver por exemplo, <a href=\"http:\/\/workbloom.com\/admissions-essay-writing\/medical\/why-medecine.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?sa=t&amp;source=web&amp;cd=2&amp;ved=0CCoQFjAB&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.bmj.com%2Fcontent%2F333%2F7582%2F1320.1.full.pdf&amp;rct=j&amp;q=why%20medicine&amp;ei=OYtMTfsBgqzwBvyZ0MUO&amp;usg=AFQjCNFZ0IFIY9b854P9G3bKxtJD4aCUPg&amp;cad=rja\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), h\u00e1, sem d\u00favida, alguns inusitados. Coisas como &#8220;meu pai exigiu&#8221;, &#8220;queria ficar rico&#8221;(!) ou &#8220;tenho uma fam\u00edlia de m\u00e9dicos&#8221; ainda s\u00e3o comuns, infelizmente. No meu caso espec\u00edfico, o meu motivo inusitado, nunca escondi de ningu\u00e9m, foi um seriado de TV chamado <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/M*A*S*H_%28TV_series%29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">M*A*S*H<\/a>.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-721 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/08\/mash-300x232.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/08\/mash-300x232.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/08\/mash.jpg 400w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O seriado se passa na guerra da Coreia (1950-53) e foi originado de um filme hom\u00f4nimo que, por sua vez, \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o do livro de <a title=\"Richard Hooker (author)\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Richard_Hooker_%28author%29\">Richard Hooker<\/a>, tamb\u00e9m com o t\u00edtulo de &#8220;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/MASH:_A_Novel_About_Three_Army_Doctors\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">MASH: Uma novela sobre tr\u00eas m\u00e9dicos do Ex\u00e9rcito<\/a>&#8220;. M.A.S.H \u00e9 uma sigla que quer dizer <a href=\"http:\/\/www.olive-drab.com\/od_medical_treatment_mash.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Mobile Army Surgical Hospital<\/i><\/a>, acampamentos com estrutura hospitalar para traumas de guerra que realmente existiram. O &#8220;4077th MASH&#8221; \u00e9 o campo onde tudo acontece. A s\u00e9rie fez um enorme sucesso e durou de 17 de Setembro de 1972 a 28 de Fevereiro de 1983, quase 11 anos. Este \u00faltimo epis\u00f3dio teve 2 horas e meia de dura\u00e7\u00e3o e foi, durante muitos anos, <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_most-watched_television_episodes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o programa de TV mais assistido da hist\u00f3ria nos EUA<\/a>: quase 106 milh\u00f5es de telespectadores. Esse recorde s\u00f3 foi batido em Fevereiro de 2010 pela final do SuperBowl (106,5 milh\u00f5es). Infelizmente, n\u00e3o tenho not\u00edcia desse epis\u00f3dio, que chama-se<i> <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Goodbye,_Farewell,_and_Amen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Goodbye, Farewell and Amen<\/a><\/i>, ter sido exibido no Brasil.<\/p>\n<p>M*A*S*H equilibra o humor sarc\u00e1stico de <i>Hawkeye<\/i> Pierce (Falc\u00e3o, no Brasil) interpretado por <a href=\"http:\/\/emmytvlegends.org\/interviews\/people\/alan-alda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alan Alda<\/a> e <i>Trapper<\/i> John (Ca\u00e7ador) de Wayne Rogers, e o drama de participar de uma campanha sem sentido. Ver jovens americanos morrendo e sendo mutilados afeta a rotina de todos. Apesar de ser rotulado de com\u00e9dia, h\u00e1 muitos epis\u00f3dios dram\u00e1ticos e melanc\u00f3licos, como os que Falc\u00e3o escreve cartas a seu pai. Quando foi ao ar em <a href=\"http:\/\/www.tvsinopse.kinghost.net\/m\/mash.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1974 pela Bandeirantes<\/a>, eu era um m\u00edsero adolescente e ainda sonhava em ser jogador de futebol. Mas, l\u00e1 pelas 6 da tarde, eu ficava sentado em frente \u00e0 TV esperando tocar a musiquinha triste junto com o ru\u00eddo dos helic\u00f3pteros. (ou\u00e7a a m\u00fasica aqui: <a href=\"http:\/\/www.tvsinopse.kinghost.net\/sound\/m\/mash.wav\">Mash.wav<\/a> e um <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ICiFnQrHOrk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tributo \u00e0 s\u00e9rie<\/a> com a m\u00fasica cantada com sua letra original, bem <a href=\"http:\/\/www.stlyrics.com\/lyrics\/televisiontvthemelyrics-50s60s70s\/mash.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pessimista<\/a>. S\u00f3 para ter uma ideia, o t\u00edtulo da m\u00fasica \u00e9 <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Suicide_Is_Painless\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Suicide is Painless<\/i><\/a>). Adorava ver Falc\u00e3o insubordinar-se \u00e0s r\u00edgidas leis do Ex\u00e9rcito americano para salvar pacientes ou deix\u00e1-los de alguma forma, felizes. Sua postura era revolucion\u00e1ria, seu sarcasmo e ironia, infinitos, s\u00f3 rivalizando com sua compet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o. Apesar de mulherengo incorrig\u00edvel, as mulheres gostavam dele e h\u00e1 um epis\u00f3dio em que a namorada o &#8220;empresta&#8221; para uma enfermeira solit\u00e1ria (o 13o da primeira temporada &#8220;Edwina&#8221;).<\/p>\n<p>A s\u00e9rie n\u00e3o \u00e9 sobre m\u00e9dicos DO ex\u00e9rcito. \u00c9 sobre m\u00e9dicos NO ex\u00e9rcito, porque n\u00e3o sei se os primeiros de fato existem. Medicina e guerras s\u00e3o de uma incongru\u00eancia p\u00e9rsica, entretanto convivem bem, \u00e0s vezes at\u00e9 de forma prom\u00edscua. As guerras precisam da medicina porque ela \u00e9 estrat\u00e9gica e um fator que sempre pesa na balan\u00e7a. A medicina, por sua vez, se beneficia das guerras, morbidamente. Sendo a medicina um tipo de humanismo, o Homem, toda sua cultura e tecnologia est\u00e3o no seu centro. A guerra \u00e9 o pior dos anti-humanismos pois coloca o Homem e, por conseguinte, toda a sua cultura e tecnologia, contra outros homens o que equivale a dizer, contra si. \u00c9 como uma auto-imunidade, uma implos\u00e3o existencial. Um m\u00e9dico na guerra \u00e9 um E.T. depressivo em busca de sentido para sua exist\u00eancia e suas a\u00e7\u00f5es. Pierce \u00e9 isso. No \u00faltimo epis\u00f3dio ele pira! A intensidade de seus conflitos sublimam-se em ironia, sarcasmo, insubordina\u00e7\u00e3o e muita compet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o. Que doen\u00e7a essa! A Medicina&#8230; Uma busca de sentido comum a todos os humanos traduzida, por\u00e9m em dedica\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia tendo o Homem e suas chagas como medida sof\u00edstica de todas as coisas&#8230;<\/p>\n<p>Antes de querer ser m\u00e9dico, eu queria ser Pierce&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><a href=\"http:\/\/chrislittler.files.wordpress.com\/2011\/01\/mash.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/files\/2011\/08\/mash2.jpg\" \/><\/a><\/div>\n<p>Clique nas fotos para ver os cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Atualiza\u00e7\u00e3o: Alan Alda fez no dia 28 de Janeiro \u00faltimo <a href=\"http:\/\/www.examiner.com\/entertainment-reviews-in-national\/alan-alda-75-years-old-today\">75 anos<\/a>. Que esse m\u00edsero post seja minha homenagem a quem tanto me influenciou.<\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=ba2a318c-b2e9-89c3-8744-833f028b355b\" alt=\"\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem outros motivos que levam uma pessoa a se decidir por fazer uma faculdade de medicina e se tornar um m\u00e9dico(a), al\u00e9m de um certo tipo de loucura, hehe. At\u00e9 porque, o fato de fazer uma faculdade de medicina n\u00e3o torna ningu\u00e9m m\u00e9dico. 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