{"id":546,"date":"2011-03-05T01:58:26","date_gmt":"2011-03-05T04:58:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2011\/03\/metafisica_medica_ii\/"},"modified":"2011-03-05T01:58:26","modified_gmt":"2011-03-05T04:58:26","slug":"metafisica_medica_ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/2011\/03\/05\/metafisica_medica_ii\/","title":{"rendered":"Metaf\u00edsica M\u00e9dica II"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\"><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0pt none\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span>1. Sabe-se hoje, que o infarto agudo do mioc\u00e1rdio \u00e9 provocado por um co\u00e1gulo que se forma sobre uma placa de aterosclerose (ateroma) rota dentro das art\u00e9rias coron\u00e1rias que suprem o m\u00fasculo card\u00edaco de oxig\u00eanio e nutrientes. Ao se formar, esse co\u00e1gulo obstrui o suprimento arterial e submete o tecido irrigado a uma &#8220;asfixia&#8221; que chamamos tecnicamente de isquemia. Se a isquemia se prolonga por muito tempo, pode haver morte de c\u00e9lulas musculares, processo que chamamos de infarto (a forma &#8220;enfarte&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 aceita, mas n\u00e3o \u00e9 norma t\u00e9cnica). A partir da\u00ed, a coisa se complica bastante. Desde arritmias fatais \u00e0 insufici\u00eancia card\u00edaca, o infarto pode causar morte ou levar o indiv\u00edduo a uma vida bastante limitada.<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/eccemedicus\/2011\/03\/metafisica_medica_ii\/william-tillett\/\" rel=\"attachment wp-att-2242\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2242\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/03\/William-Tillett.jpg\" alt=\"\" width=\"155\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/03\/William-Tillett.jpg 258w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/eccemedicus\/wp-content\/uploads\/sites\/247\/2011\/03\/William-Tillett-174x300.jpg 174w\" sizes=\"(max-width: 155px) 100vw, 155px\" \/><\/a>2. Esse rapaz ao lado, chamava-se <a href=\"http:\/\/centennial.rucares.org\/index.php?page=C-Reactive_Protein\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bill Tillet<\/a>, era m\u00e9dico e trabalhava na Divis\u00e3o Biol\u00f3gica do Departamento de Medicina da Johns Hopkins, em Baltimore nos EUA, na d\u00e9cada de 30. J\u00e1 tinha feito algumas descobertas interessantes como a <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/C-reactive_protein#cite_note-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">prote\u00edna C-reativa<\/a>, um marcador inflamat\u00f3rio muito utilizado at\u00e9 hoje, estudando os efeitos da pneumonia causada por pneumococos (<em>Streptococcus<\/em> <em>pneumoniae<\/em>). Depois, come\u00e7ou a estudar as intrigantes propriedades hemol\u00edticas de um primo do pneumococo, o <em>Streptococcus<\/em> beta-hemol\u00edtico. Como seu nome diz, essa bact\u00e9ria tem a propriedade de dissolver co\u00e1gulos humanos em minutos. Isso \u00e9 \u00fatil a ela porque facilita a invas\u00e3o de tecidos, que \u00e9 seu passatempo predileto, podendo causar amidalites, celulites, erisipelas, infec\u00e7\u00f5es pulmonares graves e at\u00e9 sepse e morte. Ele e seu colega Garner conseguiram isolar uma prote\u00edna que chamaram de <em><strong>fibrinolisina estreptoc\u00f3cica<\/strong><\/em> (sem nenhuma no\u00e7\u00e3o de que esse nome enorme jamais pegaria!). Posteriormente, Tillett e outro colega aplicaram a <em><strong>estreptoquinase<\/strong><\/em> (bem melhor!) na pleura (tecido que envolve o pulm\u00e3o) para dissolver co\u00e1gulos e facilitar a expans\u00e3o pulmonar de pacientes que tiveram pleurites e derrames pleurais complicados.<\/p>\n<p>3. Nessa \u00e9poca, j\u00e1 se sabia, em linhas gerais, o funcionamento da cascata da coagula\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o se tinha o conceito de como ela se dava <em>in vivo<\/em>. O sistema da coagula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das coisas mais interessantes no organismo. A n\u00f3s, bastar\u00e1 saber agora que um co\u00e1gulo n\u00e3o \u00e9 um tipo de &#8220;rolha&#8221; estanque que entope um vaso sangu\u00edneo e muda seu nome para <em><strong>trombo<\/strong><\/em>. Um co\u00e1gulo \u00e9 a pr\u00f3pria met\u00e1fora da cria\u00e7\u00e3o\/destrui\u00e7\u00e3o t\u00e3o comum em algumas filosofias orientais. Ele est\u00e1 a todo momento, formando-se e dissolvendo-se no interior de um vaso. Isso porque sobre ele interv\u00e9m dois poderosos sistemas, um pr\u00f3-coagulante, o outro, anticoagulante. Se bloqueamos um, o outro prevalecer\u00e1. Se favorecermos um, o outro n\u00e3o resistir\u00e1. O corpo e o tamanho do co\u00e1gulo depender\u00e3o desse jogo de for\u00e7as. Trombol\u00edticos utilizam a via anticoagulante de forma poderosa levando \u00e0 fibrin\u00f3lise. A fibrina \u00e9 como um rede de sustenta\u00e7\u00e3o sem a qual o co\u00e1gulo desmorona.<\/p>\n<p>4. A partir do momento que os m\u00e9dicos entenderam que o infarto do mioc\u00e1rdio era causado por um co\u00e1gulo nas coron\u00e1rias e que existiam subst\u00e2ncias que poderiam dissolv\u00ea-lo, n\u00e3o demorou muito para que um gaiato resolvesse injetar as tais subst\u00e2ncias nas pessoas com objetivo de livr\u00e1-las de alguma obstru\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda. As primeiras experi\u00eancias foram terr\u00edveis. Efeitos colaterais graves como hipotens\u00e3o e choque, alergias e altera\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis na coagula\u00e7\u00e3o n\u00e3o demoveram os m\u00e9dicos da ideia dos trombol\u00edticos apesar de haver cirurgias bem estabelecidas onde o trombo era removido por meio da abertura cir\u00fargica da art\u00e9ria envolvida[1]. Era preciso simplificar e ser menos invasivo. O primeiro estudo positivo foi a desobstru\u00e7\u00e3o de membros inferiores, onde o agente trombol\u00edtico (no caso a uroquinase) foi injetado diretamente na art\u00e9ria femoral em 1956. Na d\u00e9cada de 70, estudos sobre tromb\u00f3lise intracoronariana come\u00e7aram a ser publicados, mas uma coisa \u00e9 utilizarmos um cateter na art\u00e9ria femoral que \u00e9 de relativamente f\u00e1cil acesso. Outra, totalmente diferente, \u00e9 cateterizar a art\u00e9ria coron\u00e1ria obstru\u00edda (normalmente existem 3 grandes ramos) e injetar o trombol\u00edtico. \u00c9 preciso um laborat\u00f3rio de hemodin\u00e2mica, pois esses procedimentos s\u00e3o realizados, at\u00e9 hoje, com uso de raios-x cont\u00ednuos (escopia) de modo a monitorizar a progress\u00e3o do cateter at\u00e9 o local correto. Mas, era preciso simplificar mais. Era preciso estender o benef\u00edcio do tratamento a todas as pessoas que por acaso necessitassem dele. E n\u00e3o eram poucas. <a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/saude\/noticias\/internacoes-por-infarto-no-sus-sobem-70-em-dez-anos-20100816.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estima-se<\/a> que mais de 70.000 pessoas morram atualmente por ano no Brasil v\u00edtimas do infarto e de suas complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>5. H\u00e1 25 anos, no dia 22 de Fevereiro de 1986, um s\u00e1bado, foi publicado no <em>Lancet<\/em> o estudo chamado <a href=\"http:\/\/wwwcardio.marionegri.it\/trials01.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">GISSI<\/a> (<em>Gruppo Italiano per lo Studio della Streptochinasi nell&#8217; Infarto Miocardico<\/em>)[2]. Esse foi o primeiro grande estudo a demonstrar claramente que o uso de agentes trombol\u00edticos aplicados a uma veia perif\u00e9rica poderia reduzir a mortalidade no infarto agudo do mioc\u00e1rdio. Entretanto, j\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.bmj.com\/content\/310\/6982\/752.full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">era poss\u00edvel saber disso em 1977[3]<\/a>, quase 10 anos antes. Demoramos 10 anos para comprovar algo que nossa leitura intuitiva das experi\u00eancias realizadas em laborat\u00f3rio ou com um pequeno n\u00famero de pacientes, j\u00e1 suspeitava. Isso significou a perda de muitas vidas. O GISSI foi um ensaio cl\u00ednico randomizado (aleatorizado em portugu\u00eas) n\u00e3o duplo cego, que reuniu mais de 11.800 pacientes em v\u00e1rias UTIs na It\u00e1lia. O que ele nos disse que os outros n\u00e3o disseram? Como ele nos convenceu e por que?<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=The+Lancet&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS0140-6736%2886%2992368-8&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=EFFECTIVENESS+OF+INTRAVENOUS+THROMBOLYTIC+TREATMENT+IN+ACUTE+MYOCARDIAL+INFARCTION&amp;rft.issn=01406736&amp;rft.date=1986&amp;rft.volume=327&amp;rft.issue=8478&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0140673686923688&amp;rft.au=GRUPPOITALIANOPERLOSTUDIODELL%2C+.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Medicine%2CCancer%2C+Hematology\"><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0pt none\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_tiny.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span><\/span><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Journal+of+Endovascular+Therapy&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1583%2F04-1340.1&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=A+History+of+Thrombolytic+Therapy&amp;rft.issn=1526-6028&amp;rft.date=2004&amp;rft.volume=11&amp;rft.issue=SupplementII&amp;rft.spage=0&amp;rft.epage=0&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fjevtonline.org%2Fdoi%2Fabs%2F10.1583%2F04-1340.1&amp;rft.au=Ouriel%2C+K.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Health%2CMedicine%2C+Medical+Ethics\">1. Ouriel, K. (2004). A History of<br \/>\nThrombolytic Therapy <span style=\"font-style: italic\">Journal of Endovascular Therapy, 11<\/span> (Supplement II) DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1583\/04-1340.1\" rev=\"review\">10.1583\/04-1340.1<\/a><\/span><br \/>\n<span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=The+Lancet&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS0140-6736%2886%2992368-8&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=EFFECTIVENESS+OF+INTRAVENOUS+THROMBOLYTIC+TREATMENT+IN+ACUTE+MYOCARDIAL+INFARCTION&amp;rft.issn=01406736&amp;rft.date=1986&amp;rft.volume=327&amp;rft.issue=8478&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0140673686923688&amp;rft.au=GRUPPOITALIANOPERLOSTUDIODELL%2C+.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Medicine%2CCancer%2C+Hematology\"><br \/>\n<span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0pt none\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_tiny.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" width=\"15\" height=\"17\" \/><\/a><\/span>2. Effectiveness of intravenous thrombolytic treatment in Acute Myocardial Infarction. GISSI. <span style=\"font-style: italic\">The Lancet, 327<\/span> (8478) DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/S0140-6736%2886%2992368-8\" rev=\"review\">10.1016\/S0140-6736(86)92368-8<\/a><\/span><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=The+Lancet&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS0140-6736%2886%2992368-8&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=EFFECTIVENESS+OF+INTRAVENOUS+THROMBOLYTIC+TREATMENT+IN+ACUTE+MYOCARDIAL+INFARCTION&amp;rft.issn=01406736&amp;rft.date=1986&amp;rft.volume=327&amp;rft.issue=8478&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0140673686923688&amp;rft.au=GRUPPOITALIANOPERLOSTUDIODELL%2C+.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Medicine%2CCancer%2C+Hematology\"><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0pt none\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_tiny.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a> <\/span><\/span><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=BMJ+%28Clinical+research+ed.%29&amp;rft_id=info%3Apmid%2F7711568&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Misleading+meta-analysis.&amp;rft.issn=0959-8138&amp;rft.date=1995&amp;rft.volume=310&amp;rft.issue=6982&amp;rft.spage=752&amp;rft.epage=4&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Egger+M&amp;rft.au=Smith+GD&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Health%2CMedicine%2C+Medical+Ethics\">3. Egger M, &amp; Smith GD (1995). Misleading meta-analysis. <span style=\"font-style: italic\">BMJ (Clinical research ed.), 310<\/span> (6982), 752-4 PMID: <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/7711568\" rev=\"review\">7711568<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"zemanta-pixie\"><img decoding=\"async\" class=\"zemanta-pixie-img\" src=\"http:\/\/img.zemanta.com\/pixy.gif?x-id=ef4a9de1-c5d2-85b7-8477-d70c7cb18e8b\" alt=\"\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Sabe-se hoje, que o infarto agudo do mioc\u00e1rdio \u00e9 provocado por um co\u00e1gulo que se forma sobre uma placa de aterosclerose (ateroma) rota dentro das art\u00e9rias coron\u00e1rias que suprem o m\u00fasculo card\u00edaco de oxig\u00eanio e nutrientes. 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