{"id":1907,"date":"2020-05-03T14:18:49","date_gmt":"2020-05-03T17:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/?p=1907"},"modified":"2020-10-28T13:54:10","modified_gmt":"2020-10-28T16:54:10","slug":"planet-of-the-humans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/2020\/05\/03\/planet-of-the-humans\/","title":{"rendered":"Planet of the Humans"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1909\" width=\"470\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-620x349.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi-200x113.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/Planet-of-the-Humans-Logo-Distressed-Michael-Moore-Jeff-Gibbs-Ozzie-Zehner-300dpi.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 470px) 100vw, 470px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Eis que despretensiosamente fui assistir o \u00faltimo document\u00e1rio produzido pelo Michael Moore. Pra quem j\u00e1 viu algum dos filmes dele esse <a href=\"https:\/\/youtu.be\/Zk11vI-7czE\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Planet of the Humans<\/a> segue o mesmo estilo, por\u00e9m o narrador n\u00e3o \u00e9 ele. Mas o estilo \u00e9 MUITO igual.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui ver o filme meio as cegas sem saber do que se tratava e fiquei contente em saber que era sobre meio ambiente, energia verde, sustentabilidade e afins.<\/p>\n\n\n\n<p>Como todo document\u00e1rio, ele conta um ponto de vista, uma vis\u00e3o de mundo, entrevista pessoas que interessam para a narrativa e muitas vezes n\u00e3o aprofunda no assunto que pode de alguma forma contradizer a tese.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O problema do filme \u00e9 voc\u00ea assisti-lo querendo ver o mundo de forma simplista. E \u00e9 isso que me incomoda nele, num mundo complexo cheio de problemas cru\u00e9is a serem resolvidos n\u00e3o \u00e9 polarizando a quest\u00e3o ambiental e tratando de forma superficial que vamos chegar num lugar melhor do que estamos hoje. (O detalhe \u00e9 que essa abordagem hoje em dia parece que tem sido regra para qualquer conflito, seja na pol\u00edtica, na economia, na sa\u00fade).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dois pontos que abusam da superficialidade e simplismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1) carros el\u00e9tricos. <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/2009\/09\/05\/quem_matou_o_carro_eltrico\/\">Em 2009 escrevi um post sobre o document\u00e1rio Quem matou o carro el\u00e9trico?<\/a> E qual foi a minha principal quest\u00e3o naquele post? Qual \u00e9 a origem da energia produzida para abastecer os carros el\u00e9tricos? <a href=\"https:\/\/quatrorodas.abril.com.br\/noticias\/os-pros-e-contras-do-carro-eletrico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">11 anos depois essa pergunta j\u00e1 foi respondida e superada.<\/a> O desempenho e o custo por km rodado do carro el\u00e9trico \u00e9 muito melhor que o carro a combust\u00e3o, ou seja, ele faz mais com menos. Ent\u00e3o mesmo emitindo mais CO2 o carro el\u00e9trico faz mais. Acho pregui\u00e7oso o argumento: \u201cah se a energia do carro el\u00e9trico n\u00e3o tiver origem sustent\u00e1vel, ent\u00e3o o carro el\u00e9trico n\u00e3o serve\u201d. Voc\u00ea acha inteligente o pensamento de que se toda a produ\u00e7\u00e3o de comida no Brasil n\u00e3o for org\u00e2nica, ent\u00e3o nem quero saber de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e ela nem deve ser incentivada?<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrando aqui que o carro el\u00e9trico n\u00e3o \u00e9 a bala de prata pra problemas de transporte no mundo e tem v\u00e1rias problemas tamb\u00e9m, mas como a vida j\u00e1 deve ter te ensinado, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o \u00fanica e perfeita no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>2) combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o a pior op\u00e7\u00e3o sempre. Longe de mim querer defender os combust\u00edveis f\u00f3sseis, eles s\u00e3o um problema sim mas \u00e9 importante ter claro que o uso deles n\u00e3o vai parar na terra da noite para o dia. \u00c9 ingenuidade achar que isso \u00e9 poss\u00edvel e a menos que voc\u00ea seja um ind\u00edgena isolado na floresta amaz\u00f4nica ou integrante de alguma tribo isolada africana \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o depender de combust\u00edvel f\u00f3ssil de alguma forma. E o fato de aceitar que ele \u00e9 parte da vida n\u00e3o significa que voc\u00ea n\u00e3o pode defender que outras formas de energia e mat\u00e9ria-prima sejam usadas e desenvolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A falsa dicotomia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ter conhecimento dos problemas da energia dita verde renov\u00e1vel, do consumo de carne, da produ\u00e7\u00e3o da soja, das viagens de avi\u00e3o, dos bilion\u00e1rios no mundo, do pl\u00e1stico de origem vegetal, da reciclagem como solu\u00e7\u00e3o para o problema de res\u00edduos no mundo n\u00e3o me fazem uma pessoa que incentiva e apoia tudo isso. Nem me fizeram defensora da energia f\u00f3ssil, vegana, deixei de separar meu lixo, v\u00e3o me impedir de viajar de avi\u00e3o ou deixar de acreditar que uma outra solu\u00e7\u00e3o al\u00e9m da reciclagem \u00e9 poss\u00edvel. Felizmente o mundo n\u00e3o \u00e9 feito s\u00f3 de sim ou n\u00e3o, certo e errado, preto ou branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o filme ajude os desavisados a simplesmente passarem a odiar as solu\u00e7\u00f5es alternativas de energia, provavelmente ambientalistas e defensores da energia verde se sintam ofendidos e\/ou tra\u00eddos e talvez o filme seja usado pela ind\u00fastria do petr\u00f3leo como endosso aos seus produtos. Tudo isso \u00e9 poss\u00edvel e nem posso dizer que est\u00e1 errado. Talvez se o filme tentasse ao menos seguir no meio do caminho, n\u00e3o s\u00f3 criticando as energias alternativas, mas mostrando que ela tem vantagens e outros aspectos da origem dos problemas ambientais, seria uma maneira de ampliarmos nossas conversas e ajudaria a diminuir a polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 meio estranho o que vou dizer aqui, mas o ponto alto de Planet of the Humans para mim foi a frase da Rachel Carson nos cr\u00e9ditos finais<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art.png\" alt=\"\" data-id=\"1910\" data-full-url=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art.png\" data-link=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/?attachment_id=1910\" class=\"wp-image-1910\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art-300x150.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art-768x384.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art-620x310.png 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/wp-content\/uploads\/sites\/241\/2020\/05\/post-art-200x100.png 200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Mais opini\u00f5es sobre The Planet of Humans<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Achei que e<a href=\"https:\/\/www.vox.com\/platform\/amp\/2020\/4\/28\/21238597\/michael-moore-planet-of-the-humans-climate-change\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">sse texto refor\u00e7a a ideia de dicotomia do filme<\/a> (em ingl\u00eas), provavelmente faz parte do grupo ambientalista que se sentiu tra\u00eddo\/ofendido com a abordagem.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1<a href=\"https:\/\/medium.com\/@rodrigoafonso\/coment%C3%A1rios-ao-document%C3%A1rio-planeta-dos-humanos-1c0fddebed1c\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> esse outro texto <\/a>(em portugu\u00eas) sugere que o filme deveria ter focado mais na base do problema: consumo, ideia de crescimento infinito poss\u00edvel e modelos econ\u00f4micos alternativos. V\u00e1lido, mas ai acho que seria um outro filme.<\/p>\n\n\n\n<p><em>EXTRA:<\/em> No site do filme <a href=\"https:\/\/planetofthehumans.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">planetofthehumans.com<\/a> tem um <a href=\"https:\/\/planetofthehumans.com\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/PLANET-OF-THE-HUMANS-Film-Discussion-Guide.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">guia de discuss\u00e3o para professores<\/a> (em ingl\u00eas). Gente, queria tanto que no meu tempo de escola tivesse tido esse tipo de discuss\u00e3o sobre os filmes que assisti\u2026 Um dos exerc\u00edcios que mais me empolgaram foi: se esse filme fosse o primeiro de uma mini-s\u00e9rie o que voc\u00ea gostaria que fossem os pr\u00f3ximos epis\u00f3dios?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis que despretensiosamente fui assistir o \u00faltimo document\u00e1rio produzido pelo Michael Moore. 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