{"id":194,"date":"2008-05-10T00:02:00","date_gmt":"2008-05-10T03:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/ecodesenvolvimento\/2008\/05\/energia-biocombustiveis-alimentos\/"},"modified":"2008-05-10T00:02:00","modified_gmt":"2008-05-10T03:02:00","slug":"energia-biocombustiveis-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ecodesenvolvimento\/2008\/05\/10\/energia-biocombustiveis-alimentos\/","title":{"rendered":"Energia, biocombust\u00edveis, alimentos"},"content":{"rendered":"<p>Recebi por mail esse texto e achei muito bom. Grifei as partes que mais me interessaram. S\u00f3 fica a pergunta: se at\u00e9 economistas super famosos como Paul Krugman est\u00e1 dizendo que os recursos est\u00e3o acabando, n\u00e3o temos mais planeta para explorar, por que continuamos com essa obssess\u00e3o de crescimento infinito e eterno? Seremos parasitas ao ponto de consumirmos at\u00e9 a \u00faltima possibilidade pra ent\u00e3o ir atr\u00e1s de novo planeta para destruirmos? Mas at\u00e9 onde se sabe n\u00e3o h\u00e1 outro planeta&#8230;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight:bold\">ALIMENTOS E AGRO-COMBUST\u00cdVEIS: UM IMPASSE<\/span><\/p>\n<p>Cl\u00f3vis Cavalcanti<br \/>Economista ecol\u00f3gico e pesquisador social<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2007, Fidel Castro escreveu denso artigo no jornal Granma, de Havana. Nele, analisa o impasse entre mais produ\u00e7\u00e3o de comida e mais combust\u00edveis de origem agr\u00edcola. Segundo Fidel \u2013 que se baseou em trabalho de Atilio Bor\u00f3n, cientista pol\u00edtico argentino de quem sou amigo \u2013, por mais \u201cque os discursos oficiais assegurem que n\u00e3o se trata de optar entre alimentos e combust\u00edveis, a realidade demonstra que &#8230; ou o solo se destina \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos ou \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de bio-combust\u00edveis\u201d. Na sua edi\u00e7\u00e3o de 4.4.2007, a respeit\u00e1vel revista brit\u00e2nica, considerada de direita, The Economist, publicou editorial em que diz que \u201cFidel est\u00e1 coberto de raz\u00e3o\u201d. Segundo esse seman\u00e1rio, s\u00e3o bastante conhecidas suas diverg\u00eancias do l\u00edder cubano; mas, naquele momento, tinha-se que reconhecer os m\u00e9ritos da reflex\u00e3o de Fidel. No \u00faltimo dia 21 de abril, Paul Krugman, brilhante economista e professor da Universidade de Princeton (EUA), em sua coluna no ilustre jornal New York Times, afirma que est\u00e1 propenso a aceitar a tese (que antes lhe parecia exagerada) de que <span style=\"font-weight:bold\">\u201ca era dos recursos baratos acabou para sempre\u201d. Em sua opini\u00e3o, \u201cas ofertas limitadas de recursos naturais erguem um obst\u00e1culo ao crescimento econ\u00f4mico do mundo no futuro\u201d<\/span>. No caso dos pa\u00edses ricos, isso significa que fica mais dif\u00edcil elevar os n\u00edveis de vida da popula\u00e7\u00e3o; no dos pa\u00edses pobres, especialmente no de alguns deles, que se est\u00e1 come\u00e7ando \u201ca viver perigosamente pr\u00f3ximo do abismo\u201d. O artigo de Krugman tem o sugestivo e esclarecedor t\u00edtulo de <span style=\"font-weight:bold\">\u201cFicando sem Planeta para Explorar\u201d<\/span>. Sua tese \u00e9 a de que, num mundo finito, explorar mais e mais o que a natureza nos d\u00e1 significa ir acabando com a riqueza natural. Para Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), outro brilhante economista, um enunciado desse naipe n\u00e3o passa de \u201ctautologia sem gra\u00e7a\u201d, algo semelhante tendo sido dito pela admirada economista inglesa Joan Robinson (1903-1983).<br \/>N\u00e3o deve ser por mero acaso que a opini\u00e3o de gente t\u00e3o not\u00e1vel coincida. Krugman lembra bem, a prop\u00f3sito, que <span style=\"font-weight:bold\">o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo<\/span> <span style=\"font-weight:bold\">em abril de 1999 era de 10 d\u00f3lares<\/span>. Na ocasi\u00e3o, The Economist escreveu que esse pre\u00e7o deveria baixar, talvez para 5 d\u00f3lares, acrescentando que o mundo estava diante de \u201cperspectivas de petr\u00f3leo abundante e barato pelo futuro previs\u00edvel\u201d. Engano rotundo. Logo em seguida, o petr\u00f3leo come\u00e7ou a encarecer sem retorno, j\u00e1 tendo ultrapassado a marca dos 115 d\u00f3lares o barril. A realidade que se tem hoje \u00e9 de que a alta do barril n\u00e3o retroceder\u00e1. <span style=\"font-weight:bold\">Ele ir\u00e1 ficando sempre mais caro, at\u00e9 porque a demanda n\u00e3o diminui \u2013 nem mesmo se estabiliza \u2013 e n\u00e3o existem mais grandes jazidas a ser descobertas.<\/span> Em outras palavras, ocorre aquilo que se chama, em ingl\u00eas, \u201cthe end of peak oil\u201d (o fim do pico do petr\u00f3leo). \u00c9 aqui que cabe pensar no futuro da Refinaria de Suape. Quando ela estiver terminada, em dez anos, quanto custar\u00e1 um barril de petr\u00f3leo? Talvez mil d\u00f3lares. Talvez mais. Ou menos. Ningu\u00e9m sabe. Se a The Economist cometeu o erro enorme de 1999, como podemos garantir que em 2018 o petr\u00f3leo justificar\u00e1 o empreendimento de Suape? Pode acontecer que ele se torne totalmente invi\u00e1vel. Afinal, <span style=\"font-weight:bold\">\u00e9 preciso consumir menos \u2013 e n\u00e3o mais \u2013 petr\u00f3leo, por causa do efeito estufa. <\/span>Pernambuco e o Brasil poder\u00e3o ter preju\u00edzos monumentais. <br \/>Pior, por\u00e9m, pode ser no curto prazo. Estamos ficando \u201csem planeta para explorar\u201d, como assinala Krugman. Ou seja, se cresce a produ\u00e7\u00e3o de agro-combust\u00edveis (tamb\u00e9m chamados, talvez impropriamente, de \u201cbiocombust\u00edveis\u201d), como existe s\u00f3 uma Terra a ser explorada, faltar\u00e3o solos para a produ\u00e7\u00e3o de comida. Menos comida, relativamente a uma popula\u00e7\u00e3o sempre em crescimento (e com renda que aumenta), levar\u00e1 \u00e0quilo que Fidel, aplaudido pela The Economist, comentou em mar\u00e7o de 2007: \u201co encarecimento dos alimentos e, portanto, o agravamento da situa\u00e7\u00e3o social dos pa\u00edses do Sul\u201d. A mesma coisa, ali\u00e1s, que afirma Krugman agora. Mais interessante \u00e9 saber por que se quer mais agro-combust\u00edveis e por que isso est\u00e1 significando o aparecimento de um espectro que amea\u00e7a a paz de todo o mundo. Nas palavras de Fidel, saudadas por The Economist, <span style=\"font-weight:bold\">\u201cOs alimentos s\u00e3o convertidos em energ\u00e9ticos para viabilizar a irracionalidade de uma civiliza\u00e7\u00e3o\u201d voltada para \u201csustentar a riqueza e os privil\u00e9gios de uns poucos\u201d, mediante \u201cbrutal ataque ao meio ambiente\u201d. Na verdade, os economistas entendem muito bem disso: trata-se dos seus famosos \u201ccustos de oportunidade\u201d. Explicando: quanto mais agro-combust\u00edveis se produzam, tanto menos alimento haver\u00e1.<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebi por mail esse texto e achei muito bom. Grifei as partes que mais me interessaram. 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