{"id":23,"date":"2009-08-20T22:11:50","date_gmt":"2009-08-21T01:11:50","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/efeitoadverso\/2009\/08\/manuscritos_do_mar_morto\/"},"modified":"2009-08-20T22:11:50","modified_gmt":"2009-08-21T01:11:50","slug":"manuscritos_do_mar_morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/2009\/08\/20\/manuscritos_do_mar_morto\/","title":{"rendered":"Manuscritos do Mar Morto"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>24 de julho (sexta-feira), Toronto &#8211; Combinamos de ir \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.rom.on.ca\/scrolls\/\">exposi\u00e7\u00e3o dos Manuscritos do Mar Morto<\/a>, no <a href=\"http:\/\/www.rom.on.ca\/\">Royal Ontario Museum<\/a> (ROM). Me pareceu uma coincid\u00eancia imperd\u00edvel, ainda mais por estar a poucas quadras do apartamento. Combinamos \u00e0s quatro da tarde, mas cheguei um pouco mais cedo, pensando em algo para comer. Havia uma senhora fila, porque \u00e0s sextas neste hor\u00e1rio o pre\u00e7o da entrada cai pela metade.<\/p>\n<p>No fim, coube todo mundo. Mas percorrer o caminho da exposi\u00e7\u00e3o exigiu um bocado de aten\u00e7\u00e3o para acompanhar textos, fotos, pe\u00e7as e v\u00eddeos ao longo dela, e ao mesmo tempo n\u00e3o se perder um do outro, esbarrar em algu\u00e9m ou lhe tampar a vis\u00e3o.<\/p>\n<p>O conte\u00fado era bacana, pelo menos para os leigos na mat\u00e9ria como eu (lembrei do <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/carbono14\/?utm_source=bloglist&amp;utm_medium=brazildropdown\">Reinaldo<\/a>, que acho que ia gosta e fazer um post bem melhor do que este). Mas se houvesse um pouco mais de espa\u00e7o e tempo (com o aperto a gente acaba seguindo o fluxo e passando mais r\u00e1pido pelas coisas), talvez o fim da exposi\u00e7\u00e3o causasse mais sensa\u00e7\u00e3o do que acabou causando. L\u00e1 estavam cerca de uns dez (dos mais de 200) manuscritos de 2 mil anos. Na verdade, fragmentos deles, bem pequenos, carcomidos e super fr\u00e1geis, os coitados.<\/p>\n<p>A melhor parte do programa, entretanto, rolou do lado de fora do ROM, na cal\u00e7ada oposta \u00e0 entrada do museu. L\u00e1 estava este pessoal.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/vivacomopuder\/3841422170\/\"><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/08\/rom11.jpg\" alt=\"rom1.jpg\" width=\"448\" height=\"298\" \/><\/span><\/a><\/p>\n<p>Judeus, eles eram da <a href=\"http:\/\/www.caiaweb.org\/\">Coaliza\u00e7\u00e3o contra o Apartheid Israelense<\/a> e protestavam pacificamente contra o que classificam como crime cometido por Israel. Alegam que os artefatos foram ilegalmente removidos do territ\u00f3rio palestino. Al\u00e9m disso, criticavam o ROM e o governo canadense por serem coniventes com o confisco, desrespeitando uma conven\u00e7\u00e3o de 1954 da Unesco, da qual o Canad\u00e1 \u00e9 signat\u00e1rio, sobre prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural em situa\u00e7\u00f5es de conflito armado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/vivacomopuder\/3840630431\/in\/photostream\/\"><span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/08\/rom4.jpg\" alt=\"rom4.jpg\" width=\"448\" height=\"299\" \/><\/span><\/a><br \/>\nConversei rapidamente com a Jude (esq.), que me chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de n\u00e3o ser mencionado, em nenhum momento da exposi\u00e7\u00e3o, que as cavernas onde foram encontrados os manuscritos nos anos 50 ficam na Palestina. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o aparece nos textos, bacaninhas at\u00e9, publicados na revista do ROM que eu acabei comprando.<\/p>\n<p>Para quem se interessar pela pol\u00eamica aqui est\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/opinion\/commentators\/fisk\/robert-fiskrsquos-world-you-wont-find-any-lessons-in-unity-in-the-dead-sea-scrolls-1741943.html\">um texto do Robert Fisk no Independent<\/a> (que eles estavam distribuindo no local), com muito mais detalhes e toda a aquela delicadeza pr\u00f3pria do <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Robert_Fisk\">Robert Fisk<\/a>. (Tenho de concordar com ele que \u00e9 bem for\u00e7ada a inten\u00e7\u00e3o dos curadores de associar os manuscritos a uma unidade entre as tr\u00eas grandes religi\u00f5es).<\/p>\n<p>Mas a melhor parte do espet\u00e1culo mesmo estava exatamente do outro lado da rua. D\u00e1 uma olhada no figura:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/vivacomopuder\/3840625523\/in\/photostream\/\"><br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/08\/rom2.jpg\" alt=\"rom2.jpg\" width=\"448\" height=\"299\" \/><\/span><\/a><br \/>\nCom uma bandeira do Canad\u00e1 amarrada nas costas, disse-me que nada tem contra palestinos e judeus, assim como os canadenses tamb\u00e9m n\u00e3o. E a maior prova disso, segundo ele, era Toronto, onde a imigra\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana \u00e9, de fato, bem percept\u00edvel em len\u00e7os nas cabe\u00e7as de mulheres (alguns deles lindos, por sinal).<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m disse ser contra o fundamentalismo de ambas as partes, mas afirmou que \u00e9 preciso combater a <em>Global Jihad<\/em>. E me mandou &#8220;googar&#8221; o termo mais tarde. S\u00f3 acabei fazendo isso agora. E a\u00ed est\u00e1: <a href=\"http:\/\/globaljihad.net\/\">http:\/\/globaljihad.net\/<\/a> (para meu espanto).<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/vivacomopuder\/3841419344\/in\/photostream\/\"><br \/>\n<span class=\"mt-enclosure mt-enclosure-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/08\/rom3.jpg\" alt=\"rom3.jpg\" width=\"448\" height=\"299\" \/><\/span><\/a><br \/>\nReconheceu, por\u00e9m, ser um manifestante solit\u00e1rio. Indagado sobre o que fazia da vida, contou ser escritor &#8211; e que devia na verdade estar escrevendo seu livro naquele momento. Sobre o que \u00e9 o livro?, pergunto. &#8220;Psychic&#8221;, ele diz. Fa\u00e7o cara de quem n\u00e3o entendeu. &#8220;Psychic, psychoanalysis, the brain, things like that.&#8221; Sabendo que eu era jornalista, preferiu n\u00e3o revelar o nome.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; 24 de julho (sexta-feira), Toronto &#8211; Combinamos de ir \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o dos Manuscritos do Mar Morto, no Royal Ontario Museum (ROM). Me pareceu uma coincid\u00eancia imperd\u00edvel, ainda mais por estar a poucas quadras do apartamento. Combinamos \u00e0s quatro da tarde, mas cheguei um pouco mais cedo, pensando em algo para comer. 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