{"id":56,"date":"2010-05-15T17:53:44","date_gmt":"2010-05-15T20:53:44","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/efeitoadverso\/2010\/05\/lost_animal\/"},"modified":"2010-05-15T17:53:44","modified_gmt":"2010-05-15T20:53:44","slug":"lost_animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/2010\/05\/15\/lost_animal\/","title":{"rendered":"&#8220;Lost&#8221; animal"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o nove da manh\u00e3 na marina do Saco da Ribeira, em Ubatuba, litoral norte paulista, de onde sai diariamente o barco que leva ao trabalho os funcion\u00e1rios do Parque Estadual da Ilha Anchieta. O c\u00e9u est\u00e1 aberto, mas o vento que agita o mar prenuncia virada no tempo. Durante o percurso de quase uma hora, a reportagem de Unesp Ci\u00eancia vai ouvindo hist\u00f3rias estranhas.<\/p>\n<p>A primeira vem de um oficial do Ex\u00e9rcito que, com uma equipe de seis homens, tem a inusitada miss\u00e3o de resgatar os destro\u00e7os de um avi\u00e3o que caiu numa \u00e1rea de mata fechada da ilha em 1957. Depois, um vigia do parque relata causos de fantasmas do pres\u00eddio que l\u00e1 funcionou entre 1907 e 1955.<\/p>\n<p>Pelo bi\u00f3logo Paulo Cicchi, nosso anfitri\u00e3o nesta viagem, conhecemos a hist\u00f3ria dos mam\u00edferos que inadvertidamente foram parar ali h\u00e1 mais de 20 anos, como numa vers\u00e3o animal da ilha de Lost, e hoje protagonizam um verdadeiro drama ambiental.<\/p>\n<p>Em 1983, os 828 hectares da Ilha Anchieta foram palco de um &#8220;experimento&#8221; atualmente considerado uma enorme insensatez. O objetivo era tentar recompor a fauna do lugar, que tanto sofrera com a devasta\u00e7\u00e3o causada pelas atividades do pres\u00eddio, hoje em ru\u00ednas. Para isso, a Funda\u00e7\u00e3o Parque Zool\u00f3gico, com o aval da administra\u00e7\u00e3o do parque, introduziu ali 14 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, num total de cem indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Algumas se extinguiram rapidamente, como a pregui\u00e7a e o veado catingueiro, este \u00faltimo t\u00edpico do cerrado &#8211; a vegeta\u00e7\u00e3o da ilha \u00e9 Mata Atl\u00e2ntica. O problema atual est\u00e1 naqueles que, al\u00e9m de sobreviverem, se reproduziram al\u00e9m da conta por falta de predadores. \u00c9 o caso de capivaras, cutias, quatis e saguis.<\/p>\n<p>O impacto da fauna introduzida sobre as esp\u00e9cies nativas, tanto vegetais como animais, tem motivado diversos estudos, como o de Paulo Cicchi, doutorando do Instituto de Bioci\u00eancias da Unesp em Botucatu.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7ou a trabalhar na Ilha Anchieta em 2005, j\u00e1 com a ideia de investigar como os mam\u00edferos ex\u00f3ticos ou alien\u00edgenas, no jarg\u00e3o dos bi\u00f3logos, estavam afetando a diversidade de anf\u00edbios e r\u00e9pteis, que s\u00e3o sua especialidade. &#8220;Acontece que n\u00e3o havia nenhum levantamento pr\u00e9vio desta fauna [antes da chegada dos mam\u00edferos]&#8221;, conta. Ele decidiu fazer esse levantamento em seu mestrado. Ao longo de dois anos, registrou 17 esp\u00e9cies de sapos e 8 de r\u00e9pteis das quais 3 serpentes e 5 lagartos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 pouco se comparado com trechos continentais de Mata Atl\u00e2ntica&#8221;, explica o herpet\u00f3logo. &#8220;Mas a diversidade desses animais em ilhas nunca \u00e9 muito alta&#8221;, acrescenta. Com esses dados, partiu para o doutorado, em 2007, a fim de entender qual seria a influ\u00eancia dos mam\u00edferos ex\u00f3ticos nesses baixos n\u00fameros.<\/p>\n<p>No fim de mar\u00e7o passado, n\u00f3s o acompanhamos em uma de suas \u00faltimas incurs\u00f5es por l\u00e1 neste ano, para remover as armadilhas que ainda restam em alguns pontos da mata. O trabalho de coleta de informa\u00e7\u00f5es acabou, e at\u00e9 dezembro Cicchi pretende consolidar os dados, alguns ainda n\u00e3o analisados, e se isolar na casa de veraneio da fam\u00edlia na praia de Itamambuca, tamb\u00e9m em Ubatuba, para escrever a tese (sem deixar de pegar umas ondas no fim de tarde, como bom surfista que \u00e9, para aliviar o estresse).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.unesp.br\/aci\/revista\/ed08\/pdf\/UC_08_Estudo01.pdf\"><em>Continue lendo em pdf.<\/em><\/a><br \/>\n<strong><br \/>\nPost relacionado: <\/strong><a href=\"http:\/\/www2.unesp.br\/revista\/?p=688\">As mil e uma hist\u00f3rias da Ilha Anchieta<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o nove da manh\u00e3 na marina do Saco da Ribeira, em Ubatuba, litoral norte paulista, de onde sai diariamente o barco que leva ao trabalho os funcion\u00e1rios do Parque Estadual da Ilha Anchieta. O c\u00e9u est\u00e1 aberto, mas o vento que agita o mar prenuncia virada no tempo. 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