{"id":97,"date":"2011-06-04T21:49:31","date_gmt":"2011-06-05T00:49:31","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/efeitoadverso\/2011\/06\/mao\/"},"modified":"2011-06-04T21:49:31","modified_gmt":"2011-06-05T00:49:31","slug":"mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/2011\/06\/04\/mao\/","title":{"rendered":"M\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"mt-image-center\" style=\"text-align: center;margin: 0 auto 20px\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/08\/hand1.jpg\" alt=\"hand.jpg\" width=\"400\" height=\"500\" \/><br \/>\nQue privil\u00e9gio \u00e9 o seu? Por que o \u00f3rg\u00e3o mudo e cego nos fala com tanta for\u00e7a persuasiva? Porque \u00e9 um dos mais originais, um dos mais diferenciados, \u00e0 maneira das formas superiores de vida. Articulado por meio de gonzos delicados, o punho arma-se sobre um sem-n\u00famero de oss\u00edculos. Cinco ramos \u00f3sseos, com um sistema de nervos e ligamentos, projetam-se por baixo da pele, para depois se separar de chofre e dar origem a cinco dedos separados, cada um dos quais, articulado sobre tr\u00eas juntas, com atitude e esp\u00edrito peculiares. Uma plan\u00edcie abaulada, percorrida por veias e art\u00e9rias, arredondada nas bordas, une o punho aos dedos, ao mesmo tempo que lhes encobre a estrutura oculta. O verso \u00e9 um recept\u00e1culo. Na vida ativa da m\u00e3o, ela \u00e9 suscet\u00edvel de se distender e de se endurecer, assim como \u00e9 capaz de se moldar ao objeto. Esse trabalho deixou marcas no oco da m\u00e3o, e podem-se ler a\u00ed, se n\u00e3o os s\u00edmbolos lineares das coisas passadas e futuras, ao menos o tra\u00e7o e como que as mem\u00f3rias de nossa vida de resto j\u00e1 apagada &#8211; e quem sabe, at\u00e9, alguma heran\u00e7a mais antiga. De perto, trata-se de uma paisagem singular, com seus montes, sua grande depress\u00e3o central, seus estreitos vales fluviais, ora fissurados por acidentes, cadeias e tramas, ora puros e finos como uma escritura. Toda figura permite o devaneio. N\u00e3o sei se o homem que interroga esta chegar\u00e1 a decifrar algum enigma, mas me parece bom que contemple com respeito essa sua serva orgulhosa.<\/p>\n<p>Henri Focillon (1881-1943), em <em>Elogio da m\u00e3o<\/em>, tradu\u00e7\u00e3o de Samuel Titan Jr., publicado na revista Serrote, n\u00famero 6, novembro de 2010.<\/p>\n<p>Foto: <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/jgenius\/460805706\/sizes\/m\/in\/photostream\/\">JonGenius<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que privil\u00e9gio \u00e9 o seu? Por que o \u00f3rg\u00e3o mudo e cego nos fala com tanta for\u00e7a persuasiva? Porque \u00e9 um dos mais originais, um dos mais diferenciados, \u00e0 maneira das formas superiores de vida. 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