{"id":99,"date":"2011-07-15T18:45:11","date_gmt":"2011-07-15T21:45:11","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/efeitoadverso\/2011\/07\/pelos_rios_da_amazonia_paulist\/"},"modified":"2011-07-15T18:45:11","modified_gmt":"2011-07-15T21:45:11","slug":"pelos_rios_da_amazonia_paulist","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/2011\/07\/15\/pelos_rios_da_amazonia_paulist\/","title":{"rendered":"Pelas \u00e1guas da &#8216;Amaz\u00f4nia paulista&#8217;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">Mat\u00e9ria publicada na <a href=\"http:\/\/www2.unesp.br\/revista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Unesp Ci\u00eancia<\/a> de julho de 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/www.unesp.br\/aci_ses\/revista_unespciencia\/acervo\/21\/estudo-de-campo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-435\" style=\"border: 1px solid black\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-1-620x408.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-1-620x408.jpg 620w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-1-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-1-768x506.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-1-200x132.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-1.jpg 881w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/www.unesp.br\/aci_ses\/revista_unespciencia\/acervo\/21\/estudo-de-campo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-436\" style=\"border: 1px solid black\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-2-620x407.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"407\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.unesp.br\/aci_ses\/revista_unespciencia\/acervo\/21\/estudo-de-campo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-437\" style=\"border: 1px solid black\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/efeitoadverso\/wp-content\/uploads\/sites\/217\/2011\/07\/itanhaem-3-620x405.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"405\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Na bacia hidrogr\u00e1fica do rio Itanha\u00e9m, na Baixada Santista, bi\u00f3logo de Rio Claro estuda o papel das plantas aqu\u00e1ticas na preserva\u00e7\u00e3o dos mananciais; seus resultados est\u00e3o sendo aplicados na aquicultura sustent\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n<p style=\"text-align: left\">Pouca gente sabe, mas existe um lugar no litoral sul de S\u00e3o Paulo conhecido como &#8220;Amaz\u00f4nia paulista&#8221;. Fica a apenas 115 km da capital, no munic\u00edpio de Itanha\u00e9m, o segundo mais antigo do Brasil. A compara\u00e7\u00e3o com o famoso bioma do Norte costuma ser feita por quem divulga o discreto turismo ecol\u00f3gico neste bem preservado fragmento de Mata Atl\u00e2ntica, regado por sinuosos cursos d&#8217;\u00e1gua que des\u00e1guam no rio Itanha\u00e9m.<\/p>\n<p>Evidentemente, n\u00e3o \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o feita com base em escala. Enquanto a bacia hidrogr\u00e1fica do rio Amazonas ocupa 3,8 milh\u00f5es de km2 s\u00f3 no lado brasileiro, a do rio Itanha\u00e9m tem m\u00edseros 930 km2. Em compensa\u00e7\u00e3o, o paralelo faz sentido depois que se constata o que h\u00e1 em comum entre os dois lugares: o fato de seus rios principais serem formados pelo encontro de um afluente de \u00e1gua escura com outro, de \u00e1gua branca.<\/p>\n<p>No caso amaz\u00f4nico, s\u00e3o os rios Negro e Solim\u00f5es que formam o Amazonas. Em territ\u00f3rio bandeirante, s\u00e3o os rios Preto e Branco que originam o Itanha\u00e9m, no sop\u00e9 da Serra do Mar (saiba mais aqui: <a href=\"http:\/\/www2.unesp.br\/revista\/?p=3260\">http:\/\/bit.ly\/kABj7V<\/a>).<\/p>\n<p>\u00c9 por essa paisagem quase desconhecida dos paulistas que navega com familiaridade o bi\u00f3logo Antonio Fernando Monteiro Camargo, pesquisador do departamento de Ecologia do Instituto de Bioci\u00eancias da Unesp em Rio Claro.<\/p>\n<p>Antonio Camargo \u00e9 especialista em Limnologia, a ci\u00eancia que estuda as \u00e1guas interiores, isto \u00e9, os sistemas aqu\u00e1ticos continentais, como rios, lagos, estu\u00e1rios etc. Parente da Hidrologia, mais interessada nas origens geol\u00f3gicas das \u00e1guas do planeta, a Limnologia \u00e9 um ramo da Ecologia. Logo, est\u00e1 preocupada com as intera\u00e7\u00f5es dos seres vivos com seu ambiente e a rela\u00e7\u00e3o deles com as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e qu\u00edmicas da \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8220;Isso diz muito sobre a qualidade e a preserva\u00e7\u00e3o de uma bacia hidrogr\u00e1fica&#8221;, justifica o pesquisador. Em Itanha\u00e9m, esses dados tamb\u00e9m revelam a qualidade da \u00e1gua oferecida aos habitantes da cidade e de parte de Praia Grande e Peru\u00edbe.<\/p>\n<p><!--more-->A cada tr\u00eas meses, Camargo e equipe passam alguns dias na regi\u00e3o coletando material em 22 pontos da bacia hidrogr\u00e1fica do rio Itanha\u00e9m, que ele visita regularmente h\u00e1 20 anos. A reportagem de Unesp Ci\u00eancia os acompanhou na \u00faltima viagem, em 29 de abril, uma sexta-feira ensolarada, n\u00e3o muito quente, sem vento e com poucos mosquitos.<\/p>\n<p>Dividido em duas pequenas lanchas de alum\u00ednio, o grupo subiu o rio Itanha\u00e9m, largo e caudaloso, para depois enveredar por um de seus formadores, o rio Branco, de \u00e1guas sossegadas e l\u00edmpidas. E depois pelos afluentes deste, os rios Mambu e Aguape\u00fa (veja mapa na p\u00e1g. seguinte).<\/p>\n<p>O objetivo da expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 registrar as condi\u00e7\u00f5es da \u00e1gua corrente, como temperatura, pH, turbidez, etc., e coletar amostras do l\u00edquido para futuras an\u00e1lises em laborat\u00f3rio, para conhecer os teores de oxig\u00eanio, nutrientes, sais. E, o que \u00e9 bem mais demorado, recolher exemplares das plantas aqu\u00e1ticas que colonizam as margens dos rios, as chamadas macr\u00f3fitas.<\/p>\n<p><strong>Encarregadas da limpeza<\/strong><br \/>\nAs macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas s\u00e3o pe\u00e7as-chave no trabalho de Camargo, porque atuam como filtros que limpam a \u00e1gua e por isso s\u00e3o \u00f3timos indicadores da qualidade da bacia hidrogr\u00e1fica. Como encarregadas da limpeza, essas plantas trabalham em conjunto com os microorganismos que coabitam o ambiente.<\/p>\n<p>Eles decomp\u00f5em a mat\u00e9ria org\u00e2nica (restos animais e vegetais) em seus nutrientes essenciais, como nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, que s\u00e3o absorvidos por elas para promover seu crescimento. O sumi\u00e7o ou a prolifera\u00e7\u00e3o excessiva de alguma dessas esp\u00e9cies \u00e9 sinal de altera\u00e7\u00e3o no fluxo de energia no ecossistema.<\/p>\n<p>Evolutivamente falando, a maioria das macr\u00f3fitas teve origem em plantas terrestres, explica o pesquisador, mas acabaram se adaptando \u00e0 vida nos rios, mangues e brejos. &#8220;Elas podem viver com mais ou menos \u00e1gua, em condi\u00e7\u00e3o mais ou menos salobra&#8221;, descreve. Por essa versatilidade, algumas esp\u00e9cies s\u00e3o vendidas como plantas ornamentais para aqu\u00e1rios, lagos e at\u00e9 jardins &#8211; onde precisam ser regadas frequente e abundantemente.<\/p>\n<p>Algumas macr\u00f3fitas s\u00e3o de vida livre e flutuam ao sabor da correnteza, enquanto outras s\u00e3o submersas e emitem folhas flutuantes. As mais dif\u00edceis de coletar s\u00e3o as emersas cujas ra\u00edzes est\u00e3o bem fincadas no fundo do rio. Para arranc\u00e1-las de l\u00e1, \u00e9 preciso muque.<\/p>\n<p>O material coletado pelos rapazes do grupo aos poucos vai sendo organizado pelas mo\u00e7as em grandes sacos pl\u00e1sticos pretos, que, com o passar das horas, v\u00e3o tomando conta dos barcos.Enquanto seus orientandos p\u00f5em a m\u00e3o na massa, Camargo conta \u00e0 reportagem como, em outros lugares, as macr\u00f3fitas podem causar grande dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 o que vem acontecendo no lago da usina hidrel\u00e9trica de Jupi\u00e1, que recebe a \u00e1gua dos rios Paran\u00e1 e Tiet\u00ea, entre Tr\u00eas Lagoas (MS) e Castilho (SP). &#8220;A Cesp [que administra a usina] tem um preju\u00edzo enorme porque uma dessas plantas [do tipo submersa e enraizada] prolifera muito e acaba entupindo as turbinas, que precisam ser desligadas para limpeza&#8221;, diz. &#8220;No ver\u00e3o, s\u00e3o tiradas toneladas de plantas por dia.&#8221;<\/p>\n<p>A causa do problema de Jupi\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, como poderia pensar qualquer um que j\u00e1 viu um rio polu\u00eddo tomado pelos chamados aguap\u00e9s, que s\u00e3o macr\u00f3fitas flutuantes. Estas esp\u00e9cies realmente se beneficiam do aumento de nutrientes (nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, principalmente) resultante da descarga de esgoto dom\u00e9stico. O problema em Jupi\u00e1 \u00e9 a \u00e1gua excessivamente transparente.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos fatores que limitam o crescimento das macr\u00f3fitas submersas enraizadas \u00e9 a falta de luminosidade&#8221;, diz. Essas plantas retiram os nutrientes do sedimento, mas para incorpor\u00e1-los precisam de luz, sem a qual n\u00e3o h\u00e1 fotoss\u00edntese. Antes de chegar ao lago de Jupi\u00e1, a \u00e1gua passa por sucessivas barragens no rio Tiet\u00ea, onde o material particulado, at\u00e9 ent\u00e3o suspenso, por fim se transforma em sedimento.&#8221;O resultado \u00e9 uma \u00e1gua muito transparente, o que facilita a fotoss\u00edntese deste tipo de macr\u00f3fita&#8221;, conclui o pesquisador.<\/p>\n<p>Outras usinas t\u00eam problemas semelhantes. Recentemente Camargo foi convidado pelo Ibama para um evento no qual se discutiu o uso de herbicidas na \u00e1gua, o que at\u00e9 hoje \u00e9 proibido. &#8220;Existe uma press\u00e3o das empresas para liberar o uso (dos qu\u00edmicos). Mas isso n\u00e3o vai resolver. As plantas cresceriam de novo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Rio acima<\/strong><br \/>\n\u00c0 medida que vamos subindo o rio Branco, as popula\u00e7\u00f5es de macr\u00f3fitas v\u00e3o mudando. &#8220;Algumas esp\u00e9cies s\u00e3o cosmopolitas, outras s\u00f3 d\u00e3o em certos lugares ou certas \u00e9pocas&#8221;, explica o limn\u00f3logo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes elas desaparecem, depois voltam e nem sempre a gente entende bem por qu\u00ea&#8221;, continua. Para entender os motivos, \u00e9 preciso acumular dados por um bom tempo. Somente uma s\u00e9rie temporal permite entender como essas varia\u00e7\u00f5es se relacionam com as caracter\u00edsticas da \u00e1gua, do clima, da esta\u00e7\u00e3o do ano, etc.<\/p>\n<p>Camargo j\u00e1 tem uma sequ\u00eancia bem organizada de dados, referentes a cinco esp\u00e9cies de macr\u00f3fitas, acumulados nos \u00faltimos cinco anos. Isso lhe permite dizer, de forma geral, que \u00e9 muito boa a qualidade da bacia hidrogr\u00e1fica do Itanha\u00e9m e, consequentemente, tamb\u00e9m a do l\u00edquido que abastece as torneiras dos moradores da regi\u00e3o. &#8220;A \u00e1gua que se bebe em Itanha\u00e9m com certeza \u00e9 melhor que a da cidade de S\u00e3o Paulo&#8221;, diz. Por essa raz\u00e3o, o tratamento da \u00e1gua feito pela Sabesp na cidade \u00e9 m\u00ednimo, segundo ele.<\/p>\n<p>Um dos locais de coleta da equipe \u00e9 muito pr\u00f3ximo do ponto de capta\u00e7\u00e3o da Sabesp, no rio Mambu. Chegamos l\u00e1 de carro, pois o leito pedregoso e as pequenas cachoeiras impedem o acesso das lanchas de alum\u00ednio. Limp\u00edssima, a \u00e1gua que sai dali j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para abastecer Itanha\u00e9m, principalmente na \u00e9poca de temporada, quando sua popula\u00e7\u00e3o dobra. Para contornar a escassez, a Sabesp est\u00e1 finalizando a constru\u00e7\u00e3o de um segundo ponto de capta\u00e7\u00e3o, no rio Branco.<\/p>\n<p>No fim da tarde, retornamos \u00e0 base na qual a equipe estava hospedada, um &#8220;centro de pesquisas&#8221; situado na margem do rio Itanha\u00e9m, mantido pela prefeitura para dar suporte \u00e0 atividade de cientistas na regi\u00e3o. Inauguradas em 2000, as instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o modestas e pouco utilizadas. Camargo \u00e9 o mais antigo e ass\u00edduo usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que o material coletado &#8211; macr\u00f3fitas, \u00e1gua e sedimento &#8211; \u00e9 preparado para an\u00e1lises posteriores. As plantas s\u00e3o cuidadosamente picadas. A \u00e1gua, depois de filtrada, \u00e9 acondicionada em frascos apropriados, assim como o lodo. Depois, no laborat\u00f3rio em Rio Claro, essas amostras ser\u00e3o submetidas a an\u00e1lises qu\u00edmicas para verificar os teores de nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo, enxofre, etc.<\/p>\n<p>Os procedimentos seriam repetidos no dia seguinte, depois da visita a outros pontos de coleta, que incluiriam \u00e1reas polu\u00eddas. Na manh\u00e3 de s\u00e1bado, visitamos os pontos de coleta do grupo que est\u00e3o situados numa paisagem radicalmente diferente da do dia anterior.<\/p>\n<p>Dos regatos l\u00edmpidos e cercados pela floresta, passamos a c\u00f3rregos estagnados, que cortam bairros perif\u00e9ricos da cidade. Um deles \u00e9 o rio Gua\u00fa, um canal de mangue naturalmente de \u00e1gua escura, rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica, e parada &#8211; caracter\u00edsticas que podem ser confundidas com contamina\u00e7\u00e3o, mas ocorrem mesmo em condi\u00e7\u00f5es limpas.<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o disfar\u00e7am, por\u00e9m, o fato de que o local est\u00e1 de fato polu\u00eddo. O problema \u00e9 o despejo de esgoto, proveniente da rua ou das casas enfileiradas na beira do c\u00f3rrego. Felizmente, a descarga malcheirosa n\u00e3o tem afetado significativamente a bacia hidrogr\u00e1fica como um todo, como mostra o trabalho do pesquisador de Rio Claro. Esses riachos contaminados des\u00e1guam num ponto pr\u00f3ximo \u00e0 foz do rio Itanha\u00e9m, mais pr\u00f3ximo do mar, onde ocorre uma grande dilui\u00e7\u00e3o, segundo ele.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o humana para \u00e1reas mais internas \u00e0 bacia, entretanto, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. A bacia hidrogr\u00e1fica do rio Itanha\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 inserida em nenhum tipo de unidade de conserva\u00e7\u00e3o &#8211; exceto nas partes mais altas, onde se concentram as cabeceiras dos rios, no alto da &#8220;muralha&#8221; que divide a Baixada Santista do Planalto Paulista, \u00e1rea protegida pelo Parque Estadual da Serra do Mar.<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>Visitas virtuais<\/strong><br \/>\nNem todos os pontos da bacia hidrogr\u00e1fica, sobretudo os mais altos, s\u00e3o acess\u00edveis aos pesquisadores. Mas com ajuda da tecnologia eles est\u00e3o conseguindo ter uma ideia da paisagem desses locais &#8211; no que diz respeito \u00e0s macr\u00f3fitas &#8211; sem nunca terem chegado at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>Amparado por sistemas de informa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, bancos de dados e algoritmos, o doutorando Leonardo Cancian criou um modelo que consegue prever com razo\u00e1vel confiabilidade as esp\u00e9cies de macr\u00f3fitas que habitam esses pontos long\u00ednquos.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tipo de modelo \u00e9 muito usado em outros ramos da Ecologia para estimar a presen\u00e7a de animais e plantas terrestres num determinado ambiente. Mas para sistemas aqu\u00e1ticos, n\u00e3o havia nada nesse sentido&#8221;, diz o doutorando, cuja tese ser\u00e1 defendida no ano que vem. Segundo o orientador, o m\u00e9todo poder\u00e1 ser adaptado para avalia\u00e7\u00e3o de outras bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>O enorme desenvolvimento tecnol\u00f3gico da \u00faltima d\u00e9cada facilitou a pesquisa de Camargo tamb\u00e9m em outras frentes. &#8220;Quando comecei a estudar esse lugar, h\u00e1 20 anos, tivemos muita dificuldade para encontrar mapas completos da bacia.&#8221;<\/p>\n<p>Foi preciso buscar estudos cartogr\u00e1ficos dos anos 1970, feitos por militares, colar os mapas manualmente, digitaliz\u00e1-los com os parcos recursos da \u00e9poca. &#8220;Dava muito trabalho&#8221;, lembra. &#8220;Hoje, com os sistemas de georreferenciamento, podemos tirar informa\u00e7\u00f5es muito mais detalhadas.&#8221;<\/p>\n<p>De tanto estudar os aspectos b\u00e1sicos da ecologia das macr\u00f3fitas, Camargo chamou a aten\u00e7\u00e3o de alguns colegas da Zootecnia, com quem ele vem estudando novas t\u00e9cnicas para a aquicultura sustent\u00e1vel.<br \/>\nEm um projeto conduzido no Centro de Aquicultura da Unesp em Jaboticabal (CAUnesp), onde orienta cinco alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, ele est\u00e1 investigando o emprego das macr\u00f3fitas no tratamento da \u00e1gua usada na carcinicultura, por exemplo. A planta se alimenta dos nutrientes provenientes do excremento dos camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Em outro projeto, dessa vez em parceria com colega da Faculdade de Ci\u00eancias Agron\u00f4micas da Unesp em Botucatu, a ideia \u00e9 dar utilidade \u00e0s macr\u00f3fitas mortas, j\u00e1 usadas como filtro, seja na carcinicultura, seja na piscicultura. &#8220;Queremos aproveitar esse material e incorpor\u00e1-lo \u00e0 ra\u00e7\u00e3o dos peixes, substituindo a soja, por exemplo&#8221;, completa.<br \/>\n<em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria publicada na Unesp Ci\u00eancia de julho de 2011. 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