
A produção científica mundial apresenta seus resultados de uma maneira própria, através de plataformas bem determinadas. Conheça mais onde encontrar os resultados da ciência que é feita atualmente.
Quando se pensa na ciência e no conhecimento científico, muitas vezes eles parecem estar distantes, em lugares inacessíveis. Nesse processo é possível esquecer da sua materialidade, de que a ciência é algo que é produzido diariamente, em laboratórios, onde são realizados experimentos e técnicas minuciosas. Apesar de cada área do conhecimento desenvolver métodos e instrumentos próprios para gerar seus dados, uma constante é comum para todas elas: como se apresenta os resultados finais.
Os artigos científicos, que apresentam os dados e resultados de experimentos, é a materialidade final da ciência. Atualmente, ele é o principal recurso da discussão e do aprofundamento do conhecimento científico, independente do local do mundo em que ele é produzido. Assim, cabe entendermos um pouco mais o que é um artigo, onde encontrar eles e quais suas principais características.
Onde está a ciência? Nos artigos científicos
A ciência é apresentada, desde a introdução no ambiente escolar, como produção de conhecimento através da materialidade – empirismo, com comprovações concretas. Para isso, é necessário desenvolver experimentos – delinear hipóteses, organizar materiais, estudar protocolos, aprimorar técnicas e esperançosamente produzir resultados. Esse processo todo não está isolado, a ciência não é produzida sozinha. A produção de outros cientistas, atuais e do passado, contribuem para o conhecimento da área, aprimorando todos os aspectos necessários para prosseguir na continuidade da ciência.
Essa produção encontra-se, majoritariamente, nos artigos científicos. Os artigos são textos com um modelo e uma linguagem própria, com objetivo de comunicação intracientífica, em que pesquisadores do mundo inteiro possam interagir, apresentando e analisando a ciência que produzem. Os textos dos artigos são majoritariamente organizados em: introdução, materiais e métodos, resultados, discussão e conclusão. Esse modelo tem por objetivo apresentar uma contextualização sobre a temática da pesquisa, os objetivos do trabalho, como ele foi desenvolvido, quais os principais resultados e como esse trabalho se insere na conjuntura das pesquisas científicas que já foram produzidas.
O público-alvo? De cientistas para cientistas
Conforme apresentado, os cientistas do mundo inteiro se comunicam através dos artigos científicos. Nesse sentido, os cientistas que produzem ciência através de seus experimentos e análises dos resultados querem que outros cientistas leiam seus trabalhos. Para isso, é necessário que a linguagem e o idioma seja o mais abrangente e internacional possível. Logo, a maioria dos artigos científicos escritos no mundo está no idioma inglês.
Além da questão idiomática, os artigos são escritos com um objetivo bem específico. A principal função de um artigo é que ele seja lido por outros cientistas, que também trabalhem com a mesma temática, e assim conseguir, mesmo a distância, compartilhar e aprofundar os conhecimentos sobre os estudos desenvolvidos nas suas áreas. Um cientista no Brasil, por exemplo, consegue se comunicar, ensinar e aprender com cientistas da Europa, Ásia ou qualquer outro lugar do mundo, através dos artigos.
Outra questão específica dos artigos é onde e como encontrá-los. Apesar de uma infinidade de sites, blogs e perfis de redes sociais que falam sobre ciência, os artigos são encontrados em portais específicos para a produção científica.
E onde está? Nos periódicos científicos (de alto impacto)
A ciência está nos artigos, mas onde estão os artigos? Historicamente, desde pelo menos o século XIV, a produção científica se organiza em revistas e periódicos especializados. Anteriormente, a publicação se dava em revistas físicas, com um corpo editorial especializado que aprovava e organizava quais artigos poderiam ser publicados e divulgados.
Atualmente, a divulgação se dá principalmente em periódicos virtuais, em plataformas online. Porém, a revisão por cientistas dos artigos submetidos para publicação continua. Desse modo, os especialistas de cada área leem trabalhos, avaliam e decidem se a produção está de acordo com as bases teóricas, metodológicas e se os resultados possuem relevância para o desenvolvimento da área. Apesar de trabalhosa, esse processo de revisão por pares é essencial para garantir a veracidade, a relevância e o impacto do trabalho produzido.
Ainda assim, existem uma quantidade muito grande de periódicos e revistas científicas ao redor do mundo. Existem as de qualidade, e as que não se importam com o conhecimento científico. Desse modo, os cientistas criaram outro modelo de verificação sobre a qualidade e o impacto dos artigos e dos periódicos científicos.
Assim, surgiu o Fator de Impacto, que mede a quantidade de citações que os artigos de um periódico recebe ao decorrer de um período de tempo específico. A ideia é que, se outros cientistas utilizam do trabalho como referência e parte da construção de outro artigo, isso significa que ele é relevante. E quanto maior o número de utilizações desse artigo, maior o número de citações, e consequentemente, maior o fator de impacto.
Desse modo, algumas revistas tomaram a dianteira como principais espaços de publicação e de divulgação da produção científica aprofundada e bem estruturada, revisada por pares de instituições mundialmente renomadas. Na área da medicina experimental, genética e biologia molecular, por exemplo, temos como principais periódicos as revistas ‘Lancet’, ‘PLOS Biology’, Cell e ‘Molecular Biology’, entre algumas outras com fator de impacto alto.
No Brasil, é possível analisar o fator de impacto e a relevância dos periódicos através da nota Qualis, registrada na plataforma Sucupira, um instrumento da CAPES que avalia as revistas científicas e classifica elas. A classificação vai da mais alta A1 até a nota C.
É possível modificar essa estrutura?
É evidente que essa estrutura tem contribuído com a divulgação da produção científica mundialmente, possibilitando que cientistas de qualquer universidade ou centro de pesquisa consiga acessar virtualmente, sem a obrigação da revista física impressa. Contudo, essa forma de produzir e divulgar ciência não está imune de críticas.
Existem dois principais pontos que podemos discutir: a inacessibilidade dos artigos – a maioria desses periódicos de alto impacto exigem alguma forma de pagamento para acessar os artigos publicados e também para conseguir publicar seus resultados nesses espaços -; e a sobrecarga dos cientistas, que possuem demandas de diversas outras questões no seu cotidiano, somando também em contribuir de forma voluntária na revisão dos artigos nesses periódicos.
Desse modo, é importante que existam mecanismos que garantam a qualidade, a veracidade e o impacto do que se produz nos espaços científicos, mas que ao mesmo tempo olhem para os cientistas e para a produção científica considerando o aspecto humano e que preservem a qualidade, sem focar unicamente nos números e na quantidade que se produz.
Por fim, a ideia foi apresentar de maneira introdutória e superficial onde está a ciência, a materialidade da produção científica. Ela está em uma estrutura historicamente estabelecida de periódicos, revistas e artigos científicos, que conseguem garantir algumas questões básicas de veracidade e de qualidade, mas que podem, junto com a comunidade acadêmica, entrar em um debate amplo e bem fundamentado. A produção científica e o impacto que ela tem entre os próprios acadêmicos e na sociedade de um modo é essencial, podendo ter uma maior consideração com aqueles que produzem e dedicam uma vida inteira para o avanço científico.
Para saber mais:
PINTO & ANDRADE. Fator de impacto de revistas científicas: qual o significado deste parâmetro?
CAPES, Portal de Periódicos. Portal de Periódicos abriga títulos com maior fator de impacto do mundo
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