{"id":291,"date":"2023-06-06T21:35:42","date_gmt":"2023-06-07T00:35:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/?p=291"},"modified":"2023-06-06T21:35:42","modified_gmt":"2023-06-07T00:35:42","slug":"transmissao-e-sintomas-da-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/2023\/06\/06\/transmissao-e-sintomas-da-dengue\/","title":{"rendered":"Dengue: como \u00e9 sua transmiss\u00e3o e sintomas?"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><\/p>\n<cite><em>Vimos anteriormente um pouco da biologia do v\u00edrus da dengue, onde ele surgiu e em que pa\u00edses acontecem as principais epidemias. Mas como essa doen\u00e7a \u00e9 transmitida para n\u00f3s e, principalmente, quais s\u00e3o os seus sintomas?<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<pre class=\" wp-block-verse has-text-align-center has-small-font-size eplus-wrapper\"><em>Texto escrito por Maur\u00edlio Bonora Junior, Mariene Ribeiro Amorim e Alexandre Borin Pereira.<\/em><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A dengue, como dito anteriormente, \u00e9 uma <strong>arbovirose<\/strong>, isto \u00e9, uma doen\u00e7a causada por um v\u00edrus transmitido por artr\u00f3podes (os chamados <strong>vetores<\/strong>). Os principais vetores da dengue s\u00e3o os mosquitos <em>Aedes aegypti<\/em> (original da \u00c1frica e bem conhecido por n\u00f3s) e <em>Aedes albopictus <\/em>(original da \u00c1sia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Os <em>Aedes aegypti<\/em> costumam viver dentro das casas, precisam de \u00e1gua parada e limpa para colocar os ovos, picam de dia e s\u00e3o encontrados principalmente em regi\u00f5es tropicais e subtropicais (como a Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica). J\u00e1 os <em>Aedes albopictus<\/em> costumam viver fora de casa, compartilhando todas as outras caracter\u00edsticas com o <em>Ae. aegypti<\/em>. Apesar do <em>Aedes albopictus<\/em> ser mais comum na \u00c1sia, ele tamb\u00e9m se faz presente aqui no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Outro fato pouco divulgado, \u00e9 que somente a <strong>f\u00eamea do mosquito<\/strong> <strong>transmite o v\u00edrus<\/strong>, por meio da saliva que ela usa durante a mordida para anestesiar a pele onde est\u00e1 nos picando. Os mosquitos machos s\u00e3o incapazes de transmitir a dengue, pois eles n\u00e3o se alimentam de sangue e sim de, exclusivamente, suco das frutas, n\u00e9ctar das flores e seiva de plantas. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Como o v\u00edrus passa de n\u00f3s para o mosquito e do mosquito para n\u00f3s?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando um mosquito f\u00eamea pica um ser humano infectado com o v\u00edrus da dengue, ela ingere o sangue com o v\u00edrus. Esse v\u00edrus vai se multiplicar nas c\u00e9lulas do intestino do mosquito f\u00eamea e vai se espalhar pelo corpo dela, chegando at\u00e9 as gl\u00e2ndulas salivares, onde a saliva com o v\u00edrus ser\u00e1 produzida. Esse processo do mosquito f\u00eamea se infectar e come\u00e7ar a transmitir o v\u00edrus pela picada para outros humanos leva, em m\u00e9dia, 8 a 10 dias, podendo ser mais r\u00e1pido ou mais demorado conforme a temperatura do lugar, linhagem do v\u00edrus e do pr\u00f3prio mosquito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s o mosquito f\u00eamea se infectar, ela pode transmitir o v\u00edrus at\u00e9 morrer, podendo picar e transmitir para v\u00e1rios humanos nesse meio tempo. Em m\u00e9dia, a f\u00eamea do mosquito vive 6 semanas, mas pode atingir at\u00e9 5 meses. Assim, um mosquito infectado pode transmitir o v\u00edrus para <strong>MUITAS<\/strong> pessoas durante sua vida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Existem outras formas de se pegar essa doen\u00e7a?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Sim! A dengue tamb\u00e9m pode ser transmitida de outras maneiras, sem a necessidade do mosquito, como: transfus\u00e3o de sangue, transplante de medula, transmiss\u00e3o intraparto e perinatal (caso a m\u00e3e esteja infectada durante o parto). Diferente do que foi visto para o Zika, n\u00e3o h\u00e1 registro de transmiss\u00e3o via s\u00eamen. Contudo, na maioria dos casos a transmiss\u00e3o da dengue se d\u00e1 pelo mosquito. Nesse ponto, as atividades humanas, relacionadas principalmente \u00e0 reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em objetos como vasilhas e pneus, favorecem o aumento do n\u00famero de mosquitos possivelmente infectados com o v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da dengue pode ser realizada tanto via cultura de c\u00e9lulas infectadas do paciente ou a detec\u00e7\u00e3o de anticorpos contra o v\u00edrus no sangue. Assim como \u00e9 feito com a covid-19, o<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/diagnostico-por-rt-qpcr-o-que-e-isso\/\"><strong>RTq-PCR<\/strong><\/a> \u00e9 muito \u00fatil para detectar o v\u00edrus, mas somente nos primeiros dias de sintomas (1-7 dias). Um outro m\u00e9todo para identifica\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o de dengue \u00e9 a chamada <strong>Prova do La\u00e7o<\/strong>. Nessa t\u00e9cnica se mede a quantidade de pontinhos vermelhos na pele (chamados de <strong>pet\u00e9quias<\/strong>), ap\u00f3s alguns poucos minutos com o bra\u00e7o pressionado. O teste \u00e9 considerado positivo ao aparecer +20 pet\u00e9quias em adultos e +10 em crian\u00e7as, ap\u00f3s (respectivamente) 5 e 3 minutos com o bra\u00e7o apertado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Quais s\u00e3o os sintomas da dengue?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Mesmo que muitas vezes n\u00e3o seja divulgado, os sintomas da dengue variam muito, desde sintomas leves at\u00e9 mais severos. Na pr\u00e1tica, a dengue pode ser <strong>assintom\u00e1tica ou sintom\u00e1tica<\/strong>, sendo que somente 20 \u2013 30% dos casos desenvolvem sintomas (sejam leves ou graves). Parecido com o que acontece com a covid-19, os casos assintom\u00e1ticos s\u00e3o aqueles que mais contribuem (84%) para a transmiss\u00e3o do v\u00edrus, pois as pessoas n\u00e3o sabem que est\u00e3o infectadas. Elas ent\u00e3o s\u00e3o picadas pelos mosquitos, que v\u00e3o picar e transmitir o v\u00edrus para novas pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Agora, quando uma pessoa desenvolve dengue com sintomas, a doen\u00e7a tem <span style=\"text-decoration: underline\">tr\u00eas fases<\/span>: febril (Febre da Dengue), cr\u00edtica (Dengue Severa) e convalescente.&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A <strong>fase febril<\/strong> (ou aguda) \u00e9 quando acontece um aumento repentino da febre e desidrata\u00e7\u00e3o, que pode durar de 2-7 dias. O come\u00e7o da fase febril \u00e9 conhecido por ter sintomas de gripe comum (febre, dor no corpo, na cabe\u00e7a e na garganta), e por causa disso, \u00e9 muito dif\u00edcil distinguir de outras doen\u00e7as. Muitos desses pacientes com sintomas leves nunca procuram ajuda m\u00e9dica, contribuindo para n\u00e3o sabermos ao certo a porcentagem de casos sintom\u00e1ticos. Al\u00e9m disso, pelos sintomas iniciais da doen\u00e7a n\u00e3o serem espec\u00edficos, quando esses pacientes procuram ajuda m\u00e9dica, os sintomas deles podem ser confundidos com outras doen\u00e7as virais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A <strong>Febre da Dengue<\/strong> \u00e9 o nome dado a esse conjunto de sintomas da fase febril da doen\u00e7a: febre, dor no corpo, na cabe\u00e7a, nas juntas e atr\u00e1s dos olhos; n\u00e1useas e v\u00f4mito; manchas vermelhas na pele e nas gengivas (que podem ser de diferentes tipos e tons), sangramento pelo nariz, redu\u00e7\u00e3o de plaquetas e leuc\u00f3citos, e linfonodos inchados. A partir da fase cr\u00edtica, o paciente come\u00e7a a melhorar (<strong>fase convalescente<\/strong>), quando a febre diminui. Durante esse per\u00edodo de melhora, ainda podem ser observadas algumas manchas na pele, coceira e aumento de apetite. Contudo, alguns pacientes podem piorar ap\u00f3s a febre baixar (<strong>fase cr\u00edtica<\/strong>), desenvolvendo a forma da doen\u00e7a chamada <strong>Dengue Severa <\/strong>(ou Hemorr\u00e1gica).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E a forma grave da dengue?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">A <strong>Dengue Hemorr\u00e1gica<\/strong> \u00e9 uma doen\u00e7a bem mais severa, relacionada ao mau funcionamento da coagula\u00e7\u00e3o do sangue, aumento da permeabilidade dos vasos sangu\u00edneos e grande extravasamento de l\u00edquido para os tecidos (fazendo com que a press\u00e3o sangu\u00ednea fique mais baixa). Tudo isso deriva da grande redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de plaquetas (evento conhecido como <strong>trombocitopenia<\/strong>), sintoma este que se inicia l\u00e1 na fase febril e que tem como principal sinal o desenvolvimento de hematomas na pele (as famosas manchas vermelhas). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Essa redu\u00e7\u00e3o de plaquetas \u00e9 de suma import\u00e2ncia, pois as <strong>plaquetas<\/strong> s\u00e3o os principais componentes do nosso sangue envolvidos na coagula\u00e7\u00e3o. Um excesso de plaquetas pode levar a forma\u00e7\u00e3o de um trombo. J\u00e1 a sua falta, leva a hemorragias (mais leves ou mais graves). No caso da dengue, a <strong>hemorragia<\/strong> propriamente dita geralmente \u00e9 interna, o que significa que muitas vezes n\u00e3o sabemos que estamos perdendo sangue, e s\u00f3 notamos a redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o sangu\u00ednea, sem entender a origem dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Se n\u00e3o tratada, a dengue hemorr\u00e1gica pode levar \u00e0 <strong>S\u00edndrome de Choque associada a Dengue<\/strong>, um fen\u00f4meno corporal que \u2014 devido ao baixo volume de sangue no corpo \u2014 os \u00f3rg\u00e3os e tecidos n\u00e3o conseguem receber nutrientes e energia, causando dano a esses tecidos e m\u00faltipla fal\u00eancia de \u00f3rg\u00e3os. A maioria das mortes por dengue \u00e9 derivada da Dengue Hemorr\u00e1gica e da S\u00edndrome de Choque associada a Dengue.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Por que dizem ser mais perigoso pegar dengue uma segunda vez?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Tanto fatores relacionados \u00e0 gen\u00e9tica do v\u00edrus quanto fatores do paciente podem estar relacionados com a severidade da dengue. Pesquisadores j\u00e1 identificaram alguns fatores de risco para n\u00f3s: anemia falciforme, diabetes, asma bronquial. Contudo, o principal elemento discutido at\u00e9 hoje como contribuinte para causar uma dengue mais severa \u00e9 o efeito chamado <strong>Aumento Dependente de Anticorpos<\/strong> (<strong>ADE<\/strong>, do ingl\u00eas, <em>antibody-dependent enhancement<\/em>). Apesar de haver fortes evid\u00eancias que apontam o acontecimento do ADE ao desenvolver a dengue hemorr\u00e1gica, tal efeito continua sendo uma hip\u00f3tese, ainda n\u00e3o sendo compreendido em toda sua plenitude. Entretanto, ele continua sendo uma importante hip\u00f3tese, sendo bastante considerado durante o desenvolvimento de vacinas (que ser\u00e1 falado mais a frente).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Para entender esse fen\u00f4meno, n\u00f3s precisamos lembrar que uma vez que nos infectamos com um sorotipo de dengue, n\u00f3s montamos toda uma resposta imune que nos deixa protegido para o resto da vida contra esse sorotipo. Essa prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dura alguns meses contra os outros sorotipos, mas depois de um tempo, ela se torna m\u00ednima. O fen\u00f4meno ADE acontece quando temos uma segunda infec\u00e7\u00e3o de dengue, com um sorotipo diferente do primeiro. <\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Vamos ver um exemplo para ficar mais claro:&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><em>Um ano atr\u00e1s tive dengue causada por um v\u00edrus do sorotipo 4 (DENV-4) e agora tive dengue novamente, com um v\u00edrus do sorotipo 1 (DENV-1).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Muita pesquisa foi e continua sendo feita para se entender melhor esse fen\u00f4meno, que at\u00e9 hoje em dia gera d\u00favida nos cientistas. O que se sabe \u00e9 que ele acontece principalmente pelos <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/o-que-sao-anticorpos\/\">anticorpos<\/a> desenvolvidos contra o sorotipo da primeira infec\u00e7\u00e3o. Voltando ao nosso exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\"><em>Quando me infectei com o DENV-4, meu sistema imune montou toda uma resposta protetora contra esse v\u00edrus, incluindo anticorpos neutralizantes, capazes de se ligar no v\u00edrus e impedir que ele infecte uma c\u00e9lula. Quando me infectei com o v\u00edrus DENV-1, esses anticorpos conseguem se ligar nele ainda, mas diferente do que deveriam fazer, eles n\u00e3o conseguem neutralizar esse v\u00edrus, permitindo que ele infecte livremente minhas c\u00e9lulas. Como os anticorpos est\u00e3o ligados nesse v\u00edrus, muitas c\u00e9lulas come\u00e7am a coloc\u00e1-lo para dentro de si, pensando que ele n\u00e3o poder\u00e1 se multiplicar. Entretanto, como os anticorpos n\u00e3o est\u00e3o fazendo sua fun\u00e7\u00e3o, esse v\u00edrus consegue se multiplicar livremente dentro dessa c\u00e9lula. E isso se torna um processo exponencial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Mas o que tudo isso significa?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, o Aumento Dependente de Anticorpos facilita a entrada do v\u00edrus nas c\u00e9lulas e a sua multiplica\u00e7\u00e3o, gerando mais v\u00edrus e, consequentemente, mais sintomas graves.&nbsp; Al\u00e9m disso, o reconhecimento do v\u00edrus atrav\u00e9s desses anticorpos pr\u00e9vios n\u00e3o neutralizantes ativa uma grande libera\u00e7\u00e3o de citocinas por outras c\u00e9lulas do sistema imune, chamada <strong>Tempestade de Citocinas<\/strong>, uma forma \u201cdesesperada\u201d do corpo de tentar controlar a grande infec\u00e7\u00e3o que est\u00e1 acontecendo (voc\u00ea pode ler mais sobre isso <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/se-o-coronavirus-e-um-virus-pulmonar-como-ele-infecta-outros-orgaos-parte-2\/\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/qual-a-relacao-entre-diabetes-e-covid-19\/\">aqui<\/a>). Essa tempestade de citocinas \u00e9 uma das respons\u00e1veis pelo aumento da permeabilidade vascular, contribuindo para os sintomas da forma grave da dengue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Algumas pesquisas sugerem que o risco de desenvolver dengue hemorr\u00e1gica em uma segunda infec\u00e7\u00e3o \u00e9 10x maior do que na primeira, muito disso&nbsp; \u2014 provavelmente \u2014 devido ao ADE. Contudo, \u00e9 importante dizer nem todos os casos de dengue severa acontecem pro causa do ADE, por exemplo, uma pessoa infectada pela primeira vez com um sorotipo da dengue pode desenvolver dengue hemorr\u00e1gica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E como lidar com essa doen\u00e7a?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O tratamento de dengue consiste principalmente no uso de antit\u00e9rmicos para baixar a febre, analg\u00e9sicos para a dor e soro para repor a perda de l\u00edquidos. \u00c9 importante lembrar que alguns rem\u00e9dios N\u00c3O devem ser tomados quando uma pessoa est\u00e1 com dengue, principalmente aqueles que mexem com a coagula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, pois podem interagir com os sintomas da dengue hemorr\u00e1gica. \u00c9 por esses e outros motivos que muitas vezes vemos em propagandas os avisos \u201cN\u00e3o recomendado em caso de dengue\u201d. O ideal \u00e9 nunca se automedicar e sempre ver com um m\u00e9dico sobre poss\u00edveis medica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">N\u00e3o existem ainda drogas antivirais para dengue, apesar de muitos testes j\u00e1 terem sido feitos com diversos tipos de inibidores de prote\u00ednas virais e anticorpos monoclonais (tamb\u00e9m temos dois materiais explicando sobre esses anticorpos <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/qual-a-relacao-entre-naruto-anticorpos-e-tratamento-de-covid-19\/\">aqui<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/anticorpos-monoclonais-que\/\">aqui<\/a>). Contudo, v\u00e1rias subst\u00e2ncias produzidas por algas marinhas t\u00eam sido estudadas, ap\u00f3s cientistas verem que tais subst\u00e2ncias t\u00eam uma alta atividade antiviral contra os v\u00edrus da dengue.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Quando se fala de drogas e vacinas para tratar a dengue, a principal dificuldade em desenvolver esses medicamentos \u00e9 a alta variabilidade dos sorotipos virais, dificultando e muito a cria\u00e7\u00e3o de uma droga que afete os quatro de uma vez s\u00f3. Lembrando que os sorotipos s\u00e3o como ra\u00e7as de v\u00edrus da dengue, cada um contendo v\u00e1rios grupos de v\u00edrus, similares entre si. <strong>Um bom medicamento ou vacina contra a dengue deveria conseguir afetar (no caso de uma droga) ou proteger (no caso de uma vacina) contra todos os quatro sorotipos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E engana-se quem pensa que o meio ambiente n\u00e3o influencia a dengue!<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">O aquecimento global, o desflorestamento e a grande mobilidade urbana s\u00e3o fatores que aumentam o n\u00famero de casos de dengue ao redor do mundo, pois com o aumento da temperatura de um local, os mosquitos come\u00e7am a circular por l\u00e1. Assim, pa\u00edses que antes n\u00e3o tinham casos de dengue, pois eram muito frios para os mosquitos sobreviverem, agora se veem com epidemias de dengue devido \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do mosquito (e consequentemente, do v\u00edrus).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Por causa disso, o controle dos mosquitos continua sendo o principal m\u00e9todo para se prevenir a dengue, seja por interven\u00e7\u00f5es ambientais (n\u00e3o deixando vasilhas e pneus com \u00e1gua parada), controle qu\u00edmico (inseticidas e larvicidas) e biol\u00f3gico (uso de organismos para comer as larvas). Um (famoso) recente controle biol\u00f3gico s\u00e3o os mosquitos infectados com a bact\u00e9ria <em>Wolbachia<\/em>, uma bact\u00e9ria endossimbi\u00f3tica (n\u00e3o encontrada naturalmente nos <em>Aedes aegypti<\/em>) que torna os mosquitos resistentes a infec\u00e7\u00f5es de arbov\u00edrus, como o v\u00edrus da dengue, zika e chikungunya.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper wp-block-paragraph\">Atualmente, ainda h\u00e1 algumas d\u00favidas quanto a efici\u00eancia dessa estrat\u00e9gia: a princ\u00edpio, sabemos que a bact\u00e9ria passa dos mosquitos pais para filhos, assim, depois de um tempo n\u00e3o seria mais necess\u00e1rio liberar mosquitos com a bact\u00e9ria na natureza. Contudo, alguns estudos atuais mostram que popula\u00e7\u00f5es de mosquitos com Wolbachia s\u00e3o substitu\u00eddos por popula\u00e7\u00f5es de mosquitos livres dela, ap\u00f3s um certo per\u00edodo de tempo. Entretanto, \u00e9 ineg\u00e1vel a influ\u00eancia positiva desse m\u00e9todo na redu\u00e7\u00e3o de casos de dengue, zika e chikungunya.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Para saber mais<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\">Guzman, M. G., &amp; Harris, E. (2015). <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0140673614605729?casa_token=rCX96HCDZgEAAAAA:NSaXmLyrvHk3Ai9Ck_DBs7EHm6SKYbVxO4aY0tjZPRvAsu-jO6zmsP8VFIDVr8MPPC99pIYa2eM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue<\/a>. <em>The Lancet<\/em>, <em>385<\/em>(9966), 453-465.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Guzman, M. G., Gubler, D. J., Izquierdo, A., Martinez, E., &amp; Halstead, S. B. (2016). <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nrdp201655\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue infection<\/a>. <em>Nature reviews Disease primers<\/em>, <em>2<\/em>(1), 1-25.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Roy, S. K., &amp; Bhattacharjee, S. (2021). <a href=\"https:\/\/cdnsciencepub.com\/doi\/full\/10.1139\/cjm-2020-0572?rfr_dat=cr_pub++0pubmed&amp;url_ver=Z39.88-2003&amp;rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue virus: epidemiology, biology, and disease aetiology<\/a>. <em>Canadian Journal of Microbiology<\/em>, <em>67<\/em>(10), 687-702.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Pang, X., Zhang, R., &amp; Cheng, G. (2017). <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC6702245\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Progress towards understanding the pathogenesis of dengue hemorrhagic fever<\/a>. <em>Virologica Sinica<\/em>, <em>32<\/em>, 16-22.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Halstead, S. (2019). <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC6676504\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Recent advances in understanding dengue<\/a>. <em>F1000Research<\/em>, <em>8<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Harapan, H., Michie, A., Sasmono, R. T., &amp; Imrie, A. (2020). <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC7472303\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue: a minireview<\/a>. <em>Viruses<\/em>, <em>12<\/em>(8), 829.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Lim, S.Y.M.; Chieng, J.Y.; Pan, Y. <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/26895293.2020.1856192\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Recent insights on anti-dengue virus (DENV) medicinal plants: Review on in vitro, in vivo and in silico discoveries<\/a>. All Life 2021, 14, 1\u201333.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Ebi, K. L., &amp; Nealon, J. (2016). <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0013935116303127\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue in a changing climate<\/a>. <em>Environmental research<\/em>, <em>151<\/em>, 115-123.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Gesto, J. S. M., Pinto, S. B., Dias, F. B. S., Peixoto, J., Costa, G., Kutcher, S., &#8230; &amp; Moreira, L. A. (2021).<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmicb.2021.711107\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Large-scale deployment and establishment of Wolbachia into the Aedes aegypti population in Rio de Janeiro, Brazil.<\/a> <em>Frontiers in Microbiology<\/em>, <em>12<\/em>, 711107.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Dos Santos, G. R., Durovni, B., Saraceni, V., Riback, T. I. S., Pinto, S. B., Anders, K. L., &#8230; &amp; Salje, H. (2022). <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/laninf\/article\/PIIS1473-3099(22)00436-4\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estimating the effect of the wMel release programme on the incidence of dengue and chikungunya in Rio de Janeiro, Brazil: a spatiotemporal modelling study.<\/a> <em>The Lancet Infectious Diseases<\/em>, <em>22<\/em>(11), 1587-1595.<\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/saude\/noticia\/2023\/03\/dengue-fiocruz-vai-produzir-100-milhoes-de-mosquitos-por-semana-com-bacteria-que-impede-a-transmissao-da-doenca.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue: Fiocruz vai produzir 100 milh\u00f5es de mosquitos por semana com bact\u00e9ria que impede a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\">Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 2013. <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/dengue_diagnostico_manejo_clinico_adulto.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dengue: diagn\u00f3stico e manejo cl\u00ednico: adulto e crian\u00e7a.<\/a> Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Diretoria T\u00e9cnica de Gest\u00e3o, 4. ed.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Outros Materiais:<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"eplus-wrapper wp-block-list\">\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www3.paho.org\/data\/index.php\/en\/mnu-topics\/indicadores-dengue-en\/dengue-nacional-en\/252-dengue-pais-ano-en.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tabela da OMS mostrando o n\u00famero de casos de dengue, por pa\u00eds e por ano, al\u00e9m de outras informa\u00e7\u00f5es, como quais sorotipos estavam circulando no pa\u00eds e ano de interesse (em Ingl\u00eas).<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/minhas-impressoes-contagio-de-david-quammen\/\">Minhas impress\u00f5es: \u201cCont\u00e1gio\u201d, de David Quammen.<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/diagnostico-por-rt-qpcr-o-que-e-isso\/\">Diagn\u00f3stico por RT-qPCR, o que \u00e9 isso?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/se-o-coronavirus-e-um-virus-pulmonar-como-ele-infecta-outros-orgaos-parte-2\/\">Se o coronav\u00edrus \u00e9 um v\u00edrus pulmonar, como ele infecta outros \u00f3rg\u00e3os? (parte 2)<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/qual-a-relacao-entre-diabetes-e-covid-19\/\">Qual a rela\u00e7\u00e3o entre diabetes e Covid-19?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/qual-a-relacao-entre-naruto-anticorpos-e-tratamento-de-covid-19\/\">Qual a rela\u00e7\u00e3o entre Naruto, anticorpos e tratamento de COVID-19?<\/a><\/li>\n\n\n\n<li class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/covid-19\/anticorpos-monoclonais-que\/\">Anticorpos Monoclonais! Qu\u00ea?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Vimos anteriormente um pouco da biologia do v\u00edrus da dengue, onde ele surgiu e em que pa\u00edses acontecem as principais epidemias. 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