{"id":460,"date":"2024-04-19T11:42:15","date_gmt":"2024-04-19T14:42:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/?p=460"},"modified":"2024-06-05T18:41:13","modified_gmt":"2024-06-05T21:41:13","slug":"febre-do-oropouche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/2024\/04\/19\/febre-do-oropouche\/","title":{"rendered":"Febre do Oropouche: Um Alerta Cient\u00edfico para a Regi\u00e3o Norte do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\" wp-block-verse has-text-align-center has-small-font-size eplus-wrapper\"><em>Texto de Mariene Amorim<\/em><\/pre>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Aumento de casos de febre do Oropouche na regi\u00e3o Norte<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O Brasil sofre com doen\u00e7as causadas pelos arbov\u00edrus, que s\u00e3o v\u00edrus transmitidos por artr\u00f3podes, como os mosquitos. Caso exista alguma d\u00favida: de fato, <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2024-pode-se-tornar-o-ano-com-maior-numero-de-casos-de-dengue\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estamos vivendo uma epidemia de Dengue<\/a>, com incid\u00eancia cerca de 2x maior que a observada no ano passado (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/a\/arboviroses\/informe-semanal\/informe-semanal-no-04-coe.pdf\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Informe semanal de arboviroses<\/a>). Outros arbov\u00edrus conhecidos s\u00e3o o Zika, Chikungunya e Febre Amarela. Mas hoje n\u00f3s vamos falar sobre um v\u00edrus descoberto h\u00e1 mais de 60 anos, que causa doen\u00e7a em humanos, principalmente na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Dessa forma, esse \u00e9 mais um v\u00edrus que causa uma doen\u00e7a que faz parte das chamadas \u201cdoen\u00e7as tropicais negligenciadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Recentemente, em 2023, casos de uma doen\u00e7a de car\u00e1ter febril transmitida por artr\u00f3podes t\u00eam sido diagnosticados nos estados do Amazonas, Roraima, Rond\u00f4nia e Acre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Trata-se da febre do Oropouche, j\u00e1 ouviu falar?<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Se voc\u00ea \u00e9 da regi\u00e3o norte do Brasil, provavelmente sim.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse \u00faltimo surto, o qual ainda est\u00e1 acontecendo, j\u00e1 contabilizou mais de 2.000 casos. At\u00e9 o dia 6 de mar\u00e7o, a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS) contabilizou 1.821 casos no Amazonas, 172 em Rond\u00f4nia, 51 no Acre e 12 em Roraima. A prefeitura de Manaus reportou 829 casos confirmados por crit\u00e9rio laboratorial at\u00e9 o dia 2 de mar\u00e7o de 2024 e o \u00f3bito de uma jovem, que apresentou infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus Oropouche (OROV) e que tamb\u00e9m estava com covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Aqui vale ressaltar: a emerg\u00eancia e reemerg\u00eancia de arboviroses n\u00e3o \u00e9 trivial. Dessa forma, serve de alerta para as interven\u00e7\u00f5es humanas sobre o meio ambiente. Assim como para o descuido, car\u00eancia em diagn\u00f3stico e a neglig\u00eancia em se entender o real impacto de muitas doen\u00e7as tropicais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Entre o in\u00edcio de janeiro de 2024 e o dia 09 de abril de 2024 foram identificados 3.324 casos, divididos entre os estados da regi\u00e3o Norte Amazonas (2.575),&nbsp; Rond\u00f4nia (592), Acre (110), Roraima (18), Par\u00e1 (29). Um aumento de 400% em rela\u00e7\u00e3o a 2023.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Oropouche, que v\u00edrus \u00e9 esse?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para entender a composi\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus, talvez seja importante entender que ele \u00e9 divido em duas partes: o envelope e a part\u00edcula viral. No Oropouche o envelope \u00e9 lipoproteico. Isto \u00e9, a parte de fora do v\u00edrus \u00e9 uma camada composta por gordura (\u201clipo\u201d) e prote\u00ednas (\u201cproteico\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">J\u00e1 a part\u00edcula viral,&nbsp; seu material gen\u00e9tico, \u00e9 de RNA de fita simples, dividido em tr\u00eas fragmentos: um pequeno (S), um m\u00e9dio (M) e um mais longo (L). A part\u00edcula possui glicoprote\u00ednas em sua superf\u00edcie, e uma enzima respons\u00e1vel pela replica\u00e7\u00e3o viral, uma <strong>RNA polimerase RNA dependente<\/strong> (RdRp). Ou seja, uma enzima capaz de fazer mol\u00e9cula de RNA usando como molde uma outra mol\u00e9cula de RNA (Figura 1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Este v\u00edrus pertence \u00e0 fam\u00edlia <em>Peribunyaviridae<\/em>, junto com outros v\u00edrus causadores de doen\u00e7as em seres humanos e animais. Foi descoberto em 1955, em um paciente febril na vila Vega de Oropouche em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Trindade_e_Tobago\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Trindade e Tobago<\/a>. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 foram identificados surtos em pa\u00edses como Brasil, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Peru\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Peru<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Col%C3%B4mbia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Col\u00f4mbia<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Guiana_Francesa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Guiana Francesa<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Panam%C3%A1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Panama<\/a>. Mais de 500 mil casos da doen\u00e7a foram reportados anteriormente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"804\" height=\"586\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-472\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-4.png 804w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-4-300x219.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-4-768x560.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-4-500x364.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-4-800x583.png 800w\" sizes=\"(max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Figura 1. Febre do Oropouche: part\u00edcula viral e sintomas comuns. S = fragmento pequeno, do ingl\u00eas <em>small<\/em>; M = fragmento m\u00e9dio, L = fragmento longo; RdRp = RNA polimerase RNA dependente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">\u00c9 um n\u00famero bem alto para uma doen\u00e7a infecciosa pouco conhecida, n\u00e3o acham? E n\u00e3o para por a\u00ed\u2026&nbsp;<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Estudos de vigil\u00e2ncia imunol\u00f3gica, que avaliam a presen\u00e7a de anticorpos no sangue das pessoas indicando que houve uma infec\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, apontam que muitos outros casos podem ter passado despercebidos, sem diagn\u00f3stico, ao longo dos anos. Por exemplo, algumas regi\u00f5es na Amaz\u00f4nia indicam uma alta soropreval\u00eancia (propor\u00e7\u00e3o de pessoas em uma popula\u00e7\u00e3o que t\u00eam anticorpos espec\u00edficos em seu sangue, em um determinado momento), com at\u00e9 50% das pessoas tendo anticorpos para Oropouche, indicando uma resposta \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao agente infeccioso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Caracter\u00edsticas da Febre do Oropouche<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A doen\u00e7a, conhecida como febre do Oropouche, tem um per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o de 4 a 8 dias. Ou seja, desde a transmiss\u00e3o at\u00e9 o aparecimento dos sintomas. Os sintomas mais comuns s\u00e3o febre em torno de 39\u0970C, dores musculares (mialgia), dores nas articula\u00e7\u00f5es (artralgia), calafrios, n\u00e1useas, v\u00f4mito e tontura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso, algumas pessoas podem apresentar uma condi\u00e7\u00e3o denominada fotofobia, que \u00e9 quando os olhos se tornam muito sens\u00edveis \u00e0 luz, causando desconforto. Mas, tamb\u00e9m podem aparecer dor na regi\u00e3o dos olhos, anorexia e fraqueza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os sintomas duram em torno de 7 dias, sendo que aproximadamente 60% das pessoas podem apresentar recidiva (reaparecimento dos sintomas ap\u00f3s um per\u00edodo de remiss\u00e3o ou recupera\u00e7\u00e3o) cerca de duas semanas depois, os quais podem voltar mais severos. Isto \u00e9, os sintomas podem voltar a aparecer como consequ\u00eancia desta infec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se configurando em uma nova infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Sintomas menos frequentes<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sintomas menos frequentes descritos na literatura incluem fen\u00f4menos hemorr\u00e1gicos como sangramento gengival e aparecimento de manchas vermelhas na pele, per\u00edodo menstrual intenso ou prolongado (menorragia) e aborto espont\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por fim, o Oropouche \u00e9 capaz de causar infec\u00e7\u00e3o no sistema nervoso central, como observado em surtos anteriores, com evid\u00eancias tamb\u00e9m levantadas em estudos realizados em laborat\u00f3rio. Dessa forma, \u00e9 importante ficar atento \u00e0s dores de cabe\u00e7a intensas. Este sintoma em particular torna-se relevante, uma vez que pode preceder o desenvolvimento de meningite ass\u00e9ptica ou viral. Assim, neste caso, os sintomas incluem rigidez no pesco\u00e7o, tonturas, n\u00e1useas, v\u00f4mitos, letargia, vis\u00e3o dupla (diplopia) e um movimento involunt\u00e1rio e repetitivo dos olhos (nistagmo), que podem persistir por at\u00e9 duas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Apesar desta lista longa de sintomas (e alguns bem graves), a febre do oropouche pode ser tratada, sem deixar sequelas. Destacamos, nesse sentido, a import\u00e2ncia da realiza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico e acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Esse v\u00edrus tem grande potencial de dissemina\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Primeiramente, vamos observar os dois ciclos de transmiss\u00e3o do v\u00edrus, como mostrado na figura 2. O Oropouche circula em regi\u00f5es de floresta (ciclo silvestre), podendo infectar animais silvestres como pregui\u00e7as, primatas n\u00e3o-humanos, pequenos roedores e p\u00e1ssaros. Os vetores do v\u00edrus, ou seja, os respons\u00e1veis por transmitir a doen\u00e7a, s\u00e3o mosquitos, que ainda s\u00e3o pouco estudados pela ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso, o Oropouche tamb\u00e9m circula em \u00e1reas urbanas (ciclo urbano) em seres humanos, transmitido pela picada de pequenas moscas hemat\u00f3fagas, tamb\u00e9m conhecidas como maruim ou mosquito-p\u00f3lvora. A esp\u00e9cie <em>Culicoides paraensis, <\/em>encontrada principalmente na regi\u00e3o Norte do Brasil, \u00e9 apontada como vetor principal (Figura 2). Os seres humanos, ao adentrar as florestas, podem contrair o v\u00edrus e levar para a \u00e1rea urbana, funcionando como uma \u201cponte\u201d entre os dois ciclos (Figura 2).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"1029\" height=\"430\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2.png\" alt=\"Os ciclos silvestre e urbano do v\u00edrus Oropouche.\" class=\"wp-image-470\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2.png 1029w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2-300x125.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2-1024x428.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2-768x321.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2-500x209.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-2-800x334.png 800w\" sizes=\"(max-width: 1029px) 100vw, 1029px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Figura 2. Os ciclos silvestre e urbano do v\u00edrus Oropouche.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image size-full eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"638\" height=\"673\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-1.png\" alt=\"Figura 2. Culicoides paraensis, o maruim ou mosquito-p\u00f3lvora. Cr\u00e9ditos da imagem: Maria Luiza Felippe-Bauer, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.\" class=\"wp-image-469\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-1.png 638w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-1-284x300.png 284w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-1-500x527.png 500w\" sizes=\"(max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Figura 2. <em>Culicoides paraensis<\/em>, o maruim ou mosquito-p\u00f3lvora. Cr\u00e9ditos da imagem: Maria Luiza Felippe-Bauer, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Sempre \u00e9 relevante lembrar que as altera\u00e7\u00f5es severas no ambiente s\u00e3o parte do aumento de doen\u00e7as como esta!<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Como as interven\u00e7\u00f5es humanas sobre as florestas e vida silvestre tem se intensificado ao longo dos anos, as chances de aparecerem novos surtos tamb\u00e9m aumentaram. De fato, estudos apontam para um aumento do n\u00famero de casos de Oropouche em regi\u00f5es impactadas por queimadas e outras atividades que promovem o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Agora temos um segundo ponto: os vetores. Al\u00e9m disso, sobre o <em>C. paraensis<\/em> j\u00e1 foi demonstrado que mosquitos mais comuns, como a esp\u00e9cie <em>Culex quinquefasciatus<\/em> (a famosa e insolente muri\u00e7oca), encontrada em diversas regi\u00f5es do Brasil, nas Am\u00e9ricas, entre outros continentes, tamb\u00e9m \u00e9 um vetor potencial do v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Ou seja, precisamos ficar atentos, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Afinal, a diversidade de vetores pode favorecer a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus al\u00e9m da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. E casos de Oropouche j\u00e1 foram identificados em outros locais, como S\u00e3o Paulo, Bahia, Curitiba e mais recentemente no Rio de Janeiro, oriundos de viajantes que estiveram na regi\u00e3o Norte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Os rearranjos dos genomas e a variabilidade gen\u00e9tica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">O universo dos v\u00edrus, assim como a sua hist\u00f3ria, \u00e9 algo intrigante!<strong> <\/strong>E j\u00e1 sabemos o quanto \u00e9 importante estudar a sua estrutura submicrosc\u00f3pica. Pesquisadores em Manaus conseguiram identificar uma particularidade no genoma do v\u00edrus Oropouche que est\u00e1 causando o surto atual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">O que seria?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Veja bem, depois da pandemia da covid-19, ficou claro que precisamos de uma vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica atrelada \u00e0 vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, para acompanhar varia\u00e7\u00f5es nos genomas virais que podem favorecer sua dissemina\u00e7\u00e3o. E o que foi observado em amostras de Oropouche do surto atual foi uma varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica em que houve um rearranjo dos segmentos virais, fen\u00f4meno conhecido como \u201crearranjo g\u00eanico\u201d, do ingl\u00eas <em>reassortment<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse fen\u00f4meno pode acontecer entre v\u00edrus de genoma segmentado, em que duas part\u00edculas da mesma esp\u00e9cie, por\u00e9m com algumas diferen\u00e7as gen\u00e9ticas, infectam a mesma c\u00e9lula. Nesses casos, ocorre um rearranjo dos segmentos no momento da produ\u00e7\u00e3o de novos v\u00edrus. Isso resulta na gera\u00e7\u00e3o de descendentes virais h\u00edbridos, com uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica de caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas (Figura 4).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image eplus-wrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1600\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-473\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5.png 1600w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-300x300.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-768x768.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-1536x1536.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-500x500.png 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-800x800.png 800w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/wp-content\/uploads\/sites\/289\/2024\/04\/image-5-1280x1280.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Figura 4. Rearranjo gen\u00e9tico, ou <em>reassortment.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">\u00c9 importante saber que isso pode ter um impacto no surgimento de novos surtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Os v\u00edrus Influenza A, por exemplo, tamb\u00e9m s\u00e3o segmentados, podendo ocorrer rearranjo entre duas variantes, o que confere variabilidade gen\u00e9tica. Esse evento \u00e9 chave para o surgimento de novos v\u00edrus Influenza A causadores de grandes pandemias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">E o que sabemos sobre o aumento da variabilidade gen\u00e9tica no contexto dos v\u00edrus?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sabemos que isso pode ocasionar alguns benef\u00edcios para o v\u00edrus, entre eles escape da resposta imunol\u00f3gica, ou at\u00e9 mesmo uma melhor adapta\u00e7\u00e3o a vetores, o que tamb\u00e9m \u00e9 algo preocupante e precisa ser investigado!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mas esse assunto vai ficar para o nosso pr\u00f3ximo texto!<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Sendo assim, vamos ficar alerta a emerg\u00eancia e reemerg\u00eancia das arboviroses, que s\u00e3o muitas. Voc\u00ea j\u00e1 conhecia a febre do Oropouche?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Para mais informa\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Chiang, JO <em>et al <\/em>(2021)<em> <\/em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s13365-021-00987-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Neurological disease caused by Oropouche virus in northern Brazil: should it be included in the scope of clinical neurological diseases?<\/a> <strong>Journal of NeuralVirology<\/strong>, v 27, p. 626\u2013630.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Naveca, FG et al (2024) <a href=\"https:\/\/virological.org\/t\/emergence-of-a-novel-reassortant-oropouche-virus-drives-persistent-outbreaks-in-the-brazilian-amazon-region-from-2022-to-2024\/955\/1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Emergence of a novel reassortant Oropouche virus drives persistent outbreaks in the Brazilian Amazon region from 2022 to 2024<\/a>. <strong>Virological<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade \/ Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. <a href=\"https:\/\/www.paho.org\/pt\/file\/140786\/download?token=HRvPXk34\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Atualiza\u00e7\u00e3o Epidemiol\u00f3gica: Oropouche na Regi\u00e3o das Am\u00e9ricas, 6 de mar\u00e7o de 2024<\/strong><\/a>. Washington, D.C.: OPAS\/OMS; 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Romero-Alvarez, D &amp; Escobar, LE (2017) <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/0074-02760160415\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vegetation loss and the 2016 Oropouche fever outbreak in Peru<\/a> <strong>Mem Inst Oswaldo Cruz<\/strong>, v112, n4, p 292-298.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">___ <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/29247710\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oropouche fever, an emergent disease from the Americas<\/a> <strong>Microbes and Infection<\/strong>, v20, n3, p135-146.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Secretaria Municipal de Sa\u00fade (Semsa Manaus) (2024) <a href=\"https:\/\/semsa.manaus.am.gov.br\/vigilancia-epidemiologica\/boletim-arboviroses\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Boletim Arboviroses 2024<\/strong><\/a>. Semsa.Wesselmann, KM <em>et al<\/em> (2024)<em> <\/em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S1473-3099(23)00740-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Emergence of Oropouche fever in Latin America: a narrative review<\/a>, <strong>Lancet Infectious Disease<\/strong>, p1-14.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Bonora Junior, M (2023) <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/2023\/06\/06\/o-que-e-a-dengue\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 Dengue?<\/a>, <strong>Blogs de Ci\u00eancia da Unicamp<\/strong>, EMRC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Texto de Mariene Amorim Aumento de casos de febre do Oropouche na regi\u00e3o Norte O Brasil sofre com doen\u00e7as causadas pelos arbov\u00edrus, que s\u00e3o v\u00edrus <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/emrc\/2024\/04\/19\/febre-do-oropouche\/\" title=\"Febre do Oropouche: Um Alerta Cient\u00edfico para a Regi\u00e3o Norte do 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